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outubro 22, 2004
Sempre a partir em.... Alcobaça!!
Alcobaça está definitivamente na competiçao das terras cujas autarquias mais se esforçam para destruir o que ainda têm (Algumas já saíram da prova porque destruíram tudo entretanto!) Abaixo deixo-vos na integra uma notícia que Pedro Barros leu no Jornal de Noticias e que me enviou para a caixa de correio. Gravo-a abaixo como uma prova irrefutável da irresponsabilidade de uma Câmara que depois de destruir o que podia na linha de costa (S. Martinho do Porto; praias a Norte da Nazaré, etc) prossegue a táctica no "interior" do concelho.
Uma vez mais, a mesma técnica: Arranja-se um terreno sobre a RAN ou a REN (não interessa), faz-se o projecto, criam-se as expectativas, e depois pede-se a desafectação. Se a administração central não ceder é porque está a inviabilizar o desenvolvimento. Simples, criminoso e sem consequências de maior. Ao fim de oito anos sempre a partir tem-se a reforma por inteiro!
É por exemplos destes que se deve perguntar ao autor do projecto de reforma da RAN e da REN, Arq. Sidónio Pardal, para que é que se necessita de dar mais poderes ás autarquias nestas matérias!
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JN - 2004.10.20
Empresas vão para reserva ecológica
A maioria do PSD na Assembleia Municipal de Alcobaça viabilizou, anteontem à noite, a aquisição da Quinta da Serra, um terreno de 160 hectares inscrito em Reserva Ecológica Nacional (REN) que permitirá a implantação da Área de Localização Empresarial (ALE) da Benedita. Com 21 votos a favor, o PSD fez aprovar uma proposta polémica, que recebeu sete votos conta e três abstenções.
A controversa instalação da ALE na Benedita animou a Assembleia Municipal, com vários deputados a defenderem o adiamento da proposta. O terreno em causa vai custar cinco milhões de euros à Câmara de Alcobaça que, depois do visto do Tribunal de Contas, ainda terá de pedir a desafectação dos 160 hectares ao Ministério do Ambiente, Instituto de Conservação da Natureza e Comissão Nacional de Reserva Ecológica.
Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara, admitiu que esta é uma operação com muita «complexidade», reconhecendo ser «difícil, senão mesmo impossível, definir um horizonte temporal com um mínimo de precisão para a consecução deste objectivo».
O líder da bancada socialista, José Canha, justificou o voto contra pelo «preço» do terreno e lembrou que um estudo da Roland Berger defendia uma área empresarial de apenas 40 hectares. Do lado da CDU, Basílio Martins alertou para uma das alíneas do acordo com os proprietários, que prevê que em caso de impossibilidade de desafectação do terreno, a Câmara terá de pagar mais 1,5 milhões de euros ao proprietário.
Basílio Martins salientou, ainda, o movimento de empresários de Turquel que «tinham os mesmos 100 hectares de terreno, a custo zero, fora do parque natural, a poucos quilómetros da Quinta da Serra», projecto 'chumbado' pela Câmara."
Nota: Nao encontrei o site sobre Alcobaça, mas aqui fica um link para um blogue: Mais Alcobaça.
Publicado por jgomes às 07:58 PM | Comentários (0)
outubro 20, 2004
Vistas na paisagem no alternativa.weblog.com.pt
Quem acompanha o blogue vistas na paisagem, e sobretudo quem me conhece pessoalmente sabe que este blogue é, como tantos e tantos outros, apenas e simplesmente um blogue de alguém que acredita que a blogoesfera é uma oportunidade única e poderosa de expressão/difusão de ideias numa teia de pessoas em rede que de forma caótica se "conectam" momentaneamente ou não aos mais diversos níveis.
Além do fascínio pela tecnologia, tenho, como é notória, a veleidade de pensar que acções inicialmente isoladas podem ser agregadas e com isso contribuir para influenciar, por milimétrica que seja essa influência, a realidade. É nessa perspectiva que dou por muito bem empregues as noites em que fico ao computador até mais tarde. E é nessa perspectiva também que aderi ao blogue "alternativa". Um blogue, que concentra num ponto da rede os contributos de todos os que consideram ser possível ter um papel mais activo na sociedade portuguesa e que, como tal, tem as portas abertas a todos os que lá quiserem entrar.
