julho 01, 2004
A Cordoaria do Porto, O Euro, Sampaio e Durão Barroso. Tá tudo ligado.
Portugal, Porto, Junho de 2004 - Praça da Cordoaria
O primeiro-ministro quer ir à sua vida (....e vai! Faz bem. Deus o guarde e lhe dê sorte!) mas fica triste se os que cá ficam quizerem ir à sua e não viverem de acordo com o que ele acha bem!!!! Enfim, o ponto G de alguém no zénite do egoísmo autista. Ó homem não se empate mais, vá andando, Deus o guarde que nós cá nos arranjamos. E isso passará, naturalmente, por eleições antecipadas.
Durão Barroso não se deve ter apercebido, o que é compreensível, tão focado ele está no poder da sua gravata (terá sido esta a responsável pela promoção??), mas o Presidente da Republica Jorge Sampaio percebe que um país que se envolve assim numa competição europeia não pode ser ultrapassado por uma série de obscuros presidentes de distritais laranja. Como ele bem notou ontem frente às câmaras de televisão, um povo que se comporta assim está mais do que preparado para oajudar nas decisões difíceis. E está, naturalmente, mais do que preparado para ter o futuro nas suas mãos e poder decidir outra vez.
Como alguns blogues já disseram, Jorge Sampaio tem aqui a oportunidade de ouro de dar aos portugueses aquilo que ele tanto tem procurado estimular: cidadania e participação. Se não der, depois não se queixe, entre outras coisas, do nível de abstenção.
A foto, do largo da cordoaria no Porto foi tirada durante o jogo Portugal - Inglaterra. A Abaixo foi tirada ontem durante o jogo Portugal-Holanda. Não conheço os outros sítios que no país transmitiram em ecrã gigante os jogos do Euro, mas este é garantidamente um dos melhores. Uma praça respeitável, e respeitada urbanisticamente, no centro de uma cidade devolvida, ainda que temporariamente, a milhares de cidadãos. E que so não vêm cá mais porque foram obrigados a comprar um T2 nas periferias.
Todos já concluímos que Junho de 2004 vai ser um mês a guardar na memória. Não pela promoção de Durão Barroso, que é sobretudo um êxito individual, mas pelas emoções partilhadas em publico que o Euro proporcionou. pela energia que subitamente muitos redoscobriram. Tudo proporcionado por 11 jogadores , um seleccionador e, é certo, uma enorme máquina de promoção e comunicação.
Poderíamos ter outras causas assim. Deveríamos ser sempre assim.
Publicado por jgomes às 08:44 PM | Comentários (2)
maio 13, 2004
Porto IV - Reabilitaçao Urbana: Eles Andem aí!!!
Portugal, Porto, R. da Alegria - Maio de 2004
Este blogue não é especializado a comprovar a existência de uma cabala organizada e orquestrada há longa data contra a qualidade de vida dos portugueses!
Mas quem tiver lido os jornais dos últimos 10 dias, nomeadamente nas secções intituladas "dossier local "- portanto sem importância nacional! - e for propenso a associar ideias não pode senão concluir que: Eles Andem Aí!!!
Isto é, é bem provável que um número não identificado mas que se imagina elevado de promotores imobiliários, construtores, dirigentes partidários, autarcas e ex-autarcas que nos últimos anos se ocuparam a contribuir freneticamente para o nosso desenvolvimento se estejam neste momento a deliciar (Quem sabem bebericando uns cocktails nas Antilhas?!?!) com as noticias dando conta dos esforços daqueles que ainda acreditam ser possível reabilitar os centros urbanos das nossas cidades em geral e do Porto em particular.
Senão vejamos os factos noticiados na mesma semana em que o edifício acima continua impunemente degradado numa das ruas da baixa Portuense, a rua da Alegria:
1 - Na semana passada o Governo aprovou e publicou em Diário da República o diploma que concebe as Sociedades de Reabilitação Urbana - Uma espécie de S.A´s camarárias com poderes alargados para puderem expropriar proprietários pouco colaborantes.
Comentário: A noticia é bem vinda e só peca por tardia. Embora não se perceba porque é que as Câmaras não o podiam fazer antes. Mas adiante.
2 - O Porto promoveu um ciclo de debates dedicado à reabilitação urbana. Dos diversos contributos daqueles que neles participaram transcrevo dois (conforme publicados no jornal Publico:
2.1 - O comentário do Sr. Rui Viana, presidente da AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas) aplaudiu o projecto da Câmara do Porto, mas disse que a AICCOPN quer "muito mais". No seu entender, para que a "Baixa volte a ser o coração da cidade" é necessário proceder à reabilitação dos edifícios em mau estado, sendo fundamental o planeamento. "Combater a burocracia" é, para Rui Viana, muito importante para que cada intervenção se processe de um modo rápido, sendo para isso necessário proceder-se ao alargamento das competências da Sociedade de Reabilitação Urbana.
