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janeiro 25, 2005
Rio Seco. Um bocado de natureza perdido em Lisboa
Na ultima entrada referimos, a propósito de alguns maus exemplos do nosso desenvolvimento, a preocupação de Domingos Neto pela forma como a autarquia de Lisboa trata e desperdiça uma área de enorme importância e potencial paisagístico e ambiental: O rio seco(à Ajuda, em Lisboa). O artigo tinha sido publicado na secção local do Público, mas não na integra. Por gentileza de Domingos Neto publicamos o texto na sua totalidade com fotos. Merece como é evidente uma leitura atenta: Não só porque o local é entusiasmante mas também porque a sua elaboração é um acto de cidadania que vale por 100 entradas. Que exige ser partilhado.
Rio Seco. Um bocado de natureza perdido em Lisboa
Por Domingos Neto
Este artigo é uma homenagem à reportagem de José Bento Amaro e A. H., saída no Público Local, Lisboa,de Domingo, 21 de Novembro de 2004. É dedicado também ao arquitecto Ribeiro Telles
Quem observar a região do Rio Seco, ao lado de Belém, entre a rua Aliança Operária e o Monsanto, verificará que tem características geológicas particulares, tendo sido o leito de um rio, ladeado por dois grandes desfiladeiros, ou margens em precipício, construídos pelas águas ao longo dos tempos. No terço inferior da margem direita existe uma enorme caverna, da altura de um prédio de três andares.
Devido à urbanização da zona e à estrada que passa no meio, esta
estrutura geológica e paisagística custa a interpretar.
No entanto, mais abaixo, vê-se bem a imponente margem direita do antigo rio que lá existia, bem como um grande espaço plano deixado pelo seu leito. No terço inferior da margem direita há uma caverna enorme,perfeitamente consolidada. Mais acima há outros prédios à beira do precipício.
Nas fotos abaixo vê-se a margem esquerda. Também há ravinas e parece haver grutas entulhadas Veja-se a extraordinária formação geológica, com estratos encurvados, e o prédio em cima.
A caverna maior, na margem direita, está convertida em depósito de lixo.
Podemos adivinhar, neste vale, uma sucessão de usos:
Durante a pré-história,certamente que a grande caverna e outras menos visíveis que estão ao lado e na margem oposta, albergavam mamíferos e posteriormente seres humanos, que procuravam abrigo, zonas e de caça e de lazer junto ao rio. Podemos imaginar as pessoas a fazer fogo na caverna e as crianças a banhar-se no rio que corria ao lado, numa atmosfera paradisíaca e revigorante.
Não é difícil reconstruir este ambiente porque os elementos geológicos estão lá. Basta escavar e fazerem-se prospecções arqueológicas e certamente imensas coisas serão desvendadas, sobre a habitação destes espaços por animais e homens primitivos.
Posteriormente, durante antiguidade, a idade média, e mesmo até à actualidade, estes espaços teriam continuado a ser habitados, porque proporcionavam água, defesa e abrigo fácil a quem a eles recorria.
Existem ainda sinais de casas coladas às paredes do desfiladeiro, em
ambas as margens.
Vêem-se divisões e armários escavados na pedra, entradas de túneis emparedadas, vestígios de vida cavernícola de pessoas certamente muito pobres,marginais,que viveram ali até há muito poucas gerações.
Possivelmente, segundo a crónica do Público referida acima, algumas destas cavernas em Lisboa teriam servido também para albergar espaços de oposição aos regimes da monarquia e a Salazar, casas e tipografias clandestinas(outra razão para alguns destes estes espaços serem valorizados e convertidos em museu).Existem, à vista, alguns vestígios do foro da arqueologia industrial: túneis, fornos de cal? Não sendo um especialista nestas matérias não sei defini-los melhor.
Outra característica desta zona é a presença de belas ruas de casas térreas, algumas muito degradadas, resíduos da construção popular e social de Lisboa nos séculos passados, que constituem o bairro do Rio Seco, antigo alfobre de associativismo operário e de resistência anti-salazarista, de que constitui um bom exemplo o Sporting Clube do Rio Seco.
