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julho 28, 2004
O Fogo na Arrábida ( E, já agora, no resto do Pais)
Na Arrábida, em especial nalgumas das zonas que arderam, existem casas que nunca deviam ter sido aí construídas. Defendê-las tornou-se a prioridade dos bombeiros, que deixaram que o fogo prosseguisse incontrolado para os matos, soprado por ventos fortes, enquanto protegiam as habitações, algumas delas - suspeito - construídas sem licença.
escrito por José Manuel Fernandes, Director do Público, Editorial de 27 de Julho.
Portugal continua a arder. O ano passado foi assim, este voltou a ser assim. E provavelmente o ano que vem vai ser assim.Já tudo foi dito, e todos sabemos que os erros de décadas nao se resolvem num ano. Uma politica florestal demora décadas a construir - algo que vai para além das legislaturas.
A frase acima de José Manuel Fernandes é emblemática porque põe o dedo onde ele deve ser posto: na ferida do desordenamento do nosso territorio. Um tema que muitos consideram um luxo para pessoas desocupadas.
Uma responsabilidade que não é so do Governo mas tambem de todos os cidadãos, muitos dos quais estão habituados a serem os unicos senhores dos seus minifundios. constroem e plantam o quer que seja, onde querem, quando querem. As autoridades deixam e promovem quando lhe dá jeito ( sobretudo quando isso está associado a negocios do imobiliário). Nos outros casos, olham para o lado!
Não há problema de maior porque no final os prejuízos e os custos de proteger a desorganizaçao sao divididos irmamente por todos os contribuintes!!! Que estão tão a leste, que ainda se emocionam!
Além deste editorial de José Manuel Fernandes, copiado na integra abaixo, aqui vai o link para o blogue ditocujo, que escreve basicamente o mesmo.
O Fogo na Arrábida
Terça-feira, 27 de Julho de 2004
O incêndio da Arrábida ensina-nos que o fogo pode fazer parte da vida da floresta, mas que para isso ela deve estar ordenada e livre das construções que fazem com que os bombeiros não se ocupem do essencial: salvar santuários naturais únicos
O incêndio que percorreu a Serra da Arrábida nos últimos dias causou natural pânico e ansiedade. A Arrábida é uma das jóias mais belas do nosso património natural, foi a primeira área natural a ser protegida legalmente, o movimento ambientalista nasceu na luta de alguns pioneiros (já lá vão algumas décadas...) primeiro contra as pedreiras que feriam a serra, depois contra a estrada que hoje liga as praias da Figueirinha e do Portinho. Por isso, quando se ouve dizer que a serra está a arder, os corações inquietam-se.
Em parte com razão: algumas das matas que se abrigam nos seus vales possuem espécimes de porte único, arbustos que ali tomam a dimensão de árvores portentosas. Tal sucede nas matas Coberta e do Solitário, por exemplo. Se um dia o fogo por ali passasse de forma catastrófica, tais habitats levariam séculos a reconstituir.
Em parte com algum exagero: a mata de tipo mediterrânico que cobre boa parte das encostas é uma mata habituada, preparada, para conviver com o fogo. O fogo integra mesmo o seu ciclo de vida e chega a ser necessário à sua regeneração. Sobretudo se não for totalmente descontrolado.
Aquilo que alguns especialistas referem nesta edição é verdade: no próximo Inverno já haverá bons matos nalgumas das áreas percorridas pelas chamas e em poucos anos, em condições normais, a vegetação autóctone estará de tal forma reconstituída que será difícil distinguir as cicatrizes da passagem das chamas.
Quer isto dizer que se pode deixar arder à vontade? De forma alguma. Tratando-se de uma área relativamente pequena, o fogo deve ser sempre controlado de forma rápida e por quem conheça o terreno, sob pena de causar danos tão graves que a regeneração natural se torne impossível e os danos irreversíveis. E é aqui que começam os problemas.
Na Arrábida, em especial nalgumas das zonas que arderam, existem casas que nunca deviam ter sido aí construídas. Defendê-las tornou-se a prioridade dos bombeiros, que deixaram que o fogo prosseguisse incontrolado para os matos, soprado por ventos fortes, enquanto protegiam as habitações, algumas delas - suspeito - construídas sem licença.
Mais: numa área natural e tão importante como a Arrábida a prevenção ao longo de todo o ano é crucial. Alguma limpeza e preparação das matas, assim como a utilização de fórmulas de fogo controlado em épocas de menor risco, deviam ser formas de gestão corrente dentro do Parque Natural, algo que exigiria meios humanos e materiais que este não possui. Isto é, exigiria prevenção e ordenamento, exigiria capacidade de tratar convenientemente um património de todos que o Estado tem a seu cuidado e, também, perceber que quando se defende que há zonas onde não se deve construir, isso não sucede por capricho ou apenas para manter uma paisagem imaculada: também é importante para que o combate aos fogos, quando eles ocorrem, seja mais eficaz. E a diferença pode estar entre um fogo que atinge 200 hectares e é dominado, como o de 1991, ou um que multiplica essa área por cinco, como o destes dias. Isso pode fazer a diferença entre o que é natural - o fogo numa mata mediterrânica - e o que é catastrófico - a destruição total de certos espaços naturais. José Manuel Fernandes
Publicado por jgomes às julho 28, 2004 08:05 PM
Comentários
E digo mais: hoje não li o Público! - ou seja, eu e o director do Público chegámos à mesma conclusão independentemente...
Publicado por: Dito Cujo às julho 28, 2004 11:47 PM
Bom dia, queria dizer que o Fogo nessa localidade causa grande perigo por parte das populaçöess que habitam nos arredores da floresta, e tambem com a propagaçao do fogo que continua cada vez mais com maior intensamente devido ao desvio do vento traz grande dificuldades para as pessoas que estao a trabalhar incansávelmente para que o incendio parrasse.Posso dizer tambem que quase maior parte dos hectares da floresta estao a queimar com as chamas.O Governo portugues tem de tomar medidas de combate e prevenir uma equipa de trabalho nas areas florestais e arranjar equipamento que combata essas enorme chamas que acontece todos os anos na floresta Portuguesa.
Praia, 29 de Julho de 2004.
Jorge Humberto Silva Estrela - Cabo Verde.
Publicado por: Jorge Estrela às julho 29, 2004 10:42 AM