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abril 04, 2004
Porto - Património da Humanidade

Até à construção da ponte da Arrábida, na década de 60, esta devia ser a vista com que o Porto surpreendia pela primeira vez aqueles que viessem de Sul. Ao lado da cascata São Joanina do Rui Veloso, mesmo em frente à tal serra do Pilar que ouvíamos cantar na adolescência.
Hoje o Porto revela-se em muitas outras entradas possíveis, mas esta deveria ser a obrigatória.
É pois com esta imagem na memória que o Vistas na Paisagem inicia uma serie de entradas sobre a cidade do Porto e arredores. Esta imagem é conhecida, não precisa de publicidade, faz parte de qualquer prospecto turístico do Pais e está classificada como Património da Humanidade.
Está aqui, porque apesar de críticos implacáveis a apontar o desarranjo do nosso território e da nossa memória colectiva, até nós precisamos de pontuar este blogue com algum sinal de esperança. E esta imagem, bem como os esforços da autarquia em vitalizar e reanimar centro do Porto, são definitivamente um sinal de esperança.
Depois desta entrada em grande, o Porto será avistado em pelo menos 5 entradas. Necessariamente não tão descansadas como esta. Hoje mesmo, pelos jornais do fim de semana, fica-se a saber que as urbanizações da IMOLOG no Parque da Cidade irão avançar ( aparentemente a autarquia esqueceu-se de interpor recurso) e de que os molhes da Barra do Douro, que ainda ninguém sabe para o que é que servem, também.
São duas más noticias para o País, para o Porto e sobretudo para os que cá habitam todos os dias e que assim vêem o seu direito ao espaço colectivo ser ultrapassado por interesses com cobertura legal-politico-partidária (ver nota de rodapé).
Mas certamente também são duas grandes noticias recebidas com satisfação por um conjunto de construtores e promotores imobiliários. Para o governo também não serão assim tão más porque devem ajudar a "dinamizar" o PIB , a recolha de IVA e outros impostos. Raciocínios simples. A economia a funcionar. (...)
Finalizo frisando uma ideia já aqui exposta antes. Vistas da paisagem é apartidário, mas não é apolítico. Nesse sentido fica desde já assumida publicamente a minha admiração pessoal pelo Dr. Rui Rio. Não porque seja seu familiar ou do PSD, não porque concorde com tudo o que diz ou faz nas diferentes áreas da sua administração, mas porque genuinamente ama a sua terra, e porque apesar de economista percebe claramente que a Economia não é a razão ultima mas o meio para a felicidade de uma vila, comunidade ou país. E age em função dessa convicção.
É que um pais que só "cresce" economicamente, sem razão última, e só porque sim, só para a União Europeia ver ou para baixar o desemprego a tempo das próximas eleições, não caminha. Arrasta-se irremediavelmente em direcção a um abismo certo. E a uma velocidade directamente proporcional a essa mesma taxa de "crescimento".
Nota - Com cobertura legal, ou a salvo do arranjo político partidário, mas não com a vontade dos habitantes da cidade do Porto. Depois, os políticos, sociólogos e cientistas de universidades publicas que se entretenham em mornos debates domingueiros a perceber porque é que a Democracia está em crise, blá,blá, blá e que o Nobel José Saramago se regozije por ter descoberto a pólvora seca do voto em branco.
Publicado por jgomes às abril 4, 2004 10:41 PM
Comentários
Chegar ao Porto vindo de Gaia e vêr a Ribeira é uma imagem que vale a pena e vejam-na à noite e apaixonam-se para o resto das vossas vidas e guardem bem essa memória, pq da maneira como o nosso país preserva o património, não sei o que lhe poderão fazer!
Publicado por: marina às abril 6, 2004 05:38 PM