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setembro 30, 2004

"Surrender to Lusitania & the crazy people" - spot III

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Portugal, comunidade urbana de Leiria, Batalha, Agosto de 2004

Welcome to Lusitania. Tudo o que daqui se avista é a Batalha sobre terras de aluvião do Vale do Lena. Outrora afecto à agricultura hoje em linha para a grande festa do imobiliário. Parte do que se vê teve génese semi-legal e aleatória. Parte está em campos que são leito de cheia, que fazem parte da REN e da RAN para chatice da autarquia local cujas visões avançadas para o seu desenvolvimento tive oportunidade de perceber na leitura de um jornal local:

Basicamente a ideia é expandir a zona urbana da vila, sem complexos e definitivamente, para a margem direita do "rio" Lena. Mas como, se tudo aquilo ainda está na RAN e na REN?, pergunta o leitor. Simples, Muito simples:
- Contrata-se um gabinete, ou pede-se a alguém que faça um croqui/projecto, de como aquela zona deverá estar (i.e urbanizada) e que possa ser publicado em papel jornal;
- Publica-se a intenção e divulgam-se os croquis.
- Há vozes cépticas? friza-se aquele plano também passa pelos espaços verdes hiper ecológicos.( mas que na realidade e na perspectiva desta região sao pouco mais que passeios ajardinados);
- Sendo certo que o resto é para urbanizar á séria (i.e - lógica do metro quadrado bem puxadinho)
- Arranja-se um nome sugestivo para o sonho: ...vitória?, aljubarrota? Mestre Afonso?...nãoooo!!... Mini-Pólis! Mini-Pólis para fazer lembrar a Expo 98 e a mega das megas operações imobiliárias á séria;
Por fim, e aqui é preciso cuidado para ninguém reparar na imensa lata....

- Fazem-se uns telefonemas a jornais amigos (que são todos!) e anuncia-se que só se está a aguardar que os Ministérios doAmbiente e da Agricultura desafectem os terrenos da RAN e da REN.

Ilações que qualquer cidadão pode e deve retirar, e das quais não convém duvidar:
- A autarquia é uma autarquia de visão, sim senhori;
- "Lisboa é muita má...isto só não se concretizou ainda porque administração central lá nos gabinetes é uma chata... Só faz Polis em Lisboa, não desanexa isto da RAN e da REN. Há cambada de funcionários públicos sentados no bem bom dos gabinetes... não conhecem a realidade local... só estão a atrasar o nosso desenvolvimento...."

De facto, e provavelmente, a administração central vai demorar anos a desafectar os ditos terrenos. Por buracracia talvez, mas porque também tem técnicos sérios e responsáveis. Emvão. já não têm hipóteses nenhumas de defender aquelas áreas da expectativa criada. pela pressão dos lobbies e porque a autarquia vai olhar para o lado quando alguém lá construir alguma coisa semi-legalmente. (do género daqui a 3 anos ou quatro: tão a ver... isto tudo já está tão semi-urbanizado... temos de intervir, isto é área urbana consumada sem dúvida nenhuma!! ).

Mas o problema de fundo, além da ocupação da RAN e da REN (apesar de isto ser muito grave, mais não seja porque são simplesmente as melhores terras agrícolas, e uma vez destruídas é uma parte do futuro que se hipoteca) é mais vasto. O problema é que a Batalha e tudo á volta é susceptível de urbanizar sem que exista um miserável plano de pormenor. Basta área e projecto despachado. Estilo, orientações, continuidade na leitura do espaço, volumetrias, estratégias de desenvolvimento, património, etc, etc são detalhes sem o mínimo interesse ou importância.

Não é assim? então vejam abaixo a foto jóia da coroa. A urbanização do pinheiro manso (nome chique! apesar de só lá haver um recém plantado) fresquinha de pouco mais de um ano, na estrada Batalha-Nazaré com apenas 3 blocos de apartamentos bem apertadinhos para render mais, assim na borda da estrada com cores alegres e em estilo indizível. Fica em linha recta a menos de 1000 metros.... do mosteiro ....da Batalha. Mas foi aprovada. tudo legal. pela autarquia e, pasme-se, até pelo IPPAR. Mosteiro da Batalha? sim....aquele que é património mundial, a par de pouco mais de 750 locais no mundo inteiro, e que ... está apenas num país idiota que estoura com o que pouco de bom que tem, mas que ainda assim ambiciona tornar-se no 10 destino turístico mais procurado do mundo!

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Portugal, comunidade urbana de Leiria, Batalha, Agosto de 2004

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setembro 29, 2004

"Surrender to Lusitanea & the crazy people" - spot II

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Portugal, Comunidade Urbana de Leiria, Batalha, Agosto 2004

Cacém?? Ermesinde??? Odivelas?? Nada disso, é o centro da Batalha, vila histórica inebriada de "modernidade". Em plena Lusitânia, ex-Estremadura, Ex- Beira litoral, ex-semi-ainda Distrito de Leiria, ex-autoproposta área metropolitana de Leiria, actual assim-conformada-por-enquanto comunidade urbana de Leiria, lado a lado com o permanente desastre de 300 Kms intitulado Estrada Nacional 1, a Batalha é um dos pólos turísticos que certamente o ministro Telmo Correia estará a pensar quando sonha transformar Portugal no 10º destino turístico mais procurado do mundo.

Estará a pensar, e por aí terá de ficar!

Hoje, a Batalha é, para o bem e para o mal, uma terra sobre a qual a história não pesa. Há terras que não têm passado (umas agradecem, outras desesperam); há terras que o têm e vivem com isso ao ponto de dele tirarem partido. Outras que não resistem e socubem sob o seu peso. Esta, por razões diversas seguiu o caminho duvidoso de o ignorar ostensivamente. As razões sao certamente diversas, mas o resultado respira-se por quase todo o lado:

As pessoas sabem que aquele mosteiro teve e tem a sua importância. Mas em tudo o resto são pragmáticas: é uma bela configuração de calcário amarelado com o qual têm de viver. um cenário si´mpático para casamentos e outras cerimónias religiosas. E é gerido centralmente a partir de Lisboa (i.e - zona em que todos os projectos tem de ter um carimbo chatode conseguir do IPPAR). Nada mais. Só isto. Nada mais do que isto.

O futuro é em frente e o concelho é hoje um pólo animado de especulação imobiliária para todo o tipo de empreiteiro, ao ponto de o Mosteiro parecer um objecto extra-terrestre que ali veio parar por obra e graça não se sabe bem de quê ou de quem ( o que para o caso é irrelevante e não interessa nada como diria a Teresa Guilherme).

Nas esferas locais explica-se este divorcio com o facto de aquele monumento ser algo dependente da administração central: ....pois a eterna questão das receitas de bilheteira que vão para os cofres do IPPAR sem beneficiarem na justa proporção a vila; a Estrada Nacional que alguém centralmente decidiu fazer passar em frente do mosteiro, o projecto criminoso (de facto!)concretizado pela ditadura em compor a envolvência de acordo com uma monumentalidade vazia, etc, etc.

A minha opinião é de que os argumentos acima são superficiais e servem apenas para apaziguar consciências. Ninguém ali está interessado em "carregar " o que para muitos é visto como "pesos" do passado. Nem os demasiado "pesados", como os que resultam da simbologia extrema do mosteiro, património da humanidade testemunho real de uma patamar de sofisticação alcançado por ascendentes tugas nos séc. XV, mas nem outros mais leves, que mesmo assim sendo são deixados para trás como sacos de que se convém desembaraçarmos o mais depressa possível.

Um desses lastros que ninguém já suporta é a herança cultural rural dos séc. XX e XIX, cujos sinais estão hoje em pleno processo de rápida destruição. A facilidade com que a autarquia autoriza a destruição de casas típicas estremenhas, a facilidade com que permite as urbanizações imbecis de beira de estrada, a irresponsabilidade de não ter uma área industrial de facto, a ambição desmedida que qualquer pessoa imprime na construção da sua habitação, são as expressões acabadas da leviandade sem complexos.

Ali, a terra só tem uma utilidade! Entrar no business do imobiliário e das mais valias. Depressa!!!! Duvidas? Não sei.... O Ministro Telmo Correia parece que não tem:

" Welcome to Lusitânia & the crazy people!!!"

Acima, a foto é de uma vista de uma construção recente (4 anos ?), feita a menos de 50 metros da igreja matriz, manuelina e classificada. Tudo legal e como manda a lei. Embora do estilo para demolir daqui a 10 anos no máximo. Como os exemplos, do muito que por lá há prontos a fotagrafar de olhos fechados, que publicaremos na próxima entrada.

Abaixo, deixo um artigo, bem a propósito, de Guilherme D` Oliveira Martins, publicado no Domingo passado pelo jornal Público, sobre patrimonio cultural (??) na Europa. Aos mais cépticos nestas coisas do turismo, aconselha-se a leitura e uma vista de maior detalhe pela foto seguinte.

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Portugal, Batalha, Agosto 2004

O Património Cultural Não Tem Fronteiras
Por GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS
Público, Domingo, 26 de Setembro de 2004

Nada pode ocorrer uma só vez,

nada é preciosamente precário..."

Jorge Luís Borges, "Aleph"

Em toda a Europa, o património cultural é celebrado como factor de convergência e diálogo - e este ano os jovens são os primeiros destinatários das Jornadas Europeias do Património. O que perdura no tempo abre caminho ao futuro - e os jovens compreendem-no melhor do que ninguém, ávidos de procurar caminhos novos e que tantas vezes reinventam os que outros trilharam.

