maio 17, 2005

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Este é o rio Chança, um dos raros rios selvagens de Portugal, e provavelmente uma das mais desertas e inóspitas paisagens do país. Separa Portugal de Espanha entre Serpa (Vila Verde de Ficalho), e Mértola (Pomarão), onde termina numa barragem.
Proporciona imagens de uma beleza rara. Podemos caminhar um dia inteiro que não se vê uma casa nem uma pessoa. A água do rio proporciona um ambiente de frescura que contrasta com o calor do vale.
Inconvenientes: água parcialmente eutrofizada, por descarga de efluentes não tratados.
Areeiros tiram areia das margens do rio em todos os lados onde isso é possível, enchendo de poeira a região e estragando recantos magníficos.

Mas o problema maior, para mim, é que não se vêem animais. Este é o habitat por excelência do lince, perto de Serra Morena, e quanto a bichos nem vê-los. Tirando uma ou outra perdiz, trata-se apenas de uma beleza vegetal. e a natureza faz-se também com animais.

Publicado por Domingos Neto às 05:48 PM | Comentários (1)

maio 09, 2005

Vistas cá dentro...Montesinho

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Portugal, Bragança-Montesinho, Abril 2005

Não é de facto necessário sair de Portugal para ver uma paisagem merecedora de ser admirada... Esta pertence à do Parque Natural de Montesinho, um dos parques que pertencem à dita "joia da coroa" do melhor que Portugal tem em termos ambientais. Situado no Nordeste do país e que se estende pelos concelhos de Vinhais e Bragança, esta região ficou de facto arredada do dito "desenvolvimento" a partir do momento em que as suas populações se viram forçadas a sair. Daí que o seu actual estado de preservação seja fruto mais de uma série de circunstâncias do que da vontade incontornável dos homens - Quem tiver duvidas, é só observar as urbanizações, decalcadas de um qualquer suburbio do Porto, que se constroem á beira do IP4....

Mas dentro dos limites do Parque a regra é de facto da preservação. Imagino que com as resistências que normalmente os Parques encontram, e por isso, visitá-lo e admirar a sua paisagem habilmente humanizada é o melhor tributo aos que lá ficaram e ainda lá estão.

Publicado por jgomes às 09:49 PM

janeiro 06, 2005

Vistas no Parque Natural do Alvão

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Portugal, Parque Natural do Alvão, 1 de Janeiro de 2005

A apenas 1 hora de distância do Porto, o Parque Natural do Alvão
transcende em paisagem a sua relativa reduzida dimensão (apenas 7000
hectares!). Abrange uma área partilhada por Vila Real e Mondim de
Basto e, entre outros pontos, sugere-se o percurso que fizemos no
primeiro fim-de-semana do ano:

1 - Estrada Nacional 304 (do IP4 para Mondim de Basto) - A Estrada não
pertence ao Parque, mas é uma estrada que vale a pena ser percorrida
pelo seu traçado e pelas vistas da serra do Marão;
2 - Em Ermelo virar à direita e subir a Serra do Alvão para a aldeia de Barreiro;
3 - Fazer um pequeno percurso a pé até Lamas de Olo, uma aldeia serrana praticamente intacta e bem cuidada!

Claro que há mais pontos a visitar (Fisgas de Ermelo, etc). Mas que as
fotos e este link aguvem o apetite por um fim-de-semana a desfrutar de boa paisagem!

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Portugal, Parque Natural do Alvão, 1 de Janeiro de 2005

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Portugal, Parque Natural do Alvão, 1 de Janeiro de 2005

Publicado por jgomes às 01:38 PM | Comentários (3)

dezembro 21, 2004

Vistas na Lousã

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Portugal, Lousã, Piscinas - Ermida de N. Senhora da Piedade, Dezembro 2004

A Serra da Lousã tem outros atractivos mas este foi, atendendo ao tempo chuvoso, o passeio possível num fim de semana bem passado com amigos (clicar aqui e aqui)!
As imagens justificam a visita, pela paisagem e, sobretudo pelo testemunho vivo de como também na paisagem nem sempre o que parece é... Na realidade, a serra da Lousã está excessivamente eucaliptada e muitas das árvores frondosas que vemos nestas fotos são "simplesmente" acácias - uma espécie invasora de improvável erradicação e com a qual a floresta original dificilmente poderá competir...

Porém, o vale, o castelo de Arouce, o rio, a Ermida dão ao lugar uma atmosfera que justifica plenamente que a consideremos uma vista a não perder!

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Publicado por jgomes às 08:00 PM

dezembro 14, 2004

Vistas em Aveiro

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Portugal, Aveiro - Estrada da Torreira - S. Jacinto - Dez 2004

Penso que o local de onde tirei esta foto pertence já ao concelho de Aveiro. Mas também pode ser Murtosa. De qualquer das formas é indiferente. A vista da Ria de Aveiro a partir desta estrada, que desemboca na Barra e tem do seu lado atlântico a Reserva das Dunas de S. Jacinto, é simplesmente soberba!

Junto deixo-vos um link para a Quercus de Aveiro: http://aveiro.quercus.pt/

Publicado por jgomes às 10:12 PM | Comentários (2)

novembro 25, 2004

Encontrar Belver

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Portugal, Gavião, Castelo de Belver, Novembro 2004

Todas as possibilidades são boas, mas esta, a de encontrar Belver ao fim de um dia de Sol de Inverno, por "detrás" e depois do esforço em conduzir pela péssima estrada secundária que procede de Mação, tem a minha preferência. Pelo castelo e pela vista que logo de seguida se oferece: O Tejo. apesar da miséria das encostas ardidas. apesar de tudo aquilo estar subaproveitado.... O Tejo.
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Portugal, Gavião, Rio Tejo em Belver, Novembro 2004

Publicado por jgomes às 06:55 PM | Comentários (7)

novembro 16, 2004

Tilia de Nuzedo - no Dias com árvores

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Portugal, Nuzedo - Vila Pouca de Aguiar - Novembro de 2004 - foto publicada no blogue Dias com árvores

A foto acima foi publicada dia 13 no Dias com árvores. Por regra, o nível das fotos e dos textos já é muito bom, mas a entrada a propósito desta Tília sobe mais uns degraus na exigência a que os autores nitidamente se autopropõem. Resultado: um blogue a proporcionar um imenso prazer aos visitantes.
Não copio o texto porque me falta a lata. Já a foto e a Tília...não resisto... são demasiado bonitas!

Publicado por jgomes às 07:24 PM

novembro 15, 2004

Alentejo - Terra de especialistas em paisagem III

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Portugal, Alto Alentejo - Serra de S. Mamede - Vale de Rodão - 13 Novembro 2004

Esta é uma das muitas vistas que justificam qualquer esforço para sair do Porto, percorrer 350 quilometros e revisitar o Alto Alentejo. No passado fim de semana, para além das cores da Serra de S. Mamede - bem mais entusiasmantes que o monocolor verde escuro do pinhal interior, havia ainda a festa da castanha e a oportunidade de ver a vila de Marvão, que tem menos de 200 habitantes permanentes, com a animação de um magusto que recebeu centenas de visitantes.

Não são precisas mais palavras. Quem conhece sabe do que falo. Quem não conhece deve suprir a falha rapidamente.

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Portugal, Alto Alentejo - Marvão - 13 Novembro 2004

Publicado por jgomes às 08:31 PM | Comentários (2)

setembro 24, 2004

Praia da Polvoeira

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Portugal, Alcobaça-Praia da Polvoeira, Agosto de 2004

Uma praia e uma paisagem a não perder. Na costa atlântica e com mais sorte que S. Martinho do Porto, a praia da Polvoeira foi relativamente deixada em paz pela Câmara Municipal de Alcobaça. Tem bons acessos, não tem uma única construção. Nem das ilegais (as que havia foram mandadas destruir por Carlos Pimenta no final do anos 80), nem das tecnicamente legais-mas-em tudo-o-resto-criminosas (como as que existem nas praias a sul desta: Paredes, Vale furado, Légua, etc).

Um bom destino, que vem a propósito do calor tardio deste fim de Setembro, e um bom pretexto para apanhar sol enquanto se passam os olhos pelos jornais da semana e se repõem em memória alguns artigos. Como estes, 1) Sobre as 50 medidas de Nobre Guedes, 2)a propósito da RAN e da REN e 3) sobre o mega estudo demografico e urbanistico de Lisboa e o seu desenvolvimento.
Tudo coisas de bom senso, que quem manda tinha a obrigação de ter pensado há 15/20 anos atrás, e que hoje fazemos aqui cópia, Para o caso de daqui a 20 anos ainda estarmos a pagar estudos a concluir o mesmo....

Para terminar, algo que poderia ser confundida com uma foto de uma instalação depressiva (!!): Uma casa de banho, provavelmente colocada pela autarquia, na mesma praia da Polvoeira, totalmente destruída... Este blogue não é sobre mobiliário "urbano", nem sobre a falta de civismo, mas a capacidade destruidora de alguns bípedes isolados não deixa de surpreender... ...Aqui fica a foto!

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Portugal, Alcobaça-Praia de Polvoeira, Agosto de 2004

Nobre Guedes Promete 50 Medidas em Seis Meses
Por ANA FERNANDES E RICARDO GARCIA
Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

Algumas novidades e muitas iniciativas que decorrem de políticas anteiores ou de compromissos nacionais estão entre as medidas que o ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Luís Nobre Guedes, quer pôr em prática até Março de 2005. Nobre Guedes tem uma lista de 50 medidas para os próximos seis meses e afirma-se disposto a colocar a sua cabeça no cepo pela sua concretização. "Se eu, passados seis meses, não cumprir [as 50 medidas] assumo toda a responsabilidade", disse ontem, à saída de uma reunião com o Conselho Nacional do Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável (CNADS).

