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abril 28, 2005

VIstas na margem Sul

Se na margem Norte do Tejo pontuam as vistas de que Domingo Neto nos deu conta nas últimas entradas, na margem Sul o panorama não é significicativamente diferente. Junto deixo-vos um link que algém deixou em comentário numa das ultimas entradas:http://www.a-sul.blogspot.com. Um blogue inteiramente dedicado à margem Sul do Tejo que vale a pena visitar.

Se no fim quizerem reter apenas uma "boa imagem" aconselha-se a do estuário do Tejo publicada na última entrada. Não deixa de ser curioso que fique entre duas margens a ferro e fogo!

Publicado por jgomes às 10:29 PM | Comentários (1)

abril 25, 2005

Flamingos noTejo.jpg

Conforme vos tinha prometido, caros leitores, apresento-vos coisas boas do trajecto entre Lisboa e Vila Franca. Depois de passar o lixo, a desordem, os esgotos e a incrível porcaria que vimos nas entradas anteriores, junto do Trancão, passamos uma rede derrubada e chegamos a uma zona de reserva integral onde, sobre um Tejo poluído, e entre cães assilvestrados que nunca deveriam andar por ali, podemos sentir a calma que transparece nesta imagem e observar animais selvagens como estes flamingos de rara beleza.

Publicado por Domingos Neto às 04:10 PM | Comentários (1)

abril 21, 2005

O que há de pior entre Lisboa e Vila Franca III

Esgoto a Ceu Aberto em Alverca.JPG

O percurso Lisboa-Vila Franca de Xira poderia ser um dos cartões de visita da capital. No entanto, por diversos e sucessivos erros de planeamento a paisagem que oferece é em regra degradada, desordenada e sem qualidade. Nesta última entrada publicaremos alguns dos principais pontos que em nossa opinião exigem uma atenção especial por parte de cidadãos e autoridades.

Na última foto e na próxima entrada temos uma surpresa: algumas coisas bonitas e boas desta região

Deveriam ter sido outras as prioridades do desenvolvimento português, devendo ter-se privilegiado as infra-estruturas, a sensatez e as obras de raiz.

São precisas grandes obras nesta região, que nos envergonha (uma questão essencial é a de prioridades).

1: primeiro, lavar e limpar esta zona, despoluindo o rio Tejo e o Trancão, construindo as infra-estruturas de saneamento básico, as ETARES, sistemas de aterros e a necessária reciclagem de lixos.
2: acabar com as lixeiras clandestinas e as descargas de entulho a céu aberto
3: Construir uma rede viária lógica, fechando, por exemplo, todas as passagens de nível nos caminhos-de-ferro deste troço, substituindo-as por passagens desniveladas. Reabilitar a N10.
4: reverter as asneiras que se fizeram no plano ecológico, recriando corredores ecológicos e permitindo a vida selvagem existente. Por exemplo, na continuidade do Trancão, para Norte, existe uma zona de reserva Natural do Estuário do Tejo, cheia de esgotos e lixo mas também de vida animal, mas completamente interrompida pelo Emissário da Incineradora ValorSul. É preciso descompartimentá-la, restabelecendo a circulação de animais nesta região (as aves passam, mas não os mamíferos).
5: é preciso promover um verdadeiro Plano Director urbano e industrial, requalificando a malha urbana e a paisagem, investindo na recuperação de prédios degradados em zonas históricas, e liquidar, a prazo, construções em banda e fábricas, muitas delas já desactivadas, que tapam as vistas sobre o Tejo. Convém deixar que algumas dessas fábricas atinjam o seu fim de vida útil, para depois em seu lugar se construírem empreendimentos de cultura e lazer.
6: atenção que é preciso destruir também todos os equipamentos em desuso que “embelezam” esta zona, prédios clandestinos semi-construídos, restos de fábricas, ruínas inúteis e vandalizadas, porque toda a gente pensa e construir mas ninguém vê o que é necessário fazer para acabar com os destroços que entretanto se criaram.
7: restabelecer a relação com o Tejo criando pontos de contacto e de fruição do rio (pelo menos um por freguesia), aumentando a qualidade de vida das populações.
8: promover o desenvolvimento escolar e científico dos jovens dessa região, privilegiando, a par do necessário investimento no ensino, os contactos com o rio e a natureza.