A iniciativa do Conselho da Europa quer sensibilizar os cidadãos europeus para os valores da memória contra o esquecimento, do tempo contra o efémero e da duração contra o imediato.

Um museu, um castelo, um caminho, uma paisagem, uma escultura, uma instalação, um poema antigo, uma pequena lucerna, uma fivela, uma trompa, um tonel encontram-se com um cantar tradicional ou uma dança, um dialecto, uma festa, uma feira, uma procissão, uma superstição, uma arte, uma manufactura, um vinho, um doce, uma iguaria - e tudo isso pode levar-nos da tradição à memória e da memória à vida.

Na passagem dos 50 anos da Convenção Cultural Europeia, os cidadãos europeus estão cientes de que uma cultura centrada na pessoa humana, na democracia e nos direitos humanos afirma-se e consolida-se no respeito pelas diferenças herdadas, mas também na força das complementaridades entre várias culturas abertas.

(...) São as pedras mortas e as pedras vivas que se confrontam e associam. As pedras mortas são marcas da presença humana. As vivas representam a presença humana. T.S. Eliot dizia, aliás, que a cultura é insusceptível de planeamento, porque é a base inconsciente de tudo o que planeamos. E que é a herança que recebemos das gerações que nos antecederam, senão a convergência entre o significado dos monumentos, edifícios e obras de arte - mas também das tradições e costumes e a sua projecção na vida?

A modernidade significa uma ligação aberta entre o que recebemos, desde a arqueologia e da arquitectura, até aos costumes e tradições, passando pelas comunidades culturais e ambiente cultural, por aquilo que criamos e construímos... Património imaterial? Património vivo? Cada vez mais as identidades culturais enriquecem-se através da capacidade das pessoas e comunidades ligarem tradição e mudança, transmissão e inovação, herança e criação. Das paisagens ao meio ambiente, da preservação do património ao incentivo à arte criadora - estamos perante identidades culturais como realidades vivas, em mutação.

Eis porque os jovens e as escolas, agindo como redes de acção, compromisso e sensibilização, devem ser lugares de solidariedade activa em prol do património. Eis porque deve ser incentivada a atitude nómada da viagem, de que fala Chatwin, e da procura do outro e do diferente. A mobilidade de professores, estudantes, intelectuais e artistas, cientistas e investigadores, a criação de enclaves de paz, a promoção de parcerias envolvendo diferentes países, para a promoção de um novo conceito de fronteira enquanto lugar de cooperação, de aproximação e de enriquecimento são exemplos de acção.

Presidente do Centro Nacional de Cultura, coordenador europeu das Jornadas Europeias do Património

Publicado por jgomes às 09:57 PM | Comentários (1)

setembro 27, 2004

Surrender to Lusitania and the crazy people

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Portugal, Leiria, Agosto de 2004

Em Agosto estive de férias em Leiria/Batalha e já tinha resolvido voltar a escrever sobre a sua paisagem, a total ausência de planeamento e o sentido de humor negro dos responsáveis pela promoção turística desta Região.

Hoje de manhã, 27 de Setembro, vinha no carro e ouvi na radio comercial o ministro do Turismo, Telmo Correia, a falar da contribuição cada vez mais importante do Turismo no PIB Português e da sua (nossa) ambição em transformar Portugal no 10º destino turístico do Mundo.(!!!!!).

Fiquei confuso e, consciente de que para quem está em inicio de semana (sobretudo!) a contradição das mensagens face aos factos pode traduzir-se num sofrimento penoso, tentei distrair-me e pensar em coisas mais certas e menos discutíveis..... Em vão. ....passei o dia a alternar, ao ritmo frenético da fracção de segundo, imagens reais de Leiria e arredores, Bandeirolas colocadas durante o Euro com o slogan "Surrender to Lusitânia" e a voz off de Telmo Correia a explicar como é que Portugal pode e deve ambicionar estar entre os 10 destinos turísticos mais procurados do mundo...."Caramba, que tortura! logo hoje com um sol destes....amanha deveria sintonizar a radio cidade....."

Mas seguindo uma táctica básica de exorcismo psíquico (!!!), que é escrever sobre o que nos aflige na expectativa de que amanha já não nos lembremos, aqui vão algumas linhas de reflexão sobre a origem desta tortura. :

1) Leiria. A foto acima é a foto das vistas que Leiria oferece a quem a ela chega pela Nacional1/ A8. Não é preciso descrever o que se vê. há uns tempos já escrevemos sobre o pseudo planeamento que a fez e faz expandir todos os dias em todos os pontos cardeais. Esta imagem é da zona sul e Oeste da cidade: Um eterno estaleiro em terrenos do vale do Lena e que se houvesse o mínimo de visão ainda estariam na RAN/REN de onde foram desafectados.

2) "Surrender to Lusitânia "....é o slogan ainda espalhado pela cidade, com origem numa entidade que ainda não sei bem qual é, mas que pelo que me apercebo se ocupa da promoção de outras cidades integradas nesta hipotética e virtual região centro. Para lá do facto de continuar a não se perceber que região centro é esta, e até que ponto esta entidade se coordenou com as regiões de turismo ainda existentes como a de Leiria-Fátima...para lá do facto de esta apropriação da designação Lusitânia ser um bocado abusiva (a Lusitânia romana tinha limites muito para além da dita "região" centro e ao que sei integrava território hoje espanhol, ao ponto de a sua capital ser em Mérida....), o que choca é o contraste entre a ambição do slogan e a realidade..... Desculpem, mas alguém no seu juízo perfeito se rende à foto acima??? E acham que os suíços que vieram ver os jogos do Euro ficaram rendidos? E acham que algum deles vai voltar? (Aliás, a este propósito, nada melhor que medir o impacto do Euro e desta campanha de promoção: quantos suíços já voltaram? E quantas noites ficaram?)

A minha opinião, é de que quem vem, não vem preparado para a extrema desorganização do território e da paisagem. Pior, não vem preparado psicologicamente para ver uma paisagem que se percebe que foi bonita até há poucos anos atrás mas que já não o é por ignorâncias recentes. Quem vem, vem para ver o mosteiro da Batalha, Alcobaça, Nazaré e se tiver tempo o Castelo de Leiria. e ponto. É perto de Lisboa e faz-se num dia sem ter de ficar no meio de um desastre. Os que cá ficam foram enganados pelos pacotes turísticos, sao residuais e serão sempre residuais se não se inverter a anarquia instalada. Esta é a minha opinião e é por isso que acho os sonhos de Telmo Correia são um devaneio....

3) Décimo destino turístico? Só de cabeça, surgem-me 20 países infinitamente melhor posicionados.... Claro que esta coisa dos rankings internacionais é mais psicológico que matemático e tem sobretudo a ver com o que se conta, como se conta e para quem se conta..... como sabemos, há sempre um indicador estatístico internacional capaz de agradar a um governante.

O ministro é bem intencionado, mas por razões várias é apenas um director-chefe de campanhas promocionais. Como ele bem sabe e diz, o Turismo é cada vez mais um turismo de interesses específicos (cultural, paisagístico, natureza, de cidade, de aventura, etc) e um país que quer ser um destino credível, só o é se isso for a sua visão e as estratégias gerais do seu governo (planeamento, ambiente, cultura, educação, vias de comunicação, etc) estiverem alinhadas com a visão... Ora, independentemente de se concordar ou não com a visão (pessoalmente, custa-me pensar num pais excessivamente dependente de Turismo em que directa e indirectamente andamos todos a servir à mesa), o facto é que as restantes estratégias continuam desalinhadas....Como no caso de Leiria, e em praticamente todo o resto do país!

.......E é por isso, que a existência de um ministro de Turismo é supérflua. porque a visão geral está a cargo do primeiro ministro (aliás, numa situação normal deveria estar! o que não é o caso actual uma vez que Santana Lopes é 1º ministro por razoes alheias às qualidades da sua visão ou ao seu empenho. Está ali como poderia estar na quinta das celebridades se nas quermesses que frequenta lhe tivesse saído isso na rifa), e as estratégias gerais estão a cargos dos outros ministros que neste momento se estão a marimbar para o Turismo....

Para um estrangeiro médio, tipo suíço, o comentário provável deve ser: ".....Surrender to Lusitânia....que tugas mais malucos!!!........." Ou se preferirem contratar uma mais eficaz agência de comunicação especializada no mercado global: "Surrender to Lusitânia and the crazy people!!"

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Portugal, Leiria, Agosto de 2004

Publicado por jgomes às 01:34 PM | Comentários (0)

setembro 24, 2004

Praia da Polvoeira

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Portugal, Alcobaça-Praia da Polvoeira, Agosto de 2004

Uma praia e uma paisagem a não perder. Na costa atlântica e com mais sorte que S. Martinho do Porto, a praia da Polvoeira foi relativamente deixada em paz pela Câmara Municipal de Alcobaça. Tem bons acessos, não tem uma única construção. Nem das ilegais (as que havia foram mandadas destruir por Carlos Pimenta no final do anos 80), nem das tecnicamente legais-mas-em tudo-o-resto-criminosas (como as que existem nas praias a sul desta: Paredes, Vale furado, Légua, etc).