Entre as promessas, estão algumas novidades como o reforço na elaboração das agendas 21 locais, a criação de uma Agência do Litoral e de uma Agência do Ambiente.

Muitas das iniciativas são a continuação de políticas ou decorrem de compromissos internacionais ou obrigações nacionais, como são o caso da transposição da Directiva-Quadro da Água - que assumirá o nome de Código da Água - e a conclusão dos planos de ordenamento das áreas protegidas.

Também as agendas 21 locais - um documento que saiu da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992 e que tem como objectivo promover o desenvolvimento sustentável à escala do município, definindo políticas que compatibilizem crescimento económico, bem-estar social e ambiente - são um compromisso que o país assumiu e nunca cumpriu. Apenas cinco por cento das autarquias têm estas agendas mas, mesmo as existentes, "apresentam um nível muito díspare quando têm de ter linhas de orientação comuns", explicou Jorge Moreira da Silva, secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente. Além de que "é preciso compatibilizá-las com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável", acrescentou. Vai ser criado um grupo de trabalho para dinamizar a elaboração das agendas, que terão de contar com a participação dos municípios, investigadores e população, adiantou o ministro.

Nobre Guedes anunciou ainda que pretende rever o regime jurídico das reservas ecológica e agrícola nacionais (REN e RAN), que está em curso, aguardando apenas os pareceres do CNADS e da Comissão Nacional da REN sobre a proposta apresentada por Sidónio Pardal. O ministro não quis pronunciar-se sobre a eventualidade de vir a rejeitar esta proposta, uma vez que os pareceres intercalares que as duas entidades já deram sobre o documento foram muito negativos.

O reforço da inspecção ambiental, a recuperação de locais contaminados, a definição do programa de acção Ambiente/Saúde 2005 - 2010 e o apoio à educação ambiental foram outras das medidas anunciadas

Criação da Agência do Litoral
Publico,Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

A ideia não é nova e já estava sobre a mesa dos anteriores ministros Amílcar Theias e Arlindo Cunha. A proposta de Nobre Guedes é avançar com o projecto, concentrando num único organismo as competências sobre o litoral que estão dispersas pelo Ministério do Ambiente. Isto implica mexer no Instituto da Conservação da Natureza, no Instituto da Água e provavelmente acabar com o programa Finisterra, criado no princípio do ano passado para gerir as intervenções no litoral e cujas competências ficariam diluídas na agência

Monitorizar o programa para as alterações climática
O Ministério do Ambiente quer criar um mecanismo para controlar até que ponto as medidas previstas no Programa Nacional para as Alterações Climáticas - destinado a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa - estão ou não a ser postas em prática. Isto implica clarificar quem são os responsáveis por cada medida - que atravessam vários sectores do Governo -, conceber indicadores de execução e divulgar relatórios periódicos, tal como o faz a Agência Europeia do Ambiente.

Novo modelo para a conservação da natureza
Nobre Guedes diz que vai apostar num novo modelo de gestão para o Instituto da Conservação da Natureza - um dos organismos mais problemáticos do seu ministério. Mas este modelo ainda não está definido. Outra medida anunciada é a conclusão de todos os planos de ordenamento das áreas protegidas - uma promessa que tem sido feita por sucessivos ministros. Neste momento, o Ministério está a trabalhar intensamente na conclusão do plano do Parque Natural da Arrábida.

Alargar a adesão à Agenda 21 Local
Apenas cinco por cento das autarquias portuguesas adoptaram a Agenda 21 Local - uma espécie de roteiro estratégico para o desenvolvimento sustentável dos municípios. O Ministério do Ambiente quer aumentar esta participação, com mais 50 municípios com Agenda 21 Local em 2005 e mais outros 50 em 2006. O Instituto do Ambiente vai coordenar esta iniciativa, recorrendo a centros de investigação e universidades.

Criação da Agência do Ambiente
A criação de uma Agência do Ambiente está na mira de Nobre Guedes num "futuro próximo". O primeiro passo será o reforço do Instituto do Ambiente, concentrando as competências de planeamento, acompanhamento e integração das políticas ambientais. Esta já é actualmente a sua função, mas o ministro acena com a supressão da "pulverização de competências". A nova lei orgânica do Ministério do Ambiente, que está a ser ultimada, deverá trazer novidades neste domínio.

Repensar o sector das águas
Nobre Guedes já disse que quer repensar a estratégia governamental para o sector das águas, aprovada pelo Conselho de Ministros há apenas quatro meses. O ministro já pediu a opinião de alguns especialistas mas, para já, fala apenas com a intenção genérica de "avaliar" e "redefinir" o modelo escolhido - que envolve a privatização de 49 por cento da "holding" Águas de Portugal, até ao final de 2005

Ribeiro Telles Diz Que Defesa da RAN e da REN É Imprescindível
Por FERNANDA RIBEIRO
Publico, Sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles salientou na terça-feira que, "face à pressão urbanística, a defesa da Reserva Agrícola Nacional [RAN] e da Reserva Ecológica [REN] é imprescindível", porque elas pressupõem a sobrevivência de "recursos que não se podem destruir, porque depois se pagará um preço muito alto".

"Quanto mais betão, menos praia. E é bom que se comece a pensar nisso, em particular os que vão para o Algarve e para a Caparica", alertou Ribeiro Telles, segundo o qual "a utilização das areias na preparação do betão, que hoje em dia é usado em tudo, contribui para a destruição" desse recurso.

"Com a destruição de solos como o da lezíria de Loures, e dos terrenos arenosos de qualidade, estamos a aumentar a torrencialidade, até que chegue a catástrofe", disse o arquitecto paisagista, numa sessão promovida pela Ordem dos Arquitectos, em que se falou dos Planos Verdes de Lisboa, de que foi autor, e ainda dos de Loures e do Seixal.

"O planeamento é um jogo entre dois sistemas, não é um dos sistemas a dominar o outro", sublinhou Ribeiro Telles, para quem Lisboa já padece de grandes problemas, seja "na circulação da água, como do ar", boa parte deles criados pela construção desenfreada sobre vales e leitos de cheia.

Para Ribeiro Telles, há três embustes em que se tem insistido em Portugal. "O primeiro é o de que o país não pode ter agricultura porque não tem solos de qualidade. Uma campanha fez crer que apenas 28 por cento dos solos eram agricultáveis e só 12 por cento seriam francamente bons. Isso é mentira. Esses cálculos foram feitos com base nas culturas nórdicas do trigo e cereais. Portugal tem 40 por cento de solos com qualidade aceitável para uma utilização agrícola", disse.

"O segundo embuste é o de que a RAN e a REN são prejudiciais ao desenvolvimento e o terceiro é o de que, quando não há mais espaço urbano, deve haver floresta - esta que temos [de monocultura] a arder todos os anos".

Na sessão, que fez parte da iniciativa "Território em Debate", participaram também a arquitecta paisagista Manuela Raposo Magalhães, docente do Instituto Superior de Agronomia, que falou sobre os planos verdes em que participou (Seixal e Loures), e o arquitecto Bruno Soares, que fez o contraponto, como homem que está no "lado duro" da arquitectura.

A forma pouco articulada como se desenvolvem as cidades e a importância de haver uma abordagem integrada, em que se sobreponham as componentes edificáveis e as ambientais, foi salientada por Manuela Raposo Magalhães.

"A maioria dos Planos Directores Municipais interpreta a paisagem em termos de estruturas. E toda a gente sabe e entende o que é uma estrutura viária. Porque não se entende então o que é uma estrutura ecológica, quando é ela que integra tudo o que é essencial?", questionou Manuela Raposo Magalhães.

Já Bruno Soares, embora destacasse a necessidade de "haver uma inter-relação entre a área urbana edificada e a não edificável", considerou que não raras vezes "é uma chatice encontrar pela frente [nos projectos] a REN e a RAN, porque muitas vezes é difícil compatibilizar e dar lógica" às intervenções. Mas, sublinhou, "o debate entre a estrutura verde e a estrutura urbana edificada é de grande actualidade, e está a ser feito por todo o lado na Europa".

Lisboa Não Pode Viver Só
Por ANA HENRIQUES
Publico, Sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

de projectos imobiliários,

diz Augusto Mateus

O ex-ministro da Economia Augusto Mateus defendeu ontem que a cidade de Lisboa não pode limitar-se a viver de projectos imobiliários, "como se de um jogo do monopólio se tratasse".

Para ser competitiva a cidade tem de possuir actividade criadoras de riqueza, mesmo que isso signifique apostar em projectos cuja rendibilidade não é imediata, acrescentou.

Augusto Mateus falava na apresentação de um mega-estudo demográfico, urbanístico e sociológico sobre Lisboa, no qual coordenou um volume dedicado ao desenvolvimento económico. Para se tornar competitiva a nível internacional, a capital precisa de apostar nas actividades económicas baseadas no conhecimento, como a banca e as telecomunicações, diz o documento. Augusto Mateus critica o facto de os antigos eixos de criação de riqueza da cidade do início do século passado - os eixos fabris Alcântara-Junqueira-Ajuda e Beato-Marvila-Chelas - estarem a ser alvo de "projectos imobiliários desgarrados, construídos em cima dos restos que sobraram das antigas fábricas", em vez de estes locais serem aproveitados para desenvolver actividades económicas baseadas no conhecimento.

Alvo de reparos do antigo ministro de António Guterres foi também o facto de os grandes nomes da arquitectura internacional contratados pela Câmara de Lisboa para desenvolver projectos na capital estarem a trabalhar apenas para alguns: para os que irão usufruir do resultado dos projectos imobiliários que lhes foram entregues.

Uma cidade ingovernável
No entender deste reputado economista, Lisboa confronta-se neste momento com um problema de ingovernabilidade que radica na existência de nada menos de 53 freguesias na cidade, umas com uma área minúscula e praticamente sem habitantes, como é o caso das freguesias da Baixa, e outras gigantescas, como Benfica. A questão tem vindo a ser discutida pelos vereadores da Câmara de Lisboa e pelos deputados municipais.