Deixo aqui o link para o blogue bem como cópia da entrada que lá editei a propósito de Ambiente e Ordenamento do Território. Tudo generalidades, sem qualquer inovação mas que são uma síntese de um ano de vistas na paisagem. Enfim, um grão de poeira na imensidão do espaço! Esta cópia abaixo é a primeira e única cópia. As entradas que escrever futuramente para o blogue alternativa serão exclusivas deste pelo que nada melhor que o linkarem directamente.
Rio Sabor - imagem publicada no blogue vistas na paisagemem 8 de Outubro de 2004.
Sendo editor do blogue vistas na paisagem há cerca de 14 meses, não é difícil escrever uma entrada a indexar às categorias de política ambiental e ordenamento do território. A "dificuldade" só existe porque é a primeira entrada nestas categorias de um blogue que se denomina "alternativa": um resultado palpável da iniciativa de cidadãos que, não se conhecendo pessoalmente, interagem de forma inovadora no espaço virtual da blogoesfera partilhando as suas preocupações e perspectivas sobre algo muito concreto e tangível: o país e a sociedade em que vivemos.
Neste âmbito aliás, penso que no essencial, a blogoesfera na sua totalidade ensaia já a ideia de alternativa. Quem desde o Verão de 2003 - altura do boom - escreve continua e sistematicamente, escreve porque não se conforma a guardar para si o que vai pensando sobre os diferentes assuntos. Não que tenha sistematicamente ideias brilhantes nunca dantes ouvidas, mas simplesmente porque quer adicionar a sua voz a um "movimento" que acredita poder influenciar a realidade "aqui" e "agora". Ou, por outras palavras, que pode ter um papel activo na construção do futuro.
É pois nesta perspectiva que escrevo esta entrada. Como não irei juntar nenhuma ideia genial, tomo apenas a responsabilidade de ser por ora um escrivão que resume e sintetiza coisas que já foram ditas incontáveis vezes por milhares de cidadãos e organizações (destaco a LPN e Quercus, entre outras)relativamente à inexistência de uma política ambiental global na qual se inclui necessariamente o ordenamento do Território. Coisas de bom senso na maior parte dos casos, mas que por incrível que pareça, a nossa elite dirigente nunca conseguiu por em prática ao longo destes 30 anos de Democracia.Para não fazer referência aos multiplos exemplos em que se recuou. Chegados aqui a 2004, e enquanto o mínimo não for alcançado, será sempre pertinente existirem vozes de cidadãos a exigirem uma alteração radical ao modo como gerimos o nosso bem mais precioso a seguir à população: O território.
Mais do que pertinente, expressar esta exigência é uma obrigação de cidadania que deve ser praticada sem transigências:
- Porque a humanidade só evolui de facto se adoptar uma perspectiva de profundo respeito pelo espaço e ecossistema em que lhe é dado viver;
- Porque no caso concreto do nosso país/sociedade, todos temos o direito de viver num território ordenado e ecologicamente sustentado.
Pelo primeiro objectivo luta-se porque se pertence á espécie humana. Pelo segundo luta-se porque se é Português: o respeito pelo ambiente, pela paisagem, pela habitabilidade dos aglomerados urbanos, etc, é uma obrigação e um direito de memória colectiva- algo que é fundamental para nos compreendermos hoje enquanto sociedade e, sobretudo, nos perspectivarmos enquanto país com um projecto de futuro.
Tudo o que ficar abaixo desta fasquia é transigir! E neste âmbito considero que todos deveriamos ser radicais. Por uma questão de futuro. Não a 4 anos, não a 40 anos, mas a 400 e 4000 anos! Isso é que é projecto na escala de um território! Para finalizar e porque a entrada já vai longa, um excerto do artigo 66 da nossa Constituição, para que os mais cínicos acerca do mundo em que vivem não julguem que pensar assim é sonhar acordado. Não é. Pelo contrário são direitos escritos. Só falta por em pratica e exigir que sejam postos em pratica:
Artigo 66.º
(Ambiente e qualidade de vida)
1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano, sadio e ecologicamente
equilibrado e o dever de o defender.
