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maio 24, 2004
Por um Rio Sabor Livre de barragens!
Para que a paisagem abaixo e o seu ecossistema único continuem preservados!
Portugal, Bragança-Mogadouro, Rio Sabor - ponte de Remondes, 22 de Maio de 2004 - Dia da Biodiversidade
Por estes dias o governo português prepara-se para tomar a decisão de avançar ou não com a construção da barragem do Baixo Sabor.
Apesar de todos os pareceres negativos do ICN e dos especialistas, este projecto continua em cima da mesa do governo em Lisboa. E este projecto só é ainda uma possibilidade porque Portugal é um país cujos governantes ainda insistem na falsa-possibilidade de se desenvolverem à custa da destruição e manipulação do que mais importante têm a par dos seus habitantes: o seu território.
Enquanto isto acontece em Portugal, outros países, como a França e os EUA, iniciam hoje processos de desmantelamento de projectos hidroeléctricos. As barragens, está á vista de todos os que delas tanto esperaram, provocam alteraçoes de tal modo profundas e negativas que numa perspectiva de longo prazo, que é a perspectiva que deve orientar a governação de um país, raramente são justificadas.
É este o caso concreto do Baixo Sabor. Estamos em presença de uma paisagem única no mundo e em Portugal. Existiu em mais locais da bacia hidrográfica do Douro, mas as barragens até agora construídas determinaram o seu fim.
É pois um dos últimos rios cujo curso corre tal qual a Natureza o decidiu. Não tem barragens. Nem foi desviado. A Natureza, juntamente com a acção humana permitem-nos desfrutar hoje, início do séc. XXI, de um ecossistema mediterrânico, onde existe espécies de fauna e flora únicos. e onde o Homem extrai, entre outros produtos, azeite e cortiça de altíssima qualidade.
Se mais razões não houvessem para deixar o Sabor Livre de Barragens bastaria esta:
O Vale do Sabor é uma Arca de Noé a custo Zero. Isto é, um arquivo vivo que vai permitir aos nossos descendentes repovoar os vales dos rios intervencionados com as espécies originais, quando daqui a 50 ou 60 anos tiverem de desactivar as barragens construídas no passado.
Sim. uma barragem destrói irremediável e irreversivelmente o que foi desenvolvido durante dezenas de milhares de anos e dura apenas 50 a 60 anos.
As populações desta zona de Trás os Montes (concelhos de Alfandega da Fé, Torre de Moncorvo , Mogadouro e Macedo de Cavaleiros) estão favor da construção desta barragem. É compreensível. Trata-se de uma região e de uma população que foram - podemos dizê-lo- literalmente abandonadas pelo poder central à sua sorte.
Mas podermos também dizer-lhes que contrariamente ao que lhes é dito pelosa seus presidentes de câmara, esta barragem só lhes vai levar algum desenvolvimento durante os anos em que estiver a ser construída. Será um desenvolvimento reduzido e de que só alguns aproveitarão. Como em Moura, no Alentejo, durante a construção do Alqueva, os trabalhadores virão da Europa de Leste e do Norte de África. As empresas levarão a sua logística e no máximo comprarão localmente umas refeições e umas dormidas.
Nenhum turista irá ao Sabor ver o espelho de água da albufeira. Esta será igual ás tantas outras 200 albufeiras já existentes em Portugal. Visitem a paisagem triste e lunar de Vilarinho das Furnas e convençam-se que o Sabor, como está, atrairá no futuro muitos, mas muitos mais turistas.
O Sabor irá produzir apenas 0,5% das energia eléctrica actualmente consumida em Portugal. Não é nada. Não tem expressão alguma. E se queremos cumprir as metas do protocolo de Quioto, como o governo advoga, existem outras alternativas bem mais viáveis. Em França, um pais europeu que serve tantas vezes de exemplo quando nos queremos comparar com o que se faz lá fora, o governo juntamente com os media e a sociedade em geral estão envolvidos num programa de poupança e redução do consumo de energia. É essa é a via a seguir. Não a construção de mais barragens.
Que se exija antes que as autoridades criem as condições para explorar o enorme potencial que existe nos Vales do Rio Sabor. na sua Natureza e nos produtos que nela são produzidos. E que continuemos a desfrutar do privilégio de o ter no nosso património. Todas as outras espécies irão agradecer e, sobretudo, os humanos que à frente se seguirem irão apreciar a decisão de lhes de deixarmos este legado.
Toda a informação está disponível em www.saborlivre.org e todos os que quiserem podem associar-se à Plataforma Sabor Livre. Uma petição está on-line. E quem tiver mais 5 minutos livres pode ainda enviar um email expressando a sua opinião (COmo sugere a LPN - um email com o titulo:NÃO à construção de uma barragem no rio Sabor!) para os seguintes endereços:
gmcota@mcota.gov.pt - Gabinewte do Ministro do ambiente
geral@cm-moncorvo.pt - Câmara de Moncorvo
camaramogadouro@mail.telepac.pt - Câmara de Mogadouro
cm.cavaleiros@vizzavi.pt - Câmara dfe Macedo de Cavaleiros
cmAlfandegafe@sapo.pt - Câmara de Alfândega da Fé
E ajudem a passar a mensagem!
Publicado por jgomes às maio 24, 2004 11:22 PM
Comentários
Pois eu concordo com a barragem e sou contra o petróleo. Tenho uma contra-petição no meu blog.
Publicado por: Henrique às junho 19, 2004 06:18 PM