Existe uma casa que parece ser um pátio ou uma habitação colectiva para trabalhadores, feita por algum empresário do século XIX ou princípios do século XX, mas trespassada por aquilo que parecem ser arcadas góticas,bem como algumas barracas e oficinas clandestinas, de telhados de zinco,a cair de podres e impossíveis de caracterizar.
Como é que nunca ninguém reparou isto? A garganta eos desfiladeiros. A bacia, as cavernas? Esta fantástica grandeza? Parece haver uma política que é: não se faz aproveitamento paisagístico, e, as grutas em Portugal enterram-se!
No dia 21 de Novembro de 2004 saiu uma reportagem de José Bento Amaro e A. H, no Público Local, de Lisboa. Os autores referiam precisamente a riqueza de Lisboa em grutas e o significado histórico destes espaços, afinal documentos vivos da história portuguesa. As mesmas grutas que na Turquia e na Tunísia são aproveitadas para ser mostradas, são aqui enterradas e esvirtuadas.
Desvirtuamento e ocultação da paisagem
Parece que a ocupação humana desta região, desde vários séculos, fez tudo para alterar esta paisagem. Construíram-se casas em cima de cada desfiladeiro, mesmo à beira dos precipícios, constituindo uma delas o famoso pátio alfacinha.
Aproveitou-se a enorme caverna e os terrenos adjacentes para um depósito de material da Câmara Municipal de Lisboa e para uma lixeira.
Os terrenos e possivelmente algumas entradas de grutas junto das margens estão agora arrasados e cobertos de entulho. Certamente o foram para que ninguém mais habitasse esses espaços. Mas agora isso ainda se justifica?
No topo sul desta região construiu-se um prédio gigantesco, que oculta as vistas para o Tejo.
Entre os pilares deste prédio, que deve ter sido objecto de um licenciamento no mínimo controverso, passa uma rua! Faz terminar a Sul, sem honra nem glória, este enorme conjunto.
Por último colocou-se uma estrada larga bem no centro do vale (foto 1), onde dantes estaria o leito do rio, dividindo esta região ao meio. Algumas das paredes da ravina estão já a ser cobertas por betão projectado (o contributo de alguma filosofia do século XXI para a descaracterização geral).
Por cima disto,indiferente a estes atropelos e já nos terrenos do
Monsanto, impera o campus da nova Faculdade de Arquitectura.
Medidas a tomar
No entanto, por muitos disparates e intervenções casuísticas que tivessem sido feitos não se conseguiu desfigurar completamente este vale nem a sua impressionante grandeza.
Essas cavernas e galerias devem agora ser escavadas, os seus tesouros
descobertos e catalogados por arqueólogos especialistas nas diversas eras onde essas ocupações se fizeram, ao mesmo tempo que o ambiente natural do Rio Seco deve ser tanto quanto possível reposto, criando-se uma zona húmida, com água corrente, ao lado de áreas de habitação, serviços, lazer, turismo e interpretação desse espaço. Tudo isto deve ser aberto ao público para fruição de residentes e visitantes. A intervenção inteligente nesta área, e noutras do género é, certamente, uma das coisas que nos separa da Europa desenvolvida.
Tudo isso deve ser feito sem comprometer muita da habitação existente nem a ocupação humana da zona. Por exemplo, a estrada que divide o vale ao meio poderia ser reduzida, adaptada à morfologia dos terrenos, de modo a facilitar a leitura da zona natural envolvente. Os prédios, que crescem como cogumelos por cima das ravinas, ser substituídos por outros mais recuados, devendo a continuação deste tipo de procedimentos terminar imediatamente.
Deve desenterrar-se, pelo menos em parte, o rio que corre nesta região, restituindo-lhe, tanto quanto possível o trajecto antigo e, certamente, a Câmara, que tem aqui tanto espaço, não se importará de ceder algum para uso de turismo, científico e paisagístico.
