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maio 17, 2005
Este é o rio Chança, um dos raros rios selvagens de Portugal, e provavelmente uma das mais desertas e inóspitas paisagens do país. Separa Portugal de Espanha entre Serpa (Vila Verde de Ficalho), e Mértola (Pomarão), onde termina numa barragem.
Proporciona imagens de uma beleza rara. Podemos caminhar um dia inteiro que não se vê uma casa nem uma pessoa. A água do rio proporciona um ambiente de frescura que contrasta com o calor do vale.
Inconvenientes: água parcialmente eutrofizada, por descarga de efluentes não tratados.
Areeiros tiram areia das margens do rio em todos os lados onde isso é possível, enchendo de poeira a região e estragando recantos magníficos.
Mas o problema maior, para mim, é que não se vêem animais. Este é o habitat por excelência do lince, perto de Serra Morena, e quanto a bichos nem vê-los. Tirando uma ou outra perdiz, trata-se apenas de uma beleza vegetal. e a natureza faz-se também com animais.
Publicado por Domingos Neto às 05:48 PM | Comentários (1)
maio 12, 2005
Três apontamentos. Todos relacionados.
Ontem, no dia em que a comunicação social descobria os inicios de um processo de tráfico de influências, Cavaco Silva escrevia mais um artigo de opinião no Público acera da competitividade de Portugal. Pelo meio, este parágrafo isolado, acerca do descalabro do nosso ordenamento do território. Uma verdade incontornável, mas que quem é presidenciavel deveria há muito já ter detectado, porque hoje, para muito do nosso litoral, e não só no Algarve, é já tarde de mais (ler aqui entradas dedicadas ao assunto Ordenamento&Turismo na região centro):
O discurso político (e se necessário a aprovação de medidas legislativas apropriadas) deve dirigir-se também aos autarcas, em especial do Algarve,explicando-lhes que a febre da construção de blocos de apartamentos e odesordenamento do território estão a destruir a capacidade competitiva, num sector tão importante para o desenvolvimento do país como é o turismo. Istomesmo foi recentemente destacado no jornal inglês Financial Times, sendo oAlgarve apontado como um destino turístico que "está a ficar feio".
Hoje, a comunicação social avança que o processo de tráfico de influências poderá estar também relacionado com um empreendimento imobiliário em Gaia. Ou eu me engano muito, ou é deste que estamos a falar, evidenciado pelo diascomárvores em Dezembro e Fevereiro passados?
Amanhã, dia 13 de Maio, um grupo de cidadãos discute em Almada, o caos urbanistico da margem Sul (aliás muito similar ao caos urbanistico da margem sul do Porto). Aqui fica o programa, enviado como comentário pela Paula Tavares:
Exposição e Debate – Betão Armado em Cidade.
6ª feira, dia 13 de Maio, pelas 21h.30, no Fórum Romeu Correia (Almada), sala Pablo Neruda.
Participação de Fernanda Câncio (jornalista, autora de Cidades sem Nome), Miguel Quinhones (urbanista), Mário Moutinho (professor do Centro de Estudos de Socio-urbanismo, Univ. Lusófona) e Pedro Soares (geógrafo).
Exposição de fotografias de Luís Gurriana e Luís Silva.
Maquetas de Miguel Quinhones
30 Anos de Caos Urbanístico, Exposição da Univ. Lusófona.
“... Nas últimas décadas, quase todas as cidades do país, e em particular as da Área Metropolitana de Lisboa, têm sofrido um crescimento descontrolado, com base em planeamentos urbanos deficientes ou inexistentes, orientados por pressões especulativas no campo do imobiliário (...).”
“Almada não é excepção. (...) Os espaços de construção em altura aumentaram, enquanto os espaços verdes de proximidade têm vindo a escassear. Como a este crescimento descontrolado está associado o transporte privado, os passeios em redor dos edifícios passaram a estar ocupados por veículos estacionados, as vias pedonais são um conceito desconhecido, poucos ousam circular numa bicicleta (uma aventura suicida), andar a pé obriga a contornar obstáculos e a fazer parte dos percursos na estrada.
