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junho 16, 2004
Barragem Do Sabor - o anúncio de um crime
Portugal, Mogadouro, Rio Sabor
Começa mal, muito mal, a prestação de Arlindo Cunha. Pela sua voz, o governo acaba de dar Luz verde à construção da Barragem do Sabor - um projecto que avança com base em frágeis argumentos altamente discutíveis, contra as mais elementares regras de bom senso. Arlindo Cunha não se comportou como um ministro do ambiente mas como um porta voz de uma qualquer repartiçao do ministério da economia.
Todas as razões apresentadas já foram claramente desmontadas por especialistas, cidadãos e organizações ambientalistas. A única razão que de facto forçou esta decisão não foi assumida: o poder do dinheiro da EDP e de alguns lobbies locais que querem vender areia, pedra e sandes de presunto durante a construção da barragem.
Não vale a pena votar a referir o absurdo deste crime ambiental em preparação. Já aqui foram referidas, o Publico de hoje tem uma reportagem exaustiva, outros blogues como o Reciclemos comentaram o tema e as associações ambientalistas estão a fazer e bem o seu trabalho reunidas na plataforma Sabor Livre.
Este governo ignorou as dezenas de milhar de pessoas que assinaram ( e que aliás podem e devem continuar a assinar) petição contra a construção de uma Barragem que no máximo "beneficiará" 50.000 pessoas. E colocamos aspas porque na realidade sob a capa do beneficio as populações dos concelhos abrangidos perderão um dos seus maiores activos: Um habitat único e preservado.
Como é evidente as associações ambientalistas e os lideres da plataforma Sabor Livre vão levar este assunto para os tribunais. Até às ultimas consequências. E ou nos enganamos muito ou esta Barragem nem vai sequer ser iniciada. Este OK é só uma etapa de uma guerra desnecessária convocada pelo governo. De uma guerra que vai perder.
No futuro quando se explicarem entre outras coisas as taxas de abstenção, esta decisão de contruir a barragem do Sabor vai ser apenas ser recordada como mais um exemplo do autismo terminal dos governos portugueses do principio de século XXI. Como ilustração de uma época de políticos travesti que com a pose fingida de quem reflectiu muitas horas sem dormir para tomar decisões difíceis a bem do povo, cede em toda a linha a interesses obscuros e objectivos de curto prazo. De uma época em que os políticos tratavam do marfim nos gabinetes enquanto na televisão vinham exortar os seus concidadãos ao patriotismo e à bandeirite nacional a propósito de uns jogos de futebol.....
Publicado por jgomes às junho 16, 2004 01:50 PM
Comentários
Estamos com o gás todo...... Já vi que os ares aí pela Invicta andam ácidos. O ultimo parágrafo está um brinco, a começar pela prolepse de uma futura analepse.... E ainda a Lua não começou a crescer.
Publicado por: Jonas às junho 16, 2004 02:27 PM
Só gostaria de lembrar que Portugal tem que urgentemente produzir energia de uma forma limpa e isso só será possivel recorrente há energia hidrica por conseguinte, a construção de pelo menos uma barragem é um facto inadiável.
Publicado por: pista às junho 16, 2004 04:20 PM
Energia Limpa?!??!? Desde quando uma energia que implica destruir centenas de milhar de árvores, o consumo de toneladas e toneldas de betão, que detroi irreversivelmente vida poder ser considerada limpa?
Sabias que nos paises civilizados os empreendimentos hidro-electricos nao são considerados como produtorers de energia renovável?!?!?!?
O que nós precisamos é de racionalizar o consumo! E tomar outras medidas de fundo. E á seria
Publicado por: Jgomes às junho 16, 2004 06:21 PM
Até que enfim que decidiram contruir a barragem, ainda bem. Voces se morassem nesta região e sofressem do esquecimento do governo, de certeza que não tinham sido contra a barragem... Afinal de contas, voces perderam, e nós transmontanos ganhamos um grande investimento para o desenvolvimento da região e do país.
Publicado por: Transmontano às junho 17, 2004 02:08 AM
Não é uma barragem que vai resolver o problema de Trás-os-Montes..
O esquecimento se calhar acabou por preservar o ambiente e esse sim é o maior potencial que têm.
Com o desenvolvimento de um turismo sustentável as receitas são constantes, a qualidade de vida dos habitantes melhora e preserva-se o meio ambiente.
Já temos barragens suficientes. Temos é que aprender a não desperdiçar tanto.
Publicado por: Paula às junho 18, 2004 10:11 AM