2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento
sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o
envolvimento e a participação dos cidadãos:
a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas
prejudiciais de erosão;
b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma
correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento
sócio-económico e a valorização da paisagem;
c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem
como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a
conservação da natureza e a preservação de valores culturais de
interesse histórico ou artístico;
Constituiçao da Republica Portuguesa
Entrada editada por Joao Gomes, editor de Vistas na paisagem.
Publicado por jgomes às 10:37 PM | Comentários (0)
outubro 19, 2004
Mais Eucaliptos e o deserto do Sara líder na produçao de gelo!!!
Portugal, 20% da floresta portuguesa em 2004 é assim!
Lê-se, relê-se e não se acredita. Mas a verdade é que está lá, a preto e branco, na edição do jornal expresso do fim de semana passado (edição 1668), a notícia "Pinheiro dá prioridade ao Eucalipto". Pinheiro, é Luís Pinheiro, Secretário de Estado das Florestas deste governo empossado por Jorge Sampaio. Um secretário de Estado no ministério da Agricultura mas ao serviço da Industria da pasta de papel. Transcrevo parte do texto, disponível on line :
"Para prevenir uma provável escassez de matéria-prima para a indústria papeleira, o Governo quer estimular a renovação da mancha florestal de eucalipto e anuncia mesmo que vai criar incentivos aos proprietários que façam a substituição das suas culturas..."
Isto é, o Secretário de Estado não está preocupado com a floresta, nem com os fogos, nem com o desenvolvimento rural da secretaria de estado ao lado, nem com o ambiente . Está preocupado é com a possivel falta de matéria prima para a...... Industria papeleira!!
- Numa altura em que é claro (aliás sempre foi claro!) que o problema dos fogos florestais é um problema de ordenamento florestal e da exploração intensiva da monocultura;
- Numa altura em que se sabe da pobreza ecológica dos povoamentos à base de monocultura do Eucalipto ,
- Numa altura em que Portugal tem já 700.000 hectares, 20% da sua floresta , preenchida com Eucaliptos ( Nos anos 80, o FMI que não é propriamente conhecido pelas suas preocupações ambientalistas, propunha que Portugal plantasse 500. 000 hectares....) (consultar a este proposito dados do INE)
- Numa altura em que ninguém sabe ainda quais são os planos de reaproveitamento e recuperação dos solos já destruídos, como, por exemplo, os da Serra de Monchique,
- Numa altura em que Portugal sabe, e as organizações ambientalistas (LPN e Quercus)estão fartas de o propor, que a reposição da floresta original é a única medida de bom senso que Portugal poderia tomar,
- Numa altura em que Portugal diz que quer ser o 10º destino turístico mais procurado do mundo, mas não tem uma única política, florestal e ambiental nomeadamente, alinhada com esse propósito,
O Secretário de Estado das Florestas deste país preocupa-se a pensar como é que há-de motivar proprietários particulares a plantar uma espécie cujas rentabilidades já são por regra bastante acima das alcançadas com outras espécies! Tudo isto num pais mediterrânico cujos solos e climas não estão nem estarão vocacionados para esta espécie!!
Para que se tenha a noção do absurdo só recorrendo a uma metáfora. Que tal incentivar o deserto do Sara a concorrer no negócio das estâncias de Ski e produção de gelo????Hummm, que tal lhe parece Sr. Pinheiro?????
