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agosto 05, 2004
Um ano a ver Vistas na Paisagem!
Há um ano atrás escrevíamos "blogue, blogue... " pela primeira vez! Não imaginávamos como estaria um ano depois, mas é seguro afirmar que o balanço é francamente positivo: O objectivo principal cumpriu-se e mantém-se totalmente actual: registar num site acessível a todos textos sobre o direito à paisagem (seja ela urbana ou, rural ou natural) que assiste a cada um de nós e que é um elemento fundamental na definição da nossa qualidade de vida enquanto sociedade com um passado e um projecto de futuro.
Como dizíamos na altura, um blogue que se propunha a misturar estética com política, ordenamento e administração do território entre outras coisas!
Para além deste objectivo principal refiro outros aspectos positivos que o Vistas na paisagem proporcionou ao longo das suas 50 entradas. Aspectos normalmente citados por quem edita blogues e que se situam no nível da satisfação pessoal :
- o grande prazer de expressarmos publicamente os nossos pontos de vista e de os partilharmos com outros,
- o habituarmo-nos a ler e a lidar com criticas, nomeadamente quando estas foram negativas e fomos forçados a reconhecer-lhes razão,
- o ter-nos permitido amadurecer e desenvolver ideias, perspectivas e reflexões, levando-nos a percorrer um caminho que para nós mesmos foi de descoberta.
Se a este aspectos juntarmos a expectativa de que outros leitores se identificaram com o que foi sendo editado, então temos a medida da nossa satisfação.
Como é evidente há aspectos menos conseguidos: não conseguimos alterar o layout do blogue uma única vez; falhou-se na intenção de suscitar a participação de outros cidadãos na produção e publicação de textos que partilhassem a mesma base de insatisfação com o que se observa no nosso país em matéria de ordenamento do território.
De qualquer das formas e apesar dos aspectos menos conseguidos o saldo é francamente positivo, e não é arriscar muito afirmar que contamos poder fazer novo balanço positivo daqui a dois anos. O compromisso é continuar a editar com uma frequência semanal pequenos textos, com principio meio e fim, em que a paisagem é a personagem principal.
Como não poderia deixar de ser, finalizo com os inevitáveis agradecimentos:
O meu obrigado ao Paulo Querido, promotor do projecto excepcional que é o Weblog. Os meus votos sinceros do seu (nosso!) maior êxito!
O meu muito obrigado também a todos aqueles que visitaram e visitam o vistas na paisagem!
PS - Porque é sempre altura de fazer um link aqui vai mais um para o Editorial de José Manuel Fernandes no Publico de hoje. Nem de propósito refere e desenvolve as ideias ( que não são inovadoras, eu sei!) da ultima entrada sobre a derrocada de prédios nos nossos centros urbanos! No corpo desta noticia segue o texto na integra.
Derrocadas, Rendas e Cultura
Por JOSÉ MANUEL FERNANDES
Quinta-feira, 05 de Agosto de 2004
Os portugueses não gostam de casas velhas. Boas, boas, são as novinhas em folha, a estrear, para onde se entra sem perder tempo com pinturas, sem verificar os canos e as instalações eléctricas e que têm aquele aspecto plastificado que não difere muito de serem "de luxo" ou de "preços moderados". Os portugueses só gostam de casas velhas quando são, virtualmente, de borla. Quando podem lá viver, às vezes sem um mínimo de condições, mas pagando uma renda que nem dava mandar pintar uma janela ou substituir uma torneira - obrigações inalienáveis do senhorio, está bem de ver.
Esta cultura impregna o país de alto a baixo. Serve os construtores civis, que detestam as imprevisíveis obras de recuperação e sabem que o seu negócio tem margens mirabolantes, as maiores de toda a Europa. Serve os senhorios mal intencionados, que vão deixando degradar as casas até que elas venham abaixo por falta de manutenção ou por assassinato deliberado. Serve muitos inquilinos, que graças às rendas baixas, puderam cumprir o sonho bem português da "segunda habitação". E serve até as câmaras que cobram bons impostos pelos edifícios novos enquanto têm de comparticipar na recuperação dos antigos.
Os resultados estão à vista. Primeiro, no desordenamento urbano e na invasão dos espaços rurais mais cobiçados. Depois, na degradação inevitável dos cascos urbanos antigos que, em muitos casos, chegou a um ponto que só investimentos públicos incomportáveis permitiriam recuperá-los.
Os números são, de resto, elucidativos. O investimento em recuperação de edifícios degradados representa apenas 5,6 por cento do total do investimento na construção de habitação, o que faz com que Portugal seja o país da Europa Ocidental que menos investe na recuperação. Só para ter um termo de comparação, diga-se que na Suécia metade do dinheiro vai para a requalificação dos edifícios e em Espanha é esse o destino de 22,6 por cento do investimento.
Não surpreende por isso que 15 por cento dos nossos alojamentos necessitem de obras de conservação ou recuperação (800 mil) e que seis por cento (325 mil) ameacem ruir. Mais: um terço desses edifícios ficam nas zonas de Lisboa e do Porto e 180 mil estão devolutos. Por isso, quando cai um prédio como esta semana sucedeu em Campo de Ourique, a surpresa não é derrocada: é não haver mais derrocadas.
Nessas alturas olha-se para o Estado e estende-se a mão. Mal: devia-se antes exigir as medidas de fundo que faltam. Que são várias. A obsoleta lei das rendas, que ainda não foi liberalizada, é uma delas. Prometida para o primeiro semestre, está adiada para o fim de Setembro. Veremos. Mas não chega. É necessário rever também a tributação do património, algo que está em marcha mas que, suspeito, não penaliza como devia os proprietários de prédios devolutos que jogam na especulação. Por fim, é necessário alterar a forma de financiamento das autarquias e o modo como tributam as novas habitações e a recuperação das antigas, fazendo a necessária distinção.
Hoje quase todos ganham por deixar os prédios cair. Só quando todos perderem se modificará o "novo-riquismo" das casas a estrear e se optará, até culturalmente, pelo mais racional: recuperar, reutilizar, requalificar.
Publicado por jgomes às agosto 5, 2004 07:32 PM
Comentários
Já um ano?...... e pensar que o conheci de fraldas e agora está tão crescidinho. Parabéns!!!!!
Publicado por: Jonas às agosto 6, 2004 10:01 AM
Eu conheci vista na paisagem quase adulto porque um ano de trabalho, transmitindo para diferentes partes e pessoas ja nao é fácil. Parabens pelo seu aniversário.
Publicado por: Jorge Estrela às agosto 6, 2004 12:15 PM
Muitos parabéns!!!
Publicado por: LPe às agosto 6, 2004 01:09 PM
Parabéns e continua com as boas postas!
Publicado por: sónia às agosto 6, 2004 06:35 PM
Parabéns!!!
Embora sem ter participação activa, sempre consulto os vossos temas. Neste segundo ano serei mais assíduo.
Publicado por: Jorge Guedes às agosto 13, 2004 10:11 AM
PARABÈNS!!!!
Publicado por: leandro às agosto 19, 2004 04:34 PM