Um bom destino, que vem a propósito do calor tardio deste fim de Setembro, e um bom pretexto para apanhar sol enquanto se passam os olhos pelos jornais da semana e se repõem em memória alguns artigos. Como estes, 1) Sobre as 50 medidas de Nobre Guedes, 2)a propósito da RAN e da REN e 3) sobre o mega estudo demografico e urbanistico de Lisboa e o seu desenvolvimento.
Tudo coisas de bom senso, que quem manda tinha a obrigação de ter pensado há 15/20 anos atrás, e que hoje fazemos aqui cópia, Para o caso de daqui a 20 anos ainda estarmos a pagar estudos a concluir o mesmo....

Para terminar, algo que poderia ser confundida com uma foto de uma instalação depressiva (!!): Uma casa de banho, provavelmente colocada pela autarquia, na mesma praia da Polvoeira, totalmente destruída... Este blogue não é sobre mobiliário "urbano", nem sobre a falta de civismo, mas a capacidade destruidora de alguns bípedes isolados não deixa de surpreender... ...Aqui fica a foto!

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Portugal, Alcobaça-Praia de Polvoeira, Agosto de 2004

Nobre Guedes Promete 50 Medidas em Seis Meses
Por ANA FERNANDES E RICARDO GARCIA
Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

Algumas novidades e muitas iniciativas que decorrem de políticas anteiores ou de compromissos nacionais estão entre as medidas que o ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Luís Nobre Guedes, quer pôr em prática até Março de 2005. Nobre Guedes tem uma lista de 50 medidas para os próximos seis meses e afirma-se disposto a colocar a sua cabeça no cepo pela sua concretização. "Se eu, passados seis meses, não cumprir [as 50 medidas] assumo toda a responsabilidade", disse ontem, à saída de uma reunião com o Conselho Nacional do Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável (CNADS).

Entre as promessas, estão algumas novidades como o reforço na elaboração das agendas 21 locais, a criação de uma Agência do Litoral e de uma Agência do Ambiente.

Muitas das iniciativas são a continuação de políticas ou decorrem de compromissos internacionais ou obrigações nacionais, como são o caso da transposição da Directiva-Quadro da Água - que assumirá o nome de Código da Água - e a conclusão dos planos de ordenamento das áreas protegidas.

Também as agendas 21 locais - um documento que saiu da Cimeira da Terra no Rio de Janeiro em 1992 e que tem como objectivo promover o desenvolvimento sustentável à escala do município, definindo políticas que compatibilizem crescimento económico, bem-estar social e ambiente - são um compromisso que o país assumiu e nunca cumpriu. Apenas cinco por cento das autarquias têm estas agendas mas, mesmo as existentes, "apresentam um nível muito díspare quando têm de ter linhas de orientação comuns", explicou Jorge Moreira da Silva, secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente. Além de que "é preciso compatibilizá-las com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável", acrescentou. Vai ser criado um grupo de trabalho para dinamizar a elaboração das agendas, que terão de contar com a participação dos municípios, investigadores e população, adiantou o ministro.

Nobre Guedes anunciou ainda que pretende rever o regime jurídico das reservas ecológica e agrícola nacionais (REN e RAN), que está em curso, aguardando apenas os pareceres do CNADS e da Comissão Nacional da REN sobre a proposta apresentada por Sidónio Pardal. O ministro não quis pronunciar-se sobre a eventualidade de vir a rejeitar esta proposta, uma vez que os pareceres intercalares que as duas entidades já deram sobre o documento foram muito negativos.

O reforço da inspecção ambiental, a recuperação de locais contaminados, a definição do programa de acção Ambiente/Saúde 2005 - 2010 e o apoio à educação ambiental foram outras das medidas anunciadas

Criação da Agência do Litoral
Publico,Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

A ideia não é nova e já estava sobre a mesa dos anteriores ministros Amílcar Theias e Arlindo Cunha. A proposta de Nobre Guedes é avançar com o projecto, concentrando num único organismo as competências sobre o litoral que estão dispersas pelo Ministério do Ambiente. Isto implica mexer no Instituto da Conservação da Natureza, no Instituto da Água e provavelmente acabar com o programa Finisterra, criado no princípio do ano passado para gerir as intervenções no litoral e cujas competências ficariam diluídas na agência

Monitorizar o programa para as alterações climática
O Ministério do Ambiente quer criar um mecanismo para controlar até que ponto as medidas previstas no Programa Nacional para as Alterações Climáticas - destinado a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa - estão ou não a ser postas em prática. Isto implica clarificar quem são os responsáveis por cada medida - que atravessam vários sectores do Governo -, conceber indicadores de execução e divulgar relatórios periódicos, tal como o faz a Agência Europeia do Ambiente.

Novo modelo para a conservação da natureza
Nobre Guedes diz que vai apostar num novo modelo de gestão para o Instituto da Conservação da Natureza - um dos organismos mais problemáticos do seu ministério. Mas este modelo ainda não está definido. Outra medida anunciada é a conclusão de todos os planos de ordenamento das áreas protegidas - uma promessa que tem sido feita por sucessivos ministros. Neste momento, o Ministério está a trabalhar intensamente na conclusão do plano do Parque Natural da Arrábida.

Alargar a adesão à Agenda 21 Local
Apenas cinco por cento das autarquias portuguesas adoptaram a Agenda 21 Local - uma espécie de roteiro estratégico para o desenvolvimento sustentável dos municípios. O Ministério do Ambiente quer aumentar esta participação, com mais 50 municípios com Agenda 21 Local em 2005 e mais outros 50 em 2006. O Instituto do Ambiente vai coordenar esta iniciativa, recorrendo a centros de investigação e universidades.

Criação da Agência do Ambiente
A criação de uma Agência do Ambiente está na mira de Nobre Guedes num "futuro próximo". O primeiro passo será o reforço do Instituto do Ambiente, concentrando as competências de planeamento, acompanhamento e integração das políticas ambientais. Esta já é actualmente a sua função, mas o ministro acena com a supressão da "pulverização de competências". A nova lei orgânica do Ministério do Ambiente, que está a ser ultimada, deverá trazer novidades neste domínio.

Repensar o sector das águas
Nobre Guedes já disse que quer repensar a estratégia governamental para o sector das águas, aprovada pelo Conselho de Ministros há apenas quatro meses. O ministro já pediu a opinião de alguns especialistas mas, para já, fala apenas com a intenção genérica de "avaliar" e "redefinir" o modelo escolhido - que envolve a privatização de 49 por cento da "holding" Águas de Portugal, até ao final de 2005

Ribeiro Telles Diz Que Defesa da RAN e da REN É Imprescindível
Por FERNANDA RIBEIRO
Publico, Sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles salientou na terça-feira que, "face à pressão urbanística, a defesa da Reserva Agrícola Nacional [RAN] e da Reserva Ecológica [REN] é imprescindível", porque elas pressupõem a sobrevivência de "recursos que não se podem destruir, porque depois se pagará um preço muito alto".

"Quanto mais betão, menos praia. E é bom que se comece a pensar nisso, em particular os que vão para o Algarve e para a Caparica", alertou Ribeiro Telles, segundo o qual "a utilização das areias na preparação do betão, que hoje em dia é usado em tudo, contribui para a destruição" desse recurso.

"Com a destruição de solos como o da lezíria de Loures, e dos terrenos arenosos de qualidade, estamos a aumentar a torrencialidade, até que chegue a catástrofe", disse o arquitecto paisagista, numa sessão promovida pela Ordem dos Arquitectos, em que se falou dos Planos Verdes de Lisboa, de que foi autor, e ainda dos de Loures e do Seixal.

"O planeamento é um jogo entre dois sistemas, não é um dos sistemas a dominar o outro", sublinhou Ribeiro Telles, para quem Lisboa já padece de grandes problemas, seja "na circulação da água, como do ar", boa parte deles criados pela construção desenfreada sobre vales e leitos de cheia.

Para Ribeiro Telles, há três embustes em que se tem insistido em Portugal. "O primeiro é o de que o país não pode ter agricultura porque não tem solos de qualidade. Uma campanha fez crer que apenas 28 por cento dos solos eram agricultáveis e só 12 por cento seriam francamente bons. Isso é mentira. Esses cálculos foram feitos com base nas culturas nórdicas do trigo e cereais. Portugal tem 40 por cento de solos com qualidade aceitável para uma utilização agrícola", disse.

"O segundo embuste é o de que a RAN e a REN são prejudiciais ao desenvolvimento e o terceiro é o de que, quando não há mais espaço urbano, deve haver floresta - esta que temos [de monocultura] a arder todos os anos".

Na sessão, que fez parte da iniciativa "Território em Debate", participaram também a arquitecta paisagista Manuela Raposo Magalhães, docente do Instituto Superior de Agronomia, que falou sobre os planos verdes em que participou (Seixal e Loures), e o arquitecto Bruno Soares, que fez o contraponto, como homem que está no "lado duro" da arquitectura.

A forma pouco articulada como se desenvolvem as cidades e a importância de haver uma abordagem integrada, em que se sobreponham as componentes edificáveis e as ambientais, foi salientada por Manuela Raposo Magalhães.

"A maioria dos Planos Directores Municipais interpreta a paisagem em termos de estruturas. E toda a gente sabe e entende o que é uma estrutura viária. Porque não se entende então o que é uma estrutura ecológica, quando é ela que integra tudo o que é essencial?", questionou Manuela Raposo Magalhães.