Entretanto, como tencionará a Câmara de Lisboa, que diz que está a melhorar o Rio Seco (foto baixo, onde se vê que a diferença entre o antes e o agora não é quase nenhuma), fazer essa tarefa? Poderá, por exemplo, promover um concurso de ideias entre arquitectos e paisagistas portugueses, ou jovens arquitectos.
Os terrenos onde a caverna está até têm a circunstância feliz de pertencerem à Câmara.
Por favor mostrem a Gonçalo Ribeiro Teles, a quem este artigo é também uma homenagem. O trabalho que ele aqui faria! Esta deve ser uma das memórias mais desvirtuadas da cidade de Lisboa, num dos seus sítios mais vibrantes e significativos!
Lisboa, 30 de Dezembro de 2004
Domingos Neto
Publicado por jgomes às 11:18 AM | Comentários (2)
janeiro 07, 2005
Vistas condensadas do triste desenvolvimento à portuguesa
Este blogue vai de férias e regressa dentro de 15 dias. Até lá deixo-vos algumas vistas avulsas que fui lendo nos ultimos dias na mprensa, na blogoesfera ou que me chegaram via email. Todas elas mereciam entradas destacadas com fotos, mas o ritmo frenético a que sesucedem as más noticias exigem uma disponibilidade que definitivamente não possuo.
1 - Dias com árvores - A autorização de urbanização de uma Quinta em Gaia (Quinta de MArques Gomes), nas margens do Rio Douro entre a ponte da Arrábida e o Cabedelo. Só quem não conhece o inenarrável ordenamento de Gaia é que não fica preocupado, como Paulo Araújo, lendo a noticia publicada originalmente no Jornal de noticias/Bernardino Guimaraes.
2 - Publico - A indignaçao de Ribeiro Teles e Domingo Neto pela forma autista como a autarquia de Lisboa administra duas parcelas de territorio de grande importancia ambiental/ecológica: Os vales de Santo Antonio às Olais e Rio Seco (À Ajuda). É favor ler aqui e aqui, bem como dar uma vista de olhos na fotografia abaixo (publicada neste blogue em Junho)
Portugal, Lisboa, Olaias
3 - Lusa - A triste Noticia de como a lei favorece os erros de ordenamento. Em alcobaça, a autarquia autorizou a construção de uma urbanização sobre falésias na praia da Mina. O Tribunal Administrativo de Leiria delibera que é tudo legal porque... na altura ainda não era reserva ecológica. Hoje já é. Infelizmente tarde de mais para suster a ganância de uns poucos benzida com a conivência do sistema. "Felizmente" ainda a tempo de aproveitar a onda de betão e alcatrão que se prepara para a Zona a Norte da Nazaré como alertou Carlos Robalo (leitor do vistas)ao enviar esta noticia-regozijo da camara da Nazaré:
"
O Ministro do Turismo, Telmo Correia, anunciou, no passado dia 27 de
Dezembro, a aprovação da candidatura da Região de Turismo
Leiria/Fátima ao PITER (Programas Integrados Turísticos de Natureza
Estruturante e Base Regional), um conjunto de 29 projectos, públicos e
privados, que representam um investimento global de 114,5 milhões de
euros.
Nesta candidatura, engloba-se o financiamento para a Estrada
Atlântica, que ligará o Sítio da Nazaré à Praia do Osso da Baleia
(Pombal), orçada em cerca de 9,2 milhões de euros.
Este investimento, considerado um dos projectos-âncora da Regiao de
Turismo Leiria/Fatima, consiste na requalificação da actual estrada
florestal que acompanha a linha de costa, transformando-a numa moderna
via panorâmica, com zonas de lazer e ciclovia, entre outras valências
turísticas, numa extensão de 65km."
Ribeiro Telles Critica Urbanização Prevista pela EPUL para o Vale de
Santo António
Por F.R.
Terça-feira, 04 de Janeiro de 2005
A urbanização prevista pela Câmara de Lisboa para o Vale de Santo
António é considerada pelo arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro
Telles como "um erro" que revela "uma incompetência total de fazer
cidade no século XXI".