Publicado por jgomes às 07:54 PM | Comentários (1)
outubro 15, 2004
A Destruiçao da paisagem - Um reflexo da profunda injustiça da sociedade portuguesa
Portugal, Alenquer - Carregado, imagem publicada neste blogue em 19 de Setembro de 2004
Portugal - Um retrato ambiental, chegou ontem ao fim. Quarto e ultimo programa, dedicado à paisagem e aos inacreditáveis atropelos a que os portugueses são forçados a assistir e a "comer" como sinónimo de progresso e desenvolvimento. Uma hora de sofrimento em que se toma conhecimento das posições publicamente manifestadas por tantos durante as décadas de 70 e 80. Ouvi-los e vê-los a esta distância é um exercício que põe à prova as nossas ideias acerca da natureza humana e da estupidez. Simplesmente custa a aceitar que ideias límpidas como o bom senso tenham sido (e sejam ainda hoje) ultrapassadas pelos interesses de um conjunto de pessoas que se considerou com direito a enriquecer às custas do bem comum.
Como alguém dizia, planear em Portugal é no essencial uma questão de falta de justiça. I.e Houve e há pessoas (autarcas, particulares promotores imobiliários, etc) que por egoísmo e ganância e a coberto da incúria e do relaxe constroem o que querem, como querem e onde querem. Sem que ninguém os pare. Não há fiscalização, não há multas dignas do nome e quando as há compensa pagá-las. Isto é, tão só e apenas, uma expressão de profunda, profundíssima injustiça. Alguém que se serve do património de todos, que foi construído ao longo de gerações e que já não será legado à vindoura.
No final de Agosto, Miguel Sousa Tavares ensaiava nas páginas do Público uma lista de 50 medidas que ele poria em prática se fosse primeiro ministro. Dessas 50, sou naturalmente mais sensível às relacionadas com as questões do território. Cada uma merecia a existência de um blogue exclusivo. Enquanto tal não acontece, irei salientar algumas das medidas que subscrevo sem qualquer hesitação. Aqui vai a primeira. Concreta, sem adjectivação e que só não está em prática porque o bloco central que nos governa há pelo menos 30 anos assim o não quis. E basta este facto, para que PS e PSD percam toda credibilidade quando nos seus programas eleitorais sustentam medidas de defesa da paisagem. Se em 30 anos não o fizeram.......
Aqui vai então:
" Fim do financiamento das autarquias através da construção (contribuição autárquica e sisa) e seu financiamento directamente pelo OGE, segundo critérios objectivos (população, área, grau de desenvolvimento) e de qualidade (infra-estruturas disponíveis, planeamento urbanístico, qualidade de vida, preservação ambiental, arquitectónica e paisagística);"
Miguel Sousa Tavares, Público, 27 de Agosto de 2004
A medida acima publicada em Agosto 2004, foi e é defendida muitas mais vezes por muitos outros. Ontem mesmo Carlos Pimenta no programa Portugal - Um retrato ambiental, referia-a por outras palavras. Está à vista de todos. Só não tem estado à vista do legislador, aparentemente refém de interesses que, esses sim, tudo fazem para não estar á vista. Mas que, de tão gordos, mal se conseguem esconder.
Nota:
É uma pena o texto de Miguel Sousa Tavares não estar on- Line. E é uma pena que o programa de ontem não passe todos os dias. Se tal acontecesse o vistas encerrava de imediato e com um sorriso de satisfação do seu editor. Infelizmente, desconfio que daqui a vinte anos, quando se fizer um programa com imagens de arquivo dos 4 programas de Luísa Shmidt passados recentemente, muitos espectadores vão ficar surpreendidos com a antiguidade dos problemas e a clareza das soluções. Tal como eu fiquei ontem. A ideia do Vistas na paisagem é precisamente contribuir para colmatar essa falta e não deixar a preocupação arquivada no papel dos jornais nem do espaço da emissão em continuo da RTP.
Publicado por jgomes às 06:53 PM | Comentários (2)
outubro 08, 2004
A paz na Terra depende da nossa capacidade de cuidarmos do nosso ambiente...
Rio Sabor - imagem publicada neste blogue em 16 de junho 2004.
Referencia ao facto de o prémio Nobel da paz ter sido atribuído pela primeira vez a uma ambientalista. Wangari Maathai, uma Queniana que durante 30 anos promoveu e comprovou no terreno a estreita ligação entre ambiente/desenvolvimento sustentável e a paz. Um facto importante mas demasiado longínquo das nossas atenções.