Comentário: !!!!!!. Vindo de quem vem (Associação de industriais de construção civil)! O Sr. Rui Viana aterrou agora no planeta ou é mesmo assim? Bom, às tantas a Sociedade de Reabilitação do Porto ainda pode vir a ter um orçamento digno do nome.....
2.2 - O comentário dos presidentes das freguesias
O Sr. Presidente da junta de freguesia da Sé, José Barreto Ramos, percebendo que os poderes públicos em questão são muito fortes e endinheirados, e vão mesmo reabilitar tudo, resolveu juntar alguma água na fervura e atirar-se á sobranceria realizadora da câmara do Porto e lembrar logo de seguida que ""Se estamos a falar da recuperação do edificado, a Câmara do Porto tem que recuperar os seus próprios edifícios".
Comentáro: Enfim um exemplo de harmonia e a cooperação institucional.
3 - Na mesma semana a Câmara do Porto procurou, numa iniciativa conjunta com a ANJE ( Associação Nacional de Jovens Empresários) promover o regresso das pessoas À Baixa e com isso atrair a instalação de jovens empresários. A iniciativa designou-se "porto de Partida" e arrancou com actividade "Petiscos a um Euro no Centro Histórico do Porto" ao qual aderiram uma serie de estabelecimentos...
Comentário: Não quero ser demasiado corrosivo... Mas é preciso uma joint venture CMP/ANJE para um circuito de petiscos a 1 EURO?
4 - Por fim, e garanto-vos que só li o Público, imaginem se tivesse lido os jornais todos- A questão do reordenamento do Parque escolar do Porto e o celeuma do projecto de encerramento da escola Carolina Micaelis.
Comentário: Numa cidade que tem 47 mil edifícios, dos quais 10 mil estão devolutos e cerca de 23 000 tem mais de 75 anos; Numa cidade cujos habitantes foram expulsos ao longo dos últimos 20 anos para as urbanizações da periferia (nas quais também se construíram escolas), Pergunta-se: qual é a estupefacção?
A economia é Engenhosa mas não é elástica!! e assim o sendo hoje, já o era há alguns anos a esta parte. Por isso é que mentes mais fantasiosas não resistem a supor que é tudo demasiado obvio para não ter sido sequer antevisto por uma mente mais esclarecida nas autarquias deste país!
Bom. Votos sinceros de Boa Sorte à SRU "Porto vivo do Porto". Apesar de estarmos cientes que vem fazer o que a sua mãe-autarquia deveria ter começado por prevenir há 20 anos atrás, Bem vinda!
Publicado por jgomes às 10:29 PM | Comentários (0)
maio 04, 2004
Porto III - Ponte da Arrábida
Portugal, Porto, Ponte da Arrábida
Esta ponte não é só uma obra prima da engenharia civil portuguesa da autoria do Eng. Edgar Cardoso (1913-2000), património classificado e reconhecida mundialmente.
É também uma obra de arte de alguém que teve a sensibilidade de perceber que só um arco único poderia enquadrar os que chegam na intimidade da cidade do Porto. E, simultaneamente, não perturbar aos que ainda nao partiram a vista para a imensidão do Atlântico que à frente começa.
Se nos abstrairmos de uns condomínios fechados na margem direita, e de umas matas abandonadas no lado de Gaia, esta é sem duvida uma das paisagens que valem a pena no Porto. A provar uma vez mais que as obras publicas também podem ( e devem!) ter outras leituras que não as puramente técnico-funcionais.
Publicado por jgomes às 11:40 PM | Comentários (0)
abril 29, 2004
Porto II - Av. da Boavista
29 de Abril de 2004. Portugal, Porto, Av. da Boavista, nº 1354.
São estas as vistas que a principal avenida do Porto oferece hoje a quem quiser dispensar uns minutos a observar o património abandonado em plena avenida. Da rotunda da Boavista até à Foz, (cerca de 10 Km?) são muitos os exemplos de casas apalaçadas ainda preservadas e em funções. No entanto não há espírito positivo que permita esquecer a quantidade de palacetes e espaços em processo de ruína, numa espera criminosa pelos melhores dias do imobiliário.
Em Lisboa, existe um site, Lisboa abandonada (a quem o vistas na paisagem humildemente presta aqui homenagem), mantido por simples cidadãos comuns preocupados com os edifícios abandonados e sobretudo com o que isso implica na fruição da cidade. O Porto também deveria ter um site destes. Enquanto ninguém o cria, o vistas na paisagem vai estimulando a ideia mostrando imagens dos crimes mais emblemáticos.
O Palacete acima, bem como tantos outros edifícios abandonados, ficam em pelo centro nobre de um Porto desertificado.
