abril 21, 2005
O que há de pior entre Lisboa e Vila Franca III
O percurso Lisboa-Vila Franca de Xira poderia ser um dos cartões de visita da capital. No entanto, por diversos e sucessivos erros de planeamento a paisagem que oferece é em regra degradada, desordenada e sem qualidade. Nesta última entrada publicaremos alguns dos principais pontos que em nossa opinião exigem uma atenção especial por parte de cidadãos e autoridades.
Na última foto e na próxima entrada temos uma surpresa: algumas coisas bonitas e boas desta região
Deveriam ter sido outras as prioridades do desenvolvimento português, devendo ter-se privilegiado as infra-estruturas, a sensatez e as obras de raiz.
São precisas grandes obras nesta região, que nos envergonha (uma questão essencial é a de prioridades).
1: primeiro, lavar e limpar esta zona, despoluindo o rio Tejo e o Trancão, construindo as infra-estruturas de saneamento básico, as ETARES, sistemas de aterros e a necessária reciclagem de lixos.
2: acabar com as lixeiras clandestinas e as descargas de entulho a céu aberto
3: Construir uma rede viária lógica, fechando, por exemplo, todas as passagens de nível nos caminhos-de-ferro deste troço, substituindo-as por passagens desniveladas. Reabilitar a N10.
4: reverter as asneiras que se fizeram no plano ecológico, recriando corredores ecológicos e permitindo a vida selvagem existente. Por exemplo, na continuidade do Trancão, para Norte, existe uma zona de reserva Natural do Estuário do Tejo, cheia de esgotos e lixo mas também de vida animal, mas completamente interrompida pelo Emissário da Incineradora ValorSul. É preciso descompartimentá-la, restabelecendo a circulação de animais nesta região (as aves passam, mas não os mamíferos).
5: é preciso promover um verdadeiro Plano Director urbano e industrial, requalificando a malha urbana e a paisagem, investindo na recuperação de prédios degradados em zonas históricas, e liquidar, a prazo, construções em banda e fábricas, muitas delas já desactivadas, que tapam as vistas sobre o Tejo. Convém deixar que algumas dessas fábricas atinjam o seu fim de vida útil, para depois em seu lugar se construírem empreendimentos de cultura e lazer.
6: atenção que é preciso destruir também todos os equipamentos em desuso que “embelezam” esta zona, prédios clandestinos semi-construídos, restos de fábricas, ruínas inúteis e vandalizadas, porque toda a gente pensa e construir mas ninguém vê o que é necessário fazer para acabar com os destroços que entretanto se criaram.
7: restabelecer a relação com o Tejo criando pontos de contacto e de fruição do rio (pelo menos um por freguesia), aumentando a qualidade de vida das populações.
8: promover o desenvolvimento escolar e científico dos jovens dessa região, privilegiando, a par do necessário investimento no ensino, os contactos com o rio e a natureza.
As Câmaras Municipais de Loures (freguesias de Sacavém, Bobadela, S. João da Talha, Santa Iria de Azóia) e de Vila Franca de Xira, (freguesias de Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Alverca do Ribatejo, Sobralinho, Alhandra e Vila Franca de Xira) têm um imenso trabalho a fazer. É preciso também que se perceba que alguma coisa está a ser feita. Se consultarmos a Internet aparecem projectos de intervenção e de despoluição para esta região, mas não se vêem resultados. Não pedimos que se faça tudo ao mesmo tempo, mas que se escalonem as prioridades (as coisas mais fáceis e urgentes para agora e as mais complexas mais para a frente).
Por último, viver bem também educa as pessoas, e passar a viver melhor nesta região vai, de certeza, sensibilizá-las para que não voltem a tolerar este estado de coisas
Um perigo e uma coisa boa de última hora:
O perigo é a passagem projectada da linha de alta velocidade por estes sítios, que irá ser mais um entrave a cortar as pessoas do Tejo e a desordenar o território.
A coisa boa é a promessa do governo de José Sócrates de finalmente começar a despoluir o estuário do Tejo
Publicado por Domingos Neto às 12:07 AM | TrackBack
abril 17, 2005
Lisboa Vila Franca II
Vamos apresentar mais alguns pontos negativos e, por fim, em entrada a publicar proximamente, mostrar também algumas coisas interessantes e quase desconhecidas
No percurso entre Lisboa e Vila Franca de Xira o rio Tejo é separado da fruição e da convivência das pessoas por uma cintura quádrupla:
1: Uma cintura industrial (GALP, Sacor, BP; Copam, Solvay, Covina-Saint Gobain, etc.), que polui a atmosfera e tapa quase todas as entradas para o rio.
2: A linha do Norte, provavelmente a linha de caminho de ferro mais movimentada do país, cheia de passagens de nível.
3: A IC2 e a antiga estrada nacional N10, completamente inestética, superlotada, com outdoors por todo o lado, sem faixas nem passadeiras para peões.
4: Prédios de habitação construídos em banda e vivendas, ao lado dos esgotos, de fábricas altamente poluentes, de estradas e da via-férrea, por baixo de postes de alta tensão, sem qualquer ordenamento nem respeito pelas pessoas que lá moram
Há duas pequenas excepções a este caos, que são também os dois únicos pontos de contacto com o Tejo em todo este trajecto: os ancoradouros de Alhandra e de Vila Franca onde ainda se vêem alguns cais palafíticos, produtos de outras épocas e que só se mantiveram até agora devido à feroz intransigência das pessoas que lá vivem e trabalham.
Publicado por Domingos Neto às 07:45 PM | Comentários (1)
abril 09, 2005
O que há de pior entre Lisboa e Vila Franca - I
Portugal, Lisboa - esgoto no rio Trancão - 2005
O percurso Lisboa-Vila Franca de Xira poderia ser um dos cartões de visita da capital. No entanto, por diversos e sucessivos erros de planeamento a paisagem que oferece é em regra degradada, desordenada e sem qualidade. Nesta e ao longo das próximas entradas publicaremos alguns dos principais pontos que em nossa opinião exigem uma atenção especial por parte de cidadãos e autoridades.
Portugal, Lisboa - Estrada Nacional 10 - 2005
Publicado por Domingos Neto às 08:33 PM
outubro 22, 2004
Sempre a partir em.... Alcobaça!!
Alcobaça está definitivamente na competiçao das terras cujas autarquias mais se esforçam para destruir o que ainda têm (Algumas já saíram da prova porque destruíram tudo entretanto!) Abaixo deixo-vos na integra uma notícia que Pedro Barros leu no Jornal de Noticias e que me enviou para a caixa de correio. Gravo-a abaixo como uma prova irrefutável da irresponsabilidade de uma Câmara que depois de destruir o que podia na linha de costa (S. Martinho do Porto; praias a Norte da Nazaré, etc) prossegue a táctica no "interior" do concelho.
Uma vez mais, a mesma técnica: Arranja-se um terreno sobre a RAN ou a REN (não interessa), faz-se o projecto, criam-se as expectativas, e depois pede-se a desafectação. Se a administração central não ceder é porque está a inviabilizar o desenvolvimento. Simples, criminoso e sem consequências de maior. Ao fim de oito anos sempre a partir tem-se a reforma por inteiro!
É por exemplos destes que se deve perguntar ao autor do projecto de reforma da RAN e da REN, Arq. Sidónio Pardal, para que é que se necessita de dar mais poderes ás autarquias nestas matérias!
"
JN - 2004.10.20
Empresas vão para reserva ecológica
A maioria do PSD na Assembleia Municipal de Alcobaça viabilizou, anteontem à noite, a aquisição da Quinta da Serra, um terreno de 160 hectares inscrito em Reserva Ecológica Nacional (REN) que permitirá a implantação da Área de Localização Empresarial (ALE) da Benedita. Com 21 votos a favor, o PSD fez aprovar uma proposta polémica, que recebeu sete votos conta e três abstenções.
A controversa instalação da ALE na Benedita animou a Assembleia Municipal, com vários deputados a defenderem o adiamento da proposta. O terreno em causa vai custar cinco milhões de euros à Câmara de Alcobaça que, depois do visto do Tribunal de Contas, ainda terá de pedir a desafectação dos 160 hectares ao Ministério do Ambiente, Instituto de Conservação da Natureza e Comissão Nacional de Reserva Ecológica.
Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara, admitiu que esta é uma operação com muita «complexidade», reconhecendo ser «difícil, senão mesmo impossível, definir um horizonte temporal com um mínimo de precisão para a consecução deste objectivo».
O líder da bancada socialista, José Canha, justificou o voto contra pelo «preço» do terreno e lembrou que um estudo da Roland Berger defendia uma área empresarial de apenas 40 hectares. Do lado da CDU, Basílio Martins alertou para uma das alíneas do acordo com os proprietários, que prevê que em caso de impossibilidade de desafectação do terreno, a Câmara terá de pagar mais 1,5 milhões de euros ao proprietário.
Basílio Martins salientou, ainda, o movimento de empresários de Turquel que «tinham os mesmos 100 hectares de terreno, a custo zero, fora do parque natural, a poucos quilómetros da Quinta da Serra», projecto 'chumbado' pela Câmara."
Nota: Nao encontrei o site sobre Alcobaça, mas aqui fica um link para um blogue: Mais Alcobaça.
Publicado por jgomes às 07:58 PM
outubro 19, 2004
Mais Eucaliptos e o deserto do Sara líder na produçao de gelo!!!
Portugal, 20% da floresta portuguesa em 2004 é assim!
Lê-se, relê-se e não se acredita. Mas a verdade é que está lá, a preto e branco, na edição do jornal expresso do fim de semana passado (edição 1668), a notícia "Pinheiro dá prioridade ao Eucalipto". Pinheiro, é Luís Pinheiro, Secretário de Estado das Florestas deste governo empossado por Jorge Sampaio. Um secretário de Estado no ministério da Agricultura mas ao serviço da Industria da pasta de papel. Transcrevo parte do texto, disponível on line :
"Para prevenir uma provável escassez de matéria-prima para a indústria papeleira, o Governo quer estimular a renovação da mancha florestal de eucalipto e anuncia mesmo que vai criar incentivos aos proprietários que façam a substituição das suas culturas..."