As Câmaras Municipais de Loures (freguesias de Sacavém, Bobadela, S. João da Talha, Santa Iria de Azóia) e de Vila Franca de Xira, (freguesias de Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Alverca do Ribatejo, Sobralinho, Alhandra e Vila Franca de Xira) têm um imenso trabalho a fazer. É preciso também que se perceba que alguma coisa está a ser feita. Se consultarmos a Internet aparecem projectos de intervenção e de despoluição para esta região, mas não se vêem resultados. Não pedimos que se faça tudo ao mesmo tempo, mas que se escalonem as prioridades (as coisas mais fáceis e urgentes para agora e as mais complexas mais para a frente).

Por último, viver bem também educa as pessoas, e passar a viver melhor nesta região vai, de certeza, sensibilizá-las para que não voltem a tolerar este estado de coisas

Um perigo e uma coisa boa de última hora:
O perigo é a passagem projectada da linha de alta velocidade por estes sítios, que irá ser mais um entrave a cortar as pessoas do Tejo e a desordenar o território.
A coisa boa é a promessa do governo de José Sócrates de finalmente começar a despoluir o estuário do Tejo

Saida de Vila Franca.JPG

Publicado por Domingos Neto às 12:07 AM | TrackBack

abril 17, 2005

Lisboa Vila Franca II

Predios em banda na Bobadela.JPG

Vamos apresentar mais alguns pontos negativos e, por fim, em entrada a publicar proximamente, mostrar também algumas coisas interessantes e quase desconhecidas

No percurso entre Lisboa e Vila Franca de Xira o rio Tejo é separado da fruição e da convivência das pessoas por uma cintura quádrupla:

1: Uma cintura industrial (GALP, Sacor, BP; Copam, Solvay, Covina-Saint Gobain, etc.), que polui a atmosfera e tapa quase todas as entradas para o rio.

2: A linha do Norte, provavelmente a linha de caminho de ferro mais movimentada do país, cheia de passagens de nível.

3: A IC2 e a antiga estrada nacional N10, completamente inestética, superlotada, com outdoors por todo o lado, sem faixas nem passadeiras para peões.

4: Prédios de habitação construídos em banda e vivendas, ao lado dos esgotos, de fábricas altamente poluentes, de estradas e da via-férrea, por baixo de postes de alta tensão, sem qualquer ordenamento nem respeito pelas pessoas que lá moram

Há duas pequenas excepções a este caos, que são também os dois únicos pontos de contacto com o Tejo em todo este trajecto: os ancoradouros de Alhandra e de Vila Franca onde ainda se vêem alguns cais palafíticos, produtos de outras épocas e que só se mantiveram até agora devido à feroz intransigência das pessoas que lá vivem e trabalham.


Linha do Norte.JPG


Publicado por Domingos Neto às 07:45 PM | Comentários (1)

abril 14, 2005

Vistas pela Blogoesfera - A saga de um Intermarché em Ourém

Há já algum tempo que sigo pela blogoesfera a saga do projecto de construção de um intermarché em Ourém, em zona que é de leito de cheio e integrada na RAN e REN. O blogue o Castelo denunciou este crime em Setembro 2004(data em que vi a primeira entrada referenciada) e desde então tem-nos mantido ao corrente desta monumental trapalhada. Cujo último episódio é o da autarquia pretender que o governo suspenda o seu proprio PDM para que a ilegalidade prossiga...

Mas o preferível mesmo é dedicar algum tempo a esta entrada, cujas fotografias são evidenciadoras do que está em questão. E se restar algum tempo reler as entradas arquvadas na secção "ambiente". Está lá tudo. Mais não seja para memoria futura.

Estou em crer que a sua acção, juntamente com a da Quercus, fazem as dores de cabeça do executivo camarário. Mas são um bom exemplo de como uma sociedade civil mais forte pode de facto mudar o rumo aos acontecimentos apresentados sempre como "inevitáveis". À sua acção os meus apoio e os votos de que continuem nesta linha.

Publicado por jgomes às 07:51 PM | Comentários (2)

abril 09, 2005

O que há de pior entre Lisboa e Vila Franca - I

Esgoto-Trancao.JPG
Portugal, Lisboa - esgoto no rio Trancão - 2005

O percurso Lisboa-Vila Franca de Xira poderia ser um dos cartões de visita da capital. No entanto, por diversos e sucessivos erros de planeamento a paisagem que oferece é em regra degradada, desordenada e sem qualidade. Nesta e ao longo das próximas entradas publicaremos alguns dos principais pontos que em nossa opinião exigem uma atenção especial por parte de cidadãos e autoridades.

Outdoors.JPG
Portugal, Lisboa - Estrada Nacional 10 - 2005

Publicado por Domingos Neto às 08:33 PM

abril 07, 2005

O Publico....... Mas sem vistas. Lamentavelmente.