Cidades sem sentido são o nosso cenário diário. Betão e mais betão, onde é quase heresia haver espaços para serem fruídos por todos nós. (...)”
“É urgente o debate e a participação de todos, de forma a propor mudanças no espaço urbano. A cidade não pode ser apenas obra de técnicos fechados em gabinetes, a cidade constrói-se com todos, a cidade só é a nossa cidade se a ela nos vincularmos com os nossos afectos, se sentirmos o espaço como nosso.”
É sobre estas questões que falaremos na sessão que terá lugar no dia 13 de Maio, pelas 21h.30, no Fórum Romeu Correia, sala Pablo Neruda.
In: 1º folheto Informativo sobre a iniciativa.
Grupo Vida Urbana e Ambiente
Publicado por jgomes às 10:22 PM | Comentários (2)
maio 11, 2005
Herdade da vargem: Suspeita de tráfico de influências
Não é todos os dias que os media dão a "primeira página" a um assunto de natureza ambiental, mas depois de um crime de facto já consumado (em dois dias foram celeremente abatidos perto de 1000 sobreiros!), é importante que o poder judicial investigue os potenciais crimes de ordem legal que lhe estão por detrás. A visibilidade agora dada à actuação da justiça, despoletada por uma denuncia feita pela Quercus - e que resultou de uma mera leitura dos despachos de um dado dia igual a tantos outros mas a quatro dias da cessão de funções do governo - é um sinal de esperança. Por duas razões: Significa que o poder judicial é hoje mais efectivo do que até aqui e, sobretudo, que a vigilância dos cidadãos é essencial para que crimes similares se
previnam.
Resta-nos apenas expressar os votos de que a Justiça funcione de facto e que as suspeitas de tráfico de influencias sejam investigadas até ás últimas consequências. E que, a apurarem-se factos provados, os culpados sejam exemplarmente castigados! Será um bom principio, para que não tenhamos mais ministros a considerarem hoje dia 11 de Maio como um acto perfeitamente banal o de permitir o abate de 2600 sobreiros quatro dias antes de eleições legislativas. Pode ser legal, mas é indigno com toda a certeza.
Junto deixo-vos um resumo desta saga, já aqui abordada em 16 de Março, publicada hoje no jornal Público.
Corte de sobreiros em Benavente tem longa história
O projecto Portucale, em Benavente, tem uma longa história, que se arrasta há mais de uma década. Envolve a construção de um empreendimento turístico em terrenos que eram públicos mas passaram, em 1993, para o domínio privado - para o Grupo Espírito Santo - em condições que a Inspecção-Geral de Finanças considerou desfavoráveis
para o património da Companhia das Lezírias, que os detinha.
Para implantar o empreendimento, que incluía moradias, hotéis, campo de golfe, centro hípico, barragem e campo de tiro, era preciso cortar uma quantidade significativa de sobreiros, árvore protegida por lei (decreto-lei 169/2000) e que só pode ser abatida em circunstâncias excepcionais. O empreendimento foi iniciado, mas esbarrou na falta de autorização para o corte das árvores.
Em 1995, nos derradeiros dias do último Governo de Cavaco Silva, o ex-ministro da Agricultura, Duarte Silva, deu luz verde para o abate. Poucos meses depois, com o Governo PS já empossado, esta autorização foi revogada pelo novo titular da pasta da Agricultura, Gomes da Silva, quando uma parte dos sobreiros já havia sido cortada. Para
que o abate fosse autorizado, seria necessário declarar a "imprescindível utilidade pública" do empreendimento Portucale, que é privado. E foi isso que aconteceu no dia 16 de Fevereiro passado, através de um despacho do anterior Governo, assinado a quatro dias das eleições antecipadas.
Subscrito pelos então ministros da Agricultura, Costa Neves, do Ambiente, Luís Nobre Guedes, e do Turismo, Telmo Correia, o despacho deu luz verde para a autorização do abate de 2600 sobreiros, parte dos quais foi imediamente deitada abaixo (774 árvores adultas e 180 jovens).
Mas o actual Governo acabou por revogar tanto a autorização para o corte, quanto a declaração de utilidade pública do empreendimento, alegando falta de fundamentação e deficiências processuais.