Isto é, o Secretário de Estado não está preocupado com a floresta, nem com os fogos, nem com o desenvolvimento rural da secretaria de estado ao lado, nem com o ambiente . Está preocupado é com a possivel falta de matéria prima para a...... Industria papeleira!!
- Numa altura em que é claro (aliás sempre foi claro!) que o problema dos fogos florestais é um problema de ordenamento florestal e da exploração intensiva da monocultura;
- Numa altura em que se sabe da pobreza ecológica dos povoamentos à base de monocultura do Eucalipto ,
- Numa altura em que Portugal tem já 700.000 hectares, 20% da sua floresta , preenchida com Eucaliptos ( Nos anos 80, o FMI que não é propriamente conhecido pelas suas preocupações ambientalistas, propunha que Portugal plantasse 500. 000 hectares....) (consultar a este proposito dados do INE)
- Numa altura em que ninguém sabe ainda quais são os planos de reaproveitamento e recuperação dos solos já destruídos, como, por exemplo, os da Serra de Monchique,
- Numa altura em que Portugal sabe, e as organizações ambientalistas (LPN e Quercus)estão fartas de o propor, que a reposição da floresta original é a única medida de bom senso que Portugal poderia tomar,
- Numa altura em que Portugal diz que quer ser o 10º destino turístico mais procurado do mundo, mas não tem uma única política, florestal e ambiental nomeadamente, alinhada com esse propósito,
O Secretário de Estado das Florestas deste país preocupa-se a pensar como é que há-de motivar proprietários particulares a plantar uma espécie cujas rentabilidades já são por regra bastante acima das alcançadas com outras espécies! Tudo isto num pais mediterrânico cujos solos e climas não estão nem estarão vocacionados para esta espécie!!
Para que se tenha a noção do absurdo só recorrendo a uma metáfora. Que tal incentivar o deserto do Sara a concorrer no negócio das estâncias de Ski e produção de gelo????Hummm, que tal lhe parece Sr. Pinheiro?????
Publicado por jgomes às 07:54 PM | Comentários (1)
outubro 06, 2004
"Surrender to Lusitanea and the crazy people - spot IV e último
Portugal, Crazy Lusitanea, armazém dedicado à decoração em plena reserva agrícola com a compreensão da autarquia (Batalha?/Leiria?) à beirinha da Estrada Nacional 1 na localidade de Vale Gracioso......
....Quarto e ultimo spot de uma série de colaborações que, comprovando o potencial da sociedade civil, disponibilizo gratuitamente ao Ministro do Turismo Telmo Correia, e a todas as demais entidades que dela quiserem beneficiar. Administraçao directa, indirecta, concentrada e desconcetrada, novas agencias de governação, e municípios de toda a faixa litoral e regiões de turismo.
Quatro spots feitos a pensar no mercado global e sob um lema bem reflectido, bem trabalhado e a custo zero para não agravar o défice nem pesar na novissima central de comunicação e imagem do governo: Surrender to Lusitanea and the crazy people!!!
Esta campanha dispõem-se, como facilmente se depreende das imagens publicadas, a dar uma ajudinha nesse grande desígnio nacional de nos transformarmos no 10º destino turístico do mundo, puxando sempre a brasa à sardinha de um mais que mercido papel central para a zona de Batalha/Leiria/MarinhaGrande/Portode Mós.
Abaixo, e sem mais delongas, 4 fotos de eleição. tudo preciosidades da falta de ordenamento, dos pseudo planos directores municipais que se limitam a legalizar a ganância de dezenas de proprietários e "empresários" armados em urbanizadores, a institucionalizar a miopia de autarcas mediocres e sem visão, a desbaratar criminosamente um dos poucos activos que temos: a paisagem.
Mas antes das imagens, aproveito para deixar um excerto de um texto em inglês, publicado no final de Agosto pelo blogue o Projecto. Tá lá, preto no branco o que lá fora se diz do nosso pais e em particular da faixa litoral. Tão bem resumido que acho mesmo que não é preciso desdobrar-me a arranjar texto de acompanhamento para quarto spot!!! É transcrever, passar ás rotativas e distribuir como pães quentes!!!
«Economic migration is still a hard fact of portuguese life, with successful émigrés often marking their return by building a house on a plot of land (the so called 'maisons de reve'). Yet the corrosive effects of this dislocation are evident. Portugal's rural interior remains chronically poor and depopulated, with 80 per cent of the country's population occupying a narrow coastal strip between Lisbon in the south and Viana do Castelo in the north. Somewhat alarmingly, this swathe of more or less continuous suburbia has become one of the most densely inhabited parts of Europe, but the rapidity, vapidity and intensity of such development is clearly not sustainable.
[...]
Portugal's urban landscape is not an inspiring sight, with many fine historic town centers in a dilapidated state, surrounded by chaotic peripheries interspersed with unimaginative new development.»
in Architectural Review, Julho 2004
Que severos........Vamos antes às fotos:
Portugal, Crazy Lusitanea, urbanização à beirinha de um cruzamento da ex estrada nacional 356, com a compreensão da autarquia da Batalha...
Portugal, Crazy Lusitanea, pormenor de como é belo o campo.... à beirinha da ex estrada nacional 356, a desorganização com a compreensao da autarquia da Batalha. O canto inferior esquerdo pertence à reserva ecologica, mas o proprietário ja mandou fazer um aterro para depois comerciar em mais meia duzia de casas geminadas.....
Portugal, Crazy Lusitanea, casa que serve de ilustraçao à habitaçao de sonho de qualquer familia modesta de Leiria, 400 metros quadrados cobertos para um(provavel) unico filho, feito no pinhal herdado dos avôs. Se nas matas atrás houver fogo e a maison estiver em risco não faz mal que o orçamento geral do Estado indemniza.
Publicado por jgomes às 08:54 PM | Comentários (1)
setembro 30, 2004
"Surrender to Lusitania & the crazy people" - spot III
Portugal, comunidade urbana de Leiria, Batalha, Agosto de 2004
Welcome to Lusitania. Tudo o que daqui se avista é a Batalha sobre terras de aluvião do Vale do Lena. Outrora afecto à agricultura hoje em linha para a grande festa do imobiliário. Parte do que se vê teve génese semi-legal e aleatória. Parte está em campos que são leito de cheia, que fazem parte da REN e da RAN para chatice da autarquia local cujas visões avançadas para o seu desenvolvimento tive oportunidade de perceber na leitura de um jornal local:
Basicamente a ideia é expandir a zona urbana da vila, sem complexos e definitivamente, para a margem direita do "rio" Lena. Mas como, se tudo aquilo ainda está na RAN e na REN?, pergunta o leitor. Simples, Muito simples:
- Contrata-se um gabinete, ou pede-se a alguém que faça um croqui/projecto, de como aquela zona deverá estar (i.e urbanizada) e que possa ser publicado em papel jornal;
- Publica-se a intenção e divulgam-se os croquis.
- Há vozes cépticas? friza-se aquele plano também passa pelos espaços verdes hiper ecológicos.( mas que na realidade e na perspectiva desta região sao pouco mais que passeios ajardinados);
- Sendo certo que o resto é para urbanizar á séria (i.e - lógica do metro quadrado bem puxadinho)
- Arranja-se um nome sugestivo para o sonho: ...vitória?, aljubarrota? Mestre Afonso?...nãoooo!!... Mini-Pólis! Mini-Pólis para fazer lembrar a Expo 98 e a mega das megas operações imobiliárias á séria;
Por fim, e aqui é preciso cuidado para ninguém reparar na imensa lata....
- Fazem-se uns telefonemas a jornais amigos (que são todos!) e anuncia-se que só se está a aguardar que os Ministérios doAmbiente e da Agricultura desafectem os terrenos da RAN e da REN.
Ilações que qualquer cidadão pode e deve retirar, e das quais não convém duvidar:
- A autarquia é uma autarquia de visão, sim senhori;
- "Lisboa é muita má...isto só não se concretizou ainda porque administração central lá nos gabinetes é uma chata... Só faz Polis em Lisboa, não desanexa isto da RAN e da REN. Há cambada de funcionários públicos sentados no bem bom dos gabinetes... não conhecem a realidade local... só estão a atrasar o nosso desenvolvimento...."
De facto, e provavelmente, a administração central vai demorar anos a desafectar os ditos terrenos. Por buracracia talvez, mas porque também tem técnicos sérios e responsáveis. Emvão. já não têm hipóteses nenhumas de defender aquelas áreas da expectativa criada. pela pressão dos lobbies e porque a autarquia vai olhar para o lado quando alguém lá construir alguma coisa semi-legalmente. (do género daqui a 3 anos ou quatro: tão a ver... isto tudo já está tão semi-urbanizado... temos de intervir, isto é área urbana consumada sem dúvida nenhuma!! ).
Mas o problema de fundo, além da ocupação da RAN e da REN (apesar de isto ser muito grave, mais não seja porque são simplesmente as melhores terras agrícolas, e uma vez destruídas é uma parte do futuro que se hipoteca) é mais vasto. O problema é que a Batalha e tudo á volta é susceptível de urbanizar sem que exista um miserável plano de pormenor. Basta área e projecto despachado. Estilo, orientações, continuidade na leitura do espaço, volumetrias, estratégias de desenvolvimento, património, etc, etc são detalhes sem o mínimo interesse ou importância.
