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abril 22, 2004

Vistas lá fora...Berlim

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Ninguém visita Berlim pelos seus espaços verdes, mas até o mais empedernido "urbano" se impressiona com a quantidade, dimensão e qualidade dos espaços verdes desta cidade.

Numa impressionante demonstração a céu aberto de que as ideias de Ribeiro Teles não são assim tão tolas, a ecologia urbana de Berlim é um valor fundamental e faz parte integrante da estratégia de desenvolvimento das autoridades locais. Praticamente cada bairro tem o seu próprio jardim ( como o da foto), cerca de 411 mil árvores servem os seus 3,5 Milhões de habitantes e, mais impressionante, um parque urbano de 168 hectares(Tiergarten) é mantido em pleno centro da cidade.

Tudo isto numa cidade que no final da II Guerra foi praticamente destruída e cujas árvores foram quase dizimadas no inverno de 46-47 por necessidade energéticas da população. Tudo isto numa cidade que esteve isolada no meio da ex-RDA durante 30 anos. Tudo isto numa cidade que é hoje da capital de uma Alemanha reunificada e amanhã certamente um centro importante na Europa alargada a 28 países.

É por ver estas vistas lá fora que não percebemos onde é que o Dr. Jorge Sampaio anda com os olhos nas suas visitas de Estado. Estas além de representarem o país são sempre uma óptima oportunidade para fazer um benchmarking caseiro.

Não vale a pena entrar aqui em comparações com o nosso cada vez mais triste subúrbio à beira mar plantado. É fácil imaginar as mil e uma desculpas que as nossas autoridades locais rapidamente arranjariam para desanexar as orlas do Tiergarten por forma a dar espaço ao crescimento de uma capital unificada.

Mas também é fácil concluir que a paisagem de Berlim não é só resultado da acção de autoridades locais responsáveis e competentes que não se abateram com a destruição da II Guerra. É certamente toda a população que exige, trabalha e contribui para que o espaço publico seja fruído por todos. Atrevo-me até a apostar que metade das aberrações que em Portugal se permitem nem chegam a ser concebidas pelos construtores e promotores alemães. Primeiro porque sabem que não vendem casas rodeadas de campos de milho no meio do nada ( os alemães são exigentes!!), segundo porque têm o mínimo de equilíbrio mental para não embaraçarem as suas administrações com o urbanizaçoes non-sense.

Posto isto, porque é que é então tão difícil compreendermos que um país totalmente destruído há 50 anos seja hoje o motor da União Europeia e Portugal, que não tem uma guerra no Espaço Nacional desde as invasões napoleónicas, ainda não se tenha sequer desenvencilhado de um terço dos problemas estruturais que nos caracterizam desde o séc. XIX e continue a mendigar fundos de coesão?

Publicado por jgomes às abril 22, 2004 07:05 PM

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