A segunda parte do mega-estudo sobre Lisboa será apresentada daqui a um mês, mas alguns dados que ele trará foram já ontem adiantados. Assim, a dramática perda de população da cidade nos últimos anos tem vindo a ser acompanhada por uma entrada de novos habitantes muito rápida: entre 1996 e 2001 a cidade ganhou 53 mil pessoas. Mesmo assim, os novos não chegam para repor os que saem. Por cada habitante novo havia dois a ir-se embora em 2001.

Um quarto dos novos residentes é proveniente do estrangeiro e 60 por cento frequenta algum estabelecimento de ensino. "Uma das grandes mais-valias da cidade são as suas escolas", explica o coordenador do mega-estudo, João Seixas.

A estrutura familiar dos novos residentes tem dimensões menores do que é tradicional: 1,7 pessoas por família. Mas nada disto impede que Lisboa continue a ser das cidades mais envelhecidas da Europa e a mais envelhecida de Portugal. Nalguns bairros a percentagem de idosos ultrapassa a da cidade. Em Alvalade 45 por cento dos habitantes tem mais de 65 anos.

E não é por falta de casas que Lisboa não tem mais gente. Na década de 90 o número de alojamentos vagos aumentou 60 por cento, percentagem que se eleva aos 72,4 por cento quando se fala dos alojamentos vagos que nessa altura se encontravam fora do mercado de venda ou aluguer.

Inverter esta situação implica grandes transformações, imaginação e muito dinheiro. Só assim será possível reabilitar os milhares de prédios degradados em toda a cidade. Na opinião de João Seixas, os desafios financeiros da cidade têm sido pouco discutidos. "Em Barcelona mais de 40 por cento dos impostos pagos pelos munícipes ficam na cidade", refere.

Publicado por jgomes às 01:24 PM | Comentários (3)

setembro 16, 2004

Ao avistar Alenquer.....

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Portugal, Alenquer, Agosto de 2004

Alenquer. Até há alguns anos atrás, penso que cerca de 15-20 anos, ir a Lisboa pela Nacional 1 significava a impossibilidade de evitar Alenquer. Lembro-me da primeira vez que a vi, aquando da excursão da escola primária a Lisboa para um condensado impossível de um dia: ida e volta com museu militar, museu da marinha, planetário e mosteiro dos Jerónimos. Na altura já se podia apanhar a auto-estrada em Alcoentre/Aveiras, mas as professoras, por razões de custos ou de gosto, preferiam continuar pela Nacional 1. Uns quilómetros antes suplicavam ao microfone para que nos cansássemos do "Sr. chófer, por favor, ponha o pé no acelerador. se bater não faz mal, vamos todos pró hospital!!!!" e informavam que íamos passar por Alenquer...para "termos atenção à vila presépio, blá, blá, blá, Damião de Góis viveu aqui, blá, blá..." Assim que começávamos a descer, pediam ao motorista da camioneta da Rodoviária Nacional de Leiria para abrandar a marcha e voltavam a suplicar para pararmos com a berraria e que olhássemos. Alguns não chegavam sequer a parar de berrar, outros por sorte ou por se terem perdido na letra da música, tinham esta vista inesperadamente oferecida de bandeja pelo lado direito: ALENQUER, A VILA PRESÉPIO!

Estava registada a imagem. Definitivamente.

Hoje 20 anos depois, continuo a passar por Alenquer e a parar o carro. Há uns anos num fim de tarde de Dezembro tive curiosidade e arrisquei sentir-me dentro do presépio. Passei nas ruas velhas de desenho árabe, no seu convento do inicio da nacionalidade, nas fabricas da semi-revolução industrial possivel em Portugal, nos painéis de azulejo (alguns ainda la estão!) a anunciar as vantagens do Nitrato do Chile.

Gostava de Alenquer- Passei a ficar dependente de Alenquer.

Hoje, 20 anos depois, quando lá passo, é impossível não ser transportado para o inicio dos anos 80 e imaginar, um autocarro da Rodoviária Nacional, a transitar a 60 Km hora nas estradas rurais de um país que, sei-o hoje, ainda estava em estado de choque com a guerra, os retornados e a perda do império, de uma sociedade ainda a ferro e fogo das nacionalizações recentes e as marcas da radicalização pós 25 de Abril. Imaginar, professoras primárias, a jurar certamente entre elas que aquela era ultima vez que se metiam na aventura de levar a Lisboa malcheirosos, filhos e netos de camponeses miseráveis da Estremadura. Imaginar, fedelhos que não faziam a mínima ideia que tinham nascido no país mais atrasado da Europa e que julgavam transitar numa estrada moderna porque comparada com os caminhos de barro e mato que aos Domingos percorriam quando iam à catequese na sede da freguesia. Imaginar que a estrada moderna da altura era afinal a estrada testemunho do isolamento, do tempo perdido da Ditadura. Uma estrada que ligava o Porto a Lisboa e passava por dentro de todas as vilas que lhe ficavam no caminho, tal qual como no tempo das diligencias do séc. XIX.

Hoje, 20 anos depois, a vista a não perder continua lá e faz parte do imaginário de muitos que por lá passaram nos anos 80. Assim como faz parte de todos os que ainda por lá passam pela primeira vez. Assim como fazem parte tantas e muitas outras paisagens que se vêem pela primeira vez, esta é, no caso pessoal, apenas um bom exemplo de como a paisagem entra no processo de construção de uma identidade e com isso evoca memórias colectivas.

Hoje, quem lá passa e imagina o que atrás escrevemos, tem de fazer o esforço adicional de procurar e fixar a perspectiva certa para ver exclusivamente este enquadramento. Se desviarmos o olhar, o postal fica irremediavelmente manchado e os pensamentos generosos acerca das transformações operadas no país são imediatamente devolvidos à realidade. De facto, "...as brutais transformações operadas em 20-30 anos anos foram um grande alibi para as sacanices mais descarados.....", ....pensamos nós.

Como veremos, na próxima entrada, são crimes operados nos últimos 15 anos sob a liderança de uma câmara exclusivamente dirigida por um só homen desde as primeira eleições nos anos 70. Minhas senhores e meus senhores , Sua Excelência, Eminência, não sei, ou um grande autarca monólito do poder local português: Sr. Álvaro Joaquim Gomes Pedro!!!!

Nota: Este blogue comprometeu-se a dedicar-se exclusivamente à paisagem, mas resiste cada vez menos a outros assuntos. Aqui fica o link para o artigo de opinião (copia do texto no corpa da entrada), de José Pacheco Pereira no Público de hoje, Quinta-feira (que vale a pena ler!) e o meu comentário pessoal às suas linhas acerca do impacto da blogoesfera nos media. A análise parece-me acertada, li com interesse as ideias que expôs, mas o que eu gostava mesmo era de o ouvir falar dos impactos políticos da blogoesfera: na baixa esfera da partidocracia portuguesa e nas altas esferas da Política com P grande e da Democracia com D grande. Não que a blogoesfera não influencie significativamente os Media ,mas porque não acredito que milhares de pessoas editem das 6 da tarde ás 11 da noite apenas para desequilibrarem os media de hoje. Desconfio até, não sei porquê, de que as coisas já foram mais longe e não vão deter-se por aqui.

Eu sou dos que não acredita que o status quo mesquinho hoje vigente, nervosinho que está com tanta opinião publicada e acessível a todos, consiga sequer encaixar-se nos factos. Como é evidente há um antes e um depois da blogoesfera na Política. Há quem não o consiga ver, e há quem, por receio, prefira não o ver. Em vão. São os pontos de não retorno das aulas de historia do secundário. A blogoesfera é um desses pontos. Aconteceram muitos neste últimos 10 mil anos , se calhar não tantos como os que seria necessário, mas de vez em quando as variáveis conjugam-se e eles acontecem. Nós temos o privilégio de estar no meio de um deles e é improvável que alguém queira ficar no navio, estacionado ao largo, observando calmamente "como é bonita esta costa que olhos humanos avistam pela primeira vez.......

Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004

Há cerca de um ano, escrevi sobre os blogues no PÚBLICO, coincidindo com a sua descoberta por um público mais vasto. Houve, em seguida, o habitual surto de breve fama, centenas de blogues foram criados e dezenas de artigos mais ou menos apressados, mais ou menos informados, foram publicados. Tudo quanto era órgão de comunicação social publicou pelo menos um artigo sobre os blogues. Depois os blogues passaram de moda, muitos dos blogues criados desapareceram, embora a "audiência" global dos blogues tenha aumentado significativamente, mantendo-se esse efeito até hoje. É altura de fazer um balanço deste novo tipo de publicação electrónica.

A blogosfera portuguesa mudou muito durante este ano, deixou de ser constituída por um pequeno grupo pioneiro, que a usava quase como um "espaço íntimo", para se tornar, de um dia para o outro (a rapidez é uma característica do meio), mais agressiva, politizada no mau sentido, ressentida e implicativa. Mas essa fase também já passou e o melhor dos primeiros tempos "íntimos" e o melhor da fase de democratização da blogosfera permaneceram. Cerca de 20 a 30 blogues portugueses fornecem todos os dias novas ideias, reflexões, informações, que um cidadão avisado e culto não deve perder.

Não tenho nenhumas dúvidas de que os blogues vieram para ficar, enquanto a evolução tecnológica não permitir a migração do que hoje se pode fazer num blogue para outra plataforma mais eficaz e superior. Enquanto tal, uma revolução está em curso, principalmente no âmbito do sistema comunicacional, e, a partir daí, afectando os sistemas que lhe são próximos: a política nacional e local, a crítica literária e artística, a divulgação científica, entre outros.