Não é assim? então vejam abaixo a foto jóia da coroa. A urbanização do pinheiro manso (nome chique! apesar de só lá haver um recém plantado) fresquinha de pouco mais de um ano, na estrada Batalha-Nazaré com apenas 3 blocos de apartamentos bem apertadinhos para render mais, assim na borda da estrada com cores alegres e em estilo indizível. Fica em linha recta a menos de 1000 metros.... do mosteiro ....da Batalha. Mas foi aprovada. tudo legal. pela autarquia e, pasme-se, até pelo IPPAR. Mosteiro da Batalha? sim....aquele que é património mundial, a par de pouco mais de 750 locais no mundo inteiro, e que ... está apenas num país idiota que estoura com o que pouco de bom que tem, mas que ainda assim ambiciona tornar-se no 10 destino turístico mais procurado do mundo!
Portugal, comunidade urbana de Leiria, Batalha, Agosto de 2004
Publicado por jgomes às 10:21 PM
setembro 29, 2004
"Surrender to Lusitanea & the crazy people" - spot II
Portugal, Comunidade Urbana de Leiria, Batalha, Agosto 2004
Cacém?? Ermesinde??? Odivelas?? Nada disso, é o centro da Batalha, vila histórica inebriada de "modernidade". Em plena Lusitânia, ex-Estremadura, Ex- Beira litoral, ex-semi-ainda Distrito de Leiria, ex-autoproposta área metropolitana de Leiria, actual assim-conformada-por-enquanto comunidade urbana de Leiria, lado a lado com o permanente desastre de 300 Kms intitulado Estrada Nacional 1, a Batalha é um dos pólos turísticos que certamente o ministro Telmo Correia estará a pensar quando sonha transformar Portugal no 10º destino turístico mais procurado do mundo.
Estará a pensar, e por aí terá de ficar!
Hoje, a Batalha é, para o bem e para o mal, uma terra sobre a qual a história não pesa. Há terras que não têm passado (umas agradecem, outras desesperam); há terras que o têm e vivem com isso ao ponto de dele tirarem partido. Outras que não resistem e socubem sob o seu peso. Esta, por razões diversas seguiu o caminho duvidoso de o ignorar ostensivamente. As razões sao certamente diversas, mas o resultado respira-se por quase todo o lado:
As pessoas sabem que aquele mosteiro teve e tem a sua importância. Mas em tudo o resto são pragmáticas: é uma bela configuração de calcário amarelado com o qual têm de viver. um cenário si´mpático para casamentos e outras cerimónias religiosas. E é gerido centralmente a partir de Lisboa (i.e - zona em que todos os projectos tem de ter um carimbo chatode conseguir do IPPAR). Nada mais. Só isto. Nada mais do que isto.
O futuro é em frente e o concelho é hoje um pólo animado de especulação imobiliária para todo o tipo de empreiteiro, ao ponto de o Mosteiro parecer um objecto extra-terrestre que ali veio parar por obra e graça não se sabe bem de quê ou de quem ( o que para o caso é irrelevante e não interessa nada como diria a Teresa Guilherme).
Nas esferas locais explica-se este divorcio com o facto de aquele monumento ser algo dependente da administração central: ....pois a eterna questão das receitas de bilheteira que vão para os cofres do IPPAR sem beneficiarem na justa proporção a vila; a Estrada Nacional que alguém centralmente decidiu fazer passar em frente do mosteiro, o projecto criminoso (de facto!)concretizado pela ditadura em compor a envolvência de acordo com uma monumentalidade vazia, etc, etc.
A minha opinião é de que os argumentos acima são superficiais e servem apenas para apaziguar consciências. Ninguém ali está interessado em "carregar " o que para muitos é visto como "pesos" do passado. Nem os demasiado "pesados", como os que resultam da simbologia extrema do mosteiro, património da humanidade testemunho real de uma patamar de sofisticação alcançado por ascendentes tugas nos séc. XV, mas nem outros mais leves, que mesmo assim sendo são deixados para trás como sacos de que se convém desembaraçarmos o mais depressa possível.
Um desses lastros que ninguém já suporta é a herança cultural rural dos séc. XX e XIX, cujos sinais estão hoje em pleno processo de rápida destruição. A facilidade com que a autarquia autoriza a destruição de casas típicas estremenhas, a facilidade com que permite as urbanizações imbecis de beira de estrada, a irresponsabilidade de não ter uma área industrial de facto, a ambição desmedida que qualquer pessoa imprime na construção da sua habitação, são as expressões acabadas da leviandade sem complexos.
Ali, a terra só tem uma utilidade! Entrar no business do imobiliário e das mais valias. Depressa!!!! Duvidas? Não sei.... O Ministro Telmo Correia parece que não tem:
" Welcome to Lusitânia & the crazy people!!!"
Acima, a foto é de uma vista de uma construção recente (4 anos ?), feita a menos de 50 metros da igreja matriz, manuelina e classificada. Tudo legal e como manda a lei. Embora do estilo para demolir daqui a 10 anos no máximo. Como os exemplos, do muito que por lá há prontos a fotagrafar de olhos fechados, que publicaremos na próxima entrada.
Abaixo, deixo um artigo, bem a propósito, de Guilherme D` Oliveira Martins, publicado no Domingo passado pelo jornal Público, sobre patrimonio cultural (??) na Europa. Aos mais cépticos nestas coisas do turismo, aconselha-se a leitura e uma vista de maior detalhe pela foto seguinte.
Portugal, Batalha, Agosto 2004
O Património Cultural Não Tem Fronteiras
Por GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS
Público, Domingo, 26 de Setembro de 2004
Nada pode ocorrer uma só vez,
nada é preciosamente precário..."
Jorge Luís Borges, "Aleph"
Em toda a Europa, o património cultural é celebrado como factor de convergência e diálogo - e este ano os jovens são os primeiros destinatários das Jornadas Europeias do Património. O que perdura no tempo abre caminho ao futuro - e os jovens compreendem-no melhor do que ninguém, ávidos de procurar caminhos novos e que tantas vezes reinventam os que outros trilharam.
A iniciativa do Conselho da Europa quer sensibilizar os cidadãos europeus para os valores da memória contra o esquecimento, do tempo contra o efémero e da duração contra o imediato.
Um museu, um castelo, um caminho, uma paisagem, uma escultura, uma instalação, um poema antigo, uma pequena lucerna, uma fivela, uma trompa, um tonel encontram-se com um cantar tradicional ou uma dança, um dialecto, uma festa, uma feira, uma procissão, uma superstição, uma arte, uma manufactura, um vinho, um doce, uma iguaria - e tudo isso pode levar-nos da tradição à memória e da memória à vida.
Na passagem dos 50 anos da Convenção Cultural Europeia, os cidadãos europeus estão cientes de que uma cultura centrada na pessoa humana, na democracia e nos direitos humanos afirma-se e consolida-se no respeito pelas diferenças herdadas, mas também na força das complementaridades entre várias culturas abertas.
(...) São as pedras mortas e as pedras vivas que se confrontam e associam. As pedras mortas são marcas da presença humana. As vivas representam a presença humana. T.S. Eliot dizia, aliás, que a cultura é insusceptível de planeamento, porque é a base inconsciente de tudo o que planeamos. E que é a herança que recebemos das gerações que nos antecederam, senão a convergência entre o significado dos monumentos, edifícios e obras de arte - mas também das tradições e costumes e a sua projecção na vida?
A modernidade significa uma ligação aberta entre o que recebemos, desde a arqueologia e da arquitectura, até aos costumes e tradições, passando pelas comunidades culturais e ambiente cultural, por aquilo que criamos e construímos... Património imaterial? Património vivo? Cada vez mais as identidades culturais enriquecem-se através da capacidade das pessoas e comunidades ligarem tradição e mudança, transmissão e inovação, herança e criação. Das paisagens ao meio ambiente, da preservação do património ao incentivo à arte criadora - estamos perante identidades culturais como realidades vivas, em mutação.
Eis porque os jovens e as escolas, agindo como redes de acção, compromisso e sensibilização, devem ser lugares de solidariedade activa em prol do património. Eis porque deve ser incentivada a atitude nómada da viagem, de que fala Chatwin, e da procura do outro e do diferente. A mobilidade de professores, estudantes, intelectuais e artistas, cientistas e investigadores, a criação de enclaves de paz, a promoção de parcerias envolvendo diferentes países, para a promoção de um novo conceito de fronteira enquanto lugar de cooperação, de aproximação e de enriquecimento são exemplos de acção.
Presidente do Centro Nacional de Cultura, coordenador europeu das Jornadas Europeias do Património
Publicado por jgomes às 09:57 PM | Comentários (1)
setembro 27, 2004
Surrender to Lusitania and the crazy people
Portugal, Leiria, Agosto de 2004
Em Agosto estive de férias em Leiria/Batalha e já tinha resolvido voltar a escrever sobre a sua paisagem, a total ausência de planeamento e o sentido de humor negro dos responsáveis pela promoção turística desta Região.
Hoje de manhã, 27 de Setembro, vinha no carro e ouvi na radio comercial o ministro do Turismo, Telmo Correia, a falar da contribuição cada vez mais importante do Turismo no PIB Português e da sua (nossa) ambição em transformar Portugal no 10º destino turístico do Mundo.(!!!!!).
Fiquei confuso e, consciente de que para quem está em inicio de semana (sobretudo!) a contradição das mensagens face aos factos pode traduzir-se num sofrimento penoso, tentei distrair-me e pensar em coisas mais certas e menos discutíveis..... Em vão. ....passei o dia a alternar, ao ritmo frenético da fracção de segundo, imagens reais de Leiria e arredores, Bandeirolas colocadas durante o Euro com o slogan "Surrender to Lusitânia" e a voz off de Telmo Correia a explicar como é que Portugal pode e deve ambicionar estar entre os 10 destinos turísticos mais procurados do mundo...."Caramba, que tortura! logo hoje com um sol destes....amanha deveria sintonizar a radio cidade....."