Negócio desfavorável para os interesses do Estado
Além das estranhas tentativas para aprovação do empreendimento da Portucale, sempre nos últimos dias de governo,também a forma como a propriedade dos terrenos passou do Estado para a esfera do Grupo Espírito Santo não terá sido a mais transparente. A herdade da Vargem Fresca, no Infantado, Benavente, pertencia à Companhia das Lezírias, que no início do processo aparecia como accionista da Portucale. Em 1993, os terrenos foram para a posse exclusiva
de privados, um negócio revelado pelo PÚBLICO em primeira mão, cujos contornos foram depois averiguados pela Inspecção-Geral de Finanças, que o considerou "desfavorável para os interesses e património da Companhia das Lezírias".
Publicado por jgomes às 10:25 PM | Comentários (1)
maio 09, 2005
Vistas cá dentro...Montesinho

Portugal, Bragança-Montesinho, Abril 2005
Não é de facto necessário sair de Portugal para ver uma paisagem merecedora de ser admirada... Esta pertence à do Parque Natural de Montesinho, um dos parques que pertencem à dita "joia da coroa" do melhor que Portugal tem em termos ambientais. Situado no Nordeste do país e que se estende pelos concelhos de Vinhais e Bragança, esta região ficou de facto arredada do dito "desenvolvimento" a partir do momento em que as suas populações se viram forçadas a sair. Daí que o seu actual estado de preservação seja fruto mais de uma série de circunstâncias do que da vontade incontornável dos homens - Quem tiver duvidas, é só observar as urbanizações, decalcadas de um qualquer suburbio do Porto, que se constroem á beira do IP4....
Mas dentro dos limites do Parque a regra é de facto da preservação. Imagino que com as resistências que normalmente os Parques encontram, e por isso, visitá-lo e admirar a sua paisagem habilmente humanizada é o melhor tributo aos que lá ficaram e ainda lá estão.
Publicado por jgomes às 09:49 PM
maio 06, 2005
Vistas lá fora...Escócia

Reino Unido, Escócia, Abril de 2004
Não é necessário sair do país para ver uma paisagem preservada, mas ver o que lá fora se faz (e o que não se faz!!) é sempre importante para nos posicionarmos relativamente. Estas fotografias da Escócia, observadas por dois amigos no inicio de Abril, são um bom momento
para "descontrair" e pôr os olhos em paisagens subtilmente humanizadas onde o Homem soube valorizar o que a Natureza generosamente lhe ofereceu.
Claro que Portugal também possui bons exemplos que, como o planner refere,devem ser evidenciados (a editar um na próxima entrada),... Mas no país visto pelo olhos de pássaro das últimas entradas, ainda há muitos que estão, por incrível que pareça, bacocamente convencidos de que Portugal é o país mais bonito do mundo......Ai se pudéssemos pagar uma semana de férias na dita província do Reino Unido ......

Publicado por jgomes às 09:05 PM | Comentários (1)
maio 04, 2005
Portugal a voo de pássaro, por José Pacheco Pereira
Depois de vistas sobre as duas margens do Tejo, as vistas em voo de pássaro de José Pacheco Pereira publicadas no jornal Público. A ler e a subscrever, uma e mais uma vez. Não que haja por estas bandas alguma aversão ao desenvolvimento ou uma defesa "naif" de um regresso ao bucolismo rural de Portugal da ditadura...Smplesmente, o caminho pode e deve ser outro. Aqui fica então o excerto. O texto completo, foi-me enviado pelo P.Barros para a caixa de correio. Comentários sobre este teste podem ainda ser lidos no planner.
Para finalizar o agrado de ver estas palavras na boca de Pacheco Pereira. Depois de muitos outros, de R. Teles, de S. Tavares... só falta render o Professor Marcelo! Pode ser que nas próximas eleições autarquicas as questões do ordenamento e do urbanismo tenham mais relevância.
