« abril 2004 | Entrada | junho 2004 »

maio 27, 2004

Rio Sabor - Que governo e que autarcas são estes?

16RioSabor.JPG
Portugal, Bragança-Mogadouro, Rio Sabor - ponte de Remondes, 22 de Maio de 2004 - Dia da Biodiversidade

Estes vales do Rio Sabor e o Ecossistema que nele existe são o resultado de milhares de anos de Evolução

Portugal tem 10 milhões de habitantes. Os quatro concelhos que suposta e falsamente serão beneficiados, Alfandega da Fé, Moncorvo, Macedo de Cavaleiros e Mogadouro, têm, todos juntos, 43.682 habitantes.

Que governo e que autarcas são estes que em nome de um aumento de produção de energia eléctrica de0,5% e de uma - repita-se - frágil e falsa expectativa de desenvolvimento, ainda concebem ponderar construir uma barragem que inundará 60 Km de paisagens únicas?

Esta barragem não exige ponderação! Está À vista de todos: Um Rio Sabor Sem Barragens!

Nota: Para quem não leu a entrada abaixo aqui vai :

Toda a informação está disponível em www.saborlivre.org e todos os que quiserem podem associar-se à Plataforma Sabor Livre. Uma petição está on-line. E quem tiver mais 5 minutos livres pode ainda enviar um email expressando a sua opinião (COmo sugere a LPN - um email com o titulo:NÃO à construção de uma barragem no rio Sabor!) para os seguintes endereços:

gmcota@mcota.gov.pt - Gabinewte do Ministro do ambiente
geral@cm-moncorvo.pt - Câmara de Moncorvo
camaramogadouro@mail.telepac.pt - Câmara de Mogadouro
cm.cavaleiros@vizzavi.pt - Câmara dfe Macedo de Cavaleiros
cmAlfandegafe@sapo.pt - Câmara de Alfândega da Fé

E ajudem a passar a mensagem!

Publicado por jgomes às 02:12 PM | Comentários (0)

maio 24, 2004

Por um Rio Sabor Livre de barragens!

Para que a paisagem abaixo e o seu ecossistema único continuem preservados!

15RioSabor.JPG

Portugal, Bragança-Mogadouro, Rio Sabor - ponte de Remondes, 22 de Maio de 2004 - Dia da Biodiversidade

Por estes dias o governo português prepara-se para tomar a decisão de avançar ou não com a construção da barragem do Baixo Sabor.

Apesar de todos os pareceres negativos do ICN e dos especialistas, este projecto continua em cima da mesa do governo em Lisboa. E este projecto só é ainda uma possibilidade porque Portugal é um país cujos governantes ainda insistem na falsa-possibilidade de se desenvolverem à custa da destruição e manipulação do que mais importante têm a par dos seus habitantes: o seu território.

Enquanto isto acontece em Portugal, outros países, como a França e os EUA, iniciam hoje processos de desmantelamento de projectos hidroeléctricos. As barragens, está á vista de todos os que delas tanto esperaram, provocam alteraçoes de tal modo profundas e negativas que numa perspectiva de longo prazo, que é a perspectiva que deve orientar a governação de um país, raramente são justificadas.

É este o caso concreto do Baixo Sabor. Estamos em presença de uma paisagem única no mundo e em Portugal. Existiu em mais locais da bacia hidrográfica do Douro, mas as barragens até agora construídas determinaram o seu fim.

É pois um dos últimos rios cujo curso corre tal qual a Natureza o decidiu. Não tem barragens. Nem foi desviado. A Natureza, juntamente com a acção humana permitem-nos desfrutar hoje, início do séc. XXI, de um ecossistema mediterrânico, onde existe espécies de fauna e flora únicos. e onde o Homem extrai, entre outros produtos, azeite e cortiça de altíssima qualidade.

Se mais razões não houvessem para deixar o Sabor Livre de Barragens bastaria esta:

O Vale do Sabor é uma Arca de Noé a custo Zero. Isto é, um arquivo vivo que vai permitir aos nossos descendentes repovoar os vales dos rios intervencionados com as espécies originais, quando daqui a 50 ou 60 anos tiverem de desactivar as barragens construídas no passado.

Sim. uma barragem destrói irremediável e irreversivelmente o que foi desenvolvido durante dezenas de milhares de anos e dura apenas 50 a 60 anos.

As populações desta zona de Trás os Montes (concelhos de Alfandega da Fé, Torre de Moncorvo , Mogadouro e Macedo de Cavaleiros) estão favor da construção desta barragem. É compreensível. Trata-se de uma região e de uma população que foram - podemos dizê-lo- literalmente abandonadas pelo poder central à sua sorte.