Mas seguindo uma táctica básica de exorcismo psíquico (!!!), que é escrever sobre o que nos aflige na expectativa de que amanha já não nos lembremos, aqui vão algumas linhas de reflexão sobre a origem desta tortura. :
1) Leiria. A foto acima é a foto das vistas que Leiria oferece a quem a ela chega pela Nacional1/ A8. Não é preciso descrever o que se vê. há uns tempos já escrevemos sobre o pseudo planeamento que a fez e faz expandir todos os dias em todos os pontos cardeais. Esta imagem é da zona sul e Oeste da cidade: Um eterno estaleiro em terrenos do vale do Lena e que se houvesse o mínimo de visão ainda estariam na RAN/REN de onde foram desafectados.
2) "Surrender to Lusitânia "....é o slogan ainda espalhado pela cidade, com origem numa entidade que ainda não sei bem qual é, mas que pelo que me apercebo se ocupa da promoção de outras cidades integradas nesta hipotética e virtual região centro. Para lá do facto de continuar a não se perceber que região centro é esta, e até que ponto esta entidade se coordenou com as regiões de turismo ainda existentes como a de Leiria-Fátima...para lá do facto de esta apropriação da designação Lusitânia ser um bocado abusiva (a Lusitânia romana tinha limites muito para além da dita "região" centro e ao que sei integrava território hoje espanhol, ao ponto de a sua capital ser em Mérida....), o que choca é o contraste entre a ambição do slogan e a realidade..... Desculpem, mas alguém no seu juízo perfeito se rende à foto acima??? E acham que os suíços que vieram ver os jogos do Euro ficaram rendidos? E acham que algum deles vai voltar? (Aliás, a este propósito, nada melhor que medir o impacto do Euro e desta campanha de promoção: quantos suíços já voltaram? E quantas noites ficaram?)
A minha opinião, é de que quem vem, não vem preparado para a extrema desorganização do território e da paisagem. Pior, não vem preparado psicologicamente para ver uma paisagem que se percebe que foi bonita até há poucos anos atrás mas que já não o é por ignorâncias recentes. Quem vem, vem para ver o mosteiro da Batalha, Alcobaça, Nazaré e se tiver tempo o Castelo de Leiria. e ponto. É perto de Lisboa e faz-se num dia sem ter de ficar no meio de um desastre. Os que cá ficam foram enganados pelos pacotes turísticos, sao residuais e serão sempre residuais se não se inverter a anarquia instalada. Esta é a minha opinião e é por isso que acho os sonhos de Telmo Correia são um devaneio....
3) Décimo destino turístico? Só de cabeça, surgem-me 20 países infinitamente melhor posicionados.... Claro que esta coisa dos rankings internacionais é mais psicológico que matemático e tem sobretudo a ver com o que se conta, como se conta e para quem se conta..... como sabemos, há sempre um indicador estatístico internacional capaz de agradar a um governante.
O ministro é bem intencionado, mas por razões várias é apenas um director-chefe de campanhas promocionais. Como ele bem sabe e diz, o Turismo é cada vez mais um turismo de interesses específicos (cultural, paisagístico, natureza, de cidade, de aventura, etc) e um país que quer ser um destino credível, só o é se isso for a sua visão e as estratégias gerais do seu governo (planeamento, ambiente, cultura, educação, vias de comunicação, etc) estiverem alinhadas com a visão... Ora, independentemente de se concordar ou não com a visão (pessoalmente, custa-me pensar num pais excessivamente dependente de Turismo em que directa e indirectamente andamos todos a servir à mesa), o facto é que as restantes estratégias continuam desalinhadas....Como no caso de Leiria, e em praticamente todo o resto do país!
.......E é por isso, que a existência de um ministro de Turismo é supérflua. porque a visão geral está a cargo do primeiro ministro (aliás, numa situação normal deveria estar! o que não é o caso actual uma vez que Santana Lopes é 1º ministro por razoes alheias às qualidades da sua visão ou ao seu empenho. Está ali como poderia estar na quinta das celebridades se nas quermesses que frequenta lhe tivesse saído isso na rifa), e as estratégias gerais estão a cargos dos outros ministros que neste momento se estão a marimbar para o Turismo....
Para um estrangeiro médio, tipo suíço, o comentário provável deve ser: ".....Surrender to Lusitânia....que tugas mais malucos!!!........." Ou se preferirem contratar uma mais eficaz agência de comunicação especializada no mercado global: "Surrender to Lusitânia and the crazy people!!"
Portugal, Leiria, Agosto de 2004
Publicado por jgomes às 01:34 PM
setembro 19, 2004
Alenquer ...II - vistas a evitar
Portugal, Alenquer, Agosto 2004
Alenquer pode ser considerado o extremo Norte de Lisboa. Daí até à capital era legitimo e expectável que se urbanizasse. O que não era esperado é que fosse a sensibilidade de um bando de grunhos a orquestrar o esforço. Para os que se ocuparam de Alenquer fica a consolação de não terem sido os únicos que fizeram de conta que governavam alguma coisa: Vila Franca de Xira e Loures também se juntaram ao festim e da foz do Alviela até à foz do Trancão só não foi destruído o que não se quis ou não se teve tempo. Uma faixa de território única que hoje poderia equiparar-se ao vale do Tamisa nos arredores de Londres (alguém oferece aos autarcas e ex-autarcas destes 3 municípios uma viagem de borla a Inglaterra para que percebam como as suas reformas são imorais, e que em vez delas deveriam estar a responder em Tribunal???), está hoje esventrada pelos interesses obscuros dos construtores civis e dos seus serventes. O que poderia ser uma faixa continua urbanizada com sentido é hoje uma faixa sub-urbana desordenada que alterna torres e blocos de apartamentos de 12 andares com terras ao abandono, campos semi-agricultados e hangares de utilização industrial.
Se as coisas tivessem sido feitas em prol do interesse comum, os blocos de apartamentos não existiriam e, nada mais natural, também ali não existiriam já pequenas aldeolas a praticar quase exclusivamente a agricultura de subsistência. A falta de planeamento é também uma expressão da injustiça da nossa sociedade: enquanto alguns cidadãos sao empurrados para a Ala B no 14º F do "Paço das Vinhas", outros portugueses vivem às portas da capital resistindo ferozmente a uma urbanização com pés e cabeça e persistindo em modos de vida semi-medievais (o que nos tempos que correm é no mínimo, convenhamos, um luxo!). Os primeiros tinham o direito de viver em urbanizações planificadas e condignas; Os segundos deveriam ter sido confrontados com a necessidade de se adaptarem aos novos tempos. Nem uma coisa nem outra aconteceu e ao mesmo tempo que há milhares de pessoas em movimento pendular entre o trabalho na capital e o "Paço das vinhas", há guias turísticas patéticas a anunciar "...muito giro e típico, tamos a 15 Km de Lisboa, mas é como se tivéssemos em trás -dos- montes, tudo super atrasado. há aqui pessoas que nunca foram à capital nem viram o mar...". E o pior é que suspeito que nenhum dos dois grupos acima tem consciência do terceiro-mundo para onde foi empurrado!
Tudo isto a propósito de Alenquer. A foto acima é a que hoje se avista quando se circula em direcção a Lisboa pela estrada nacional 1. Do lado direito o presépio, em frente o apocalipse! Comparem-na com a fotografia da entrada anterior e concluam o que quizerem. Mas esta não é a única vista que se deve evitar em Alenquer. O Carregado, foto abaixo, o da central termoeletrcia e o do Outlet super porreiro onde se vai ao fim de semana comprar camisas da moda a metade do preço, foi o laboratório montado nos anos 80. A Autarquia gostou tanto dos resultados que dos anos 90 para cá resolveu ceder aos interesses (imagino o esforço que deve ter feito!!!) e aplicou a receita onde pôde e onde havia gente a pressionar (não pressione, nao pressione, por favor senao vou ter de autorizar!).
Abaixo da foto do Carregado fica outra, a norte de Alenquer: uma urbanização no meio do nada às portas da OTA. ...Sim às portas do hipotético futuro aeroporto, o tal que o Sr. presidente de Câmara de Alenquer volta não volta, e sem conseguir disfarçar a saliva que lhe cresce na boca, anuncia que gostava de ver construído rapidamente (de acordo com ele há pessoas há espera do festim, desculpem, do desenvolvimento da região, há 20 anos!). É natural. Esta autarquia governa e escavaca sem critério há 30 anos e a inépcia da Administração central arranja sempre desculpas para não avançar já com a pista dos aviões.... Não se faz, são atrasos indecentes que ninguém deveria poder infligir a um senhor de idade avançada! Eu acho que ele já só pede para que a primeira pedra seja lançada antes de ele se finar, como prenda pelos seus 30 anos de autarca! "Era uma festa bonita!".
Com todo o respeito ao Sr, Álvaro Pedro, que como pessoa só deve ser uma jóia, e sem a mínima admiraçao ou respeito pelo trabalho autarca Álvaro Pedro e demais vereadores cumplices activos e passivos, alguém se importa de não autorizar o aeroporto enquanto não estiver garantido um plano de ordenamento credível, e no qual esta autarquia não intervenha, de toda aquela Zona?
Para finalizar, junto os links para o site do Alenquer Mais, e da Alambi (provavelmente a associação ambiental local mais dinâmica de Portugal, que luta pela defesa e preservação de Alenquer.
Junto ainda um artigo publicado no Publico Online dia 15 de Setembro, sobre crescimento urbano.(copia no corpo da entrada).
Por fim, e como extra, o link para um site que o google me deu a conhecer: É sobre Alenquer...no Brasil!! Que se auto-refere como: um capricho dos Deuses da Selva amzónica. Tudo links "snifados" em 30 segundos enquanto o site da câmara de Alenquer está calmamente.... em baixo!!!
Portugal, Alenquer - Carregado, Agosto 2004
Portugal, Alenquer-OTA, Agosto 2004
Sociedade 15-09-2004 - 11h01
Relatório mostra tendência de urbanização crescente
ONU: Portugal é o segundo país mais rural da União Europeia
Lusa
Portugal é o segundo país mais rural da União Europeia (UE), mas é também um dos países com as mais elevadas taxas de crescimento urbano, revela um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) relativo a 2003.