Nenhuma análise hoje do estado da comunicação social em qualquer país onde existe um sistema mediático - jornais, rádios, televisões - pode ser feita sem incluir os blogues. Veja-se o recente caso americano: dois blogues (Power Line e Little Green Footballs) contestaram a autenticidade dos documentos sobre o serviço militar de George Bush, que o prestigiado Dan Rather tinha divulgado no influente programa 60 Minutos da poderosa CBS. Prestigiado, influente, poderoso. Os documentos faziam imensos estragos na imagem de Bush, mostrando a existência de cunhas e tentativas de alterar os relatórios sobre a sua capacidade como piloto. Foram tratados pelos grandes media americanos como uma notícia de primeiríssima página, capaz de alterar a vantagem que Bush obtivera nas sondagens sobre Kerry, em suma, capazes de definir a contenda eleitoral. Os dois blogues, logo seguidos por muitos outros, analisaram os documentos e começaram a levantar questões: nenhuma máquina de escrever, à data putativa dos memorandos, era capaz de manter aquela ordem de espaços entre as letras, sobrepondo-se as mesmas frases escritas com o processador de texto Word sobre o texto antigo, não havia discrepâncias, etc., etc.

Outros blogues levantaram questões de conteúdo - um militar não colocaria aquelas questões no papel, havia uma discrepância entre a linguagem e a forma de outros memorandos do mesmo militar (que já morreu) e os apresentados pela CBS, etc. Outros blogues refutaram que houvesse falsificações e a CBS disse que tinha feito analisar os documentos por vários grafólogos. Foi só uma questão de tempo até que o assunto chegasse à grande imprensa, ao "Washington Post", que tem outros meios de investigação, e as dúvidas sobre a autenticidade cresceram. Analistas e grafólogos mostraram que não havia a unanimidade que a CBS garantia e toda uma nova série de investigações e depoimentos aprofundaram as dúvidas. A questão está em aberto, mas a controvérsia só existiu porque existem blogues e a Internet lhes dá uma audiência universal.

Em Portugal, o mesmo já se passa hoje. Excluam-se os blogues e a comunicação social seria diferente. Não porque os blogues sejam lidos por muita gente, mas sim porque são lidos pela gente certa. Os blogues são escritos por uma elite para uma elite, são escritos por estudantes, literatos, políticos, cientistas, investigadores, jornalistas, na maioria dos casos jovens e no início de carreira, e são lidos pelos mesmos grupos sociais e profissionais dos que os escrevem. Um grupo tem relevo especial neste ecossistema que é a blogosfera: são os jornalistas.

Os jornalistas, principalmente da imprensa escrita, vão hoje buscar imensa coisa aos blogues, umas vezes citam, outras não, e os leitores dos jornais desconhecem a importância dessa contribuição. Ainda recentemente uma notícia de primeira página do PÚBLICO teve origem num blogue. O jornal demorou uns dias a referir a

Publicado por jgomes às 11:19 PM

setembro 08, 2004

O fim de uma tarde numa praia virada a oeste

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Sistema Solar - Planeta Terra. O céu no fim de uma tarde de Verão numa praia virada a oeste. Agosto de 2004.

Desde que entrámos pela Costa vicentina, quatro entradas atrás, a 30 de Agosto de 2004, o vistas na paisagem, ao contrário da ordem natural das coisas, tem vindo a rumar para Norte.

Hoje, dia 8 de Setembro, fazemos um parêntesis no estilo a que nos habituámos e referimo-nos só e apenas a vistas pelos jornais. Hoje, no dia mundial da alfabetização, em que o Público nos informa que 20% dos seres deste planeta, e 10% dos portugueses, com quem partilhamos a condição humana não sabem ler nem escrever. Hoje também, no dia em que o mesmo jornal Público veicula a Lusa e anuncia que 1 milhão daqueles mesmos com quem partilhamos a condição humana se suicidam anualmente. Mais mortes do que em todas as guerras em curso e homicídios juntos. O link está aqui. O texto integral da notícia fica abaixo.

Acima, fica a fotografia tirada por alguém rendido, como milhares se renderam no passado, como Turner, pintor Inglês, magistralmente se rendeu num fim de tarde do séc XIX, e como outros hoje e amanhã se rendem e renderão: O céu no fim de uma tarde de Verão numa praia virada a oeste.

Há paisagens assim. Sempre diferentes. Todos os fim de dia a custo zero e em todos os pontos do planeta Terra.

E com isto inauguramos a secção "Vista Desarmadas" !!

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Publico - Ultima hora - Saúde
Suicídio mata mais que guerra e homicídios, alerta OMS - Agencia Lusa


Pelo menos um milhão de pessoas suicida-se em todo o mundo anualmente, um valor que já ultrapassa o número de mortos devido a guerra e homicídio, de acordo com um estudo hoje divulgado em Genebra.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o problema continua a agravar-se, devendo o número de suicídios aumentar pelo menos 50 por cento para 1,5 milhões, nos próximos 15 anos.

"Os números tendem a crescer com a idade mas, infelizmente, também se regista uma tendência alarmante de comportamento suicida entre o grupo de jovens dos 15 aos 25", explicou a OMS.

Homens continuam a suicidar-se mais do que as mulheres, apesar de serem estas as que mais tentam, sem sucesso, por fim à vida.

Dados da OMS, que admite não ter informação exaustiva de todo o mundo, sugerem que entre 10 e 20 milhões de pessoas se tentam suicidar todos os anos.

"O suicídio é hoje um problema trágico da saúde pública global", disse em comunicado a responsável da OMS para doenças não-contagiosas e saúde mental, Catherine Le Gales-Camus.

"Em todo o mundo há mais pessoas que morrem por suicídio do que todas as vítimas de homicídios e de guerra juntos. É urgente que se adoptem medidas coordenadas e intensificadas para evitar estes números dramáticos", explicou.

A OMS relembrou o papel da prevenção no combate ao suicídio, quer através de sistemas de monitorização dos métodos mais usados para o suicídio (pesticidas, armas e comprimidos) quer através de grupos de apoio.

Será essa a principal agenda do Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, marcado para sexta-feira.

Falando hoje aos jornalistas, um dos responsáveis pelo estudo, Lars Mehlum, professor de psiquiatria da Universidade de Oslo, referiu que entre os países que informa a OMS sobre dados de suicídios, os números mais elevados ocorrem no leste Europeu, nomeadamente Rússia e Ucrânia.

As taxas mais baixas ocorrem na América Latina, Ásia e países islâmicos.

Para Mehlum, o aumento do suicídio entre os mais jovens deve-se, em grande parte, à mais elevada pressão que há hoje para o sucesso; a pobreza, o desemprego e a perda de um ente querido estão entre os factores de risco.

"Uma história familiar de suicídio, bem como de elevados consumos de droga e álcool; o abuso infantil, isolamento social e alguns problemas psíquicos, incluindo depressão e esquizofrenia, assumem papel central numa larga percentagem de suicídios", explica o relatório da OMS.

A questão da prevenção do suicídio está hoje a ser debatida num seminário em Genebra.

Entre os projectos referidos pela OMS conta-se a decisão de muitas farmacêuticas de optar, cada vez menos, por vender comprimidos em frascos únicos, optando pelos pacotes onde cada cápsula está individualmente protegida.

É no entanto necessário mais controlo a pesticidas e a armas, os outros dois métodos mais usados. Ainda no que toca à prevenção, a OMS defende mais a formação dos funcionários médicos para que detectem mais facilmente tendências de suicídio, como é o caso da depressão, e o estabelecimento de linhas verdes de apoio.

Publicado por jgomes às 05:37 PM

setembro 07, 2004

Ser reanimado em Aljezur

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Portugal, Aljezur - zona de sapal, Agosto de 2004

Para quem se submete ao regresso de Monchique, e à prova de curvas e contra-curvas em cenário de destruição, mas também para todos os que durante o ano se submetem à experiência de viver nas nossas ditas urbes, Aljezur é, como Vila do Bispo, Odemira e outros pontos da área abrangida pelo Parque Natural da Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, uma das ultimas zonas do país que exige ser visitada.

Não que ali o Homem se tenha excedido a fazer alguma coisa excepcional em termos de paisagem, mas porque ali ele não conseguiu empreender nenhuma destruição desmedida. A triste constatação, por outras palavras, de que esta costa só vale a pena porque foi relativamente deixada em paz. Como noutros casos, valha-nos pelo menos isso.

A foto acima é da zona de sapal da Ribeira de Aljezur ( quase a chegar à praia da Amoreira) e as abaixo da praia da Carriagem - Imperdível sobretudo durante a maré baixa, altura em que se tem acesso a inúmeras pequenas praias ao longo da costa. Ambas estão suficientemente sinalizadas ao longo da estrada para Lagos.

Para finalizar, pelo menos por este ano, as vistas na Costa Vicentina, um comentário final para Aljezur. Apesar do que acima foi dito, é notório que Aljezur vacila perante a pressão dos interesses facilitadores do turismo. Monte Clérigo, Arrifana, Vale da Telha mostram alguns desses sinais. Ainda assim valem a pena. A este juntam-se todos os restantes milímetros de costa: Odeceixe, praia do Amado, Vale do Homens, Vale Figueira, Carrapateira, praia do Amado, and so on, and so on.....!!

PS- o link para a petiçao em defesa do parque Natural, é colocado tambem aqui:

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Portugal, Aljezur - praia da carriagem, Agosto de 2004

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Portugal, Aljezur - praia da carriagem, Agosto de 2004

Publicado por jgomes às 02:09 PM

setembro 03, 2004

Monchique

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Portugal, Monchique-Algarve, centro da cidade, Agosto de 2004

.............Apesar de tudo, da paisagem seca e exausta, dos desgraçados dos eucaliptos que nem sequer pediram para ali serem postos, das curvas e da vontade de voltar para trás para uma das praias de Aljezur, Monchique merece ser visitada. Na encosta oriental da Serra, uma cidade rodeada de socalcos e pelo verde luxuriante da vegetação. Não uma cidade miserável, mas uma cidade que ainda esbanja dignidade, com um centro urbano feito há décadas atrás por gente de elevado nível.

