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outubro 20, 2004
Vistas na paisagem no alternativa.weblog.com.pt
Quem acompanha o blogue vistas na paisagem, e sobretudo quem me conhece pessoalmente sabe que este blogue é, como tantos e tantos outros, apenas e simplesmente um blogue de alguém que acredita que a blogoesfera é uma oportunidade única e poderosa de expressão/difusão de ideias numa teia de pessoas em rede que de forma caótica se "conectam" momentaneamente ou não aos mais diversos níveis.
Além do fascínio pela tecnologia, tenho, como é notória, a veleidade de pensar que acções inicialmente isoladas podem ser agregadas e com isso contribuir para influenciar, por milimétrica que seja essa influência, a realidade. É nessa perspectiva que dou por muito bem empregues as noites em que fico ao computador até mais tarde. E é nessa perspectiva também que aderi ao blogue "alternativa". Um blogue, que concentra num ponto da rede os contributos de todos os que consideram ser possível ter um papel mais activo na sociedade portuguesa e que, como tal, tem as portas abertas a todos os que lá quiserem entrar.
Deixo aqui o link para o blogue bem como cópia da entrada que lá editei a propósito de Ambiente e Ordenamento do Território. Tudo generalidades, sem qualquer inovação mas que são uma síntese de um ano de vistas na paisagem. Enfim, um grão de poeira na imensidão do espaço! Esta cópia abaixo é a primeira e única cópia. As entradas que escrever futuramente para o blogue alternativa serão exclusivas deste pelo que nada melhor que o linkarem directamente.
Rio Sabor - imagem publicada no blogue vistas na paisagemem 8 de Outubro de 2004.
Sendo editor do blogue vistas na paisagem há cerca de 14 meses, não é difícil escrever uma entrada a indexar às categorias de política ambiental e ordenamento do território. A "dificuldade" só existe porque é a primeira entrada nestas categorias de um blogue que se denomina "alternativa": um resultado palpável da iniciativa de cidadãos que, não se conhecendo pessoalmente, interagem de forma inovadora no espaço virtual da blogoesfera partilhando as suas preocupações e perspectivas sobre algo muito concreto e tangível: o país e a sociedade em que vivemos.
Neste âmbito aliás, penso que no essencial, a blogoesfera na sua totalidade ensaia já a ideia de alternativa. Quem desde o Verão de 2003 - altura do boom - escreve continua e sistematicamente, escreve porque não se conforma a guardar para si o que vai pensando sobre os diferentes assuntos. Não que tenha sistematicamente ideias brilhantes nunca dantes ouvidas, mas simplesmente porque quer adicionar a sua voz a um "movimento" que acredita poder influenciar a realidade "aqui" e "agora". Ou, por outras palavras, que pode ter um papel activo na construção do futuro.
É pois nesta perspectiva que escrevo esta entrada. Como não irei juntar nenhuma ideia genial, tomo apenas a responsabilidade de ser por ora um escrivão que resume e sintetiza coisas que já foram ditas incontáveis vezes por milhares de cidadãos e organizações (destaco a LPN e Quercus, entre outras)relativamente à inexistência de uma política ambiental global na qual se inclui necessariamente o ordenamento do Território. Coisas de bom senso na maior parte dos casos, mas que por incrível que pareça, a nossa elite dirigente nunca conseguiu por em prática ao longo destes 30 anos de Democracia.Para não fazer referência aos multiplos exemplos em que se recuou. Chegados aqui a 2004, e enquanto o mínimo não for alcançado, será sempre pertinente existirem vozes de cidadãos a exigirem uma alteração radical ao modo como gerimos o nosso bem mais precioso a seguir à população: O território.
Mais do que pertinente, expressar esta exigência é uma obrigação de cidadania que deve ser praticada sem transigências:
- Porque a humanidade só evolui de facto se adoptar uma perspectiva de profundo respeito pelo espaço e ecossistema em que lhe é dado viver;
- Porque no caso concreto do nosso país/sociedade, todos temos o direito de viver num território ordenado e ecologicamente sustentado.
Pelo primeiro objectivo luta-se porque se pertence á espécie humana. Pelo segundo luta-se porque se é Português: o respeito pelo ambiente, pela paisagem, pela habitabilidade dos aglomerados urbanos, etc, é uma obrigação e um direito de memória colectiva- algo que é fundamental para nos compreendermos hoje enquanto sociedade e, sobretudo, nos perspectivarmos enquanto país com um projecto de futuro.
Tudo o que ficar abaixo desta fasquia é transigir! E neste âmbito considero que todos deveriamos ser radicais. Por uma questão de futuro. Não a 4 anos, não a 40 anos, mas a 400 e 4000 anos! Isso é que é projecto na escala de um território! Para finalizar e porque a entrada já vai longa, um excerto do artigo 66 da nossa Constituição, para que os mais cínicos acerca do mundo em que vivem não julguem que pensar assim é sonhar acordado. Não é. Pelo contrário são direitos escritos. Só falta por em pratica e exigir que sejam postos em pratica:
Artigo 66.º
(Ambiente e qualidade de vida)
1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente
equilibrado e o dever de o defender.
2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento
sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o
envolvimento e a participação dos cidadãos:
a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas
prejudiciais de erosão;
b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma
correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento
sócio-económico e a valorização da paisagem;
c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem
como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a
conservação da natureza e a preservação de valores culturais de
interesse histórico ou artístico;
Constituiçao da Republica Portuguesa
Entrada editada por Joao Gomes, editor de Vistas na paisagem.
Publicado por jgomes às outubro 20, 2004 10:37 PM