O relatório "O Consenso do Cairo Dez Anos Depois: População, Saúde Reprodutiva e Esforços Mundiais para Acabar com a Pobreza", que vai ser apresentado hoje, mostra que, no ano passado, a percentagem da população urbana em Portugal era de 55 por cento. Na Eslovénia 51 por cento da população vivia nas cidades, o que torna este novo membro da UE no país com maior índice de ruralidade.
No extremo oposto da lista estão a Bélgica (97 por cento dos seus cidadãos viviam nas cidades), o Reino Unido (89 por cento) e a Alemanha (88 por cento).
O documento do UNFPA contabiliza também a taxa de crescimento urbano para o período 2000-2005 e mostra que Portugal apresenta uma das maiores taxas de conversão da população às cidades (1,1 por cento), só ultrapassada pela Holanda (1,3 por cento) e pela Irlanda (1,5 por cento).
Na maioria dos países da UE a taxa de crescimento encontra-se perto do zero. Mas há casos, como os da Estónia e Letónia, em que o crescimento é negativo, o que indicia que as populações estão a voltar ao campo.
O documento vai ser apresentado na Assembleia da República por Catarina Furtado, embaixadora de boa vontade do UNFPA, e Júlio Leite, representante do UNFPA em Angola, na presença do presidente do Parlamento, Mota Amaral, e do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e População, Henrique de Freitas.
Publicado por jgomes às 10:23 PM | Comentários (1)
setembro 01, 2004
Estrada Aljezur-Monchique: A sucessão das tragédias

Portugal, Estrada Aljezur-Monhique, Agosto de 2004
A Costa Vicentina tem a vantagem, muito pouco percebida por quem a promove, de estar a menos de 30 km da Serra de Monchique, um infeliz-ex-paraíso-verde na secura desta zona da costa alentejana/vicentina.
No passado, antes dos incêndios catástrofe de 2003, valia a pena ser surpreendido pela estrada de montanha que liga Aljezur a Monchique. Já se percebia que aquelas serras estavam demasiado eucaliptadas, mas a velocidade, o calor e o verde convidavam a não nos preocuparmos demasiado.
Voltar a percorrer esta estrada em 2004 é, conforme atesta a fotografia, percorrer com os olhos uma tragédia sobre outra tragédia mais antiga,i.e, os incêndios sobre a desgraça da eucaliptização de solos xistosos, no ultimo grau da erosão, que sempre foram pobres e agora estão praticamente exaustos. O que era mata mediterrânica original, de sobreiros, carvalhos, castanheiros, medronhos, foi substituído pela monocultura do eucalipto, algo só concebível a abutres-bípedes no ultimo estágio da ganância.
Em 2003 o fogo descobriu décadas de eucaliptizaçao (entretanto renascidos e prontos para continuar a sugar solos esgotados), em 2004 jovens incendiários deram cabo do que faltava no lado sul: montados que levaram séculos a crescer humilhantemente ardidos.
A população de Monchique tem consciência de que não era num ano que se corrigiam décadas de erros gananciosos. A única alternativa viável para aquela zona será replantar a floresta original. Dia 11, pelas 14, haverá em Monchique uma concentração de cidadãos locais a exigir, entre outras coisas, o óbvio: o fim da monocultura, a busca de soluções sensatas para desenvolver sem destruir o único património que possuíam, a replantaçao de sobreiros e castanheiros entre outras espécies.
Nem tudo está perdido, mas desconfio de que não estaremos longe. Recuperar aqueles solos é, salvo melhor opinião, uma tarefa difícil e cara. Os senhores dos eucaliptos já amealharam o que queriam (investindo talvez na outra destruição em curso, urbanizando intensivamente a costa sul algarvia) e devem estar a salvo de incómodos; O Estado está na penúria e não está para breve os mais programas tipo Polis: recuperar com o dinheiro de muitos otáriospagantesdeimpostos o que a ganância desmedida de alguns destruiu e a incuria dos políticos benzeu.
A propósito disto, e através do blogue anomalias, tive conhecimento de uma entrevista do Público de ontem, da jornalista Ana Fernandes a Francisco Correia sobre o assunto da desertificação do interior. Que no fundo é o problema destas serras de Monchique/espinhaço de cão. Desertificação humana acelerada pela desgraça da gula e agora dos incêndios. Aqui fica o link. Vale a pena ler. A cópia do texto integral fica no corpo da entrada.
O site da autarquia de Monchique fica aqui.
Cidades do Interior Podem Ser o Motor da Luta Contra o Despovoamento
Por ANA FERNANDES
Terça-feira, 31 de Agosto de 2004
Acredita na economia de mercado mas sabe que é um processo com falhas, que se traduziram num abandono crescente das regiões mais desfavorecidas do país, sobretudo as mais ligadas à agricultura. Francisco Nunes Correia, que liderou uma equipa que fez o levantamento da desertificação em Portugal, explica que a evolução dos modelos sócio-económicos mudou a face do território por razões tão práticas como a falência do modelo económico que ali se vivia, assim como por motivos mais subjectivos, como a perda de auto-estima das populações rurais face a uma sociedade cada vez mais urbana.
Nunes Correia, professor do Instituto Superior Técnico, foi responsável pelo programa Polis durante o Governo PS e preparou, durante o executivo de Cavaco Silva, o Plano Nacional de Política do Ambiente, um dos documentos mais programáticos já feitos para esta área mas que acabou por não sair da gaveta. É actualmente presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
PÚBLICO - O que explica a desertificação em Portugal?
Nunes Correia - Em Portugal prevalecem processos de abandono das regiões por parte das populações por razões que têm a ver com a evolução dos modelos sócio-económicos. É um problema de ordenamento do território em primeiro lugar.
P. - Num inquérito feito no âmbito do vosso relatório sobre a desertificação, os agentes locais apontam os constrangimentos à expansão urbana como uma das principais explicações para o despovoamento do interior. Concorda?
R. - Essa ideia surge com algum radicalismo, mas tem de ser ouvida com atenção porque muitas vezes as pessoas que querem, por exemplo, fazer uma pequena construção para apoiar a sua actividade, são contrariadas por legislações de protecção dos recursos que, por vezes, são aplicadas de forma cega, sem atender às realidades sócio-económicas. Isso deve ser alterado. Mas, muitas vezes, por trás deste ressentimento existem interesses especulativos, que são de contrariar.
P. - Como é que a revisão de certas medidas de protecção, como as reservas agrícolas e ecológicas nacionais, deve ser feita?
R. - Existe unanimidade em relação à necessidade de revisão desses instrumentos, só que não se deve abandonar o essencial dos valores que se pretende proteger. O que é importante é rever a forma cega e mecânica como são aplicados. A desertificação não se combate contrariando os valores naturais ou degradando-os. Tem de se preservar a base de recursos: o solo, a água e um recurso de que se fala pouco mas que é extraordinariamente importante, que é a paisagem, associada à identidade própria de cada região. A identidade é um dos activos principais para promover o desenvolvimento. Portanto, a preservação dos solos, da água, da paisagem, dos centros históricos, do património cultural e natural são apoios essenciais para desencadear desenvolvimento. Mas há que conciliar o respeito por esses valores com tecidos económicos que assegurem prosperidade.
P. - Como é que isso se faz?
R. - O desenvolvimento das regiões do interior não pode ser visto de uma forma passadista, querendo fazer regressar os agricultores para trás do arado. É preciso caminhar para a frente, desenvolvendo a multifuncionalidade dessas zonas, reforçando, por exemplo, a natureza fortemente florestal do país.
P. - Costuma dizer que um país hoje é uma rede de cidades. Que papel têm os meios urbanos no combate à desertificação?
R. - É muito importante a relação das cidades de média dimensão com os seus "interlands". Hoje, só se pode contrariar a desertificação através do fortalecimento das cidades de média dimensão nas regiões afectadas. É usando as cidades como alavancas de desenvolvimento que se consegue chegar às populações mais remotas. Tem de haver uma relação estreita entre os núcleos urbanos e as zonas remotas, uma relação nos dois sentidos, com actividades económicas que relacionem o campo com a cidade.
P. - É o fim do ideal romântico de aldeia?
R. - As pessoas hoje aceitam mal viver em habitats muito isolados. São atraídas pela vida urbana. A nossa sociedade é urbana. O que é preciso é que as populações desruralizadas, em vez de irem para o litoral se fixem nas cidades de média dimensão. É preciso fazer uma grande aposta no desenvolvimento harmonioso dessas cidades, levando para lá uma modernidade respeitadora da sua identidade. Isso passa por questões tão diversas como o respeito pelo património mas também por uma atitude pro-activa relativamente, por exemplo, ao saneamento básico. Essas cidades têm que ser preparadas para o crescimento urbano.
P. - Que actividades económicas poderiam ser atraídas para essas cidades?
R. - Já há muitas actividades que podem desenvolver-se nas zonas mais remotas, como as turísticas. É importante reequilibrar o perfil turístico do país. Isto é, não ser só os chamados três esses - "sun, sand e sea" [sol, areia e mar] - mas também apostar no turismo cultural, rural e ecológico e todas as actividades relacionadas. Além disso, há as actividades ligadas à fileira florestal. Com o enorme desenvolvimento das acessibilidades nos últimos anos, que desencravaram territórios extremamente isolados, as cidades do interior ganharam protagonismo, uma capacidade de atrair investimento que no passado não tinham. Hoje há indústrias e actividades económicas que se fixam nestas regiões do país. Actividades que devem ser pouco exigentes em termos de recursos, como o solo e a água. Isto tem de ser feito com políticas pro-activas de investimento.