Já Bruno Soares, embora destacasse a necessidade de "haver uma inter-relação entre a área urbana edificada e a não edificável", considerou que não raras vezes "é uma chatice encontrar pela frente [nos projectos] a REN e a RAN, porque muitas vezes é difícil compatibilizar e dar lógica" às intervenções. Mas, sublinhou, "o debate entre a estrutura verde e a estrutura urbana edificada é de grande actualidade, e está a ser feito por todo o lado na Europa".

Lisboa Não Pode Viver Só
Por ANA HENRIQUES
Publico, Sexta-feira, 24 de Setembro de 2004

de projectos imobiliários,

diz Augusto Mateus

O ex-ministro da Economia Augusto Mateus defendeu ontem que a cidade de Lisboa não pode limitar-se a viver de projectos imobiliários, "como se de um jogo do monopólio se tratasse".

Para ser competitiva a cidade tem de possuir actividade criadoras de riqueza, mesmo que isso signifique apostar em projectos cuja rendibilidade não é imediata, acrescentou.

Augusto Mateus falava na apresentação de um mega-estudo demográfico, urbanístico e sociológico sobre Lisboa, no qual coordenou um volume dedicado ao desenvolvimento económico. Para se tornar competitiva a nível internacional, a capital precisa de apostar nas actividades económicas baseadas no conhecimento, como a banca e as telecomunicações, diz o documento. Augusto Mateus critica o facto de os antigos eixos de criação de riqueza da cidade do início do século passado - os eixos fabris Alcântara-Junqueira-Ajuda e Beato-Marvila-Chelas - estarem a ser alvo de "projectos imobiliários desgarrados, construídos em cima dos restos que sobraram das antigas fábricas", em vez de estes locais serem aproveitados para desenvolver actividades económicas baseadas no conhecimento.

Alvo de reparos do antigo ministro de António Guterres foi também o facto de os grandes nomes da arquitectura internacional contratados pela Câmara de Lisboa para desenvolver projectos na capital estarem a trabalhar apenas para alguns: para os que irão usufruir do resultado dos projectos imobiliários que lhes foram entregues.

Uma cidade ingovernável
No entender deste reputado economista, Lisboa confronta-se neste momento com um problema de ingovernabilidade que radica na existência de nada menos de 53 freguesias na cidade, umas com uma área minúscula e praticamente sem habitantes, como é o caso das freguesias da Baixa, e outras gigantescas, como Benfica. A questão tem vindo a ser discutida pelos vereadores da Câmara de Lisboa e pelos deputados municipais.

A segunda parte do mega-estudo sobre Lisboa será apresentada daqui a um mês, mas alguns dados que ele trará foram já ontem adiantados. Assim, a dramática perda de população da cidade nos últimos anos tem vindo a ser acompanhada por uma entrada de novos habitantes muito rápida: entre 1996 e 2001 a cidade ganhou 53 mil pessoas. Mesmo assim, os novos não chegam para repor os que saem. Por cada habitante novo havia dois a ir-se embora em 2001.

Um quarto dos novos residentes é proveniente do estrangeiro e 60 por cento frequenta algum estabelecimento de ensino. "Uma das grandes mais-valias da cidade são as suas escolas", explica o coordenador do mega-estudo, João Seixas.

A estrutura familiar dos novos residentes tem dimensões menores do que é tradicional: 1,7 pessoas por família. Mas nada disto impede que Lisboa continue a ser das cidades mais envelhecidas da Europa e a mais envelhecida de Portugal. Nalguns bairros a percentagem de idosos ultrapassa a da cidade. Em Alvalade 45 por cento dos habitantes tem mais de 65 anos.

E não é por falta de casas que Lisboa não tem mais gente. Na década de 90 o número de alojamentos vagos aumentou 60 por cento, percentagem que se eleva aos 72,4 por cento quando se fala dos alojamentos vagos que nessa altura se encontravam fora do mercado de venda ou aluguer.

Inverter esta situação implica grandes transformações, imaginação e muito dinheiro. Só assim será possível reabilitar os milhares de prédios degradados em toda a cidade. Na opinião de João Seixas, os desafios financeiros da cidade têm sido pouco discutidos. "Em Barcelona mais de 40 por cento dos impostos pagos pelos munícipes ficam na cidade", refere.

Publicado por jgomes às 01:24 PM | Comentários (3)

setembro 19, 2004

Alenquer ...II - vistas a evitar

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Portugal, Alenquer, Agosto 2004

Alenquer pode ser considerado o extremo Norte de Lisboa. Daí até à capital era legitimo e expectável que se urbanizasse. O que não era esperado é que fosse a sensibilidade de um bando de grunhos a orquestrar o esforço. Para os que se ocuparam de Alenquer fica a consolação de não terem sido os únicos que fizeram de conta que governavam alguma coisa: Vila Franca de Xira e Loures também se juntaram ao festim e da foz do Alviela até à foz do Trancão só não foi destruído o que não se quis ou não se teve tempo. Uma faixa de território única que hoje poderia equiparar-se ao vale do Tamisa nos arredores de Londres (alguém oferece aos autarcas e ex-autarcas destes 3 municípios uma viagem de borla a Inglaterra para que percebam como as suas reformas são imorais, e que em vez delas deveriam estar a responder em Tribunal???), está hoje esventrada pelos interesses obscuros dos construtores civis e dos seus serventes. O que poderia ser uma faixa continua urbanizada com sentido é hoje uma faixa sub-urbana desordenada que alterna torres e blocos de apartamentos de 12 andares com terras ao abandono, campos semi-agricultados e hangares de utilização industrial.

Se as coisas tivessem sido feitas em prol do interesse comum, os blocos de apartamentos não existiriam e, nada mais natural, também ali não existiriam já pequenas aldeolas a praticar quase exclusivamente a agricultura de subsistência. A falta de planeamento é também uma expressão da injustiça da nossa sociedade: enquanto alguns cidadãos sao empurrados para a Ala B no 14º F do "Paço das Vinhas", outros portugueses vivem às portas da capital resistindo ferozmente a uma urbanização com pés e cabeça e persistindo em modos de vida semi-medievais (o que nos tempos que correm é no mínimo, convenhamos, um luxo!). Os primeiros tinham o direito de viver em urbanizações planificadas e condignas; Os segundos deveriam ter sido confrontados com a necessidade de se adaptarem aos novos tempos. Nem uma coisa nem outra aconteceu e ao mesmo tempo que há milhares de pessoas em movimento pendular entre o trabalho na capital e o "Paço das vinhas", há guias turísticas patéticas a anunciar "...muito giro e típico, tamos a 15 Km de Lisboa, mas é como se tivéssemos em trás -dos- montes, tudo super atrasado. há aqui pessoas que nunca foram à capital nem viram o mar...". E o pior é que suspeito que nenhum dos dois grupos acima tem consciência do terceiro-mundo para onde foi empurrado!

Tudo isto a propósito de Alenquer. A foto acima é a que hoje se avista quando se circula em direcção a Lisboa pela estrada nacional 1. Do lado direito o presépio, em frente o apocalipse! Comparem-na com a fotografia da entrada anterior e concluam o que quizerem. Mas esta não é a única vista que se deve evitar em Alenquer. O Carregado, foto abaixo, o da central termoeletrcia e o do Outlet super porreiro onde se vai ao fim de semana comprar camisas da moda a metade do preço, foi o laboratório montado nos anos 80. A Autarquia gostou tanto dos resultados que dos anos 90 para cá resolveu ceder aos interesses (imagino o esforço que deve ter feito!!!) e aplicou a receita onde pôde e onde havia gente a pressionar (não pressione, nao pressione, por favor senao vou ter de autorizar!).

Abaixo da foto do Carregado fica outra, a norte de Alenquer: uma urbanização no meio do nada às portas da OTA. ...Sim às portas do hipotético futuro aeroporto, o tal que o Sr. presidente de Câmara de Alenquer volta não volta, e sem conseguir disfarçar a saliva que lhe cresce na boca, anuncia que gostava de ver construído rapidamente (de acordo com ele há pessoas há espera do festim, desculpem, do desenvolvimento da região, há 20 anos!). É natural. Esta autarquia governa e escavaca sem critério há 30 anos e a inépcia da Administração central arranja sempre desculpas para não avançar já com a pista dos aviões.... Não se faz, são atrasos indecentes que ninguém deveria poder infligir a um senhor de idade avançada! Eu acho que ele já só pede para que a primeira pedra seja lançada antes de ele se finar, como prenda pelos seus 30 anos de autarca! "Era uma festa bonita!".

Com todo o respeito ao Sr, Álvaro Pedro, que como pessoa só deve ser uma jóia, e sem a mínima admiraçao ou respeito pelo trabalho autarca Álvaro Pedro e demais vereadores cumplices activos e passivos, alguém se importa de não autorizar o aeroporto enquanto não estiver garantido um plano de ordenamento credível, e no qual esta autarquia não intervenha, de toda aquela Zona?

Para finalizar, junto os links para o site do Alenquer Mais, e da Alambi (provavelmente a associação ambiental local mais dinâmica de Portugal, que luta pela defesa e preservação de Alenquer.

Junto ainda um artigo publicado no Publico Online dia 15 de Setembro, sobre crescimento urbano.(copia no corpo da entrada).
Por fim, e como extra, o link para um site que o google me deu a conhecer: É sobre Alenquer...no Brasil!! Que se auto-refere como: um capricho dos Deuses da Selva amzónica. Tudo links "snifados" em 30 segundos enquanto o site da câmara de Alenquer está calmamente.... em baixo!!!