Hoje e desde há uma semana, escrever sobre paisagem ou outro assunto que não seja Marcelo Rebelo De Sousa é literalmente pregar no deserto! São os "senãos" de um blogue que tem por compromisso não se deter demasiado pelas paisagens políticas. Uma "linha editorial" definida desde o início por duas razões simples: 1) já existem muitos e bons blogues generalistas ou especializados sobre o assunto e 2) porque de facto não tenho em muito boa conta o que observo nas nossas político-partidárias e não me revejo de todo na qualidade da nossa democracia.
Mas como é evidente as coisas estão ligadas Uma das razões da existência deste blogue é a indignação intransigente pelo estado do ordenamento do nosso país, pela certeza de que a maior parte dos erros que se fizeram e em que hoje se persiste eram e são evitáveis; pela certeza cada vez mais crescente de que o actual estado de depredação dos nossos mais importantes recursos foi e é da responsabilidade da mediocridade que grassou e grassa em todas as instituições que tinham a responsabilidade de os defender.
Ontem, o programa de Luísa Shmidt, Portugal - Um retrato ambiental, dedicado ás aguas, foi mais uma hora de insuportáveis constatações. Imagens de arquivo dos anos 70 e 80 (que eu não conhecia) a alertarem desesperadamente contra os crimes na Ria de Aveiro, no Tejo, no Rio Liz e no Ave, e em tantos outros. programas em que Miguel Sousa Tavares tinha de ouvir sem explodir uma representante dos industriais de Aveiro; programas em que o Eng. Veloso acreditava em vão na generosidade de abutres que também eram administradores de celuloses.
Quem governou Portugal nestes 30 anos foi o Bloco Central. O PS e o PSD. Foram eles que permitiram que Portugal hoje tenha 70% dos seus cursos de água altamente poluídos e os restantes 30% medianamente(!) poluídos. Foram eles que geriram os milhões que vieram da União Europeia e cujo resultado está á vista de todos: Na Europa, Portugal é o Pais cuja situação dos seus cursos de água é mais preocupante.
Como é evidente os partidos são feitos de pessoas. Há lá gente decente e indecente. tal qual como no resto da sociedade: Os crimes acima também tiveram a preciosa colaboração de outras tantas pessoas que activa, passiva ou negligentemente permitiram que Portugal chegasse a este ponto de catástrofe.
No entanto, no entanto o que os partidos não podem escamotear ou aligeirar é o seu grau de responsabilidade. E o facto é que por maior que seja a renovação ao nível dos seus dirigentes, a verdade é que muitos dos seus dirigentes e barões foram os lideres da irresponsabilidade de ontem. A minha opinião é a de que se os partidos desempenharam um papel importante, todo esse capital foi desbaratado pela sua recusa em desenvolverem e aprofundarem os princípios da democracia. Hoje, os lideres dos principais partidos são escolhidos e identificados à porta fechada. Com a meritória excepção do PS, mas ainda assim insatisfatória porque apenas 35 000 pessoas votaram.
E é por pensar isto que não consigo deixar de me identificar com a iniciativa do blogue adufe: Uma alternativa ao Bloco central já! Não é um partido, não é uma revolução é um acto de cidadania de quem se recusa a atirar a toalha ao chão aos 30 anos! Rui, Nelson e demais promotores, o editor de vistas na paisagem vai registar-se já de seguida!
Pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz
Nobel da Paz para ecologista queniana Wangari Maathai
A militante ecologista queniana Wangari Maathai foi hoje laureada pela Academia Sueca com o Nobel da Paz, "pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz".
“A paz na Terra depende da nossa capacidade de cuidarmos do nosso ambiente. Maathai está na linha da frente da luta para a promoção de um desenvolvimento social, económico e cultural viável, no Quénia e em África. Ela adoptou uma visão global no que toca ao desenvolvimento sustentado, envolvendo a democracia, os direitos humanos e os direitos das mulheres em particular. Ela pensa globalmente e actua localmente”, destaca o comité Nobel.