P. - Portanto, terá de haver uma forte intervenção do Estado?
R. - No relatório dizemos que a desertificação é uma falha de mercado. De acordo com a teoria Keynesiana, as falhas de mercado não podem deixar de ser contrariadas pelo investimento público, portanto, em nome da coesão, os portugueses têm de aceitar que nessas regiões o investimento per capita seja maior. É preciso uma intervenção dos poderes públicos, por um lado, na infra-estruturação dessas regiões e, por outro, num modelo de desenvolvimento e nos recursos humanos. Não se promove desenvolvimento sem agentes económicos, sem protagonistas. Nem todos têm de ser locais. Alguns podem ser atraídos, mas tem de haver uma malha local que acompanhe e corresponda.
P. - O futuro já não passa pela agricultura?
R. - Com ou sem desertificação, a agricultura segue o rumo ditado por muitos factores externos ao país. É preciso olhar para o que está a acontecer na agricultura e encontrar benefícios para estas zonas do interior, que tradicionalmente tinham vocação agrícola. Isso pode ser feito de muitas maneiras, como a conversão da actividade agrícola em florestal. E incentivar a ligação da agricultura a outros sectores, como o turismo de habitação. Por outro lado, a actividade agrícola continuará sempre: o número de agricultores caiu a pique mas a produção não. Esta tendência vai-se acentuar. A grande consequência que tem, entre outras, é de natureza sociológica. Há muita população em processo de desruralização. Essa população é atraída pelas cidades e é preferível que fique nas de pequena e média dimensão e que aí crie riqueza de uma forma ainda próxima da memória agrícola dessas populações, do que ir habitar bairros dormitórios das grandes cidades
Publicado por jgomes às 03:51 PM
julho 14, 2004
Oeiras - Cenas de um bando de elefantes na loja de cristais
Portugal, Oeiras, Quinta dos Barronhos, Julho 2004
A milhares de anos luz de Saturno, e a não muitos menos do Alentejo, esta é a paisagem que a Câmara Municipal de Oeiras oferece a terráqueos e outros visitantes do espaço: Uma urbanização do pior gosto que se pode imaginar, engendrada no consulado de Isaltino de Morais, (essa figura maior do poder local caído em desgraça por causa de umas suspeitas contas bancárias em nome de um sobrinho na Suíça) para realojar os desalojados de bairros de lata do concelho.
Aliás, diga-se que a esmola quando é muita o santo desconfia. No local dos antigos bairros de lata, por acaso terrenos até com boas vistas sobre o rio, estão hoje condomínios de mao gosto vendidos à classe alta.
Esta imagem é apenas um ângulo de um caos em rápida implementação que só uma vista aérea poderia captar na totalidade. Quem conhece, quem trabalha e vive na Zona de Miraflores/Carnaxide/Algés, e quem vai, como os turistas, de Lisboa para Cascais pela auto-estrada, sabe bem que esta só pode ser a parte do concelho de Oeiras que a autarquia entregou à ganância mais labrega.
Sabendo nos de antemão, até porque o relevo e os sinais que lá estão assim o permitem, que esta era uma das áreas em que a Natureza foi generosa connosco (localização privilegiada, solos de excelente qualidade, vistas sobre a barra do Tejo, etc), observar este caos urbanístico só nos pode fazer lembrar, pela extrema falta de gosto, qualidade e não-sentido de paisagem, uma manada de elefantes em tensa visita a uma loja de cristais.
Está fora de questão que esta é uma zona que pode e deve ser urbanizada. A área Metropolitana está em crescimento, e não passa pela cabeça de ninguém querer manter campos de trigo nesta zona. Mas urbanizar desta maneira e encaixotar centenas de família neste paralelipidos rente à Auto-Estrada Cascais-Lisboa (A5) é a prova viva de que políticos e técnicos da autarquia de Oeiras estão a ir demasiadas vezes à cristalaria.
Uma coisa é perceber ao detalhe de planos e regulamentos de urbanização. Outra coisa, nos antípodas destes infelizmente, é fazer paisagem.
......Não é para todos. Muito menos para elefantes.
Publicado por jgomes às 09:05 PM | Comentários (1)
junho 30, 2004
Um país que nao serve só para apoiar a selecçao
Portugal, Porto, Baixa, 26 de Junho de 2004
A imagem acima é do Portugal dos postais, para os turistas verem e admirarem. É também do Portugal dos mais pobres, onde a maior parte das casas está degradada e não tem condiçoes minimas de habitabilidade. Do país que nao teve dinheiro para fugir para a periferia do Porto. Mas é também do país que, sem muitas razões para festejar, nao duvidou em expressar o seu patriotismo. o motivo só é o futebol, porque este é o unico reduto onde os portugueses ainda se irmanam.
Esta é pois a imagem de um país que não pode servir só para apoiar a selecçao.
Durão Barroso aceitou o cargo de presidente da comissao Europeia. É um facto. Proporciona leituras politicas, mas é um facto aceitável porque decorre da sua vontade pessoal que ninguem pode querer dominar. O vicio maior desta nomeaçao está naqueles que exigiram que o futuro presidente fosse um primeiro ministro em funçoes.
Muitissimo menos "aceitável" é que o futuro primeiro ministro seja, assim, sem mai e de mao beijada, Santana Lopes. A conjugaçao da constituiçao com os regulamentos do partido PSD/PPD permitem-no. O problema é que ambos estão desajustados da realidade.
Porque o sistema político que nao evoluiu, estamos hoje perante uma partidocracia terminal e sem aderencia com o país e. Se tivessem existido as necessarias reformas, a eleiçao do primeiro ministro não era personalizada como foi nos ultimos actos eleitorais.
Ironia do destino, Santana Lopes, um dos defensores das primarias, não chega a primeiro ministro porque esse sistema ainda nao está em vigor.
Dito de outra maneira: Só é insupotavel pensar que vamos ter um Primeiro Ministro nomeado por um Conçelho nacional de barões, porque estes mesmos barões chegaram lá na privacidade das concelhias e das distritais. Não é porque o PS tevem mais votos na sondagem que foram as eleiçoes europeias! (65% de abstenção).
Como nao temos um sistema de primárias, o minimo que se exigia é que houvesse um congresso extraordinário. Até lá assumia funçoes um governo de gestão. Desde que esse congresso fosse minimamente transparente. Como não há garantias nenhumas disso...
JORGE SAMPAIO TEM DE CONVOCAR ELEIÇOES ANTECIPADAS JÁ! POR MUITO QUE ISSO SIGNIFIQUE UM RETROCESSO!
QUE SIRVA AO MENOS DE EMENDA E A CLASSE POLITICA EMPREENDA AS REFORMAS NO SENTIDO DE TERMOS UM SISTEMA DE VOTOS EM PRIMARIAS EM QUE TODOS PARTICIPEM!
Publicado por jgomes às 12:44 AM | Comentários (1)
maio 06, 2004
Alqueva - Um acto de pura violência gratuita em curso

Confesso que não conheço ainda a albufeira do Alqueva, nem tenho nenhuma foto do seu processo de desmataçao e enchimento. Mas confesso também que fico arrepiado com as descrições acerca da inundação de milhares de hectares de Azinheiras e mata mediterrânica que está neste momento em curso.
O Publico de ontem, 5 de Maio de 2004 - volta uma vez mais as atenções (obrigado!) para este projecto "estruturante" que ninguém sabe ainda muito bem para o que vai servir ao certo. De tal forma é assustadora a descrição do que ali se está a passar que deixamos abaixo copia integral da reportagem do jornalista Carlos Dias.
O que se está a passar é o resultado da mistura de insensibilidade e prepotência de um governo que, apesar da insistência das organizações ambientalistas ( Quercus, Geota, entre outras) preferiu levar até às ultimas consequências um projecto de destino errático rumo ao absurdo de por o Alqueva, que no inicio era de irrigaçao, a produzir energia eléctrica. Uns míseráveis 129 MW que no contexto nacional não terão qualquer expressão.
Assim como não terão qualquer expressão os MW que vierem (esperemos que não!) a ser produzidos pela Barragem do Sabor. Aliás ao que sei, os especialistas nem consideram a energia gerada pelos mega-empreendimento projectos hidroeléctricos como renovável, atendendo aos seus demasiados impactos ambientais.
Se não tivéssemos tido governantes intransigentes e adeptos da brutalidade, o Alqueva encheria apenas até à Cota 139 ( 139 metros acima do nível do mar). Mas como temos, o Alqueva vai subir até à Cota 152. Da Cota 139 à Cota 152 são apenas 13 metros, mas o suficiente para alagar 3000 milhares de hectares de floresta mediterrânica, assim como afogar literalmente milhares de azinheiras centenárias que são patrimonio nacional.
Numa frase: Um acto de pura violência gratuita. Um acto que acontece não ontem, não há 200 anos, mas hoje dia 7 de Maio de 2004.
PS - Se houver alguém de Mourão/ Alqueva a ler esta entrada e tiver uma fotografia "publicável" do crime em curso, por favor enviem-me um mail para vistasnapaisagem@hotmail.com.
Águas de Alqueva Submergem Milhares de Hectares de Áreas Florestadas
Por CARLOS DIAS
Quarta-feira, 05 de Maio de 2004
O enchimento da albufeira de Alqueva encontra-se neste momento à cota 148 metros, acima do nível do mar, e o volume de água armazenado já submergiu mais de três mil hectares de áreas florestadas, consideradas zonas a preservar pelo seu valor ecológico.
Mas nada vai conseguir salvar as manchas florestais e matagal onde se acolhiam importantes biótipos. A vegetação que ladeava as margens de 1262 linhas de água da bacia do Guadiana em território português (freixos, salgueiros, aloendros, casuarinas e ciprestes) e os matos mediterrânicos (carrascos, aroeira, murta, giesta, estevas, alecrim, rosmaninho) já desapareceram sob as águas de Alqueva.
No entanto, os ex-ministros Elisa Ferreira e Isaltino de Morais prometeram às organizações ambientalistas a salvaguarda de importantes "habitats", designadamente galerias ripícolas, margens rupícolas e montados.