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Portugal, Alenquer - Carregado, Agosto 2004

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Portugal, Alenquer-OTA, Agosto 2004

 
Sociedade 15-09-2004 - 11h01
Relatório mostra tendência de urbanização crescente
ONU: Portugal é o segundo país mais rural da União Europeia
Lusa

Portugal é o segundo país mais rural da União Europeia (UE), mas é também um dos países com as mais elevadas taxas de crescimento urbano, revela um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) relativo a 2003.

O relatório "O Consenso do Cairo Dez Anos Depois: População, Saúde Reprodutiva e Esforços Mundiais para Acabar com a Pobreza", que vai ser apresentado hoje, mostra que, no ano passado, a percentagem da população urbana em Portugal era de 55 por cento. Na Eslovénia 51 por cento da população vivia nas cidades, o que torna este novo membro da UE no país com maior índice de ruralidade.

No extremo oposto da lista estão a Bélgica (97 por cento dos seus cidadãos viviam nas cidades), o Reino Unido (89 por cento) e a Alemanha (88 por cento).

O documento do UNFPA contabiliza também a taxa de crescimento urbano para o período 2000-2005 e mostra que Portugal apresenta uma das maiores taxas de conversão da população às cidades (1,1 por cento), só ultrapassada pela Holanda (1,3 por cento) e pela Irlanda (1,5 por cento).

Na maioria dos países da UE a taxa de crescimento encontra-se perto do zero. Mas há casos, como os da Estónia e Letónia, em que o crescimento é negativo, o que indicia que as populações estão a voltar ao campo.

O documento vai ser apresentado na Assembleia da República por Catarina Furtado, embaixadora de boa vontade do UNFPA, e Júlio Leite, representante do UNFPA em Angola, na presença do presidente do Parlamento, Mota Amaral, e do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e População, Henrique de Freitas.

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setembro 16, 2004

Ao avistar Alenquer.....

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Portugal, Alenquer, Agosto de 2004

Alenquer. Até há alguns anos atrás, penso que cerca de 15-20 anos, ir a Lisboa pela Nacional 1 significava a impossibilidade de evitar Alenquer. Lembro-me da primeira vez que a vi, aquando da excursão da escola primária a Lisboa para um condensado impossível de um dia: ida e volta com museu militar, museu da marinha, planetário e mosteiro dos Jerónimos. Na altura já se podia apanhar a auto-estrada em Alcoentre/Aveiras, mas as professoras, por razões de custos ou de gosto, preferiam continuar pela Nacional 1. Uns quilómetros antes suplicavam ao microfone para que nos cansássemos do "Sr. chófer, por favor, ponha o pé no acelerador. se bater não faz mal, vamos todos pró hospital!!!!" e informavam que íamos passar por Alenquer...para "termos atenção à vila presépio, blá, blá, blá, Damião de Góis viveu aqui, blá, blá..." Assim que começávamos a descer, pediam ao motorista da camioneta da Rodoviária Nacional de Leiria para abrandar a marcha e voltavam a suplicar para pararmos com a berraria e que olhássemos. Alguns não chegavam sequer a parar de berrar, outros por sorte ou por se terem perdido na letra da música, tinham esta vista inesperadamente oferecida de bandeja pelo lado direito: ALENQUER, A VILA PRESÉPIO!

Estava registada a imagem. Definitivamente.

Hoje 20 anos depois, continuo a passar por Alenquer e a parar o carro. Há uns anos num fim de tarde de Dezembro tive curiosidade e arrisquei sentir-me dentro do presépio. Passei nas ruas velhas de desenho árabe, no seu convento do inicio da nacionalidade, nas fabricas da semi-revolução industrial possivel em Portugal, nos painéis de azulejo (alguns ainda la estão!) a anunciar as vantagens do Nitrato do Chile.

Gostava de Alenquer- Passei a ficar dependente de Alenquer.

Hoje, 20 anos depois, quando lá passo, é impossível não ser transportado para o inicio dos anos 80 e imaginar, um autocarro da Rodoviária Nacional, a transitar a 60 Km hora nas estradas rurais de um país que, sei-o hoje, ainda estava em estado de choque com a guerra, os retornados e a perda do império, de uma sociedade ainda a ferro e fogo das nacionalizações recentes e as marcas da radicalização pós 25 de Abril. Imaginar, professoras primárias, a jurar certamente entre elas que aquela era ultima vez que se metiam na aventura de levar a Lisboa malcheirosos, filhos e netos de camponeses miseráveis da Estremadura. Imaginar, fedelhos que não faziam a mínima ideia que tinham nascido no país mais atrasado da Europa e que julgavam transitar numa estrada moderna porque comparada com os caminhos de barro e mato que aos Domingos percorriam quando iam à catequese na sede da freguesia. Imaginar que a estrada moderna da altura era afinal a estrada testemunho do isolamento, do tempo perdido da Ditadura. Uma estrada que ligava o Porto a Lisboa e passava por dentro de todas as vilas que lhe ficavam no caminho, tal qual como no tempo das diligencias do séc. XIX.

Hoje, 20 anos depois, a vista a não perder continua lá e faz parte do imaginário de muitos que por lá passaram nos anos 80. Assim como faz parte de todos os que ainda por lá passam pela primeira vez. Assim como fazem parte tantas e muitas outras paisagens que se vêem pela primeira vez, esta é, no caso pessoal, apenas um bom exemplo de como a paisagem entra no processo de construção de uma identidade e com isso evoca memórias colectivas.

Hoje, quem lá passa e imagina o que atrás escrevemos, tem de fazer o esforço adicional de procurar e fixar a perspectiva certa para ver exclusivamente este enquadramento. Se desviarmos o olhar, o postal fica irremediavelmente manchado e os pensamentos generosos acerca das transformações operadas no país são imediatamente devolvidos à realidade. De facto, "...as brutais transformações operadas em 20-30 anos anos foram um grande alibi para as sacanices mais descarados.....", ....pensamos nós.

Como veremos, na próxima entrada, são crimes operados nos últimos 15 anos sob a liderança de uma câmara exclusivamente dirigida por um só homen desde as primeira eleições nos anos 70. Minhas senhores e meus senhores , Sua Excelência, Eminência, não sei, ou um grande autarca monólito do poder local português: Sr. Álvaro Joaquim Gomes Pedro!!!!

Nota: Este blogue comprometeu-se a dedicar-se exclusivamente à paisagem, mas resiste cada vez menos a outros assuntos. Aqui fica o link para o artigo de opinião (copia do texto no corpa da entrada), de José Pacheco Pereira no Público de hoje, Quinta-feira (que vale a pena ler!) e o meu comentário pessoal às suas linhas acerca do impacto da blogoesfera nos media. A análise parece-me acertada, li com interesse as ideias que expôs, mas o que eu gostava mesmo era de o ouvir falar dos impactos políticos da blogoesfera: na baixa esfera da partidocracia portuguesa e nas altas esferas da Política com P grande e da Democracia com D grande. Não que a blogoesfera não influencie significativamente os Media ,mas porque não acredito que milhares de pessoas editem das 6 da tarde ás 11 da noite apenas para desequilibrarem os media de hoje. Desconfio até, não sei porquê, de que as coisas já foram mais longe e não vão deter-se por aqui.

Eu sou dos que não acredita que o status quo mesquinho hoje vigente, nervosinho que está com tanta opinião publicada e acessível a todos, consiga sequer encaixar-se nos factos. Como é evidente há um antes e um depois da blogoesfera na Política. Há quem não o consiga ver, e há quem, por receio, prefira não o ver. Em vão. São os pontos de não retorno das aulas de historia do secundário. A blogoesfera é um desses pontos. Aconteceram muitos neste últimos 10 mil anos , se calhar não tantos como os que seria necessário, mas de vez em quando as variáveis conjugam-se e eles acontecem. Nós temos o privilégio de estar no meio de um deles e é improvável que alguém queira ficar no navio, estacionado ao largo, observando calmamente "como é bonita esta costa que olhos humanos avistam pela primeira vez.......

Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004

Há cerca de um ano, escrevi sobre os blogues no PÚBLICO, coincidindo com a sua descoberta por um público mais vasto. Houve, em seguida, o habitual surto de breve fama, centenas de blogues foram criados e dezenas de artigos mais ou menos apressados, mais ou menos informados, foram publicados. Tudo quanto era órgão de comunicação social publicou pelo menos um artigo sobre os blogues. Depois os blogues passaram de moda, muitos dos blogues criados desapareceram, embora a "audiência" global dos blogues tenha aumentado significativamente, mantendo-se esse efeito até hoje. É altura de fazer um balanço deste novo tipo de publicação electrónica.

A blogosfera portuguesa mudou muito durante este ano, deixou de ser constituída por um pequeno grupo pioneiro, que a usava quase como um "espaço íntimo", para se tornar, de um dia para o outro (a rapidez é uma característica do meio), mais agressiva, politizada no mau sentido, ressentida e implicativa. Mas essa fase também já passou e o melhor dos primeiros tempos "íntimos" e o melhor da fase de democratização da blogosfera permaneceram. Cerca de 20 a 30 blogues portugueses fornecem todos os dias novas ideias, reflexões, informações, que um cidadão avisado e culto não deve perder.

Não tenho nenhumas dúvidas de que os blogues vieram para ficar, enquanto a evolução tecnológica não permitir a migração do que hoje se pode fazer num blogue para outra plataforma mais eficaz e superior. Enquanto tal, uma revolução está em curso, principalmente no âmbito do sistema comunicacional, e, a partir daí, afectando os sistemas que lhe são próximos: a política nacional e local, a crítica literária e artística, a divulgação científica, entre outros.