Maathai foi uma forte opositora do ex-regime opressivo queniano e serviu de inspiração a muitas pessoas na luta pelos direitos democráticos e encorajou especialmente as mulheres a lutarem pelos seus direitos. Maathai é a primeira africana a vencer o Nobel, e a 12ª mulher a consegui-lo.
Maathai combina ciência, compromisso social e política activa. Mais do que se limitar a proteger o ambiente, a sua estratégia é assegurar e alargar as bases do desenvolvimento sustentável. A laureada com o Nobel fundou o Movimento Cinto Verde, com o qual mobilizou, há já 30 anos, mulheres pobres a plantar 30 milhões de árvores. Os seus métodos foram já adoptados noutros países.
“Estamos todos conscientes da forma como a desflorestação leva à desertificação em África e ameaça outras regiões do mundo – incluindo a Europa. Proteger as florestas contra a desertificação é um factor vital na luta para a fortificação do ambiente vivo no nosso Planeta”, sublinha a Academia Sueca.
Através da educação, planeamento familiar, nutrição e luta contra a corrupção, o Movimento Cinto Verde abriu caminho em direcção ao desenvolvimento, considera a Academia Sueca, que estimou ainda que “Maathai (64 anos) é uma voz forte que fala pelas melhores vozes de África, promovendo a paz e as boas condições de vida nesse continente”.
Publicado por jgomes às 09:00 PM | Comentários (1)
outubro 06, 2004
"Surrender to Lusitanea and the crazy people - spot IV e último
Portugal, Crazy Lusitanea, armazém dedicado à decoração em plena reserva agrícola com a compreensão da autarquia (Batalha?/Leiria?) à beirinha da Estrada Nacional 1 na localidade de Vale Gracioso......
....Quarto e ultimo spot de uma série de colaborações que, comprovando o potencial da sociedade civil, disponibilizo gratuitamente ao Ministro do Turismo Telmo Correia, e a todas as demais entidades que dela quiserem beneficiar. Administraçao directa, indirecta, concentrada e desconcetrada, novas agencias de governação, e municípios de toda a faixa litoral e regiões de turismo.
Quatro spots feitos a pensar no mercado global e sob um lema bem reflectido, bem trabalhado e a custo zero para não agravar o défice nem pesar na novissima central de comunicação e imagem do governo: Surrender to Lusitanea and the crazy people!!!
Esta campanha dispõem-se, como facilmente se depreende das imagens publicadas, a dar uma ajudinha nesse grande desígnio nacional de nos transformarmos no 10º destino turístico do mundo, puxando sempre a brasa à sardinha de um mais que mercido papel central para a zona de Batalha/Leiria/MarinhaGrande/Portode Mós.
Abaixo, e sem mais delongas, 4 fotos de eleição. tudo preciosidades da falta de ordenamento, dos pseudo planos directores municipais que se limitam a legalizar a ganância de dezenas de proprietários e "empresários" armados em urbanizadores, a institucionalizar a miopia de autarcas mediocres e sem visão, a desbaratar criminosamente um dos poucos activos que temos: a paisagem.
Mas antes das imagens, aproveito para deixar um excerto de um texto em inglês, publicado no final de Agosto pelo blogue o Projecto. Tá lá, preto no branco o que lá fora se diz do nosso pais e em particular da faixa litoral. Tão bem resumido que acho mesmo que não é preciso desdobrar-me a arranjar texto de acompanhamento para quarto spot!!! É transcrever, passar ás rotativas e distribuir como pães quentes!!!
«Economic migration is still a hard fact of portuguese life, with successful émigrés often marking their return by building a house on a plot of land (the so called 'maisons de reve'). Yet the corrosive effects of this dislocation are evident. Portugal's rural interior remains chronically poor and depopulated, with 80 per cent of the country's population occupying a narrow coastal strip between Lisbon in the south and Viana do Castelo in the north. Somewhat alarmingly, this swathe of more or less continuous suburbia has become one of the most densely inhabited parts of Europe, but the rapidity, vapidity and intensity of such development is clearly not sustainable.