A ministra do governo socialista garantiu a protecção de quase dois mil hectares no Vale de Alcarrache, por existirem ali espécies animais e vegetais únicas na Península Ibérica. Hoje o cenário que se observa revela que a biodiversidade que se pretendia preservar está irremediavelmente perdida. Milhares de copas de azinheiras sobressaem do extenso espelho de água. Muitas outras se seguirão entretanto para fazer companhia a vários milhares de árvores que já se encontram sob uma coluna de água que nalguns pontos atinge os 35 metros.
A caminho da cota 152
O ex-ministro Isaltino de Morais assegurou ao "Movimento Cota 139" que seriam preservados cerca de 1100 hectares (300 hectares em território espanhol) com valor ecológico, que ladeavam as linhas de água da bacia do Guadiana a montante de Alqueva. Com a cota da albufeira a 148 metros, todo este património ambiental está igualmente perdido.
O actual presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva, (EDIA), Marques Ferreira, diz "não perceber as razões porque se privilegiou o Vale de Alcarrache" pois esta extensa área "vai ficar definitivamente debaixo de água". São quase dois mil hectares de coberto vegetal que estão a ficar submersos.
O mesmo vai acontecer com as zonas escarpadas que se localizem entre a cota 147 e 150. Entre esta última e a cota 152, onde se regista o Nível de Pleno Enchimento (NPE), vão permanecer intactas as zonas arborizadas, dadas as dificuldades de acesso.
A submersão das espécies do montado (sobreiros e azinheiras) por mais de seis meses conduz à morte destas espécies mediterrânicas, como está patente em milhares de árvores dispersas pelo interior da albufeira.
José Paulo Martins, dirigente da Quercus, revelou num recente debate sobre os impactes ambientais em Alqueva, que "centenas de quilómetros de linhas de água foram alterados e 50 por cento dos azinhais reliquiais estão afectados" pelo enchimento da albufeira.
Joanaz de Melo, dirigente do Grupo de Estudos e Ordenamento do Território (GEOTA), salienta que até ao momento "não foi aplicada qualquer medida compensatória que reduza a escala da destruição de 180 quilómetros quadrados de vegetação".
Animais ao abandono
A carga orgânica deixada pelo material lenhoso, associado aos efluentes produzidos pela actividade agrícola e doméstica de 1,7 milhões de pessoas em Espanha e Portugal, pode vir a colocar em causa a qualidade da água de Alqueva.
Continua a ser patente a devassa nas margens da albufeira de Alqueva, onde centenas de cabeças de gado bovino, ovino e suíno pastoreiam e lançam dejectos. Todo o tipo de lixos e entulhos, bem como as práticas piscatórias incorrectas, contaminam as águas e tarda a ser posto em prática um plano de fiscalização e controlo das áreas envolventes da albufeira. "Faltam-nos meios humanos e financeiros e, sobretudo, civismo nas pessoas" alega Nuno Lekoq, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Alentejo, para a área do Ambiente.
No concelho de Mourão, que viu um quarto do seu território submerso, o PÚBLICO foi encontrar dezenas de porcos, aparentemente abandonados - havia animais com membros fracturados chafurdando na lama e dentro de água. Carcaças da mais diversa maquinaria agrícola já tinham sido atingidas pelo nível das águas, assim como um monte, onde permanece uma suinicultura.
Entretanto, próximo deste local, e numa ilha que vai ficar coberta de água, um extenso olival que tinha sido cortado voltou a rebentar e hoje a área está de novo arborizada.
A Única Central Hidroeléctrica do Sul do País
Por C.D.
Quarta-feira, 05 de Maio de 2004
No conjunto das 27 hídricas nacionais, a central hidroeléctrica de Alqueva é a terceira em potência instalada, a oitava em produtividade média anual e a única do Sul do país. Está equipada com dois circuitos hidráulicos e com dois grupos produtores reversíveis, com a potência de 129,6 MW cada. A energia nasce de uma queda de água com 71 metros. No futuro será possível instalar novos grupos geradores, "sem haver necessidade de esvaziar a albufeira", diz Vicente Reis, administrador da EDIA. A central poderá fazer uma operação de turbinamento para voltar a repor na albufeira a água já utilizada na produção de energia e retida na barragem de Pedrógão, a ser construída 30 quilómetros a jusante de Alqueva. A mais-valia obtida neste sistema hidroeléctrico resulta da energia produzida em horas de ponta, cujo valor é muito superior à utilizada na rebombagem feita de noite ou fim-de-semana, que é mais barata. A partir do próximo ano, a barragem de Pedrógão também vai passar a produzir energia eléctrica (10 MW de potência) e estão quase concluídos os projectos para a instalação de seis mini-hídricas nos canais da rede de rega primária de Alqueva. A energia eléctrica produzida pelo novo sistema hidroeléctrico será lançada na Rede Eléctrica Nacional e futuramente será ligada a Espanha pela linha Alqueva/Balboa.
Publicado por jgomes às 01:42 PM | Comentários (3)
abril 29, 2004
Porto II - Av. da Boavista
29 de Abril de 2004. Portugal, Porto, Av. da Boavista, nº 1354.
São estas as vistas que a principal avenida do Porto oferece hoje a quem quiser dispensar uns minutos a observar o património abandonado em plena avenida. Da rotunda da Boavista até à Foz, (cerca de 10 Km?) são muitos os exemplos de casas apalaçadas ainda preservadas e em funções. No entanto não há espírito positivo que permita esquecer a quantidade de palacetes e espaços em processo de ruína, numa espera criminosa pelos melhores dias do imobiliário.
Em Lisboa, existe um site, Lisboa abandonada (a quem o vistas na paisagem humildemente presta aqui homenagem), mantido por simples cidadãos comuns preocupados com os edifícios abandonados e sobretudo com o que isso implica na fruição da cidade. O Porto também deveria ter um site destes. Enquanto ninguém o cria, o vistas na paisagem vai estimulando a ideia mostrando imagens dos crimes mais emblemáticos.
O Palacete acima, bem como tantos outros edifícios abandonados, ficam em pelo centro nobre de um Porto desertificado.
Enquanto isto, os que trabalham no Porto e para os quais as cidades foram inventadas, vivem automobilizados entre o trabalho e a periferia, em urbanizações igualmente criminosas que cresceram em volta do Porto.
Enquanto isto, as autarquias do Valongo, Gondomar, Gaia e Matosinhos concluem em conjunto com os promotores imobiliários que há imensas casas vazias que ninguém quer comprar. Pensam no entanto que o mercado ainda tem espaço de crescimento e as câmaras continuam a licenciar urbanizações mas agora de "boa -qualidade" porque ainda há procura.( No concelho de Gaia há 7.000 casas vazias sem comprador, mas Filipe Meneses considera que as 10.000 adicionais que licenciou serão todas absorvidas porque são de qualidade ao contrario das outras.... sendo que todas elas forma permitidas pela mesma autarquia).
Enquanto isto, o Porto ensaia esforços (e bem!) para trazer mais pessoas para o centro da cidade.
Enquanto isto, Portugal observa as suas taxas de crescimento demográfico negativo e fecha as fronteiras a mais emigrantes.
Enquanto isto alguns intelectuais portuenses consideram que a região do grande Porto deveria competir com Vigo na liderança do Noroeste da Península Ibérica.
Non Sense? Não. É coordenação e planeamento à portuguesa. Plenos de reflexão e visão.
Publicado por jgomes às 07:56 PM
março 25, 2004
Vila D´Este - um alerta aos desprevenidos

Vila D´Este. Esta é a vista que é oferecida aos desprevenidos que se dirigem ao Porto alguns quilómetros antes de chegar à ponte da Arrábida. A imagem peca por defeito, mas ainda assim é suficientemente elucidativa do caos urbanístico que foi permitido nesta localidade do concelho de Gaia.
Uma massa disforme de betão, de prédios de diversas cores e feitios sobrepostos, sem se vislumbrar uma praça, um jardim, um arruamento com perspectiva. Um expoente na região Norte de Portugal do pior que pode ser feito, só com paralelo no Cacém e Fogueteiro.
A unica esperança que se tem é que esta desordem é de tal modo sofisticada que só pode haver uma razão racional e superiormente iluminada para este resultado. Como se fosse impossível ser obra do acaso.
Ao que sabemos nem se trata de um bairro de habitação social - nos quais as nossas autarquias e governo são experimentados a infligir a falta de qualidade, mas de uma urbanização promovida por privados. Qual era a ideia do promotor? Como é que a autarquia pôde permitir isto? Que técnicos medíocres de urbanismo autorizaram esta construção? Essas pessoas estão ainda em funções? Chegaram a ser apresentadas em tribunal, ou continuam impunes?
Numa altura em que ainda se continua a discutir a demolição/não demolição do prédio Coutinho em Viana do Castelo, não pode deixar de nos ocorrer que este é um caso bem mais urgente. Mais, o que se avista é de tal modo mau que enquanto Vila D´Este não fosse corrigida, Estado e Autarquia deveriam ser condenados a indemnizar não só os habitantes que nela são obrigados a viver, como todos os inocentes desprevenidos que diariamente são expostos à violência que é observar esta "paisagem".
Publicado por jgomes às 02:34 PM
março 16, 2004
Estadio de Leiria - o problema das coisas feias

Leiria, já aqui foi dito uma vez, é uma cidade que cresce sem regra e sem estratégia. Tudo é passível de receber mais um empreendimento de dinâmicos promotores imobiliários e o visitante que se aproxime tem de o fazer de olhos bem abertos não vá ficar empanado no meio de algum estaleiro.
Leiria está feia. E isso verifica-se facilmente à vista desarmada. Já foi bonita. Agora tem apenas algumas coisas bonitas. O que não é a mesma coisa, por muito que isto custe a ouvir à Dra. Isabel Damasceno e aos seus sonhos sobre o elevado potencial turístico da cidade e da região.
