abril 25, 2005

Conforme vos tinha prometido, caros leitores, apresento-vos coisas boas do trajecto entre Lisboa e Vila Franca. Depois de passar o lixo, a desordem, os esgotos e a incrível porcaria que vimos nas entradas anteriores, junto do Trancão, passamos uma rede derrubada e chegamos a uma zona de reserva integral onde, sobre um Tejo poluído, e entre cães assilvestrados que nunca deveriam andar por ali, podemos sentir a calma que transparece nesta imagem e observar animais selvagens como estes flamingos de rara beleza.
Publicado por Domingos Neto às 04:10 PM | Comentários (1)

Conforme vos tinha prometido, caros leitores, apresento-vos coisas boas do trajecto entre Lisboa e Vila Franca. Depois de passar o lixo, a desordem, os esgotos e a incrível porcaria que vimos nas entradas anteriores, junto do Trancão, passamos uma rede derrubada e chegamos a uma zona de reserva integral onde, sobre um Tejo poluído, e entre cães assilvestrados que nunca deveriam andar por ali, podemos sentir a calma que transparece nesta imagem e observar animais selvagens como estes flamingos de rara beleza.
Publicado por Domingos Neto às 04:10 PM | Comentários (1)
abril 21, 2005
O que há de pior entre Lisboa e Vila Franca III
O percurso Lisboa-Vila Franca de Xira poderia ser um dos cartões de visita da capital. No entanto, por diversos e sucessivos erros de planeamento a paisagem que oferece é em regra degradada, desordenada e sem qualidade. Nesta última entrada publicaremos alguns dos principais pontos que em nossa opinião exigem uma atenção especial por parte de cidadãos e autoridades.
Na última foto e na próxima entrada temos uma surpresa: algumas coisas bonitas e boas desta região
Deveriam ter sido outras as prioridades do desenvolvimento português, devendo ter-se privilegiado as infra-estruturas, a sensatez e as obras de raiz.
São precisas grandes obras nesta região, que nos envergonha (uma questão essencial é a de prioridades).
1: primeiro, lavar e limpar esta zona, despoluindo o rio Tejo e o Trancão, construindo as infra-estruturas de saneamento básico, as ETARES, sistemas de aterros e a necessária reciclagem de lixos.
2: acabar com as lixeiras clandestinas e as descargas de entulho a céu aberto
3: Construir uma rede viária lógica, fechando, por exemplo, todas as passagens de nível nos caminhos-de-ferro deste troço, substituindo-as por passagens desniveladas. Reabilitar a N10.
4: reverter as asneiras que se fizeram no plano ecológico, recriando corredores ecológicos e permitindo a vida selvagem existente. Por exemplo, na continuidade do Trancão, para Norte, existe uma zona de reserva Natural do Estuário do Tejo, cheia de esgotos e lixo mas também de vida animal, mas completamente interrompida pelo Emissário da Incineradora ValorSul. É preciso descompartimentá-la, restabelecendo a circulação de animais nesta região (as aves passam, mas não os mamíferos).
5: é preciso promover um verdadeiro Plano Director urbano e industrial, requalificando a malha urbana e a paisagem, investindo na recuperação de prédios degradados em zonas históricas, e liquidar, a prazo, construções em banda e fábricas, muitas delas já desactivadas, que tapam as vistas sobre o Tejo. Convém deixar que algumas dessas fábricas atinjam o seu fim de vida útil, para depois em seu lugar se construírem empreendimentos de cultura e lazer.
6: atenção que é preciso destruir também todos os equipamentos em desuso que “embelezam” esta zona, prédios clandestinos semi-construídos, restos de fábricas, ruínas inúteis e vandalizadas, porque toda a gente pensa e construir mas ninguém vê o que é necessário fazer para acabar com os destroços que entretanto se criaram.
7: restabelecer a relação com o Tejo criando pontos de contacto e de fruição do rio (pelo menos um por freguesia), aumentando a qualidade de vida das populações.
8: promover o desenvolvimento escolar e científico dos jovens dessa região, privilegiando, a par do necessário investimento no ensino, os contactos com o rio e a natureza.
As Câmaras Municipais de Loures (freguesias de Sacavém, Bobadela, S. João da Talha, Santa Iria de Azóia) e de Vila Franca de Xira, (freguesias de Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Alverca do Ribatejo, Sobralinho, Alhandra e Vila Franca de Xira) têm um imenso trabalho a fazer. É preciso também que se perceba que alguma coisa está a ser feita. Se consultarmos a Internet aparecem projectos de intervenção e de despoluição para esta região, mas não se vêem resultados. Não pedimos que se faça tudo ao mesmo tempo, mas que se escalonem as prioridades (as coisas mais fáceis e urgentes para agora e as mais complexas mais para a frente).
Por último, viver bem também educa as pessoas, e passar a viver melhor nesta região vai, de certeza, sensibilizá-las para que não voltem a tolerar este estado de coisas
Um perigo e uma coisa boa de última hora:
O perigo é a passagem projectada da linha de alta velocidade por estes sítios, que irá ser mais um entrave a cortar as pessoas do Tejo e a desordenar o território.
A coisa boa é a promessa do governo de José Sócrates de finalmente começar a despoluir o estuário do Tejo
Publicado por Domingos Neto às 12:07 AM | TrackBack
abril 17, 2005
Lisboa Vila Franca II
Vamos apresentar mais alguns pontos negativos e, por fim, em entrada a publicar proximamente, mostrar também algumas coisas interessantes e quase desconhecidas
No percurso entre Lisboa e Vila Franca de Xira o rio Tejo é separado da fruição e da convivência das pessoas por uma cintura quádrupla:
1: Uma cintura industrial (GALP, Sacor, BP; Copam, Solvay, Covina-Saint Gobain, etc.), que polui a atmosfera e tapa quase todas as entradas para o rio.
2: A linha do Norte, provavelmente a linha de caminho de ferro mais movimentada do país, cheia de passagens de nível.
3: A IC2 e a antiga estrada nacional N10, completamente inestética, superlotada, com outdoors por todo o lado, sem faixas nem passadeiras para peões.
4: Prédios de habitação construídos em banda e vivendas, ao lado dos esgotos, de fábricas altamente poluentes, de estradas e da via-férrea, por baixo de postes de alta tensão, sem qualquer ordenamento nem respeito pelas pessoas que lá moram
Há duas pequenas excepções a este caos, que são também os dois únicos pontos de contacto com o Tejo em todo este trajecto: os ancoradouros de Alhandra e de Vila Franca onde ainda se vêem alguns cais palafíticos, produtos de outras épocas e que só se mantiveram até agora devido à feroz intransigência das pessoas que lá vivem e trabalham.
Publicado por Domingos Neto às 07:45 PM | Comentários (1)
abril 09, 2005
O que há de pior entre Lisboa e Vila Franca - I
Portugal, Lisboa - esgoto no rio Trancão - 2005
O percurso Lisboa-Vila Franca de Xira poderia ser um dos cartões de visita da capital. No entanto, por diversos e sucessivos erros de planeamento a paisagem que oferece é em regra degradada, desordenada e sem qualidade. Nesta e ao longo das próximas entradas publicaremos alguns dos principais pontos que em nossa opinião exigem uma atenção especial por parte de cidadãos e autoridades.
Portugal, Lisboa - Estrada Nacional 10 - 2005
Publicado por Domingos Neto às 08:33 PM