[...]
Portugal's urban landscape is not an inspiring sight, with many fine historic town centers in a dilapidated state, surrounded by chaotic peripheries interspersed with unimaginative new development.»
in Architectural Review, Julho 2004
Que severos........Vamos antes às fotos:
Portugal, Crazy Lusitanea, urbanização à beirinha de um cruzamento da ex estrada nacional 356, com a compreensão da autarquia da Batalha...
Portugal, Crazy Lusitanea, pormenor de como é belo o campo.... à beirinha da ex estrada nacional 356, a desorganização com a compreensao da autarquia da Batalha. O canto inferior esquerdo pertence à reserva ecologica, mas o proprietário ja mandou fazer um aterro para depois comerciar em mais meia duzia de casas geminadas.....
Portugal, Crazy Lusitanea, casa que serve de ilustraçao à habitaçao de sonho de qualquer familia modesta de Leiria, 400 metros quadrados cobertos para um(provavel) unico filho, feito no pinhal herdado dos avôs. Se nas matas atrás houver fogo e a maison estiver em risco não faz mal que o orçamento geral do Estado indemniza.
Publicado por jgomes às 08:54 PM | Comentários (1)
outubro 01, 2004
Portugal - Um retrato ambiental

Foto de Monchique, retirada sem autorizaçao do blogue silencio
Ontem, depois de acabar de escrever o spot III acerca das potencialidades turísticas da Lusitânia, mais concretamente da Batalha, estive a ver a série Portugal - Um retrato ambiental, cujo segundo programa tinha por subtítulo das catástrofes às fontes de energia. Ainda queria fazer um sopt IV, mas faço aqui uma interrupção no meu voluntariado na concepçao da campanha publicitária para o Ministro Telmo Correia.
Só quem viu, perceberá a minha satisfação ao ver um programa passado em horário semi-nobre a dar voz ao que também escrevíamos a propósito da Batalha e dos erros crassos que por lá se cometeram e ainda querem cometer ao construir em áreas REN e RAN; da impossibilidade em ser destino turistico digno desse nome enquanto a estratégia ambiental estvier desalinhada.
É provável que haja cépticos que já dissecaram os defeitos do episódio, eu, como não sou critico de televisão, limito-me a enunciar as qualidades. Tudo foi praticamente referido ( no meu entender a única lacuna foi não terem sido feitas referencias explicitas ás consequências ambientais altamente negativas de mais barragens em Portugal, com a do Sabor. Mas indirectamente, o problema foi referido ao ter ficado claro que o drama de Portugal é sobretudo um drama de ineficiencia energética nomeadamente no sector dos transporte). De resto o programa abordou os principais assuntos: a falta de planeamento e ordenamento na construção e nas florestas, a monocultura, os consequentes incêndios, e as inevitáveis inundações, a atitudesinha bem portuguesa de que o mal só acontece aos outros, a má qualidade geral, salvos excepçoes, dos políticos portugueses etc, etc.
Mas o que mais me impressionou foram duas cenas de arquivo com imagens de homens com H grande que figuram e figurarão sempre entre os melhores: 1) Gonçalo Ribeiro Teles em 1966 a explicar porque é que a RAN e A REN eram importantes. Há 40 anos atrás, a falar com a actualidade de hoje 2004. 2) O Eng. Sousa Veloso preocupado com a media anual de 40.000 hectares ardidos nos anos 80, quando em 2003 arderam 440.000 hectares.
40 anos depois de terem alertado de forma enérgica tudo e todos, o que pensarão eles deste país e dos seus conterrâneos?
Será que quem esteve no poder (central e local) tem a dignidade mínima de ter vergonha e pedir desculpas???
Para finalizar:
-os parabéns a Luiza Shmidt, Francisco Manso, realizador, e á RTP.
- o obrigado ao blogue silencio por colocar online as suas fotos
- a referencia ao blogue o rei vai nu, onde tive conhecimento deste programa.

Foto de Monchique, retirada sem autorizaçao do blogue silencio
Publicado por jgomes às 05:17 PM | Comentários (2)