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agosto 04, 2004
Lisboa a Cair... E, já agora, o Porto e os centros urbanos do resto do País...
Ontem, dia 3 de Agosto de 2004, os jornais da noite transmitiram em diferido as imagem de um prédio de Lisboa a cair .... Imagens impressionantes (ver tambem jornal Público de hoje), e que proporcionaram bons momentos de espectáculo gratuito, explorado ao limite, desempenhado na gritaria convincente de quem acabou de ver a casa a ir abaixo.
O presidente da Câmara, Carmona Rodrigues, que já foi ministro e está habituado a problemas de maior complexidade e gravidade, já nem pestaneja quando assume que há centenas de prédios em situação próxima daquele.
Não pestaneja porque sabe que a culpa não é só dele. O sistema está de tal forma montado que ninguém se sente na obrigação de ter vergonha.
No Porto existem 19 000 habitações devolutas; em Lisboa perto de 90 000 e no total do país estima-se em cerca de 1 milhão e 200 mil!
Enquanto isso, da parte da manhã abusa-se do argumento de que a culpa é da lei do arrendamento! Da parte da tarde, e alegremente no conforto dos gabinetes municipais, aprovam-se mais e mais urbanizações para todos os segmentos e carteiras. O país não aumenta a população, mas há que manter a economia a funcionar... nem que seja a deixar cair cidades para urbanizar ao gosto do mercado!
Isto é um crime puro non sense!! Quando os marcianos aterrarem neste planeta vão fartar-se de rir com estas artimanhas!!
Porque é que ninguém relaciona estes dois temas: As Cidades a cair e as suburbanizaçoes a nascer???
Prédio Degradado Ruiu e Deixou 51 Pessoas Sem Tecto em Campo de Ourique
Por ANABELA MENDES
Quarta-feira, 04 de Agosto de 2004
Um prédio degradado na zona de Campo de Ourique, em Lisboa, ruiu parcialmente ontem de manhã, cerca das 9h15, sem causar vítimas, pois os moradores tinham já sido retirados na véspera pelos serviços da Protecção Civil Municipal, chamados de urgência ao local.
À hora da derrocada ninguém se encontrava em casa, mas o susto foi grande entre os habitantes da Travessa Particular à Rua Possidónio da Silva, especialmente para aqueles que tinham familiares ou amigos no imóvel que ruiu.
Era o caso de Artur Moreira Gomes, que no momento em que o prédio caiu se encontrava a retirar o seu veículo precisamente daquele local. Apesar de morar do outro lado da rua, confessa que o coração lhe caiu aos pés.
"Ali morava a minha avó, a minha filha, a minha cunhada e a minha ex-mulher, que esta noite pernoitaram em minha casa. Mas é uma situação muito dolorosa, pois terão de ser realojadas em pensões a partir de hoje [ontem], visto que onde moro é impossível permanecerem. Na casa que caiu ficaram todos os bens da minha avó, uma vida inteira que será impossível recuperar", explicava, ainda com um ar bastante abalado.
Já José Alexandre, um dos moradores que na véspera saiu para a pensão Barca do Tejo, nas Janelas Verdes, por insistência da Protecção Civil, estava inconsolável. À hora do colapso do imóvel ainda não estava no local e, por isso, olhava desalentado para a fachada esventrada do prédio onde morou 20 anos e onde na segunda-feira à noite deixou todos os seus haveres, incluindo o dinheiro do ordenado e do subsídio de férias que recebera na sexta-feira.
"Saímos com alguma roupa e francamente, talvez por o prédio já ter sido evacuado umas três ou quatro vezes, sempre achei que ainda não era desta que ia acontecer", disse, referindo-se ao eterno estado de degradação do imóvel e ao facto de ter deixado tudo para trás, incluindo o vencimento.
Senhorios ignoraram notificações
Segundo Álvaro de Castro, director municipal da Protecção Civil, Segurança e Tráfego, o prédio que ruiu já se encontrava em mau estado "há algum tempo", pelo que parte dos moradores já tinham sido retirados e os restantes permaneciam "por teimosia", disse.
"Ontem [segunda-feira], elementos da Protecção Civil visitaram o edifício e verificaram que se tinha registado uma alteração significativa na sua estrutura, tendo de imediato pedido às pessoas que saíssem, pois não havia condições para ali permanecerem. Algumas ainda ofereceram alguma resistência, mas acabaram por se deixar convencer e já pernoitaram em pensões", explicou.
De acordo com aquele responsável, os moradores do prédio ao lado também foram obrigados a deixar as suas casas, já ontem de manhã. "Estão a ser encaminhados para as instalações da Protecção Civil, na Praça do Espanha, para posteriormente serem reencaminhados para pensões", afirmou, garantindo que um possível realojamento das 21 famílias, num total de 51 pessoas, em fogos da autarquia, a realizar-se mais tarde, já será da competência do pelouro da Habitação
O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, que também se deslocou ao local ontem de manhã, disse que pretende reabilitar a zona em Campo de Ourique onde ruiu o prédio, admitindo a reconstrução do edifício para que as pessoas possam regressar. Carmona referiu ainda que a Protecção Civil vai fazer um levantamento das necessidades das famílias, caso a caso, havendo a hipótese de as pessoas serem realojadas provisoriamente em habitações camarárias.
O autarca lembrou que o prédio que ruiu, bem como o prédio vizinho, pertencem a proprietários privados que, apesar de terem sido várias vezes notificados para realizarem obras, nunca as fizeram
Publicado por jgomes às agosto 4, 2004 02:13 PM