As imediações poderiam estar piores (como seria de esperar, nem ali se resistiu à tentaçao fácil do "business" imobiliário ao substituir a vida do casco histórico pelos isolados e incaracterísticos blocos de apartamentos T2), mas o que realmente interessa é passearmo-nos pelo centro, pelos cafés, restaurantes e admirar o desenho das ruas e das soluções encontradas nos séculos XIX e XX por especialistas que não cursaram ne Arquitectura nem Engenharia.

Há detalhes tão sofisticados que se chega a ficar triste quando nos lembramos das urbes de hoje. A mesma tristeza que se deve ter quando se percorrem as pirâmides do Egipto ou da América Central/Sul. Perguntamo-nos o que é que se perdeu na passagem das gerações, como foi possível regredir tanto o nível de exigência. Em suma, a sensação triste de desconfiarmos que somos, em matéria de urbanismo pelo menos, uns indigentes em face dos antepassados. Cora-se de vergonha!....Quando se tem vergonha.

A praça acima é um exemplo de que se acordou relativamente a tempo. Há quem não goste do colorido excessivo das tintas, mas o que é incontornável é que se denota o interesse e cuidado da autarquia em recuperar as ambiências perdidas. O caminho está encontrado. Menos mal. Pode-se já não conseguir fazer igual, mas pelo menos não se escavacou estupidamente.

Para quem tiver ainda fôlego, também se aconselha uma visita às ruínas de um convento, (convento de S. Francisco e do sec. XVII, se o informador não nos tiver enganado), propriedade da autarquia que nele pretende ver instalada uma pousada. O que só deverá acontecer daqui a uns anos atendendo ao péssimo estado em que aquilo se encontra. De qualquer das formas o que interessa é a ambiência. A foto segue abaixo.

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Portugal, Monchique-Algarve, convento, Agosto de 2004

Depois é arranjar forças para voltar a Aljezur. Saídos pelo lado Sul (direcção Portimão), os visitante são ainda submetidos à prova de conduzir de olhos fechados por forma a que não vejam a pedreira de granito (foto abaixo).

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Portugal, Monchique-Algarve, Pedreira e Portimão ao fundo, Agosto de 2004

Evidentemente, a foto acima só pode ser um excelente cartão de visita preparado para receber o exigente turismo de qualidade que se rebola ao sol nas praias de Portimão. Sobrevivendo-se a esta visão da pedreira, o caminho seguir rapidamente em estado de coma até Aljezur. (Aconselha-se olhos fechados para não ver as serras. comprimidos para os enjoos provocados pelas curvas não são má ideia). A reanimação dos sobrevivente em regra é possivel com 2 mergulhos no mar da praia da Amoreira/Aljezur!

PS - Como é evidente há outros locais de interesse em Monchique. Uma visita à Foia ( ponto mais alto do Algarve, 900 metros) e às termas, as quais por si só mereciam uma entrada, são dois desses pontos.

PS2 - Realço o facto de ter adicionado hoje uma série de novos links nas secções "Vistas para a Vizinhança" e "Vistas para a Comunidade" São blogues diferenciados, que gosto de seguir e que, por uma razão ou por outra, valem a pena. Visitem e beneficiem!

Publicado por jgomes às 11:52 PM

agosto 30, 2004

O regresso de férias pela Costa Vicentina

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Portugal, Costa Vicentina - Vila do Bispo, Agosto de 2004

Não há muito de facto que se possa dizer para enquadrar esta fotografia. Esta paisagem, bem como quase todas as outras da litoral do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, não necessita de qualquer texto humano em seu abono. O mínimo dos mínimos que podemos fazer, caso nos passe pela cabeça retribuir á Natureza o imenso privilégio de termos esta faixa do planeta em território Português, é preservá-la sem transigências. De qualquer grau ou ordem.

A praia acima, na costa vicentina, Concelho de Vila do Bispo, tem nome e deve vir referenciada numa série de guias gerais e especializados. Neste blogue recusamo-nos a publicitá-lo, não por qualquer tentativa vã de afastar visitantes, pelo contrário, mas porque esta Costa deve ser apenas vista por quem nela realmente está interessado. por quem estiver disposto à incerteza de qual o trilho a seguir, à chatice de voltar para trás no meio da poeira, ao incómodo de descer a falésia para chegar ao areal.

De qualquer das formas, com um pequeno esforço é possível encontrar algumas placas colocadas pelas autarquias (Vila do Bispo e Aljezur) e pelo Parque. Não são muitas, mas chegam de sobra. Pede-se aliás que não se junte mais nenhuma, nem se pense em alcatroar aqueles caminhos. Está tudo muito bom assim!!!

Nota: O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, um dos poucos que tem sido relativamente deixado em paz, e que tem uma presença de facto pelo território que é suposto proteger, é naturalmente uma entidade muito mal amada pelos interesses do turismo de massas. Não é por isso uma paisagem a salvo da ganância. E quando devíamos estar a discutir o alargamento para o dobro da faixa litoral sob a sua jurisdição, e das verbas a ele afectas, somos confrontados com a necessidade de lutar pelo menos com a manutenção do que existe hoje.

Junto deixo link para a petição online , promovida em Novembro de 2003 pela LPN, e que continua perfeitamente actual ( de lá pra cá já vamos, em modo degradé de competência política, no terceiro ministro do ambiente, e nada foi feito ainda. Nem de bom...nem de mal. Pelo menos estas mudanças ministeriais têm a vantagem de nada ser feito, o que, nestas questões até se agradece!

Junto também os links para um site que descobri dedicado a esta área de Portugal-Terra de Mouros-e que me pareceu muito bom, e para as autarquias de Aljezur e Vila do Bispo.

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Publicado por jgomes às 07:38 PM | Comentários (2)

agosto 13, 2004

Vistas cá dentro....Amarante!

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Portugal, Amarante, Largo da Igreja de S. Gonçalo, 18 Julho de 2004

Vistas na paisagem entrará de ferias hoje e por 15 dias. Para que a última entrada antes do regresso nos deixe de novo em Portugal, o principal motivo e fonte deste blogue, junto aqui algumas fotos tiradas em recente passeio a Amarante. Para quem ainda não conhece, aconselha-se vivamente ser surpreendido pela ponte e igreja de Sº Gonçalo, pelo casario do Centro histórico de Amarante e pelas margens do Tâmega.

Mas, não nos iludamos, mesmo no interior do distrito do Porto, paredes meias com a serra do Marão, normalmente associado ao interior esquecido e martirizado, a qualidade da paisagem não beneficiou do abandono. Quem por lá ficou encarregou-se e encarrega-se hoje de ignorar magistralmente a harmonia do seu legado. Hoje Amarante cresce conforme é possível ver na muito feiosa foto abaixo: a paisagem que se avista do mesmo largo de S. Gonçalo visto na foto anterior....

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É mau de mais para ter sido feito por incompetência. Mais vale desviar os olhos alguns metros e ver a vista na outra margem:

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Mas, apesar da fealdade, Amarante ainda se recomenda! Aqui fica o link da Câmara Municipal de Amarante.


PS - José Manuel Fernandes, redime todas as suas posições sobre o Iraque nos editoriais que escreve sobre o ordenamento do território em Portugal. Ora vejam este, sobre o Algarve, publicado ontem, quinta-feira, 12 de Agosto de 2004. A copia na integra fica no corpo desta entrada.

Boas férias

O Algarve
Quinta-feira, 12 de Agosto de 2004

O Algarve era uma jóia, hoje é quase todo ele um pesadelo a que só se escapa fechado nalguns, raros, paraísos protegidos

Há sensivelmente vinte anos fiz para o "Expresso" uma reportagem com o seguinte título: "O Algarve à beira da catástrofe". No sábado em que saiu fui insultado pelo então governador civil, de seu nome Cabrita Neto.

De que é que falava esse artigo? Do excesso de ocupação do Algarve. Das praias poluídas onde era perigoso tomar banho. Da megalomania dos projectos de construção que esperavam aprovação. Dos riscos da Nacional 125. Da aposta exclusiva no binómio sol e praia, sem que outras alternativas fossem oferecidas. Das arribas que ameaçam ruir e das construções em dunas que poderiam ser submersas pelo mar.

Nestes vinte anos quase tudo piorou. Algumas praias, apesar dos muitos milhões que se gastou em tratamento de esgotos, continuam a estar poluídas, como a da Quarteira. Os projectos que aguardavam luz verde para avançar, avançaram quase todos e outros se lhes sucederam. Os índices de ocupação tornaram-se irrespiráveis em quase todo o litoral. E os preços subiram e continuam a subir. Aqui e além há excepções e até alguns pequenos paraísos, as vias de comunicação melhoraram e já há restaurantes que oferecem qualidade e não apenas preços altos, mas a receita fundamental continua a ser a mesma: sol e praia, apimentada com algum golfe e mais umas marinas.

Por isso não me surpreende aquilo de que hoje se queixa o governador civil de então, entretanto transfigurado em líder do sector hoteleiro: as coisas estão mal, os índices de ocupação são baixos, há indicadores de... catástrofe anunciada.

Infelizmente quem que me atacava há vinte anos dá-me hoje razão - mas sem reconhecer que a catástrofe tem responsáveis, entre os quais ele próprio. A região encheu-se de hotéis, alguns deles de luxo, esperando por turistas endinheirados, mas quase só recebe vagas de ingleses tatuados que partem mal ganham pele cor de lagosta. Nos hotéis, onde os índices de ocupação baixam, estão mais portugueses e menos estrangeiros. Serve-se mal na maior parte dos estabelecimentos de restauração e abusa-se nos preços. A ganância ainda é a regra, o desordenamento territorial a imagem de marca e os serviços insuficientes (designadamente os de saúde, com crónicos problemas nos hospitais da região).