Mas podermos também dizer-lhes que contrariamente ao que lhes é dito pelosa seus presidentes de câmara, esta barragem só lhes vai levar algum desenvolvimento durante os anos em que estiver a ser construída. Será um desenvolvimento reduzido e de que só alguns aproveitarão. Como em Moura, no Alentejo, durante a construção do Alqueva, os trabalhadores virão da Europa de Leste e do Norte de África. As empresas levarão a sua logística e no máximo comprarão localmente umas refeições e umas dormidas.

Nenhum turista irá ao Sabor ver o espelho de água da albufeira. Esta será igual ás tantas outras 200 albufeiras já existentes em Portugal. Visitem a paisagem triste e lunar de Vilarinho das Furnas e convençam-se que o Sabor, como está, atrairá no futuro muitos, mas muitos mais turistas.

O Sabor irá produzir apenas 0,5% das energia eléctrica actualmente consumida em Portugal. Não é nada. Não tem expressão alguma. E se queremos cumprir as metas do protocolo de Quioto, como o governo advoga, existem outras alternativas bem mais viáveis. Em França, um pais europeu que serve tantas vezes de exemplo quando nos queremos comparar com o que se faz lá fora, o governo juntamente com os media e a sociedade em geral estão envolvidos num programa de poupança e redução do consumo de energia. É essa é a via a seguir. Não a construção de mais barragens.

Que se exija antes que as autoridades criem as condições para explorar o enorme potencial que existe nos Vales do Rio Sabor. na sua Natureza e nos produtos que nela são produzidos. E que continuemos a desfrutar do privilégio de o ter no nosso património. Todas as outras espécies irão agradecer e, sobretudo, os humanos que à frente se seguirem irão apreciar a decisão de lhes de deixarmos este legado.

Toda a informação está disponível em www.saborlivre.org e todos os que quiserem podem associar-se à Plataforma Sabor Livre. Uma petição está on-line. E quem tiver mais 5 minutos livres pode ainda enviar um email expressando a sua opinião (COmo sugere a LPN - um email com o titulo:NÃO à construção de uma barragem no rio Sabor!) para os seguintes endereços:

gmcota@mcota.gov.pt - Gabinewte do Ministro do ambiente
geral@cm-moncorvo.pt - Câmara de Moncorvo
camaramogadouro@mail.telepac.pt - Câmara de Mogadouro
cm.cavaleiros@vizzavi.pt - Câmara dfe Macedo de Cavaleiros
cmAlfandegafe@sapo.pt - Câmara de Alfândega da Fé

E ajudem a passar a mensagem!

Publicado por jgomes às 11:22 PM | Comentários (1)

maio 20, 2004

Miradouro de Sta - Catarina

13Adamastor.JPG

Portugal, Lisboa, Miradouro de Sta Catarina - Adamastor, Maio de 2004

Mais do que a vista desta fotografia é a vista que se tem a partir deste que éum dos miradouros mais emblemáticos de Lisboa. Esta vista, assim como outras que temos do estuário e do rio Tejo ajudam a compreender a singularidade da cidade e o enorme benefício que é poder observá-la.

Ajudam a perceber porque é que passou pela cabeça de Filipe II de Espanha (I de Portugal) transformar Lisboa na capital do seu império. E a enquadrar melhor a ideia que em Setembro de 93 Pedro Bidarra publicou no jornal Publico: Portugal Europe´s West Coast! (link aqui).

Imaginem que nasceram no centro da Península Ibérica. E que pela primeira vez não resistem ao apelo de caminhar para Oeste. E que depois da Meseta, da Estremadura espanhola, do nosso Alentejo, alcançam as planícies férteis e por fim o nosso Estuário. ... Quem não pensaria em ficar?

Publicado por jgomes às 10:52 PM | Comentários (0)

maio 13, 2004

Porto IV - Reabilitaçao Urbana: Eles Andem aí!!!

12RAlegria.JPG

Portugal, Porto, R. da Alegria - Maio de 2004

Este blogue não é especializado a comprovar a existência de uma cabala organizada e orquestrada há longa data contra a qualidade de vida dos portugueses!

Mas quem tiver lido os jornais dos últimos 10 dias, nomeadamente nas secções intituladas "dossier local "- portanto sem importância nacional! - e for propenso a associar ideias não pode senão concluir que: Eles Andem Aí!!!

