« "Surrender to Lusitanea and the crazy people - spot IV e último | Entrada | A Destruiçao da paisagem - Um reflexo da profunda injustiça da sociedade portuguesa »

outubro 08, 2004

A paz na Terra depende da nossa capacidade de cuidarmos do nosso ambiente...

21-RiosaborIII.JPG
Rio Sabor - imagem publicada neste blogue em 16 de junho 2004.

Referencia ao facto de o prémio Nobel da paz ter sido atribuído pela primeira vez a uma ambientalista. Wangari Maathai, uma Queniana que durante 30 anos promoveu e comprovou no terreno a estreita ligação entre ambiente/desenvolvimento sustentável e a paz. Um facto importante mas demasiado longínquo das nossas atenções.

Hoje e desde há uma semana, escrever sobre paisagem ou outro assunto que não seja Marcelo Rebelo De Sousa é literalmente pregar no deserto! São os "senãos" de um blogue que tem por compromisso não se deter demasiado pelas paisagens políticas. Uma "linha editorial" definida desde o início por duas razões simples: 1) já existem muitos e bons blogues generalistas ou especializados sobre o assunto e 2) porque de facto não tenho em muito boa conta o que observo nas nossas político-partidárias e não me revejo de todo na qualidade da nossa democracia.

Mas como é evidente as coisas estão ligadas Uma das razões da existência deste blogue é a indignação intransigente pelo estado do ordenamento do nosso país, pela certeza de que a maior parte dos erros que se fizeram e em que hoje se persiste eram e são evitáveis; pela certeza cada vez mais crescente de que o actual estado de depredação dos nossos mais importantes recursos foi e é da responsabilidade da mediocridade que grassou e grassa em todas as instituições que tinham a responsabilidade de os defender.

Ontem, o programa de Luísa Shmidt, Portugal - Um retrato ambiental, dedicado ás aguas, foi mais uma hora de insuportáveis constatações. Imagens de arquivo dos anos 70 e 80 (que eu não conhecia) a alertarem desesperadamente contra os crimes na Ria de Aveiro, no Tejo, no Rio Liz e no Ave, e em tantos outros. programas em que Miguel Sousa Tavares tinha de ouvir sem explodir uma representante dos industriais de Aveiro; programas em que o Eng. Veloso acreditava em vão na generosidade de abutres que também eram administradores de celuloses.

Quem governou Portugal nestes 30 anos foi o Bloco Central. O PS e o PSD. Foram eles que permitiram que Portugal hoje tenha 70% dos seus cursos de água altamente poluídos e os restantes 30% medianamente(!) poluídos. Foram eles que geriram os milhões que vieram da União Europeia e cujo resultado está á vista de todos: Na Europa, Portugal é o Pais cuja situação dos seus cursos de água é mais preocupante.

Como é evidente os partidos são feitos de pessoas. Há lá gente decente e indecente. tal qual como no resto da sociedade: Os crimes acima também tiveram a preciosa colaboração de outras tantas pessoas que activa, passiva ou negligentemente permitiram que Portugal chegasse a este ponto de catástrofe.
No entanto, no entanto o que os partidos não podem escamotear ou aligeirar é o seu grau de responsabilidade. E o facto é que por maior que seja a renovação ao nível dos seus dirigentes, a verdade é que muitos dos seus dirigentes e barões foram os lideres da irresponsabilidade de ontem. A minha opinião é a de que se os partidos desempenharam um papel importante, todo esse capital foi desbaratado pela sua recusa em desenvolverem e aprofundarem os princípios da democracia. Hoje, os lideres dos principais partidos são escolhidos e identificados à porta fechada. Com a meritória excepção do PS, mas ainda assim insatisfatória porque apenas 35 000 pessoas votaram.

E é por pensar isto que não consigo deixar de me identificar com a iniciativa do blogue adufe: Uma alternativa ao Bloco central já! Não é um partido, não é uma revolução é um acto de cidadania de quem se recusa a atirar a toalha ao chão aos 30 anos! Rui, Nelson e demais promotores, o editor de vistas na paisagem vai registar-se já de seguida!

Publico On line 8/10/2004


Pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz
Nobel da Paz para ecologista queniana Wangari Maathai

A militante ecologista queniana Wangari Maathai foi hoje laureada pela Academia Sueca com o Nobel da Paz, "pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz".

“A paz na Terra depende da nossa capacidade de cuidarmos do nosso ambiente. Maathai está na linha da frente da luta para a promoção de um desenvolvimento social, económico e cultural viável, no Quénia e em África. Ela adoptou uma visão global no que toca ao desenvolvimento sustentado, envolvendo a democracia, os direitos humanos e os direitos das mulheres em particular. Ela pensa globalmente e actua localmente”, destaca o comité Nobel.

Maathai foi uma forte opositora do ex-regime opressivo queniano e serviu de inspiração a muitas pessoas na luta pelos direitos democráticos e encorajou especialmente as mulheres a lutarem pelos seus direitos. Maathai é a primeira africana a vencer o Nobel, e a 12ª mulher a consegui-lo.

Maathai combina ciência, compromisso social e política activa. Mais do que se limitar a proteger o ambiente, a sua estratégia é assegurar e alargar as bases do desenvolvimento sustentável. A laureada com o Nobel fundou o Movimento Cinto Verde, com o qual mobilizou, há já 30 anos, mulheres pobres a plantar 30 milhões de árvores. Os seus métodos foram já adoptados noutros países.

“Estamos todos conscientes da forma como a desflorestação leva à desertificação em África e ameaça outras regiões do mundo – incluindo a Europa. Proteger as florestas contra a desertificação é um factor vital na luta para a fortificação do ambiente vivo no nosso Planeta”, sublinha a Academia Sueca.

Através da educação, planeamento familiar, nutrição e luta contra a corrupção, o Movimento Cinto Verde abriu caminho em direcção ao desenvolvimento, considera a Academia Sueca, que estimou ainda que “Maathai (64 anos) é uma voz forte que fala pelas melhores vozes de África, promovendo a paz e as boas condições de vida nesse continente”.

Publicado por jgomes às outubro 8, 2004 09:00 PM

Comentários

O país está um caos, o povo não percebe, não se importa. è a imbecibilidade de um país não politizado...

Publicado por: polittikus às outubro 11, 2004 01:59 PM