Por outras palavras: o Algarve não percebeu que, com a mudança dos destinos turísticos e com o aparecimento de viajantes mais exigentes, o seu sol abundante e a suas bonitas praias não chegavam. Que há ofertas iguais ou melhores em destinos tropicais por preços idênticos ou até mais acessíveis. E como não percebeu nem resistiu à tentação de ocupar cada milímetro de solo para construir, o Algarve está a perder os turistas estrangeiros e a ficar com os nacionais, sobretudo os que se empenharam numa casinha ou num apartamento. E contam os tostões.

Há vinte anos, nessa reportagem, os especialistas apenas identificavam algumas áreas onde os exageros já tinham levado ao ponto de não-retorno, à impossível requalificação, como Quarteira, Armação de Pêra ou a Praia da Rocha. Hoje estou convencido que concordariam em que toda a região, apesar das suas imensas potencialidades, já as desbaratou, e que se arrisca a viver cada ano pior do que o anterior, com mais queixas, menos turistas e menos qualidade. Por culpa própria e dos seus autarcas e investidores.

José Manuel Fernandes

Publicado por jgomes às 02:11 PM | Comentários (2)

julho 08, 2004

Alentejo- Terra de especialistas em paisagem II

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Portugal, Estrada Castelo de Vide-Portagem, 3 Julho de 2004

Uma estrada única a justificar por si só o "esforço" da viagem. Fica entre Castelo de Vide e a localidade Portagem, no sopé do Marvão: 3 sitios que ficam a escassos quilometros uns dos outros e que tambem eles são de visita obrigatória no Alto Alentejo. Aliás, tudo nesta região faz parte do melhor que conservamos e só custa ordenar uma hipotetica lista de preferencias.

Para quem ainda nao conhece, arrisco sugerir que o façam de forma imprevista num qualquer regresso de Espanha ao fim da tarde vindo por Cáceres. Ver a serra de S. Mamede a aproximar-se, entrar pela fornteira do Marvão e, seguindo pela estrada da foto, parar em Castelo de Vide para jantar. Depois é rumar com urgência para casa para recuperar fôlego da Impressão.... e verificar na agenda qual é o proximo fim de seman livre para rever tudo com mais calma. Assim. A dois tempos, e sem a sofreguidão do "one-shot", que é como todas as coisas com densidade exigem ser conhecidas.

Publicado por jgomes às 12:14 AM | Comentários (1)

julho 05, 2004

Alentejo - terra de especialistas em paisagem!

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Portugal, Alandroal, 3 de Julho de 2004

Dos muitos especialistas em paisagem que Portugal teve, o Alentejo foi provavelmente a região portuguesa que deles mais beneficiou. Foram milhares
de anónimos, sem cédula, ordem profissional ou associação corporativa, que amadureceram com harmonia os traços largos dos campos; que apuraram sem cedências e com rigor os detalhes e planos de pormenor de vilas e aldeias.

Tudo isto desenvolvido no cumprimento das sofisticadas exigências estéticas "populares" que, apesar ou talvez por prestarem um tributo exigente à
beleza e à decência, não precisavam de estar decompostas em dezenas de alíneas e artigos em regulamentos generosamente polvilhados de regras de excepção.

Além de ter sido uma terra de especialistas em paisagem, o Alentejo
teve e tem ainda a sorte de muitos dos que lá vivem hoje continuarem a considerar o urbanismo dos seus aglomerados como algo que não é um empecilho mas antes algo que,por fazer parte da sua identidade, é uma mais valia para o seu desenvolvimento. Algo que ultrapassa em muito a lógica funcional do espaço e da aritmética do valor do metro quadrado.

A fotografia acima é do castelo do Alandroal, um concelho no distrito de
Évora com 6 000 habitantes, ribeirinho do futuro "grande lago" formado pela Barragem do Alqueva (......apesar das expectativas que muitos depositam nesta barragem para o seu desenvolvimento, confesso que fico um bocado arrepiado só de ouvir esta expressão, "grande lago", algo que soa contra-natura ao pensar na secura do Alentejo. ...a ver!).

Um concelho cujo municipio teve a ousadia de incluir no programa da Feira Expo-Guadiana, um Encontros de Blogs, organizado pelo blogue Alandroal. A provar que não é so no litoral que há gente esclarecida.

Entretanto, para quem quiser mais informação sobre esta zona, aqui vai um
link para o "alentejo digital".
.

Publicado por jgomes às 09:43 PM | Comentários (6)

julho 01, 2004

A Cordoaria do Porto, O Euro, Sampaio e Durão Barroso. Tá tudo ligado.

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Portugal, Porto, Junho de 2004 - Praça da Cordoaria

O primeiro-ministro quer ir à sua vida (....e vai! Faz bem. Deus o guarde e lhe dê sorte!) mas fica triste se os que cá ficam quizerem ir à sua e não viverem de acordo com o que ele acha bem!!!! Enfim, o ponto G de alguém no zénite do egoísmo autista. Ó homem não se empate mais, vá andando, Deus o guarde que nós cá nos arranjamos. E isso passará, naturalmente, por eleições antecipadas.
Durão Barroso não se deve ter apercebido, o que é compreensível, tão focado ele está no poder da sua gravata (terá sido esta a responsável pela promoção??), mas o Presidente da Republica Jorge Sampaio percebe que um país que se envolve assim numa competição europeia não pode ser ultrapassado por uma série de obscuros presidentes de distritais laranja. Como ele bem notou ontem frente às câmaras de televisão, um povo que se comporta assim está mais do que preparado para oajudar nas decisões difíceis. E está, naturalmente, mais do que preparado para ter o futuro nas suas mãos e poder decidir outra vez.

Como alguns blogues já disseram, Jorge Sampaio tem aqui a oportunidade de ouro de dar aos portugueses aquilo que ele tanto tem procurado estimular: cidadania e participação. Se não der, depois não se queixe, entre outras coisas, do nível de abstenção.

A foto, do largo da cordoaria no Porto foi tirada durante o jogo Portugal - Inglaterra. A Abaixo foi tirada ontem durante o jogo Portugal-Holanda. Não conheço os outros sítios que no país transmitiram em ecrã gigante os jogos do Euro, mas este é garantidamente um dos melhores. Uma praça respeitável, e respeitada urbanisticamente, no centro de uma cidade devolvida, ainda que temporariamente, a milhares de cidadãos. E que so não vêm cá mais porque foram obrigados a comprar um T2 nas periferias.

Todos já concluímos que Junho de 2004 vai ser um mês a guardar na memória. Não pela promoção de Durão Barroso, que é sobretudo um êxito individual, mas pelas emoções partilhadas em publico que o Euro proporcionou. pela energia que subitamente muitos redoscobriram. Tudo proporcionado por 11 jogadores , um seleccionador e, é certo, uma enorme máquina de promoção e comunicação.

Poderíamos ter outras causas assim. Deveríamos ser sempre assim.


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Publicado por jgomes às 08:44 PM | Comentários (2)

junho 22, 2004

Provavelmente a melhor praia a norte de Peniche

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Portugal, Alcobaça, praia do Vale Furado - Junho 2004

Ligeiramente menos envolvida em polémica que as de anteriores entradas, esta fotografia retém a vista de uma das melhores praias que a costa portuguesa tem a Norte de Peniche (pelo menos!). Diríamos até, provavelmente a mais bonita. Não dizemos definitivamente a mais bonita, como merecia, porque apesar da monumentalidade das falésias e dos seus singulares efeitos da erosão, a Câmara Municipal de Alcobaça e as autoridades governamentais responsáveis permitem que alguns concidadãos - que se julgam com mais direitos que outros - se apropriem de algumas parcelas e nelas construam barracas inenarráveis, ditas casa de férias, no meio de um dos seus principais vales.

A fotografia acima já lá tem algumas pistas que passam quase despercebidas à vista, mas as que se juntam abaixo mostram com detalhe o que o egoísmo é capaz de fazer quando associado à displicência de quem a não poderia ter. Ali tudo é permitido, inclusive vedar com rede um arremedo de jardim/horta a escassos metros do areal. Algo que nas leis vem como sendo de domínio público e portanto para usufruto de todos os que por aqui vivem.

Não se sabe quais as medidas da autarquia, se é que alguma vez existiram, mas pensando que é a mesma que autorizou e promoveu a destruição da baia de São Martinho ( no sul do concelho), e que é a mesma que nos últimos anos entregou as inexploradas praias do norte do Concelho (na qual esta praia se inclui) a planos de urbanização de qualidade e gosto muito duvidosos, não é de esperar que muito tenha sido feito.

De qualquer das formas e enquanto o pior não é autorizado e construído, aconselha-se um dia na praia do Vale Furado. São quilómetros de paisagem quase intacta à beira do Atlântico e a uma hora de Lisboa pela A8.

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Publicado por jgomes às 06:44 PM | Comentários (1)

junho 18, 2004

Ainda a Barragem do Sabor - Um crime descoordenado e muito mal orquestrado!

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Portugal, Mogadouro, Rio Sabor

Depois do desastroso anuncio da construção da Barragem do Sabor, os interessados desdobram-se em acções de defesa, gáudio e satisfação pela decisão tomada. Basta ler as ultimas noticias publicadas ( num exemplo "interessante" de como os nossos media intermedeiam a realidade.....) para perceber que a futura barragem do Sabor alimenta uma série de equívocos, demasiados, para serem considerados fortuitos.