Isto é, é bem provável que um número não identificado mas que se imagina elevado de promotores imobiliários, construtores, dirigentes partidários, autarcas e ex-autarcas que nos últimos anos se ocuparam a contribuir freneticamente para o nosso desenvolvimento se estejam neste momento a deliciar (Quem sabem bebericando uns cocktails nas Antilhas?!?!) com as noticias dando conta dos esforços daqueles que ainda acreditam ser possível reabilitar os centros urbanos das nossas cidades em geral e do Porto em particular.

Senão vejamos os factos noticiados na mesma semana em que o edifício acima continua impunemente degradado numa das ruas da baixa Portuense, a rua da Alegria:

1 - Na semana passada o Governo aprovou e publicou em Diário da República o diploma que concebe as Sociedades de Reabilitação Urbana - Uma espécie de S.A´s camarárias com poderes alargados para puderem expropriar proprietários pouco colaborantes.

Comentário: A noticia é bem vinda e só peca por tardia. Embora não se perceba porque é que as Câmaras não o podiam fazer antes. Mas adiante.

2 - O Porto promoveu um ciclo de debates dedicado à reabilitação urbana. Dos diversos contributos daqueles que neles participaram transcrevo dois (conforme publicados no jornal Publico:

2.1 - O comentário do Sr. Rui Viana, presidente da AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas) aplaudiu o projecto da Câmara do Porto, mas disse que a AICCOPN quer "muito mais". No seu entender, para que a "Baixa volte a ser o coração da cidade" é necessário proceder à reabilitação dos edifícios em mau estado, sendo fundamental o planeamento. "Combater a burocracia" é, para Rui Viana, muito importante para que cada intervenção se processe de um modo rápido, sendo para isso necessário proceder-se ao alargamento das competências da Sociedade de Reabilitação Urbana.

Comentário: !!!!!!. Vindo de quem vem (Associação de industriais de construção civil)! O Sr. Rui Viana aterrou agora no planeta ou é mesmo assim? Bom, às tantas a Sociedade de Reabilitação do Porto ainda pode vir a ter um orçamento digno do nome.....

2.2 - O comentário dos presidentes das freguesias

O Sr. Presidente da junta de freguesia da Sé, José Barreto Ramos, percebendo que os poderes públicos em questão são muito fortes e endinheirados, e vão mesmo reabilitar tudo, resolveu juntar alguma água na fervura e atirar-se á sobranceria realizadora da câmara do Porto e lembrar logo de seguida que ""Se estamos a falar da recuperação do edificado, a Câmara do Porto tem que recuperar os seus próprios edifícios".

Comentáro: Enfim um exemplo de harmonia e a cooperação institucional.

3 - Na mesma semana a Câmara do Porto procurou, numa iniciativa conjunta com a ANJE ( Associação Nacional de Jovens Empresários) promover o regresso das pessoas À Baixa e com isso atrair a instalação de jovens empresários. A iniciativa designou-se "porto de Partida" e arrancou com actividade "Petiscos a um Euro no Centro Histórico do Porto" ao qual aderiram uma serie de estabelecimentos...

Comentário: Não quero ser demasiado corrosivo... Mas é preciso uma joint venture CMP/ANJE para um circuito de petiscos a 1 EURO?

4 - Por fim, e garanto-vos que só li o Público, imaginem se tivesse lido os jornais todos- A questão do reordenamento do Parque escolar do Porto e o celeuma do projecto de encerramento da escola Carolina Micaelis.

Comentário: Numa cidade que tem 47 mil edifícios, dos quais 10 mil estão devolutos e cerca de 23 000 tem mais de 75 anos; Numa cidade cujos habitantes foram expulsos ao longo dos últimos 20 anos para as urbanizações da periferia (nas quais também se construíram escolas), Pergunta-se: qual é a estupefacção?

A economia é Engenhosa mas não é elástica!! e assim o sendo hoje, já o era há alguns anos a esta parte. Por isso é que mentes mais fantasiosas não resistem a supor que é tudo demasiado obvio para não ter sido sequer antevisto por uma mente mais esclarecida nas autarquias deste país!

Bom. Votos sinceros de Boa Sorte à SRU "Porto vivo do Porto". Apesar de estarmos cientes que vem fazer o que a sua mãe-autarquia deveria ter começado por prevenir há 20 anos atrás, Bem vinda!

Publicado por jgomes às 10:29 PM | Comentários (0)

maio 06, 2004

Alqueva - Um acto de pura violência gratuita em curso

11Alqueva.jpg


Confesso que não conheço ainda a albufeira do Alqueva, nem tenho nenhuma foto do seu processo de desmataçao e enchimento. Mas confesso também que fico arrepiado com as descrições acerca da inundação de milhares de hectares de Azinheiras e mata mediterrânica que está neste momento em curso.