A foto acima foi tirada a partir desse expoente máximo da fealdade que é a Estrada Nacional 1. Viajar naquela estrada é hoje um exercício utilizado e recomendado por psicólogos de todo o país em programas avançados de dessensibilização ao horror e às fobias.
A aproximação a Leira pela Nacional 1 - seja por Sul ou por Norte - é o ultimo grau de grande parte desses programas de dessensibilização: Quem sobreviver sem pestanejar ultrapassou qualquer fobia ao horror e está preparado para os horrores dos fornos de Treblinka ou para integrar o corpo de Gurkas do exército Britânico.
O Estádio de Leiria, readaptado para receber 3 jogos do EURO 2004 (sublinho 3 jogos do Euro); alibi para uma operação imobiliária a contento, da autoria do arquitecto Tomás Taveira e fonte de rios de tinta na imprensa local a propósito de inúmeras polemicas relativas à remuneração da sua administração está aí: Uma banheira azul e vermelha, semi construída ao lado do Castelo de Leiria. À sua volta, não fosse ele sentir-se sozinho, algumas urbanizações nas melhores terras do vale do Liz, igualmente muito feias.
O Castelo que está ao lado é tão bonito como há 20, 40, 300 ou 600 anos. Apesar deste vizinho feito para receber três jogos que lhe plantaram nas traseiras. Não é que fique feio com o Estádio ao lado... Mas antes desta readaptação estava francamente melhor. O Estádio, que seria feio em qualquer lugar do mundo, ao pé dele, é que fica muito mais feio.
Esta é uma curiosa constatação, qual lei universal, que deve atormentar muitos presidentes de Câmara, Dra. Isabel Damasceno incluída. É que herdando muitas coisas bonitas dá mais nas vistas modernizar o país a reboque de empreendimentos de construção civil. E no fundo é esse o problema das coisas feias:Tudo o que é medíocre medianamente feio, se junto de uma coisa bonita, fica insuportavelmente feio.
Mas a autarquia de Leira não fica sem dormir por causa disto.
Aliás nenhuma autarquia do pais fica sem dormir pela fealdade que autoriza e promove nos seus departamentos de urbanismo. Porque sabem que nunca serão julgados politicamente pelos seus concidadãos, porque sabem que daqui a uns anos estes erros ainda se vão saldar em vantagens quando o governo da Republica aprovar um Mega Polis de centenas de milhões de Euros, devidamente alimentado com impostos de trabalhadores por conta de outrem de toda a Europa, para arrasar com tudo e devolver o "ambiente medieval bucolico-pastoril que inspirou a poesia trovadoresca nas terras do D. Dinis.....blá,blá, blá".
Ai ...até fico com arrepios da emoção ...é uma ideia tão bonita e sensível!!
Publicado por jgomes às 01:44 PM | Comentários (8)
agosto 18, 2003
Almada - Publicidade Enganosa III
Terminamos este tríptico pela publicidade institucional enganosa pondo as
vistas no outro lado do rio. Mais concretamente em Almada, esse concelho,
case-study, governado há mais de 20 anos pela mesma equipa politica.
Como poderão observar, a publicidade de que vos falarei hoje pode, de certa forma, ser considerada mais honesta uma vez que recorre às origens e tecnicas pueris da publicidade enganosa. É a chamada "cerize advertisement: Com duas ou três cerejas qualquer bolo se vende". Depois de iniciado o consumo, é tarde de mais para o consumidor se arrepender. Deveria ter perguntado antes como era o recheio!
Esta publicidade que tenho visto em cartaz mostra quatro belas fotografias
(casa da cerca; palácios dos zagalos, convento dos capuchos e museu) e a
bela frase paga a peso de ouro a uma agência da publicidade "Além das
praias... Almada , tem que se lhe diga..."
oh.... se tem!!!! dizemos nós.
Aqueles palácios e museu existem e exigem todos uma visita, mas para se chegar lá o consumidor (vulgo cidadão) é violentado pela paisagem mais inenarrável de que há registo. Almada, Fogueteiro, Costa da Caparica, Corroios é a coisa mais desorganizada a sul do Tejo que poderia ser concebida. Aquilo é feio e agride as vistas de qualquer ser humano. Vê-se que foi bonito. Mas não é mais. Infelizmente!
Talvez tenha sido num acto ultimo de honestidade que o mentor da frase se
tenha lembrado das reticências. Naquele caso era impossível ser definitivo.
Ainda há-de vir o tempo em que toda aquela zona estará sobre a intervenção
de um Polis (que no vistas da paisagem é sinónimo de impostosparacorrigirasneirasprevisíveis). Como na Costa da Caparica, em que o Estado ajuda a presidente de 2003 a corrigir a má gestão da presidente dos anos oitenta. E que por acaso são uma e a mesma pessoa.
Para finalizar abaixo seguem os mails de quem quizer enviar directamente a sua opinião:
almadainforma@cma.m-almada.pt
Instituto do Consumidor: ic@ic.pt
Publicado por jgomes às 07:07 PM | Comentários (6)
agosto 14, 2003
EPUL - Publicidade Enganosa II
Esta publicidade de que vos falo hoje é ligeiramente diferente da anterior, a qual faltava apenas à verdade. Esta é uma publicidade claramente orientada a chocar o consumidor de modo a fazê-lo fugir de pavor, se não mesmo a enlouquecer. È, se quizermos ser um pouco tecnicistas, na linha de Lauro Antonio, o chamado "choking advertisement". A partir do primeiro visionamento o alvo da publicidade sofre um calafrio sempre que vir o anúncio. Enfim, técnicas....
Entre esses alvos estão os utentes da calçada do Carriche/Av. PAdre Cruz
que no cruzamento com a rainha D.Amélia (imediatamente antes das bombas da GALP) põem as vistas na publicidade " EPUL , CRIAR CIDADE NO SÉC. XXI".
Olhando para a "cidade" que a EPUL construiu no final do sec. XX, dá para imaginar o que se prepara para fazer no séc. XXI. AhrrrAhhrrrrr, por favor
não, não, por favor !!!! (Este é o tal efeito de choque de que falava atrás! )
Quem for de Lisboa e conhecer Telheiras sabe do que falo. Quem não, for não
se preocupe que não perde nada.
Telheiras é a antecessora da Expo. Um bom exemplo de uma oportunidade
perdida da total responsabilidade da Empresa Publica de Urbanização de Lisboa. Um bairro inteiro sem um jardim digno desse nome; pobre de equipamentos (ningém vai a telheiras se não for para dormir), urbanizações exclusivas com vista para as vias rápidas (2ª circular; Padre Cruz, Eixo Norte Sul). Em resumo betão e alcatrão com o selo da qualidade EPUL. Quando uma empresa de capitais publicos faz este belíssimo trabalho, podemos dormir descansados a imaginar a mestria dos operadores privados!
Para finalizar conto-vos uma pequena historia elucidativa. há cerca de 6 anos estava eu a mostrar a cidade de Lisboa a um amigo meu oriundo da Suécia quando passámos ao acaso por Telheiras. A pergunta que me colocou foi: "como se chama esta área de Bairros Sociais?"
Acabou logo ali o tour ! Já nem o levei às saudosas Galinheiras. Fomos para
casa ver um vídeo. Era menos polémico.
Quem quizer pode enviar a sua opinião directamente para:
EPUL: info@epul.pt
Instituto do Consumidor: ic@ic.pt
Publicado por jgomes às 06:26 PM | Comentários (11)
agosto 12, 2003
Alta de Lisboa - Publicidade enganosa I
Quem costuma dar uma vista de olhos pelos cadernos do imobiliário, já se deparou certamente com anúncios de página inteira, a cores, de mais um empreendimento promovido pela SGAL na Alta de Lisboa. Chama-se "Dolce Farniente" e mostra-nos um senhor a descansar num frondoso e espaçoso jardim.
Deixando de lado o nome escolhido, Dolce Farniente, certamente um sinal dos
tempos que merecerá os comentários dos diversos analistas e psicólogos da
nação especializados nas razões do nosso atraso, não podemos deixar de alertar que tudo aquilo está atravessado de grosseira publicidade enganosa!
O edifício de facto existe e está lá na Alta de Lisboa, no meio das urbanizações em curso e envolto na poeira e lama dos estaleiros. O jardim é que não, e podem passar-se 100 anos que nunca lá existirá nada para além da relva que rematar os arruamentos e de uma ou outra árvore rodeada de buganvílias.
O parque frondoso existe, o enorme campo relvado também, e apesar de
maltratados estão ao lado da Alta de Lisboa. Mas não são da Alta de Lisboa,
nem do empreendimento Dolce Farniente. Pertencem ao Parque das Quinta das
conchas e dos Lilases, um parque murado - friso, murado, que pertence a
toda a população de Lisboa e não somente aqueles que podem dispensar 200.000 Euros por um T1.
A diferença entre ser da Alta de Lisboa e estar ao lado é subtil mas é importante. Equivale mais ou menos às nossas fotografias em frente a Buckingam Palace. O palácio está lá, mas nós não somos a rainha de Inglaterra!
Trata-se pois de publicidade enganosa. Para quem compra (...ai se me aparece lá algum vizinho a estacionar a espreguiçadeira!) e sobretudo de um abuso aos cidadãos de Lisboa. Um caso portanto para tribunais e Instituto do Consumidor.
Aqui vão os endereços de mail para quem quizer reclamar directamente:
Geral Vâmara Municipal: geral@cm-lisboa.pt
Departamento Espaços Verde:daev@cm-lisboa.pt
Departamentos de Gestão urbanistica:dgu1@cm-lisboa.pt
Junta de freguesia do Lumiar:http://www.jf-lumiar.pt/
Alta deLisboa: www.altadelisboa.com - servidor "em baixo"
Instituto do Consumidor: ic@ic.pt
Publicado por jgomes às 04:36 PM | Comentários (38)