A urbanização, que a EPUL pretende construir nas proximidades de Santa
Apolónia e do Alto de São João entre o ano agora iniciado e 2014,
prevê 352 mil metros quadrados de construção bruta acima do solo,
distribuídos por 2136 fogos de habitação, 450 unidades de escritórios
e outras tantas lojas, além de mais de sete mil lugares de
estacionamento.
A crítica de Ribeiro Telles não se prende apenas com a densificação
prevista, mas sobretudo com a ocupação de uma zona de vales (o de
Santo Santónio, o Vale Fundão e o Vale Escuro) com declives abruptos.
"Querem construir um modelo de cidade plana, dos anos 50, numa zona de
vales fundos. E o que vai suceder é que vão ter problemas, porque ali
os solos são compostos por vários extractos de argilas. E muito
provavelmente vão ter de conter os solos construindo taludes e muros
enormes. As pessoas vão abrir as janelas dos seus apartamentos e
deparar-se com muros", disse o arquitecto ao PÚBLICO.
Outro "grande problema criado pela betonização" daquela área, segundo
Ribeiro Telles, é o da circulação da água. "Quando se aproveitam os
vales para criar avenidas com circulação automóvel, não se tendo em
conta a circulação das águas pluviais, está-se a tornar a cidade cada
vez mais artificial em termos de ambiente e de sustentabilidade
física", salientou.
Para o arquitecto, um "mau exemplo" já existente é o que se encontra
"por trás da Quinta da Granja (Benfica), em que as barreiras foram
abertas com taludes quase da altura dos prédios e à custa da obstrução
de uma ribeira. É esse modelo insustentável que se está aplicar por
todo o lado".
Nesse modelo, sublinhou, não há verdadeiros espaços verdes. "Eles
ficam reduzidos a coberturas ajardinadas, como se os espaços verdes
fossem uma coisa decorativa".
Rio Seco: Um Bocado de Natureza Perdido
Quarta-feira, 05 de Janeiro de 2005
Este texto é uma homenagem à reportagem saída no caderno Local de
21/11/04, intitulada "Lisboa teve homens a morar em cavernas até há
apenas dez anos". É dedicado também ao arquitecto Gonçalo Ribeiro
Telles.
Quem observar a região do Rio Seco, ao lado de Belém, entre a rua
Aliança Operária e Monsanto, verificará que tem características
geológicas particulares, tendo sido o leito de um rio, ladeado por
dois grandes desfiladeiros, ou margens em precipício, construídos
pelas águas ao longo dos tempos. No terço inferior da margem direita
existe uma enorme caverna, da altura de um prédio de três andares.
Devido à urbanização da zona e à estrada que passa no meio, esta
estrutura geológica e paisagística custa a interpretar. No entanto,
mais abaixo, vê-se bem a imponente margem direita do antigo rio que lá
existia, bem como um grande espaço plano deixado pelo seu leito. No
terço inferior da margem direita há uma caverna enorme, perfeitamente
consolidada. Mais acima há outros prédios à beira do precipício. (...)
Podemos adivinhar, neste vale, uma sucessão de usos: durante a
pré-história, certamente que a grande caverna e outras menos visíveis
que estão ao lado e na margem oposta, albergavam mamíferos e
posteriormente seres humanos, que procuravam abrigo, zonas e de caça e
de lazer junto ao rio. Podemos imaginar as pessoas a fazer fogo na
caverna e as crianças a banhar-se no rio que corria ao lado, numa
atmosfera paradisíaca e revigorante. (...)
Posteriormente, durante antiguidade, a idade média, e mesmo até à
actualidade, estes espaços teriam continuado a ser habitados, porque
proporcionavam água, defesa e abrigo fácil a quem a eles recorria.
Existem ainda sinais de casas coladas às paredes do desfiladeiro, em
ambas as margens. Vêem-se divisões e armários escavados na pedra,
entradas de túneis emparedadas, vestígios de vida cavernícola de
pessoas certamente muito pobres, marginais, que viveram ali até há
muito poucas gerações. Possivelmente, segundo a crónica do PÚBLICO,
algumas destas cavernas em Lisboa teriam servido também para albergar
espaços de oposição aos regimes da monarquia e a Salazar, casas e
tipografias clandestinas (outra razão para alguns destes espaços serem
valorizados e convertidos em museu).
