março 19, 2005
Bom senso na paisagem em....Caminha

Porque nem sempre se lêem e vêem más noticas na paisagem, aqui está uma entrada a registar o bom senso de uma decisão camarária: a não autorização de instalação de uma superfície comercial em Caminha, porque simplesmente esta se situaria numa zona não edificável do seu PDM. Tão simples quanto isto, mas um episódio raro e por isso louvável num país cujos autarcas nos habituaram a constantes atropelos na ocupaçao da paisagem e que passa quase sempre pela santissima trindade das rotundas, urbanizaçao extensiva e superficies comerciais "modernas".
Não que se tenha alguma coisa contra a renovação do tecido comercial, mas que se duvida desta espécie de modernização, que em Espanha não se vê, ai isso duvida. Aliás, até porque isto tem muito mais a ver com a renovação, ou melhor a não-renovação, dos centros historicos do que se quer deixar pensar. Pois é, isto tá tudo ligado! A este proposito vejam também esta noticia do jornal público acerca do licenciamento por Viana do Castelo de mais superficíes comerciais em freguesias rurais.
Mas aqui fica então a boa notícia que queriamos destacar:
Câmara de Caminha chumba hipermercado
JORNAL PUBLICO DE 15 de Março 2005
A instalação de uma nova superfície comercial com 1972 metros quadrados em Caminha foi ontem chumbada por unanimidade na respectiva comissão municipal. O pedido de autorização de um hipermercado Feira Nova e de um conjunto de lojas e escritórios num edifício com dois pisos a construir no lugar de Sortes Novas, freguesia de Âncora, terá sido rejeitado por todos os organismos representados na comissão, com o argumento de que a localização se situava em zona não-edificável do PDM caminhense.
Segundo o presidente da ACIVAC, José Afonso, que tomou parte na reunião da comissão, na origem do chumbo esteve também o facto de a maioria dos presentes entender que "a instalação da mais uma superfície comercial em Caminha iria afectar o comércio tradicional". Aquele responsável comentou que foi com "muito agrado" que viu afastada a hipótese de instalação do novo hipermercado, porque, defende, aquele concelho "já se encontra suficientemente servido" com as superfícies existentes: um Intermarché, um Pingo Doce e um Mini-Preço. "Congratulamo-nos com o facto de a câmara e a assembleia municipais não permitirem a instalação de mais unidades deste género no concelho, pelo menos nos próximos tempos", concluiu.
E aqui fica a má noticia:
Autorizadas duas novas superfícies comerciais em freguesia de Viana
Ana Peixoto Fernandes
17 Março 2005
Associação Comercial de Viana voltou a criticar o "turismo de supermercado"
A instalação de duas novas superfícies comerciais do ramo alimentar na freguesia de Darque, em Viana do Castelo, foi ontem autorizada pela respectiva comissão municipal.
As unidades, aprovadas apenas com o voto contra da Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC), foram um Lidl, com 1141 metros quadrados, e um Feira Nova, com 1998, que inclui uma área com lojas, a instalar no lugar de Bouças, a escasso meio quilómetro da zona onde funciona desde finais do ano passado um supermercado Leclerc, com uma área igual à do fututo Feira Nova.
O presidente da AEVC, Joaquim Ribeiro, que recentemente acusou a Câmara de Viana de fomentar o "turismo de supermercado" no concelho, voltou a criticar o posicionamento assumido pela autarquia e traçou um cenário negro em relação ao futuro do comércio local. "A única coisa que espero é estar enganado, mas acho que isto [os novos super e hipermercados] vai secar completamente o pequeno comércio do ramo alimentar e de outros ramos", declarou ao PÚBLICO, sublinhando que, apesar de a Câmara de Viana ter assumido que iria autorizar a instalação em benefício dos consumidores, ainda esperava "que uma região que se diz com uma política sustentada com a Valimar [Comunidade Urbana que abrange os municípios do Vale do Lima, Caminha e Esposende] não tivesse diferentes opiniões de concelho para concelho". Aquele responsável referia-se ao facto de a Câmara e a Assembleia Municipal de Caminha terem chumbado a instalação de um Feira Nova na freguesia de Âncora.
Entre Junho e Setembro de 2004, tinham dado entrada na Direcção Rerional de Economia do Norte três pedidos de autorização para a instalação de superfícies comerciais para uma mesma zona, com pouco mais de dois quilómetros de extensão, situada entre as freguesias de Darque e de Mazarefes, em Viana do Castelo. Dois deles foram aprovados agora, mas resta ainda por autorizar a instalação de um conjunto comercial com 9006 metros quadrados requerido pelo grupo Os Mosqueteiros - Intermarché para o lugar de Conchadas, em Mazarefes.
Publicado por jgomes às 07:05 PM | Comentários (1)