"Se eu sair daqui e andar sempre a direito, por montes e vales e estradas, a voo de pássaro, até ao mar, o que encontro é um retrato de Portugal bem triste e sinistro, que se agrava todos os dias, numa obra de destruição em que muitos portugueses estão activamente empenhados, perante a complacência e colaboração activa do Estado e das autarquias, em nome de um "progresso" que pouco mais significa que dinheiro, egoísmo e vistas curtas"
"A única verdadeira fábrica que está em acção é a da produção de fealdade, a do Portugal feio. "
Portugal a voo de pássaro
José Pacheco Pereira
Se eu sair daqui e andar sempre a direito, por montes e vales e estradas, a voo de pássaro, até ao mar, o que encontro é um retrato de Portugal bem triste e sinistro, que se agrava todos os dias, numa obra de destruição em que muitos portugueses estão activamente empenhados, perante a complacência e colaboração activa do Estado e das autarquias, em nome de um "progresso" que pouco mais significa que dinheiro, egoísmo e vistas curtas. Eu voo daqui, mas podia voar dali que o resultado não seria muito diferente. Infelizmente, o caminho é quase sempre igual. Voando por cima de Portugal, percebe-se a realidade dolorosa da nossa condição de país atrasado, pobre, inculto, sem margem para dúvidas.
Começo. Caminhando pelo ar, a direito, passo por uma ETAR (estação de tratamento de águas residuais) que começou a ser feita num local, depois verificou-se que havia um erro de localização e construção, e mudou-se para outro. Parece que a consistência das terras impedia a construção. Responsabilidades? Nenhumas. Depois, a mesma ETAR, que devia funcionar há muito, não está a funcionar, os esgotos correm em campo aberto perante a indiferença generalizada, com excepção dos mosquitos e moscas. Depois, terrenos que estão nos planos como sendo do domínio agrícola, povoam-se de barracões e casas de habitação e veraneio, construídas ao modelo maison, térreas com colunas e pórticos, felizmente menos horríveis do que o mesmo tipo de casas de emigrante de há uns anos. Ao lado, caem aos bocados casas, adegas, lagares, currais, que seriam na América antiguidades protegidas, com as suas cantarias de pedra, as suas portas de arco, a ocasional estátua escondida num nicho, e cem ou duzentos anos de convívio com o que está à volta, numa acomodação que não existe a não ser pelo tempo. Mas não estamos na América, somos um povo mais velho, logo podemos estragar à vontade. Aldeias. Actividade económica? Nula. Ou quase. Cafés, com a Sport TV e gente falando muito alto. Alcoolismo. Restaurantes, como se imagina. Velhos. Cada vez mais velhos. Farmácias. Único emprego para os jovens que os faz fugir da escola e alimentar a estatística do abandono escolar: construção civil. Muitos jipes, carros, motas. Anúncios de discotecas, bares, cada vez mais. Os movimentos pendulares de carros pela noite, prenunciando o tráfico de droga.
Depois ruínas, de quintas, lagares, fabriquetas, de vinhas, de zonas de cultivo de tomate, de campos de oliveiras, ruínas da agricultura portuguesa. Algumas árvores resistem, umas ardidas nalgum passado incêndio, outras atoladas na sua solidão, sem bosque. Apenas árvores que ficaram, até alguém as cortar, ou plantar eucaliptos ou incendiar de novo. A seguir, um pequeno ribeiro assoreado, cheio de lixo, mal passando por entre canaviais amarelecidos pelo pó da estrada. Depois uma enorme área de restaurante para "bodas e festas", brilhando de novo, enorme parque para estacionamento e o mesmo estilo de casa-maison, pórticos, colunas, com os reclames dos gelados encostados e máquinas onde se apanham ovos de plástico a gancho. Mais lixo, garrafas de plástico, pó.
Uma estrada perigosa, tão perigosa que tudo quanto é aglomeração exigiu um semáforo que mostra o vermelho quando se ultrapassa 50 quilómetros. Pensam que um basta, ou um de quilómetro a quilómetro? Engano. Como o meu vizinho tem um à porta e eu não tenho nenhum, também quero. Os semáforos sucedem-se uns aos outros, colados entre si, num desperdício tão habitual que já ninguém nota. Milhares de sinais, de stop em estradas sem trânsito, de sentidos proibidos em locais onde é improvável proibirem alguma coisa, milhares de sinais mas nenhuma verdadeira indicação de direcção com continuidade. Começa e depois, na próxima bifurcação, por onde viro? Não sei, a terra sumiu a auto-estrada, a localidade que havia lá atrás já não há. Deve ser de haver muitas rotundas, com monumentos no meio, ou fontes.