Outra característica desta zona é a presença de belas ruas de casas
térreas, algumas muito degradadas, resíduos da construção popular e
social de Lisboa nos séculos passados, que constituem o bairro do Rio
Seco, antigo alfobre de associativismo operário e de resistência
anti-salazarista, de que constitui um bom exemplo o Sporting Clube do
Rio Seco. (...)
Desvirtuamento da paisagem
Parece que a ocupação humana desta região, desde vários séculos, fez
tudo para alterar esta paisagem. Construíram-se casas em cima de cada
desfiladeiro, mesmo à beira dos precipícios, constituindo uma delas o
famoso pátio alfacinha. Aproveitou-se a enorme caverna e os terrenos
adjacentes para um depósito de material da Câmara de Lisboa e para uma
lixeira. Os terrenos e possivelmente algumas entradas de grutas junto
das margens estão agora arrasados e cobertos de entulho. Certamente o
foram para que ninguém mais habitasse esses espaços.
(...) Algumas das paredes da ravina estão já a ser cobertas por betão
projectado (o contributo de alguma filosofia do século XXI para a
descaracterização geral). Por cima disto, indiferente a estes
atropelos e já nos terrenos do Monsanto, impera o campus da nova
Faculdade de Arquitectura.
No entanto, por muitos disparates e intervenções casuísticas que
tivessem sido feitos não se conseguiu desfigurar completamente este
vale nem a sua impressionante grandeza. Essas cavernas e galerias
devem agora ser escavadas (...) [e] tudo isto deve ser aberto ao
público para fruição de residentes e visitantes. (...) Deve
desenterrar-se, pelo menos em parte, o rio que corre nesta região,
restituindo-lhe, tanto quanto possível o trajecto antigo e,
certamente, a câmara, que tem aqui tanto espaço, não se importará de
ceder algum para uso de turismo, científico e paisagístico. E poderá,
por exemplo, promover-se um concurso de ideias entre arquitectos e
paisagistas portugueses. (...)
Domingos Neto, Lisboa
Local 05-01-2005 - 17h05
Lusa
Uma providência cautelar interposta por moradores da praia da Mina,
Alcobaça, contra um empreendimento numa falésia, foi indeferida pelo
Tribunal Administrativo de Leiria (TAL), revelou hoje a autarquia.
Segundo Carlos Bonifácio, vereador das Obras Particulares da Câmara de
Alcobaça, o TAL considerou que o licenciamento da obra cumpriu a
legislação, pelo que foi indeferida a acção movida pelos moradores,
que contestam a construção, alegando violação do Plano de Ordenamento
da Orla Costeira (POOC) e do Plano Director Municipal (PDM).
"A Câmara estava convicta que tinha agido correctamente e de acordo
com a lei", explicou Carlos Bonifácio, salientando que esta
providência cautelar acabou por salvaguardar a posição da autarquia no
processo.
Em causa está a aprovação de uma urbanização com vários apartamentos
numa falésia sobre a Mina do Azeiche, na freguesia de Pataias.
No entanto, quando o empreiteiro solicitou a autorização da Câmara
para iniciar o projecto, o POOC ainda não tinha sido aprovado pelo que
a falésia ainda não estava classificada como Reserva Ecológica
Nacional.
Em análise está ainda uma outra providência cautelar interposta pelos
populares, solicitando ao próprio tribunal que se pronuncie sobre esta
matéria.
Neste caso, o TAL considerou-se incompetente para julgar, mas o
Tribunal Central Administrativo remeteu de novo o processo à primeira
instância para que haja uma nova decisão.
Para Domingos Patacho, dirigente do Núcleo da Quercus do Ribatejo e
Estremadura, o indeferimento da providência cautelar pode levar à
manutenção futura do empreendimento, já que qualquer nova decisão
favorável aos moradores será difícil de executar depois desses novos
apartamentos serem vendidos.