O Publico de ontem, 5 de Maio de 2004 - volta uma vez mais as atenções (obrigado!) para este projecto "estruturante" que ninguém sabe ainda muito bem para o que vai servir ao certo. De tal forma é assustadora a descrição do que ali se está a passar que deixamos abaixo copia integral da reportagem do jornalista Carlos Dias.

O que se está a passar é o resultado da mistura de insensibilidade e prepotência de um governo que, apesar da insistência das organizações ambientalistas ( Quercus, Geota, entre outras) preferiu levar até às ultimas consequências um projecto de destino errático rumo ao absurdo de por o Alqueva, que no inicio era de irrigaçao, a produzir energia eléctrica. Uns míseráveis 129 MW que no contexto nacional não terão qualquer expressão.

Assim como não terão qualquer expressão os MW que vierem (esperemos que não!) a ser produzidos pela Barragem do Sabor. Aliás ao que sei, os especialistas nem consideram a energia gerada pelos mega-empreendimento projectos hidroeléctricos como renovável, atendendo aos seus demasiados impactos ambientais.

Se não tivéssemos tido governantes intransigentes e adeptos da brutalidade, o Alqueva encheria apenas até à Cota 139 ( 139 metros acima do nível do mar). Mas como temos, o Alqueva vai subir até à Cota 152. Da Cota 139 à Cota 152 são apenas 13 metros, mas o suficiente para alagar 3000 milhares de hectares de floresta mediterrânica, assim como afogar literalmente milhares de azinheiras centenárias que são patrimonio nacional.

Numa frase: Um acto de pura violência gratuita. Um acto que acontece não ontem, não há 200 anos, mas hoje dia 7 de Maio de 2004.


PS - Se houver alguém de Mourão/ Alqueva a ler esta entrada e tiver uma fotografia "publicável" do crime em curso, por favor enviem-me um mail para vistasnapaisagem@hotmail.com.

Águas de Alqueva Submergem Milhares de Hectares de Áreas Florestadas
Por CARLOS DIAS
Quarta-feira, 05 de Maio de 2004

O enchimento da albufeira de Alqueva encontra-se neste momento à cota 148 metros, acima do nível do mar, e o volume de água armazenado já submergiu mais de três mil hectares de áreas florestadas, consideradas zonas a preservar pelo seu valor ecológico.
Mas nada vai conseguir salvar as manchas florestais e matagal onde se acolhiam importantes biótipos. A vegetação que ladeava as margens de 1262 linhas de água da bacia do Guadiana em território português (freixos, salgueiros, aloendros, casuarinas e ciprestes) e os matos mediterrânicos (carrascos, aroeira, murta, giesta, estevas, alecrim, rosmaninho) já desapareceram sob as águas de Alqueva.
No entanto, os ex-ministros Elisa Ferreira e Isaltino de Morais prometeram às organizações ambientalistas a salvaguarda de importantes "habitats", designadamente galerias ripícolas, margens rupícolas e montados.
A ministra do governo socialista garantiu a protecção de quase dois mil hectares no Vale de Alcarrache, por existirem ali espécies animais e vegetais únicas na Península Ibérica. Hoje o cenário que se observa revela que a biodiversidade que se pretendia preservar está irremediavelmente perdida. Milhares de copas de azinheiras sobressaem do extenso espelho de água. Muitas outras se seguirão entretanto para fazer companhia a vários milhares de árvores que já se encontram sob uma coluna de água que nalguns pontos atinge os 35 metros.
A caminho da cota 152
O ex-ministro Isaltino de Morais assegurou ao "Movimento Cota 139" que seriam preservados cerca de 1100 hectares (300 hectares em território espanhol) com valor ecológico, que ladeavam as linhas de água da bacia do Guadiana a montante de Alqueva. Com a cota da albufeira a 148 metros, todo este património ambiental está igualmente perdido.
O actual presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva, (EDIA), Marques Ferreira, diz "não perceber as razões porque se privilegiou o Vale de Alcarrache" pois esta extensa área "vai ficar definitivamente debaixo de água". São quase dois mil hectares de coberto vegetal que estão a ficar submersos.
O mesmo vai acontecer com as zonas escarpadas que se localizem entre a cota 147 e 150. Entre esta última e a cota 152, onde se regista o Nível de Pleno Enchimento (NPE), vão permanecer intactas as zonas arborizadas, dadas as dificuldades de acesso.
A submersão das espécies do montado (sobreiros e azinheiras) por mais de seis meses conduz à morte destas espécies mediterrânicas, como está patente em milhares de árvores dispersas pelo interior da albufeira.
José Paulo Martins, dirigente da Quercus, revelou num recente debate sobre os impactes ambientais em Alqueva, que "centenas de quilómetros de linhas de água foram alterados e 50 por cento dos azinhais reliquiais estão afectados" pelo enchimento da albufeira.
Joanaz de Melo, dirigente do Grupo de Estudos e Ordenamento do Território (GEOTA), salienta que até ao momento "não foi aplicada qualquer medida compensatória que reduza a escala da destruição de 180 quilómetros quadrados de vegetação".
Animais ao abandono
A carga orgânica deixada pelo material lenhoso, associado aos efluentes produzidos pela actividade agrícola e doméstica de 1,7 milhões de pessoas em Espanha e Portugal, pode vir a colocar em causa a qualidade da água de Alqueva.
Continua a ser patente a devassa nas margens da albufeira de Alqueva, onde centenas de cabeças de gado bovino, ovino e suíno pastoreiam e lançam dejectos. Todo o tipo de lixos e entulhos, bem como as práticas piscatórias incorrectas, contaminam as águas e tarda a ser posto em prática um plano de fiscalização e controlo das áreas envolventes da albufeira. "Faltam-nos meios humanos e financeiros e, sobretudo, civismo nas pessoas" alega Nuno Lekoq, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Alentejo, para a área do Ambiente.
No concelho de Mourão, que viu um quarto do seu território submerso, o PÚBLICO foi encontrar dezenas de porcos, aparentemente abandonados - havia animais com membros fracturados chafurdando na lama e dentro de água. Carcaças da mais diversa maquinaria agrícola já tinham sido atingidas pelo nível das águas, assim como um monte, onde permanece uma suinicultura.
Entretanto, próximo deste local, e numa ilha que vai ficar coberta de água, um extenso olival que tinha sido cortado voltou a rebentar e hoje a área está de novo arborizada.