Vários locais de venda e exposição de automóveis usados, crescendo como cogumelos, no meio de urbanizações rápidas, com o entulho da terraplanagem deitado ao lado. Ah! Esqueci-me de vários montes de entulho de construção pelo caminho. Depois, cheira. Não cheira a campo, ao estrume, ao saudável estrume, mas ao cheiro intenso e acidulado das pecuárias, que se cola às casas, aos corpos, que obriga a fechar as janelas, não apenas incómodo, mas insuportável. Depois casas, de todas as formas, de todos os feitios, por todo o lado, completas, incompletas, antigas e novas, as novas todas iguais, com os seus relvados quase artificiais e piscinas, exigindo toda a água do mundo para apenas ficar vagamente verde. As antigas caindo, pouco a pouco, sem gente nem função, com letreiros de imobiliárias, "Vende-se".
Mais à frente, uma pedreira rasga uma série de colinas, o contraforte de uma montanha. "Rasga" é a palavra certa, crescendo para todos os lados numa mancha amarela entre o verde, deformando a cumeeira da serra, partindo-a a meio, mostrando-se como o mais saliente objecto para muitos quilómetros em redor. De repente, tudo o que é cimo do monte, que já tinha uma antena de telemóvel, começa a ter moinhos de vento modernos. Não são o que mais afronta, na sua elegância branca, mas como é que se passa do nada a tantos, de um momento para o outro? A paisagem vai ficando saturada de antenas, moinhos, postes de luz, candeeiros, fios diversos. O caos que tudo envolve é perceptível.
A ordem é o caos, porque se percebe que quem quer fazer alguma coisa faz, independentemente de outros direitos e outros valores e do futuro das terras. Quem não quer muda-se. Para onde? A única verdadeira fábrica que está em acção é a da produção de fealdade, a do Portugal feio. E não me venham com a história de que este olhar de pássaro é passadista e hostil aos "melhoramentos" ou ao "progresso económico". Todos, quase todos eram possíveis, são possíveis, sem esta destruição da qualidade de vida, da vista, da paisagem, do equilíbrio natural e mesmo do equilíbrio artificial. Quantas pedreiras neste país foram recuperadas como é suposto? Por que razão é que as suiniculturas, não cumprem a lei, não tratam os seus detritos e provocam mau cheiro? Como é que se pode permitir a contínua violação do terreno classificado como agrícola, para alargar áreas de construção, ou fazer casas onde cada um quer? Quem autoriza a proliferação de stands de automóveis junto das estradas? Quem enxameia tudo de "mobiliário urbano" e rotundas sem ter o saneamento ligado?
Há um problema de pobreza, hoje mais de remediamento, mas está longe de ser uma questão de dinheiro porque se esbanja e muito. É em parte um problema de economia porque a economia paralela, à margem dos impostos e da lei, continua a ser apreciada como escape para a outra, que não existe, ou não sobrevive nesta ecologia pantanosa. Mas acima de tudo são literacias que estão em causa, mais do que cultura ou dinheiro. É uma mínima percepção, inclusive económica, de que isto é um péssimo negócio para todos, mesmo que seja vantajoso a curto prazo para alguns.
Como em tudo, é também o poder que conta, o que tem os que destroem e o que não é usado pelos que podiam impedir as destruições. Há de facto algumas melhorias reais, há mais escolas, mais bibliotecas, mais equipamentos culturais, nalguns casos gigantes e subutilizados, mais hospitais, mais serviços a nível local e regional, melhor comércio de massas, mais acesso a determinados bens e mais dinheiro para os adquirir. É verdade. Mas é uma gota de água no caos, na fealdade, que cresce exponencialmente. Voando a voo de pássaro é impossível não ver. Historiador
Publicado por jgomes às 11:06 PM | Comentários (4)