Nenhuma análise hoje do estado da comunicação social em qualquer país onde existe um sistema mediático - jornais, rádios, televisões - pode ser feita sem incluir os blogues. Veja-se o recente caso americano: dois blogues (Power Line e Little Green Footballs) contestaram a autenticidade dos documentos sobre o serviço militar de George Bush, que o prestigiado Dan Rather tinha divulgado no influente programa 60 Minutos da poderosa CBS. Prestigiado, influente, poderoso. Os documentos faziam imensos estragos na imagem de Bush, mostrando a existência de cunhas e tentativas de alterar os relatórios sobre a sua capacidade como piloto. Foram tratados pelos grandes media americanos como uma notícia de primeiríssima página, capaz de alterar a vantagem que Bush obtivera nas sondagens sobre Kerry, em suma, capazes de definir a contenda eleitoral. Os dois blogues, logo seguidos por muitos outros, analisaram os documentos e começaram a levantar questões: nenhuma máquina de escrever, à data putativa dos memorandos, era capaz de manter aquela ordem de espaços entre as letras, sobrepondo-se as mesmas frases escritas com o processador de texto Word sobre o texto antigo, não havia discrepâncias, etc., etc.

Outros blogues levantaram questões de conteúdo - um militar não colocaria aquelas questões no papel, havia uma discrepância entre a linguagem e a forma de outros memorandos do mesmo militar (que já morreu) e os apresentados pela CBS, etc. Outros blogues refutaram que houvesse falsificações e a CBS disse que tinha feito analisar os documentos por vários grafólogos. Foi só uma questão de tempo até que o assunto chegasse à grande imprensa, ao "Washington Post", que tem outros meios de investigação, e as dúvidas sobre a autenticidade cresceram. Analistas e grafólogos mostraram que não havia a unanimidade que a CBS garantia e toda uma nova série de investigações e depoimentos aprofundaram as dúvidas. A questão está em aberto, mas a controvérsia só existiu porque existem blogues e a Internet lhes dá uma audiência universal.

Em Portugal, o mesmo já se passa hoje. Excluam-se os blogues e a comunicação social seria diferente. Não porque os blogues sejam lidos por muita gente, mas sim porque são lidos pela gente certa. Os blogues são escritos por uma elite para uma elite, são escritos por estudantes, literatos, políticos, cientistas, investigadores, jornalistas, na maioria dos casos jovens e no início de carreira, e são lidos pelos mesmos grupos sociais e profissionais dos que os escrevem. Um grupo tem relevo especial neste ecossistema que é a blogosfera: são os jornalistas.

Os jornalistas, principalmente da imprensa escrita, vão hoje buscar imensa coisa aos blogues, umas vezes citam, outras não, e os leitores dos jornais desconhecem a importância dessa contribuição. Ainda recentemente uma notícia de primeira página do PÚBLICO teve origem num blogue. O jornal demorou uns dias a referir a

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setembro 10, 2004

Condensado de Vistas de Imprensa

Este blogue alimenta-se de várias coisas, e além das paisagens directas, a imprensa é, com em tantos outros blogues, fonte inesgotável de assuntos que merecem ser evidenciados. Até aqui costumávamos abordar um assunto por entrada, mas a confluência de vários factos obrigam-nos a fazer aqui um condensado. Por um lado há uma lista enorme de vistas directas em fila de espera, pelo outro não queremos exagerar o nº de entradas ( o mínimo é uma por semana, mas 7 seria claramente excessivo) e por fim são cada vez mais as noticias que apanhamos no campo de visão.

As que a seguir se condensam têm origem basicamente em duas fontes: O insubstituível Público, jornal a quem devemos muito do espírito crítico de que somos feitos, e o Expresso, jornal que ao ser ainda o semanário de maior expansão em Portugal é a prova viva de que o satus-quo deste país não se arredou um milímetro nos últimos 30 anos. Mas que sempre convém comprar por causa do caderno de Emprego. Volta não volta também lá vêm algumas uvas no meio de tanta parra.

Vamos lá então, por ordem decrescente no sentido de humor-negro:

1) Publico/secçãoo local, 4 de Setembro: Isaltino Morais, a quem já dedicámos aqui uma entrada, ex-ministro do ambiente e ex presidente da Câmara de Oeiras, temendo cair no esquecimento resolveu conceder uma entrevista ao jornal do Imobiliário ( estava indeciso entre este e o da associação de sobrinhos taxistas editado numa praça-offshore das Caraíbas, mas há amigos que nunca se perdem) para, entre outras preciosidades afirmar que a sua sucessora (Teresa Zambujo, sua ex-vice e entre outras coisas ex presidente da CCRLVT) não tem o perfil de Liderança que Oeiras merece...e tal e tal e tal... ele está pronto a avançar. Assim queira o partido.

Basta dar uma volta por Oeiras para perceber porque é que o jornal do Imobiliário acolhe nas suas páginas um senhor com problemas na justiça. Em terra de cegos quem tiver um olho é rei, e se não se tiver vergonha nenhuma mais depressa lá se chega!

2) Publico/ ultima hora, 8 de Setembro de 2004: Algarve e outras cinco regiões mediterrânicas assinam carta de turismo sustentável. Não conheço as outras cinco, mas o que é que o Algarve tem a ver com Turismo sustentável? Sabendo-se os projectos estruturantes que aguardam ávidos pelo sinal de assalto, esta noticia só dá vontade de rir porque estamos fartos de chorar. Uma carta de intenções nesta altura do espectáculo é a mesma coisa que querer reanimar a galinha depois de saboreada a canja! Enfim, ao menos vá na delegação à Tunísia para assinar a tal carta, a expensas do Estado, que aproveite pa se divertir e tirar umas fotos inspiradas, porque, assinada ou não, aquela carta pouco vem adiantar à canja já degustada nos últimos anos.

3) Expresso, Revista Única, 4 de Setembro, Jorge Sampaio fala num entrevista esclarecedora a sua opinião as cidades. Não se deve exigir muito a um presidente em ocaso acelerado. Admito já que nunca gostei muito dele desde que há uns anos atrás ele escolheu o filme " O Leopardo" de Visconti para filme da vida dele. Não que o filme não seja excepcional (É-o!) mas a mensagem política implícita é reveladora da forma como o socialista Jorge Sampaio acreditou ser possivel mudar alguma coisa com a sua acção política....Isto é, nunca acreditou. Há uns tempos atrás ficou irado por lhe terem vindo falar que a RAN e REN eram importantes, Depois convidou o Santana Lopes. Ficámos conversados. Resta-nos esperar que acabe o mandato com dignidade.

Dai que a entrevista concedida, apesar de algumas coisas interessantes (tem conselheiros informados e em regra ele esforça-se a fazer a espargata de agradar a todos) seja de pouco alcance. Face a uma situação caótica a exigir mediadas imediatas, Jorge Sampaio pensa á la longue, distribui desculpas e perdoes e sem franzir o sobrolho acredita que .... " com o tempo tudo se há-de compor.....". E apela uma vez mais para que todos os cidadãos se envolvam na vida dos seus bairros, freguesias e aldeias, que participem na gestão dos canteiros e fontanários!!! Que é no fundo como ele concebe a nossa maioridade política: a tratar de canteiros. para decidir quem é primeiro ministro está lá ele!!

Não deixo link para a noticia, porque o Expresso on line exige que me registe. Eu como sou a favor do livre acesso à informação não me registo. Se quiserem façam-no vocês e adormeçam a ler as ideias do nosso entusiasmado Presidente sobre a matéria.

Havia Mais umas que gostaria de comentar, mas a entrada já vai longa. Ficam para a próxima! Bom fim de semana.

Publicado por jgomes às 09:46 PM | Comentários (1)

setembro 08, 2004

O fim de uma tarde numa praia virada a oeste

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Sistema Solar - Planeta Terra. O céu no fim de uma tarde de Verão numa praia virada a oeste. Agosto de 2004.

Desde que entrámos pela Costa vicentina, quatro entradas atrás, a 30 de Agosto de 2004, o vistas na paisagem, ao contrário da ordem natural das coisas, tem vindo a rumar para Norte.

Hoje, dia 8 de Setembro, fazemos um parêntesis no estilo a que nos habituámos e referimo-nos só e apenas a vistas pelos jornais. Hoje, no dia mundial da alfabetização, em que o Público nos informa que 20% dos seres deste planeta, e 10% dos portugueses, com quem partilhamos a condição humana não sabem ler nem escrever. Hoje também, no dia em que o mesmo jornal Público veicula a Lusa e anuncia que 1 milhão daqueles mesmos com quem partilhamos a condição humana se suicidam anualmente. Mais mortes do que em todas as guerras em curso e homicídios juntos. O link está aqui. O texto integral da notícia fica abaixo.

Acima, fica a fotografia tirada por alguém rendido, como milhares se renderam no passado, como Turner, pintor Inglês, magistralmente se rendeu num fim de tarde do séc XIX, e como outros hoje e amanhã se rendem e renderão: O céu no fim de uma tarde de Verão numa praia virada a oeste.

Há paisagens assim. Sempre diferentes. Todos os fim de dia a custo zero e em todos os pontos do planeta Terra.

E com isto inauguramos a secção "Vista Desarmadas" !!