Por um lado, os quatro presidentes de câmara da região afectada, quais ingénuos liderados pelo improvável anjinho socialista Aires Ferreira, presidente da Câmara de Torres Moncorvo, vêm reafirmar que com a Barragem é que a região se vai desenvolver: Acreditam que atrás dela virão as acessibilidades, Planos de desenvolvimento integrado, etc, etc. Enfim tudo coisas que poderiam existir e só não existem hoje porque o poder central abandonou Trás-os montes à sua sorte. Hoje são referidas hoje relacionadas com a Barragem simplesmente a título de chantagem. Chantagem com a qual os presidentes de câmara tristemente compactuam.

Por outro, engenheiros e técnicos de energia desdobram-se em artigos e entrevistas técnicas a demonstrar que a Barragem é essencial como reservatório de agua para produção de energia eléctrica para prevenir apagões, como "laminador" de caudais ( num exemplo também "interessante" de uma opinião ao serviço da EDP) e eventualmente exportar energia para os vizinhos espanhóis.

Mas será preciso ser engenheiro para perceber que NUNCA, EM PARTE ALGUMA DO MUNDO, uma barragem de produção de energia eléctrica foi destino turístico. QUANTOS METROS O NÍVEL DAS ÁGUAS SOBE E DESCE AO LONGO DE UMA SEMANA? Acham mesmo que alguém vai andar 250 quilometros para ver vales cavados com paisagens lunares sem vegetação, porque nessa semana a EDP resolveu vender energia a Espanha e a barragem tem de produzir a toda a velocidade?

COMO É EVIDENTE ESTAMOS PERANTE UM CRIME DESCOORDENADO, MUITO MAL ORQUESTRADO, QUE VAI SERVIR APENAS OS INTERESSES DA EDP E NO QUAL SÓ PRESIDENTES DE CÂMARA ANJINHOS ACREDITAM!

PENA QUE A POPULAÇAO NÃO VEJA QUE COM ISTO ALIENAM O SEU PRINCIPAL PATRIMONIO!

Publicado por jgomes às 02:02 PM | Comentários (2)

junho 16, 2004

Barragem Do Sabor - o anúncio de um crime

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Portugal, Mogadouro, Rio Sabor

Começa mal, muito mal, a prestação de Arlindo Cunha. Pela sua voz, o governo acaba de dar Luz verde à construção da Barragem do Sabor - um projecto que avança com base em frágeis argumentos altamente discutíveis, contra as mais elementares regras de bom senso. Arlindo Cunha não se comportou como um ministro do ambiente mas como um porta voz de uma qualquer repartiçao do ministério da economia.

Todas as razões apresentadas já foram claramente desmontadas por especialistas, cidadãos e organizações ambientalistas. A única razão que de facto forçou esta decisão não foi assumida: o poder do dinheiro da EDP e de alguns lobbies locais que querem vender areia, pedra e sandes de presunto durante a construção da barragem.

Não vale a pena votar a referir o absurdo deste crime ambiental em preparação. Já aqui foram referidas, o Publico de hoje tem uma reportagem exaustiva, outros blogues como o Reciclemos comentaram o tema e as associações ambientalistas estão a fazer e bem o seu trabalho reunidas na plataforma Sabor Livre.

Este governo ignorou as dezenas de milhar de pessoas que assinaram ( e que aliás podem e devem continuar a assinar) petição contra a construção de uma Barragem que no máximo "beneficiará" 50.000 pessoas. E colocamos aspas porque na realidade sob a capa do beneficio as populações dos concelhos abrangidos perderão um dos seus maiores activos: Um habitat único e preservado.

Como é evidente as associações ambientalistas e os lideres da plataforma Sabor Livre vão levar este assunto para os tribunais. Até às ultimas consequências. E ou nos enganamos muito ou esta Barragem nem vai sequer ser iniciada. Este OK é só uma etapa de uma guerra desnecessária convocada pelo governo. De uma guerra que vai perder.

No futuro quando se explicarem entre outras coisas as taxas de abstenção, esta decisão de contruir a barragem do Sabor vai ser apenas ser recordada como mais um exemplo do autismo terminal dos governos portugueses do principio de século XXI. Como ilustração de uma época de políticos travesti que com a pose fingida de quem reflectiu muitas horas sem dormir para tomar decisões difíceis a bem do povo, cede em toda a linha a interesses obscuros e objectivos de curto prazo. De uma época em que os políticos tratavam do marfim nos gabinetes enquanto na televisão vinham exortar os seus concidadãos ao patriotismo e à bandeirite nacional a propósito de uns jogos de futebol.....

Publicado por jgomes às 01:50 PM | Comentários (5)

maio 27, 2004

Rio Sabor - Que governo e que autarcas são estes?

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Portugal, Bragança-Mogadouro, Rio Sabor - ponte de Remondes, 22 de Maio de 2004 - Dia da Biodiversidade

Estes vales do Rio Sabor e o Ecossistema que nele existe são o resultado de milhares de anos de Evolução

Portugal tem 10 milhões de habitantes. Os quatro concelhos que suposta e falsamente serão beneficiados, Alfandega da Fé, Moncorvo, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, têm, todos juntos, 43.682 habitantes.

Que governo e que autarcas são estes que em nome de um aumento de produção de energia eléctrica de0,5% e de uma - repita-se - frágil e falsa expectativa de desenvolvimento, ainda concebem ponderar construir uma barragem que inundará 60 Km de paisagens únicas?

Esta barragem não exige ponderação! Está À vista de todos: Um Rio Sabor Sem Barragens!

Nota: Para quem não leu a entrada abaixo aqui vai :

Toda a informação está disponível em www.saborlivre.org e todos os que quiserem podem associar-se à Plataforma Sabor Livre. Uma petição está on-line. E quem tiver mais 5 minutos livres pode ainda enviar um email expressando a sua opinião (COmo sugere a LPN - um email com o titulo:NÃO à construção de uma barragem no rio Sabor!) para os seguintes endereços:

gmcota@mcota.gov.pt - Gabinewte do Ministro do ambiente
geral@cm-moncorvo.pt - Câmara de Moncorvo
camaramogadouro@mail.telepac.pt - Câmara de Mogadouro
cm.cavaleiros@vizzavi.pt - Câmara dfe Macedo de Cavaleiros
cmAlfandegafe@sapo.pt - Câmara de Alfândega da Fé

E ajudem a passar a mensagem!

Publicado por jgomes às 02:12 PM

maio 24, 2004

Por um Rio Sabor Livre de barragens!

Para que a paisagem abaixo e o seu ecossistema único continuem preservados!

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Portugal, Bragança-Mogadouro, Rio Sabor - ponte de Remondes, 22 de Maio de 2004 - Dia da Biodiversidade

Por estes dias o governo português prepara-se para tomar a decisão de avançar ou não com a construção da barragem do Baixo Sabor.

Apesar de todos os pareceres negativos do ICN e dos especialistas, este projecto continua em cima da mesa do governo em Lisboa. E este projecto só é ainda uma possibilidade porque Portugal é um país cujos governantes ainda insistem na falsa-possibilidade de se desenvolverem à custa da destruição e manipulação do que mais importante têm a par dos seus habitantes: o seu território.

Enquanto isto acontece em Portugal, outros países, como a França e os EUA, iniciam hoje processos de desmantelamento de projectos hidroeléctricos. As barragens, está á vista de todos os que delas tanto esperaram, provocam alteraçoes de tal modo profundas e negativas que numa perspectiva de longo prazo, que é a perspectiva que deve orientar a governação de um país, raramente são justificadas.

É este o caso concreto do Baixo Sabor. Estamos em presença de uma paisagem única no mundo e em Portugal. Existiu em mais locais da bacia hidrográfica do Douro, mas as barragens até agora construídas determinaram o seu fim.

É pois um dos últimos rios cujo curso corre tal qual a Natureza o decidiu. Não tem barragens. Nem foi desviado. A Natureza, juntamente com a acção humana permitem-nos desfrutar hoje, início do séc. XXI, de um ecossistema mediterrânico, onde existe espécies de fauna e flora únicos. e onde o Homem extrai, entre outros produtos, azeite e cortiça de altíssima qualidade.

Se mais razões não houvessem para deixar o Sabor Livre de Barragens bastaria esta:

O Vale do Sabor é uma Arca de Noé a custo Zero. Isto é, um arquivo vivo que vai permitir aos nossos descendentes repovoar os vales dos rios intervencionados com as espécies originais, quando daqui a 50 ou 60 anos tiverem de desactivar as barragens construídas no passado.

Sim. uma barragem destrói irremediável e irreversivelmente o que foi desenvolvido durante dezenas de milhares de anos e dura apenas 50 a 60 anos.

As populações desta zona de Trás os Montes (concelhos de Alfandega da Fé, Torre de Moncorvo , Mogadouro e Macedo de Cavaleiros) estão favor da construção desta barragem. É compreensível. Trata-se de uma região e de uma população que foram - podemos dizê-lo- literalmente abandonadas pelo poder central à sua sorte.

Mas podermos também dizer-lhes que contrariamente ao que lhes é dito pelosa seus presidentes de câmara, esta barragem só lhes vai levar algum desenvolvimento durante os anos em que estiver a ser construída. Será um desenvolvimento reduzido e de que só alguns aproveitarão. Como em Moura, no Alentejo, durante a construção do Alqueva, os trabalhadores virão da Europa de Leste e do Norte de África. As empresas levarão a sua logística e no máximo comprarão localmente umas refeições e umas dormidas.

Nenhum turista irá ao Sabor ver o espelho de água da albufeira. Esta será igual ás tantas outras 200 albufeiras já existentes em Portugal. Visitem a paisagem triste e lunar de Vilarinho das Furnas e convençam-se que o Sabor, como está, atrairá no futuro muitos, mas muitos mais turistas.

O Sabor irá produzir apenas 0,5% das energia eléctrica actualmente consumida em Portugal. Não é nada. Não tem expressão alguma. E se queremos cumprir as metas do protocolo de Quioto, como o governo advoga, existem outras alternativas bem mais viáveis. Em França, um pais europeu que serve tantas vezes de exemplo quando nos queremos comparar com o que se faz lá fora, o governo juntamente com os media e a sociedade em geral estão envolvidos num programa de poupança e redução do consumo de energia. É essa é a via a seguir. Não a construção de mais barragens.