Publico2.JPG
Jornal Publico, desde dia 4 de Abri de 2004

Desde segunda-feira que as vistas do Público são assim. No inicio pensei em não me pronunciar neste blogue sobre o facto (para não fugir da "linha de ediçao" e talvez pelo sentimento de culpa por fazer excessivos links às noticias do publico online...), mas esta entrada do Rui (adufe) a apontar, via Tugir, para esta entrada do Atrium, levam-me a associar-me e a manifestar também as minhas reservas por esta decisão. Por diversas razões e das quais destaco três:

A primeira, da tristeza, prende-se com o facto de o vistas ser editado por alguém que sempre viu no Publico o seu Jornal de referência. E como tal não é sem algum sorriso que relembramos um comentário aqui editado no ano passado a propósito da "sovinice" do Expresso. (Mal sabiamos nós o que o Publico preparava...)

A segunda, porque este blogue gostava mesmo de evidenciar as secções "local" com honras de primeira página. Para uns interessam as secções Nacional e Sociedade, para o vistas era nas secções locais que estava o essencial;

A terceira, a de constitui através do vistas um log para memoria futura, sempre disponivel, das preocupações actuais em materia de ordenamento e da paisagem. Como e natural, os artigos das secções local (de jornalistas ou cidadãos)eram uma boa fonte.

Posto isto, e porque o essencial dos argumentos acerca do alcance desta medida são bem identificados nos links acima, aqui fica a minha opinião. O Publico continuará a ser referenciado, mas infelizmente não tantas vezes. Não por birra, não pelos 20 Euros, mas porque também consideramos esta medida um infeliz retrocesso.

Em jeito de despedida aqui fica a cópia possivel de um artigo que gostaria de ter lido e, se possivel, copiado:

Algés/Miraflores é um susto num concelho de betão
Ninguém pode ser contra a construção civil, mas no concelho de Oeiras é tempo de se dizer parem.
A fazer lembrar esta entrada que já aqui publicámos expressando, provavelmente as mesmas preoupaçoes.

Publicado por jgomes às 09:56 PM | Comentários (2)

abril 06, 2005

Arte e paisagem: o caminho para Marfa, Texas

Marfa1.jpg
EUA, Texas, Marfa, 2004

Há muito que esta entrada deveria ter sido publicada, uma excelente oportunidade foi aqui perdida, e de adiamento em adiamento, passaram-se quase quatro meses desde que a mesma foi escrita. Mas o texto, tal como a paisagem que descreve, tem a virtude de resistir bem ao tempo e nada melhor do que ler as impressões de viagem de Helena Barrenha a Marfa, Texas. A sexta entrada da secção "Vistas lá fora".
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Poucas serão as pessoas que, actualmente, se deslocam a Marfa, no Texas, sem o intuito de visitar a célebre Fundação Chinati, criada nos anos 70 pelo artista americano Donald Judd. Na verdade, trata-se de uma pequena vila, com pouco mais de 2000 habitantes, perdida num imenso território quase desértico, próximo da fronteira com o México. O caminho até Marfa, a partir de qualquer uma das principais cidades do Texas, dificilmente pode ser feito se não por carro e implica percorrer uma distância de várias centenas de quilómetros.

Apesar da sua localização remota e da rigidez das condições de acesso à Fundação, nomeadamente o facto de não serem autorizadas visitas “livres”, mas apenas integradas em pequenos grupos com guia (e marcação prévia), a peregrinação até ao local vale bem a pena. Com efeito, a experiência de atravessar uma paisagem absolutamente árida e onde a marca humana é ainda escassa, é bastante impressiva. São quilómetros e quilómetros dominados por uma espécie de “sense of nothingness” que culmina na fruição das peças minimais de Judd, inseridas em construções despojadas, viradas para um território plano, vazio, ilimitado... Entre os vários espaços que compõem a Fundação (edifícios térreos dispersos por um vasto terreno) destacam-se os hangares utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, onde se encontram as sublimes “caixas de alumínio”.

Conta-se que a descoberta de Marfa por Judd foi fruto de um simples acaso. Mas a opção de eleger esse lugar para a integração de uma parte importante da sua produção artística, constitui, em si mesma, não apenas uma apropriação voluntária e definitiva, mas também uma intervenção na paisagem que completa o sentido da vivência do lugar, e fixa com maior intensidade a imagem-memória de se ter passado por lá...
Helena Barrenha "

Marfa2.jpg

Publicado por jgomes às 09:23 PM