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abril 06, 2005
Arte e paisagem: o caminho para Marfa, Texas

EUA, Texas, Marfa, 2004
Há muito que esta entrada deveria ter sido publicada, uma excelente oportunidade foi aqui perdida, e de adiamento em adiamento, passaram-se quase quatro meses desde que a mesma foi escrita. Mas o texto, tal como a paisagem que descreve, tem a virtude de resistir bem ao tempo e nada melhor do que ler as impressões de viagem de Helena Barrenha a Marfa, Texas. A sexta entrada da secção "Vistas lá fora".
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Poucas serão as pessoas que, actualmente, se deslocam a Marfa, no Texas, sem o intuito de visitar a célebre Fundação Chinati, criada nos anos 70 pelo artista americano Donald Judd. Na verdade, trata-se de uma pequena vila, com pouco mais de 2000 habitantes, perdida num imenso território quase desértico, próximo da fronteira com o México. O caminho até Marfa, a partir de qualquer uma das principais cidades do Texas, dificilmente pode ser feito se não por carro e implica percorrer uma distância de várias centenas de quilómetros.
Apesar da sua localização remota e da rigidez das condições de acesso à Fundação, nomeadamente o facto de não serem autorizadas visitas “livres”, mas apenas integradas em pequenos grupos com guia (e marcação prévia), a peregrinação até ao local vale bem a pena. Com efeito, a experiência de atravessar uma paisagem absolutamente árida e onde a marca humana é ainda escassa, é bastante impressiva. São quilómetros e quilómetros dominados por uma espécie de “sense of nothingness” que culmina na fruição das peças minimais de Judd, inseridas em construções despojadas, viradas para um território plano, vazio, ilimitado... Entre os vários espaços que compõem a Fundação (edifícios térreos dispersos por um vasto terreno) destacam-se os hangares utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, onde se encontram as sublimes “caixas de alumínio”.
Conta-se que a descoberta de Marfa por Judd foi fruto de um simples acaso. Mas a opção de eleger esse lugar para a integração de uma parte importante da sua produção artística, constitui, em si mesma, não apenas uma apropriação voluntária e definitiva, mas também uma intervenção na paisagem que completa o sentido da vivência do lugar, e fixa com maior intensidade a imagem-memória de se ter passado por lá...
Helena Barrenha "

Publicado por jgomes às abril 6, 2005 09:23 PM