"Foi uma decisão em desconformidade com o bom senso, que criou uma
situação de facto consumado", porque depois de o "edifício estar
concluído" é "difícil demoli-lo", acrescentou.
Além desta questão, o dirigente ambientalista lamentou o atraso no
julgamento e decisão desta providência cautelar, que foi interposta em
Março mas só em Dezembro teve uma sentença final.
"Todos estes atrasos na decisão judicial vêm penalizar o ordenamento
do território".
Em paralelo, os moradores moveram uma acção popular contra a obra, que
ainda não começou a ser julgada, mas Domingos Patacho teme que
eventuais atrasos da justiça conduzam a uma "situação irreversível"
que "beneficia o infractor".
Publicado por jgomes às 10:43 PM | Comentários (2)
janeiro 06, 2005
Vistas no Parque Natural do Alvão
Portugal, Parque Natural do Alvão, 1 de Janeiro de 2005
A apenas 1 hora de distância do Porto, o Parque Natural do Alvão
transcende em paisagem a sua relativa reduzida dimensão (apenas 7000
hectares!). Abrange uma área partilhada por Vila Real e Mondim de
Basto e, entre outros pontos, sugere-se o percurso que fizemos no
primeiro fim-de-semana do ano:
1 - Estrada Nacional 304 (do IP4 para Mondim de Basto) - A Estrada não
pertence ao Parque, mas é uma estrada que vale a pena ser percorrida
pelo seu traçado e pelas vistas da serra do Marão;
2 - Em Ermelo virar à direita e subir a Serra do Alvão para a aldeia de Barreiro;
3 - Fazer um pequeno percurso a pé até Lamas de Olo, uma aldeia serrana praticamente intacta e bem cuidada!
Claro que há mais pontos a visitar (Fisgas de Ermelo, etc). Mas que as
fotos e este link aguvem o apetite por um fim-de-semana a desfrutar de boa paisagem!
Portugal, Parque Natural do Alvão, 1 de Janeiro de 2005
Portugal, Parque Natural do Alvão, 1 de Janeiro de 2005
Publicado por jgomes às 01:38 PM | Comentários (3)
janeiro 03, 2005
VIstas solidárias
Assistência Médica Internacional:
Banco Espírito Santo – nº 015/40000/0006
Multibanco - entidade 20909 e referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços
Tranferência bancária para o BES - NIB 000700150040000000672
”SOS Crianças da Ásia” da UNICEF:
Caixa Geral de Depósitos – NIB 003501270002824123054
Caritas ajuda vítimas do Sudeste asiático:
Caixa Geral de Depósitos – NIB 003506970063091793082
Apelo emergência da Cruz Vermelha:
Banco Português de Investimento – NIB 001000001372227000970
Desde 26 de Dezembro,que nos questionamos sobre a pertinência de editar ou não, num blogue amador e de ínfimo alcance como é o vista na paisagem, uma entrada sobre o Tsunami na Ásia e os seus efeitos devastadores. Havia várias possíveis entradas fáceis de escrever relacionadas com o âmbito algo "especializado"deste blogue, mas obviamente todas elas seriam ridículas face á dimensão esmagadora da catástrofe.
Mas escrever entradas acerca da paisagem ou do ordenamento do território não o é menos quando sabemos que 150 000 pessoas morreram e milhões lutam pela sobrevivência. Nestas alturas conclui-se que, mesmo com as vistas "especializadas" todos deveríamos estar, nem que seja por breve segundos, sintonizados na cadeia de solidariedade internacional.
O Ínfimo, mínimo, ridiculo contributo do vistas na paisagem é deixar, sem qualquer pretensão, as referencias publicadas no Publico, para as contas de solidariedade e ajuda aos países afectados. Se houver um cêntimo transferido em resultado desta entrada, está cumprido o objectivo de por um breve momento contribuir também para que o sentimento de pertença a uma só espécie humana cresça e se difunda.
Publicado por jgomes às 11:22 PM | Comentários (0)