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junho 03, 2004
Cidade que temos, cidade que queremos
Portugal, Porto, Viaduto das Andresas
No passado dia 29 de Maio decorreu em Lisboa um Fórum promovido pela Ordem dos Arquitectos sob o tema "Cidade que temos, cidade que queremos".
Não tendo estado presente, nem sabendo o que por lá se passou, fico-me apenas pela grata posição de publicitar a iniciativa.
Considerando que de todos os intervenientes e responsáveis pela péssima qualidade das nossas cidades, os arquitectos até são os que menos responsabilidades têm nos crimes, é de notar e louvar que seja a ordem dos Arquitectos a promover este Fórum.
Como dizia e admitia Helena Roseta, na entrevista que deu Sábado passado ao Jornal 2, a propósito deste Encontro, (mais palavra, menos palavra): 1) o processo de construção das cidades actuais é hoje um processo obscuro; 2) A cidade que temos resulta entre outros factores da demissão das autoridades públicas em fazerem a cidade. Hoje limitam-se a aprovar ou recusar projectos de loteamento.
Estas palavras, a par de outras, explicam com coragem porque é que as nossas cidades são construídas em função do "maior numero de metros quadros possíveis" e não como espaços públicos que têm o cidadão e a sua qualidade de vida no centro das preocupações. Tudo devidamente loteado e aprovado por executivos camarários eleitos democraticamente!!
Estão pois enquadradas as fotografias que se aqui se juntam. A primeira é sobre o polémico viaduto das Andresas, sobre a VCI, e que faz parte das acessibilidades do Euro ao Estádio do Bessa. Passa a escassos metros de apartamentos que forma vendidos como de Gama Média Alta. A autarquia diz que o projecto de viaduto já existia.... Mas se já existia, como é que aprovaram este loteamento? A este proposito ler também "O tal viaduto das Andresas", publicado em Março no Blogue Dito.Cujo.
A segunda, abaixo, é mais um urbanização de qualidade promovida pelas autarquia de Lisboa nas Olaias. Apartamentos novinhos em folha com vista para uma via rápida de escoamento. A qualidade de vida proporcionada está à vista!
Portugal, Lisboa, Olaias
Publicado por jgomes às junho 3, 2004 12:19 AM
Comentários
Com o óbvio défice de planeamento por parte das autarquias a qualidade de vida das cidades fica órfã.
É que eu não creio que possamos confiar esta tarefa a empreiteiros (têm em consideração apenas aspectos comerciais), nem arquitectos (são pagos pelos anteriores), nem em organismos do estado (centralizar uma tarefa destas ia ser um cabo dos trabalhos e mais um exemplo do estado "à estalinista") nem as pessoas em geral (querem é fazer a sua vidinha sem ninguém os chatear).
Este problema de falta de planeamento não nos afecta só a nós. Há muitas cidades por essa Europa fora que até me dão orgulho de viver em Aveiro. Só que não nos devemos pautar pelo medíocre mas sim pelo excelente.
Publicado por: Dito Cujo às junho 3, 2004 06:34 PM
Obrigado pelo comentário!
...Apesar de nao concordar com a ideia de que estamos condenados a este estado de coisas. Pelo contrario, se os poderes publicos cumprissem a sua funçao de facto, estou certo de que metade dos problemas nao existiriam
O que acontece é que as autarquias limitam-se a licenciar (apenas aceitam ou recusam). Mas exerecem esta funçao - já de si redutora - de forma muito obscura e em regra muito mal!
Claro que há exemplos piores. Mas também os há infinitamente melhores. E aí concordo consigo, é por estes que nos deviamso pautar!
Obrigado e bom fim de semana
Publicado por: Joao Gomes às junho 4, 2004 08:29 PM