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Publico - Ultima hora - Saúde
Suicídio mata mais que guerra e homicídios, alerta OMS - Agencia Lusa


Pelo menos um milhão de pessoas suicida-se em todo o mundo anualmente, um valor que já ultrapassa o número de mortos devido a guerra e homicídio, de acordo com um estudo hoje divulgado em Genebra.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o problema continua a agravar-se, devendo o número de suicídios aumentar pelo menos 50 por cento para 1,5 milhões, nos próximos 15 anos.

"Os números tendem a crescer com a idade mas, infelizmente, também se regista uma tendência alarmante de comportamento suicida entre o grupo de jovens dos 15 aos 25", explicou a OMS.

Homens continuam a suicidar-se mais do que as mulheres, apesar de serem estas as que mais tentam, sem sucesso, por fim à vida.

Dados da OMS, que admite não ter informação exaustiva de todo o mundo, sugerem que entre 10 e 20 milhões de pessoas se tentam suicidar todos os anos.

"O suicídio é hoje um problema trágico da saúde pública global", disse em comunicado a responsável da OMS para doenças não-contagiosas e saúde mental, Catherine Le Gales-Camus.

"Em todo o mundo há mais pessoas que morrem por suicídio do que todas as vítimas de homicídios e de guerra juntos. É urgente que se adoptem medidas coordenadas e intensificadas para evitar estes números dramáticos", explicou.

A OMS relembrou o papel da prevenção no combate ao suicídio, quer através de sistemas de monitorização dos métodos mais usados para o suicídio (pesticidas, armas e comprimidos) quer através de grupos de apoio.

Será essa a principal agenda do Dia Internacional de Prevenção do Suicídio, marcado para sexta-feira.

Falando hoje aos jornalistas, um dos responsáveis pelo estudo, Lars Mehlum, professor de psiquiatria da Universidade de Oslo, referiu que entre os países que informa a OMS sobre dados de suicídios, os números mais elevados ocorrem no leste Europeu, nomeadamente Rússia e Ucrânia.

As taxas mais baixas ocorrem na América Latina, Ásia e países islâmicos.

Para Mehlum, o aumento do suicídio entre os mais jovens deve-se, em grande parte, à mais elevada pressão que há hoje para o sucesso; a pobreza, o desemprego e a perda de um ente querido estão entre os factores de risco.

"Uma história familiar de suicídio, bem como de elevados consumos de droga e álcool; o abuso infantil, isolamento social e alguns problemas psíquicos, incluindo depressão e esquizofrenia, assumem papel central numa larga percentagem de suicídios", explica o relatório da OMS.

A questão da prevenção do suicídio está hoje a ser debatida num seminário em Genebra.

Entre os projectos referidos pela OMS conta-se a decisão de muitas farmacêuticas de optar, cada vez menos, por vender comprimidos em frascos únicos, optando pelos pacotes onde cada cápsula está individualmente protegida.

É no entanto necessário mais controlo a pesticidas e a armas, os outros dois métodos mais usados. Ainda no que toca à prevenção, a OMS defende mais a formação dos funcionários médicos para que detectem mais facilmente tendências de suicídio, como é o caso da depressão, e o estabelecimento de linhas verdes de apoio.

Publicado por jgomes às 05:37 PM | Comentários (0)

setembro 07, 2004

Ser reanimado em Aljezur

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Portugal, Aljezur - zona de sapal, Agosto de 2004

Para quem se submete ao regresso de Monchique, e à prova de curvas e contra-curvas em cenário de destruição, mas também para todos os que durante o ano se submetem à experiência de viver nas nossas ditas urbes, Aljezur é, como Vila do Bispo, Odemira e outros pontos da área abrangida pelo Parque Natural da Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, uma das ultimas zonas do país que exige ser visitada.

Não que ali o Homem se tenha excedido a fazer alguma coisa excepcional em termos de paisagem, mas porque ali ele não conseguiu empreender nenhuma destruição desmedida. A triste constatação, por outras palavras, de que esta costa só vale a pena porque foi relativamente deixada em paz. Como noutros casos, valha-nos pelo menos isso.

A foto acima é da zona de sapal da Ribeira de Aljezur ( quase a chegar à praia da Amoreira) e as abaixo da praia da Carriagem - Imperdível sobretudo durante a maré baixa, altura em que se tem acesso a inúmeras pequenas praias ao longo da costa. Ambas estão suficientemente sinalizadas ao longo da estrada para Lagos.

Para finalizar, pelo menos por este ano, as vistas na Costa Vicentina, um comentário final para Aljezur. Apesar do que acima foi dito, é notório que Aljezur vacila perante a pressão dos interesses facilitadores do turismo. Monte Clérigo, Arrifana, Vale da Telha mostram alguns desses sinais. Ainda assim valem a pena. A este juntam-se todos os restantes milímetros de costa: Odeceixe, praia do Amado, Vale do Homens, Vale Figueira, Carrapateira, praia do Amado, and so on, and so on.....!!

PS- o link para a petiçao em defesa do parque Natural, é colocado tambem aqui:

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Portugal, Aljezur - praia da carriagem, Agosto de 2004

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Portugal, Aljezur - praia da carriagem, Agosto de 2004

Publicado por jgomes às 02:09 PM | Comentários (0)

setembro 03, 2004

Monchique

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Portugal, Monchique-Algarve, centro da cidade, Agosto de 2004

.............Apesar de tudo, da paisagem seca e exausta, dos desgraçados dos eucaliptos que nem sequer pediram para ali serem postos, das curvas e da vontade de voltar para trás para uma das praias de Aljezur, Monchique merece ser visitada. Na encosta oriental da Serra, uma cidade rodeada de socalcos e pelo verde luxuriante da vegetação. Não uma cidade miserável, mas uma cidade que ainda esbanja dignidade, com um centro urbano feito há décadas atrás por gente de elevado nível.

As imediações poderiam estar piores (como seria de esperar, nem ali se resistiu à tentaçao fácil do "business" imobiliário ao substituir a vida do casco histórico pelos isolados e incaracterísticos blocos de apartamentos T2), mas o que realmente interessa é passearmo-nos pelo centro, pelos cafés, restaurantes e admirar o desenho das ruas e das soluções encontradas nos séculos XIX e XX por especialistas que não cursaram ne Arquitectura nem Engenharia.

Há detalhes tão sofisticados que se chega a ficar triste quando nos lembramos das urbes de hoje. A mesma tristeza que se deve ter quando se percorrem as pirâmides do Egipto ou da América Central/Sul. Perguntamo-nos o que é que se perdeu na passagem das gerações, como foi possível regredir tanto o nível de exigência. Em suma, a sensação triste de desconfiarmos que somos, em matéria de urbanismo pelo menos, uns indigentes em face dos antepassados. Cora-se de vergonha!....Quando se tem vergonha.

A praça acima é um exemplo de que se acordou relativamente a tempo. Há quem não goste do colorido excessivo das tintas, mas o que é incontornável é que se denota o interesse e cuidado da autarquia em recuperar as ambiências perdidas. O caminho está encontrado. Menos mal. Pode-se já não conseguir fazer igual, mas pelo menos não se escavacou estupidamente.

Para quem tiver ainda fôlego, também se aconselha uma visita às ruínas de um convento, (convento de S. Francisco e do sec. XVII, se o informador não nos tiver enganado), propriedade da autarquia que nele pretende ver instalada uma pousada. O que só deverá acontecer daqui a uns anos atendendo ao péssimo estado em que aquilo se encontra. De qualquer das formas o que interessa é a ambiência. A foto segue abaixo.

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Portugal, Monchique-Algarve, convento, Agosto de 2004

Depois é arranjar forças para voltar a Aljezur. Saídos pelo lado Sul (direcção Portimão), os visitante são ainda submetidos à prova de conduzir de olhos fechados por forma a que não vejam a pedreira de granito (foto abaixo).

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Portugal, Monchique-Algarve, Pedreira e Portimão ao fundo, Agosto de 2004

Evidentemente, a foto acima só pode ser um excelente cartão de visita preparado para receber o exigente turismo de qualidade que se rebola ao sol nas praias de Portimão. Sobrevivendo-se a esta visão da pedreira, o caminho seguir rapidamente em estado de coma até Aljezur. (Aconselha-se olhos fechados para não ver as serras. comprimidos para os enjoos provocados pelas curvas não são má ideia). A reanimação dos sobrevivente em regra é possivel com 2 mergulhos no mar da praia da Amoreira/Aljezur!

PS - Como é evidente há outros locais de interesse em Monchique. Uma visita à Foia ( ponto mais alto do Algarve, 900 metros) e às termas, as quais por si só mereciam uma entrada, são dois desses pontos.

PS2 - Realço o facto de ter adicionado hoje uma série de novos links nas secções "Vistas para a Vizinhança" e "Vistas para a Comunidade" São blogues diferenciados, que gosto de seguir e que, por uma razão ou por outra, valem a pena. Visitem e beneficiem!

Publicado por jgomes às 11:52 PM | Comentários (0)

setembro 01, 2004

Estrada Aljezur-Monchique: A sucessão das tragédias

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Portugal, Estrada Aljezur-Monhique, Agosto de 2004

A Costa Vicentina tem a vantagem, muito pouco percebida por quem a promove, de estar a menos de 30 km da Serra de Monchique, um infeliz-ex-paraíso-verde na secura desta zona da costa alentejana/vicentina.
No passado, antes dos incêndios catástrofe de 2003, valia a pena ser surpreendido pela estrada de montanha que liga Aljezur a Monchique. Já se percebia que aquelas serras estavam demasiado eucaliptadas, mas a velocidade, o calor e o verde convidavam a não nos preocuparmos demasiado.

