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abril 29, 2004
Porto II - Av. da Boavista
29 de Abril de 2004. Portugal, Porto, Av. da Boavista, nº 1354.
São estas as vistas que a principal avenida do Porto oferece hoje a quem quiser dispensar uns minutos a observar o património abandonado em plena avenida. Da rotunda da Boavista até à Foz, (cerca de 10 Km?) são muitos os exemplos de casas apalaçadas ainda preservadas e em funções. No entanto não há espírito positivo que permita esquecer a quantidade de palacetes e espaços em processo de ruína, numa espera criminosa pelos melhores dias do imobiliário.
Em Lisboa, existe um site, Lisboa abandonada (a quem o vistas na paisagem humildemente presta aqui homenagem), mantido por simples cidadãos comuns preocupados com os edifícios abandonados e sobretudo com o que isso implica na fruição da cidade. O Porto também deveria ter um site destes. Enquanto ninguém o cria, o vistas na paisagem vai estimulando a ideia mostrando imagens dos crimes mais emblemáticos.
O Palacete acima, bem como tantos outros edifícios abandonados, ficam em pelo centro nobre de um Porto desertificado.
Enquanto isto, os que trabalham no Porto e para os quais as cidades foram inventadas, vivem automobilizados entre o trabalho e a periferia, em urbanizações igualmente criminosas que cresceram em volta do Porto.
Enquanto isto, as autarquias do Valongo, Gondomar, Gaia e Matosinhos concluem em conjunto com os promotores imobiliários que há imensas casas vazias que ninguém quer comprar. Pensam no entanto que o mercado ainda tem espaço de crescimento e as câmaras continuam a licenciar urbanizações mas agora de "boa -qualidade" porque ainda há procura.( No concelho de Gaia há 7.000 casas vazias sem comprador, mas Filipe Meneses considera que as 10.000 adicionais que licenciou serão todas absorvidas porque são de qualidade ao contrario das outras.... sendo que todas elas forma permitidas pela mesma autarquia).
Enquanto isto, o Porto ensaia esforços (e bem!) para trazer mais pessoas para o centro da cidade.
Enquanto isto, Portugal observa as suas taxas de crescimento demográfico negativo e fecha as fronteiras a mais emigrantes.
Enquanto isto alguns intelectuais portuenses consideram que a região do grande Porto deveria competir com Vigo na liderança do Noroeste da Península Ibérica.
Non Sense? Não. É coordenação e planeamento à portuguesa. Plenos de reflexão e visão.
Publicado por jgomes às abril 29, 2004 07:56 PM