Que se exija antes que as autoridades criem as condições para explorar o enorme potencial que existe nos Vales do Rio Sabor. na sua Natureza e nos produtos que nela são produzidos. E que continuemos a desfrutar do privilégio de o ter no nosso património. Todas as outras espécies irão agradecer e, sobretudo, os humanos que à frente se seguirem irão apreciar a decisão de lhes de deixarmos este legado.

Toda a informação está disponível em www.saborlivre.org e todos os que quiserem podem associar-se à Plataforma Sabor Livre. Uma petição está on-line. E quem tiver mais 5 minutos livres pode ainda enviar um email expressando a sua opinião (COmo sugere a LPN - um email com o titulo:NÃO à construção de uma barragem no rio Sabor!) para os seguintes endereços:

gmcota@mcota.gov.pt - Gabinewte do Ministro do ambiente
geral@cm-moncorvo.pt - Câmara de Moncorvo
camaramogadouro@mail.telepac.pt - Câmara de Mogadouro
cm.cavaleiros@vizzavi.pt - Câmara dfe Macedo de Cavaleiros
cmAlfandegafe@sapo.pt - Câmara de Alfândega da Fé

E ajudem a passar a mensagem!

Publicado por jgomes às 11:22 PM | Comentários (1)

maio 20, 2004

Miradouro de Sta - Catarina

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Portugal, Lisboa, Miradouro de Sta Catarina - Adamastor, Maio de 2004

Mais do que a vista desta fotografia é a vista que se tem a partir deste que éum dos miradouros mais emblemáticos de Lisboa. Esta vista, assim como outras que temos do estuário e do rio Tejo ajudam a compreender a singularidade da cidade e o enorme benefício que é poder observá-la.

Ajudam a perceber porque é que passou pela cabeça de Filipe II de Espanha (I de Portugal) transformar Lisboa na capital do seu império. E a enquadrar melhor a ideia que em Setembro de 93 Pedro Bidarra publicou no jornal Publico: Portugal Europe´s West Coast! (link aqui).

Imaginem que nasceram no centro da Península Ibérica. E que pela primeira vez não resistem ao apelo de caminhar para Oeste. E que depois da Meseta, da Estremadura espanhola, do nosso Alentejo, alcançam as planícies férteis e por fim o nosso Estuário. ... Quem não pensaria em ficar?

Publicado por jgomes às 10:52 PM

maio 04, 2004

Porto III - Ponte da Arrábida

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Portugal, Porto, Ponte da Arrábida

Esta ponte não é só uma obra prima da engenharia civil portuguesa da autoria do Eng. Edgar Cardoso (1913-2000), património classificado e reconhecida mundialmente.

É também uma obra de arte de alguém que teve a sensibilidade de perceber que só um arco único poderia enquadrar os que chegam na intimidade da cidade do Porto. E, simultaneamente, não perturbar aos que ainda nao partiram a vista para a imensidão do Atlântico que à frente começa.

Se nos abstrairmos de uns condomínios fechados na margem direita, e de umas matas abandonadas no lado de Gaia, esta é sem duvida uma das paisagens que valem a pena no Porto. A provar uma vez mais que as obras publicas também podem ( e devem!) ter outras leituras que não as puramente técnico-funcionais.

Publicado por jgomes às 11:40 PM

abril 04, 2004

Porto - Património da Humanidade

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Até à construção da ponte da Arrábida, na década de 60, esta devia ser a vista com que o Porto surpreendia pela primeira vez aqueles que viessem de Sul. Ao lado da cascata São Joanina do Rui Veloso, mesmo em frente à tal serra do Pilar que ouvíamos cantar na adolescência.

Hoje o Porto revela-se em muitas outras entradas possíveis, mas esta deveria ser a obrigatória.

É pois com esta imagem na memória que o Vistas na Paisagem inicia uma serie de entradas sobre a cidade do Porto e arredores. Esta imagem é conhecida, não precisa de publicidade, faz parte de qualquer prospecto turístico do Pais e está classificada como Património da Humanidade.

Está aqui, porque apesar de críticos implacáveis a apontar o desarranjo do nosso território e da nossa memória colectiva, até nós precisamos de pontuar este blogue com algum sinal de esperança. E esta imagem, bem como os esforços da autarquia em vitalizar e reanimar centro do Porto, são definitivamente um sinal de esperança.

Depois desta entrada em grande, o Porto será avistado em pelo menos 5 entradas. Necessariamente não tão descansadas como esta. Hoje mesmo, pelos jornais do fim de semana, fica-se a saber que as urbanizações da IMOLOG no Parque da Cidade irão avançar ( aparentemente a autarquia esqueceu-se de interpor recurso) e de que os molhes da Barra do Douro, que ainda ninguém sabe para o que é que servem, também.

São duas más noticias para o País, para o Porto e sobretudo para os que cá habitam todos os dias e que assim vêem o seu direito ao espaço colectivo ser ultrapassado por interesses com cobertura legal-politico-partidária (ver nota de rodapé).

Mas certamente também são duas grandes noticias recebidas com satisfação por um conjunto de construtores e promotores imobiliários. Para o governo também não serão assim tão más porque devem ajudar a "dinamizar" o PIB , a recolha de IVA e outros impostos. Raciocínios simples. A economia a funcionar. (...)

Finalizo frisando uma ideia já aqui exposta antes. Vistas da paisagem é apartidário, mas não é apolítico. Nesse sentido fica desde já assumida publicamente a minha admiração pessoal pelo Dr. Rui Rio. Não porque seja seu familiar ou do PSD, não porque concorde com tudo o que diz ou faz nas diferentes áreas da sua administração, mas porque genuinamente ama a sua terra, e porque apesar de economista percebe claramente que a Economia não é a razão ultima mas o meio para a felicidade de uma vila, comunidade ou país. E age em função dessa convicção.

É que um pais que só "cresce" economicamente, sem razão última, e só porque sim, só para a União Europeia ver ou para baixar o desemprego a tempo das próximas eleições, não caminha. Arrasta-se irremediavelmente em direcção a um abismo certo. E a uma velocidade directamente proporcional a essa mesma taxa de "crescimento".

Nota - Com cobertura legal, ou a salvo do arranjo político partidário, mas não com a vontade dos habitantes da cidade do Porto. Depois, os políticos, sociólogos e cientistas de universidades publicas que se entretenham em mornos debates domingueiros a perceber porque é que a Democracia está em crise, blá,blá, blá e que o Nobel José Saramago se regozije por ter descoberto a pólvora seca do voto em branco.

Publicado por jgomes às 10:41 PM | Comentários (1)

março 09, 2004

Estuário do Sado

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O Vistas na paisagem tem quase 8 meses e contrariamente ao que todos poderiam legitimamente esperar não tinha uma única imagem. Grave! Depois de uma fase menos produtiva ( o Inverno!) este blogue ganha novo alento de vida e experimenta agora e sempre que possível a inclusão de imagens.

A fotografia que inaugura esta nova etapa é de uma vista no estuário do Sado. Junto aos estaleiros da Mitrena em Setúbal, os quais não sendo nada aconselháveis não conseguem abafar o prodígio com que a Natureza nos brindou. Vale a pena todo o ano e a qualquer hora do dia. Esta foi tirada no final de um dia de Fevereiro.

Publicado por jgomes às 11:20 AM | Comentários (1)

agosto 10, 2003

Vistas na Comporta-Carvalhal

Ora aí está uma paisagem a pedir que lhe ponham as vistas em cima!

A apenas 90 Km de Lisboa a zona de Alcácer/Comporta/Carvalhal proporciona, a quem quiser dispensar as filas para a Costa da Caparica, bons exemplos de como a presença humana não tem necessariamente de se incompatibilizar com a Natureza.

Com o estuário do Sado em pano de fundo, a estrada Alcácer/Comporta oferece 20 Kms de paisagens de pinheiro manso entrecortadas por várzeas, campos de arroz e sapal. Chegados à Comporta duas possibilidades se oferecem. A melhor é virar à esquerda em Direcção ao Carvalhal. Ao lado está um dos arrozais mais bonitos que conheço. Ao longe uma linha de de dunas e pinheiros separam-nos do atlântico. Se for daqueles para quem não é necessario levar o carro até à praia, estacione e ande algumas centenas de metros até uma das melhores praias a sul de lisboa. São quilómetros de praia, quase desertas, em pleno Agosto. Atenção: praias nao vigiadas e com dunas integradas na Rede Natura que convém deixar sossegadas.

A quem quizer aconselha-se ainda uma visita de final de dia ao cais palafítico da Carrasqueira.

Com uma paisagem assim é fácil perceber a ansiedade de promotores imobiliários e europeus endinheirados. Tudo o que ali se loteie vende-se!

E é também fácil compreender os dilemas das autoridades locais. Por isso, e porque os passos em falso de alguns aldeamentos de qualidade duvidosa ainda não deitaram tudo a perder, não resistimos a pedir-lhes alguma contenção quando estiverem a analisar projectos ditos "estruturantes".

Para quem o quizer fazer pessoalmente aqui ficam os endereços de quem intervém nesta paisagem:

Câmara de Grândola:cmgdl@cm-grandola.pt;
Câmara de Alcácer: site em baixo;
Reserva Natural do Estuario do Sado: site não encontrado.

PS - Portugal continua arder. É triste. O país da americas´coup, das marinas e projectos imobiliários de luxo que virão atrás, perde 150.000 hectares de pinhal e fica prostrado de mão estendida ao Fundo de Solidariedade Europeu da senhora comissária europeia Anna Diamantopoulou.

Publicado por jgomes às 11:31 PM