Voltar a percorrer esta estrada em 2004 é, conforme atesta a fotografia, percorrer com os olhos uma tragédia sobre outra tragédia mais antiga,i.e, os incêndios sobre a desgraça da eucaliptização de solos xistosos, no ultimo grau da erosão, que sempre foram pobres e agora estão praticamente exaustos. O que era mata mediterrânica original, de sobreiros, carvalhos, castanheiros, medronhos, foi substituído pela monocultura do eucalipto, algo só concebível a abutres-bípedes no ultimo estágio da ganância.

Em 2003 o fogo descobriu décadas de eucaliptizaçao (entretanto renascidos e prontos para continuar a sugar solos esgotados), em 2004 jovens incendiários deram cabo do que faltava no lado sul: montados que levaram séculos a crescer humilhantemente ardidos.

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A população de Monchique tem consciência de que não era num ano que se corrigiam décadas de erros gananciosos. A única alternativa viável para aquela zona será replantar a floresta original. Dia 11, pelas 14, haverá em Monchique uma concentração de cidadãos locais a exigir, entre outras coisas, o óbvio: o fim da monocultura, a busca de soluções sensatas para desenvolver sem destruir o único património que possuíam, a replantaçao de sobreiros e castanheiros entre outras espécies.

Nem tudo está perdido, mas desconfio de que não estaremos longe. Recuperar aqueles solos é, salvo melhor opinião, uma tarefa difícil e cara. Os senhores dos eucaliptos já amealharam o que queriam (investindo talvez na outra destruição em curso, urbanizando intensivamente a costa sul algarvia) e devem estar a salvo de incómodos; O Estado está na penúria e não está para breve os mais programas tipo Polis: recuperar com o dinheiro de muitos otáriospagantesdeimpostos o que a ganância desmedida de alguns destruiu e a incuria dos políticos benzeu.

A propósito disto, e através do blogue anomalias, tive conhecimento de uma entrevista do Público de ontem, da jornalista Ana Fernandes a Francisco Correia sobre o assunto da desertificação do interior. Que no fundo é o problema destas serras de Monchique/espinhaço de cão. Desertificação humana acelerada pela desgraça da gula e agora dos incêndios. Aqui fica o link. Vale a pena ler. A cópia do texto integral fica no corpo da entrada.

O site da autarquia de Monchique fica aqui.

Cidades do Interior Podem Ser o Motor da Luta Contra o Despovoamento
Por ANA FERNANDES
Terça-feira, 31 de Agosto de 2004

Acredita na economia de mercado mas sabe que é um processo com falhas, que se traduziram num abandono crescente das regiões mais desfavorecidas do país, sobretudo as mais ligadas à agricultura. Francisco Nunes Correia, que liderou uma equipa que fez o levantamento da desertificação em Portugal, explica que a evolução dos modelos sócio-económicos mudou a face do território por razões tão práticas como a falência do modelo económico que ali se vivia, assim como por motivos mais subjectivos, como a perda de auto-estima das populações rurais face a uma sociedade cada vez mais urbana.

Nunes Correia, professor do Instituto Superior Técnico, foi responsável pelo programa Polis durante o Governo PS e preparou, durante o executivo de Cavaco Silva, o Plano Nacional de Política do Ambiente, um dos documentos mais programáticos já feitos para esta área mas que acabou por não sair da gaveta. É actualmente presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

PÚBLICO - O que explica a desertificação em Portugal?
Nunes Correia - Em Portugal prevalecem processos de abandono das regiões por parte das populações por razões que têm a ver com a evolução dos modelos sócio-económicos. É um problema de ordenamento do território em primeiro lugar.

P. - Num inquérito feito no âmbito do vosso relatório sobre a desertificação, os agentes locais apontam os constrangimentos à expansão urbana como uma das principais explicações para o despovoamento do interior. Concorda?
R. - Essa ideia surge com algum radicalismo, mas tem de ser ouvida com atenção porque muitas vezes as pessoas que querem, por exemplo, fazer uma pequena construção para apoiar a sua actividade, são contrariadas por legislações de protecção dos recursos que, por vezes, são aplicadas de forma cega, sem atender às realidades sócio-económicas. Isso deve ser alterado. Mas, muitas vezes, por trás deste ressentimento existem interesses especulativos, que são de contrariar.

P. - Como é que a revisão de certas medidas de protecção, como as reservas agrícolas e ecológicas nacionais, deve ser feita?
R. - Existe unanimidade em relação à necessidade de revisão desses instrumentos, só que não se deve abandonar o essencial dos valores que se pretende proteger. O que é importante é rever a forma cega e mecânica como são aplicados. A desertificação não se combate contrariando os valores naturais ou degradando-os. Tem de se preservar a base de recursos: o solo, a água e um recurso de que se fala pouco mas que é extraordinariamente importante, que é a paisagem, associada à identidade própria de cada região. A identidade é um dos activos principais para promover o desenvolvimento. Portanto, a preservação dos solos, da água, da paisagem, dos centros históricos, do património cultural e natural são apoios essenciais para desencadear desenvolvimento. Mas há que conciliar o respeito por esses valores com tecidos económicos que assegurem prosperidade.

P. - Como é que isso se faz?
R. - O desenvolvimento das regiões do interior não pode ser visto de uma forma passadista, querendo fazer regressar os agricultores para trás do arado. É preciso caminhar para a frente, desenvolvendo a multifuncionalidade dessas zonas, reforçando, por exemplo, a natureza fortemente florestal do país.

P. - Costuma dizer que um país hoje é uma rede de cidades. Que papel têm os meios urbanos no combate à desertificação?
R. - É muito importante a relação das cidades de média dimensão com os seus "interlands". Hoje, só se pode contrariar a desertificação através do fortalecimento das cidades de média dimensão nas regiões afectadas. É usando as cidades como alavancas de desenvolvimento que se consegue chegar às populações mais remotas. Tem de haver uma relação estreita entre os núcleos urbanos e as zonas remotas, uma relação nos dois sentidos, com actividades económicas que relacionem o campo com a cidade.

P. - É o fim do ideal romântico de aldeia?
R. - As pessoas hoje aceitam mal viver em habitats muito isolados. São atraídas pela vida urbana. A nossa sociedade é urbana. O que é preciso é que as populações desruralizadas, em vez de irem para o litoral se fixem nas cidades de média dimensão. É preciso fazer uma grande aposta no desenvolvimento harmonioso dessas cidades, levando para lá uma modernidade respeitadora da sua identidade. Isso passa por questões tão diversas como o respeito pelo património mas também por uma atitude pro-activa relativamente, por exemplo, ao saneamento básico. Essas cidades têm que ser preparadas para o crescimento urbano.

P. - Que actividades económicas poderiam ser atraídas para essas cidades?
R. - Já há muitas actividades que podem desenvolver-se nas zonas mais remotas, como as turísticas. É importante reequilibrar o perfil turístico do país. Isto é, não ser só os chamados três esses - "sun, sand e sea" [sol, areia e mar] - mas também apostar no turismo cultural, rural e ecológico e todas as actividades relacionadas. Além disso, há as actividades ligadas à fileira florestal. Com o enorme desenvolvimento das acessibilidades nos últimos anos, que desencravaram territórios extremamente isolados, as cidades do interior ganharam protagonismo, uma capacidade de atrair investimento que no passado não tinham. Hoje há indústrias e actividades económicas que se fixam nestas regiões do país. Actividades que devem ser pouco exigentes em termos de recursos, como o solo e a água. Isto tem de ser feito com políticas pro-activas de investimento.

P. - Portanto, terá de haver uma forte intervenção do Estado?
R. - No relatório dizemos que a desertificação é uma falha de mercado. De acordo com a teoria Keynesiana, as falhas de mercado não podem deixar de ser contrariadas pelo investimento público, portanto, em nome da coesão, os portugueses têm de aceitar que nessas regiões o investimento per capita seja maior. É preciso uma intervenção dos poderes públicos, por um lado, na infra-estruturação dessas regiões e, por outro, num modelo de desenvolvimento e nos recursos humanos. Não se promove desenvolvimento sem agentes económicos, sem protagonistas. Nem todos têm de ser locais. Alguns podem ser atraídos, mas tem de haver uma malha local que acompanhe e corresponda.

P. - O futuro já não passa pela agricultura?
R. - Com ou sem desertificação, a agricultura segue o rumo ditado por muitos factores externos ao país. É preciso olhar para o que está a acontecer na agricultura e encontrar benefícios para estas zonas do interior, que tradicionalmente tinham vocação agrícola. Isso pode ser feito de muitas maneiras, como a conversão da actividade agrícola em florestal. E incentivar a ligação da agricultura a outros sectores, como o turismo de habitação. Por outro lado, a actividade agrícola continuará sempre: o número de agricultores caiu a pique mas a produção não. Esta tendência vai-se acentuar. A grande consequência que tem, entre outras, é de natureza sociológica. Há muita população em processo de desruralização. Essa população é atraída pelas cidades e é preferível que fique nas de pequena e média dimensão e que aí crie riqueza de uma forma ainda próxima da memória agrícola dessas populações, do que ir habitar bairros dormitórios das grandes cidades

Publicado por jgomes às 03:51 PM | Comentários (0)