Enquanto isto, os que trabalham no Porto e para os quais as cidades foram inventadas, vivem automobilizados entre o trabalho e a periferia, em urbanizações igualmente criminosas que cresceram em volta do Porto.
Enquanto isto, as autarquias do Valongo, Gondomar, Gaia e Matosinhos concluem em conjunto com os promotores imobiliários que há imensas casas vazias que ninguém quer comprar. Pensam no entanto que o mercado ainda tem espaço de crescimento e as câmaras continuam a licenciar urbanizações mas agora de "boa -qualidade" porque ainda há procura.( No concelho de Gaia há 7.000 casas vazias sem comprador, mas Filipe Meneses considera que as 10.000 adicionais que licenciou serão todas absorvidas porque são de qualidade ao contrario das outras.... sendo que todas elas forma permitidas pela mesma autarquia).
Enquanto isto, o Porto ensaia esforços (e bem!) para trazer mais pessoas para o centro da cidade.
Enquanto isto, Portugal observa as suas taxas de crescimento demográfico negativo e fecha as fronteiras a mais emigrantes.
Enquanto isto alguns intelectuais portuenses consideram que a região do grande Porto deveria competir com Vigo na liderança do Noroeste da Península Ibérica.
Non Sense? Não. É coordenação e planeamento à portuguesa. Plenos de reflexão e visão.
Publicado por jgomes às 07:56 PM | Comentários (0)
abril 04, 2004
Porto - Património da Humanidade

Até à construção da ponte da Arrábida, na década de 60, esta devia ser a vista com que o Porto surpreendia pela primeira vez aqueles que viessem de Sul. Ao lado da cascata São Joanina do Rui Veloso, mesmo em frente à tal serra do Pilar que ouvíamos cantar na adolescência.
Hoje o Porto revela-se em muitas outras entradas possíveis, mas esta deveria ser a obrigatória.
É pois com esta imagem na memória que o Vistas na Paisagem inicia uma serie de entradas sobre a cidade do Porto e arredores. Esta imagem é conhecida, não precisa de publicidade, faz parte de qualquer prospecto turístico do Pais e está classificada como Património da Humanidade.
Está aqui, porque apesar de críticos implacáveis a apontar o desarranjo do nosso território e da nossa memória colectiva, até nós precisamos de pontuar este blogue com algum sinal de esperança. E esta imagem, bem como os esforços da autarquia em vitalizar e reanimar centro do Porto, são definitivamente um sinal de esperança.
Depois desta entrada em grande, o Porto será avistado em pelo menos 5 entradas. Necessariamente não tão descansadas como esta. Hoje mesmo, pelos jornais do fim de semana, fica-se a saber que as urbanizações da IMOLOG no Parque da Cidade irão avançar ( aparentemente a autarquia esqueceu-se de interpor recurso) e de que os molhes da Barra do Douro, que ainda ninguém sabe para o que é que servem, também.
São duas más noticias para o País, para o Porto e sobretudo para os que cá habitam todos os dias e que assim vêem o seu direito ao espaço colectivo ser ultrapassado por interesses com cobertura legal-politico-partidária (ver nota de rodapé).
Mas certamente também são duas grandes noticias recebidas com satisfação por um conjunto de construtores e promotores imobiliários. Para o governo também não serão assim tão más porque devem ajudar a "dinamizar" o PIB , a recolha de IVA e outros impostos. Raciocínios simples. A economia a funcionar. (...)
Finalizo frisando uma ideia já aqui exposta antes. Vistas da paisagem é apartidário, mas não é apolítico. Nesse sentido fica desde já assumida publicamente a minha admiração pessoal pelo Dr. Rui Rio. Não porque seja seu familiar ou do PSD, não porque concorde com tudo o que diz ou faz nas diferentes áreas da sua administração, mas porque genuinamente ama a sua terra, e porque apesar de economista percebe claramente que a Economia não é a razão ultima mas o meio para a felicidade de uma vila, comunidade ou país. E age em função dessa convicção.
É que um pais que só "cresce" economicamente, sem razão última, e só porque sim, só para a União Europeia ver ou para baixar o desemprego a tempo das próximas eleições, não caminha. Arrasta-se irremediavelmente em direcção a um abismo certo. E a uma velocidade directamente proporcional a essa mesma taxa de "crescimento".
Nota - Com cobertura legal, ou a salvo do arranjo político partidário, mas não com a vontade dos habitantes da cidade do Porto. Depois, os políticos, sociólogos e cientistas de universidades publicas que se entretenham em mornos debates domingueiros a perceber porque é que a Democracia está em crise, blá,blá, blá e que o Nobel José Saramago se regozije por ter descoberto a pólvora seca do voto em branco.
Publicado por jgomes às 10:41 PM | Comentários (1)