A Única Central Hidroeléctrica do Sul do País
Por C.D.
Quarta-feira, 05 de Maio de 2004

No conjunto das 27 hídricas nacionais, a central hidroeléctrica de Alqueva é a terceira em potência instalada, a oitava em produtividade média anual e a única do Sul do país. Está equipada com dois circuitos hidráulicos e com dois grupos produtores reversíveis, com a potência de 129,6 MW cada. A energia nasce de uma queda de água com 71 metros. No futuro será possível instalar novos grupos geradores, "sem haver necessidade de esvaziar a albufeira", diz Vicente Reis, administrador da EDIA. A central poderá fazer uma operação de turbinamento para voltar a repor na albufeira a água já utilizada na produção de energia e retida na barragem de Pedrógão, a ser construída 30 quilómetros a jusante de Alqueva. A mais-valia obtida neste sistema hidroeléctrico resulta da energia produzida em horas de ponta, cujo valor é muito superior à utilizada na rebombagem feita de noite ou fim-de-semana, que é mais barata. A partir do próximo ano, a barragem de Pedrógão também vai passar a produzir energia eléctrica (10 MW de potência) e estão quase concluídos os projectos para a instalação de seis mini-hídricas nos canais da rede de rega primária de Alqueva. A energia eléctrica produzida pelo novo sistema hidroeléctrico será lançada na Rede Eléctrica Nacional e futuramente será ligada a Espanha pela linha Alqueva/Balboa.

Publicado por jgomes às 01:42 PM | Comentários (3)

maio 04, 2004

Porto III - Ponte da Arrábida

9PonteArrabida.JPG
Portugal, Porto, Ponte da Arrábida

Esta ponte não é só uma obra prima da engenharia civil portuguesa da autoria do Eng. Edgar Cardoso (1913-2000), património classificado e reconhecida mundialmente.

É também uma obra de arte de alguém que teve a sensibilidade de perceber que só um arco único poderia enquadrar os que chegam na intimidade da cidade do Porto. E, simultaneamente, não perturbar aos que ainda nao partiram a vista para a imensidão do Atlântico que à frente começa.

Se nos abstrairmos de uns condomínios fechados na margem direita, e de umas matas abandonadas no lado de Gaia, esta é sem duvida uma das paisagens que valem a pena no Porto. A provar uma vez mais que as obras publicas também podem ( e devem!) ter outras leituras que não as puramente técnico-funcionais.

Publicado por jgomes às 11:40 PM | Comentários (0)