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outubro 15, 2004

A Destruiçao da paisagem - Um reflexo da profunda injustiça da sociedade portuguesa

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Portugal, Alenquer - Carregado, imagem publicada neste blogue em 19 de Setembro de 2004

Portugal - Um retrato ambiental, chegou ontem ao fim. Quarto e ultimo programa, dedicado à paisagem e aos inacreditáveis atropelos a que os portugueses são forçados a assistir e a "comer" como sinónimo de progresso e desenvolvimento. Uma hora de sofrimento em que se toma conhecimento das posições publicamente manifestadas por tantos durante as décadas de 70 e 80. Ouvi-los e vê-los a esta distância é um exercício que põe à prova as nossas ideias acerca da natureza humana e da estupidez. Simplesmente custa a aceitar que ideias límpidas como o bom senso tenham sido (e sejam ainda hoje) ultrapassadas pelos interesses de um conjunto de pessoas que se considerou com direito a enriquecer às custas do bem comum.

Como alguém dizia, planear em Portugal é no essencial uma questão de falta de justiça. I.e Houve e há pessoas (autarcas, particulares promotores imobiliários, etc) que por egoísmo e ganância e a coberto da incúria e do relaxe constroem o que querem, como querem e onde querem. Sem que ninguém os pare. Não há fiscalização, não há multas dignas do nome e quando as há compensa pagá-las. Isto é, tão só e apenas, uma expressão de profunda, profundíssima injustiça. Alguém que se serve do património de todos, que foi construído ao longo de gerações e que já não será legado à vindoura.

No final de Agosto, Miguel Sousa Tavares ensaiava nas páginas do Público uma lista de 50 medidas que ele poria em prática se fosse primeiro ministro. Dessas 50, sou naturalmente mais sensível às relacionadas com as questões do território. Cada uma merecia a existência de um blogue exclusivo. Enquanto tal não acontece, irei salientar algumas das medidas que subscrevo sem qualquer hesitação. Aqui vai a primeira. Concreta, sem adjectivação e que só não está em prática porque o bloco central que nos governa há pelo menos 30 anos assim o não quis. E basta este facto, para que PS e PSD percam toda credibilidade quando nos seus programas eleitorais sustentam medidas de defesa da paisagem. Se em 30 anos não o fizeram.......

Aqui vai então:

" Fim do financiamento das autarquias através da construção (contribuição autárquica e sisa) e seu financiamento directamente pelo OGE, segundo critérios objectivos (população, área, grau de desenvolvimento) e de qualidade (infra-estruturas disponíveis, planeamento urbanístico, qualidade de vida, preservação ambiental, arquitectónica e paisagística);"

Miguel Sousa Tavares, Público, 27 de Agosto de 2004

A medida acima publicada em Agosto 2004, foi e é defendida muitas mais vezes por muitos outros. Ontem mesmo Carlos Pimenta no programa Portugal - Um retrato ambiental, referia-a por outras palavras. Está à vista de todos. Só não tem estado à vista do legislador, aparentemente refém de interesses que, esses sim, tudo fazem para não estar á vista. Mas que, de tão gordos, mal se conseguem esconder.

Nota:
É uma pena o texto de Miguel Sousa Tavares não estar on- Line. E é uma pena que o programa de ontem não passe todos os dias. Se tal acontecesse o vistas encerrava de imediato e com um sorriso de satisfação do seu editor. Infelizmente, desconfio que daqui a vinte anos, quando se fizer um programa com imagens de arquivo dos 4 programas de Luísa Shmidt passados recentemente, muitos espectadores vão ficar surpreendidos com a antiguidade dos problemas e a clareza das soluções. Tal como eu fiquei ontem. A ideia do Vistas na paisagem é precisamente contribuir para colmatar essa falta e não deixar a preocupação arquivada no papel dos jornais nem do espaço da emissão em continuo da RTP.

Publicado por jgomes às outubro 15, 2004 06:53 PM

Comentários

Foi uma série fanástica. Não seria de escrever à RTP e sugerir a venda em DVD com um jorn, a exmplo de iniciativas semelhantes? Aproveito a oportunidade para informar que acrescentei o Visats na Paisagem aos links do Ondas.

Publicado por: OLima às outubro 17, 2004 12:41 AM

Será que alguem se lembra da data em que saiu o referido texto de MST? Gostava imenso de o ler...

Publicado por: Carlos Simoes às novembro 11, 2004 07:10 PM