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setembro 17, 2003
Como será a vida nas cidades?
Em final de Agosto, Francisco José Viegas, já nos tinha referido no Aviz os excelentes artigos que seriam publicados na Grande Reportagem de Setembro.
Destes, o ensaio de Gonçalo Ribeiro Teles - Como será a vida nas cidades? é de facto incontornável para todos aqueles que se interessam pelo tema. São quatro páginas que sintetizam o pensamento do autor sobre o assunto e com o qual nos identificamos desde há muito (Em bom rigor, vistas na paisagem é um sub-produto da evangelização de Gonçalo Ribeiro Teles!). Está lá tudo e só enerva é não conseguirmos perceber porque é que pouco ou nada foi posto em prática pelas nossas autoridades. Entra pelos olhos dentro que muitos dos erros que se cometeram e cometem eram e são evitáveis.
No texto de apresentação, a Grande Reportagem refere o ensaio como imprescindível. Nós, que lamentamos não o ter online para aqui colocar um link, acrescentamos que se trata de um texto obrigatório. Sobretudo para todos aqueles que governam o ordenamento do nosso território. Mais, sugerimos que aquando da tomada de posse destes últimos, seja fornecida aos elementos que integram os executivos municipais e ministeriais, uma cópia do texto ( com exame no final!) e um bilhete de inter-rail para uma excursão pela Europa. Acreditem que metade dos erros não seriam cometidos! Já seria bom!
Nem de propósito, o expresso deste fim de semana informa na primeira página que de acordo com as estimativas da ONU, em 2015, a região de Lisboa e Vale do Tejo vai ter 45,3% do total da população do país, passando de 3.861.000 habitantes para 4.544.000 habitantes. Não sei qual é a reacção das nossas autoridades, nem o que está a ser previsto para que este crescimento seja minimamente enquadrado (aconselha-se a leitura do ensaio de Ribeiro Teles), mas aposto que construtores civis e todos aqueles que hoje compram terrenos em reserva (agricola ou ecológica) apostando na sua desclassificação a receberam com um largo sorriso.
Nós, que não somos especialistas, registamos apenas alguns pensamentos que nos vêm à cabeça.
Se é esta a tendência e a demografia indica que não devemos ser muitos mais em 2015, porque é que as cidades da nossa província continuam a urbanizar sem regra e como se tudo indicasse um aumento significativo das suas populações?
Se é esta tendência, o que é que está a ser pensado para evitar os erros dos nossos subúrbios? A titulo de exemplo, lembro-me de Odivelas onde a densidade populacional é simplesmente de 11.982 habitantes por Km2 - apenas o dobro da registada na cidade de Lisboa (6700h/km2) e a uma eternidade dos também não muito aconselháveis 15h/km2 do Alentejo.
Nem de propósito, o Secretário de Estado da Administração Local Miguel Relvas, talvez sugestionado mas pouco inspirado pelo artigo de Miguel Ribeiro Teles, defendia no Público de Domingo a institucionalização das grandes áreas urbanas, comunidades urbanas e comunidades intermunicipais como o novo enquadramento para uma gestão mais equilibrada do nosso território. Nem nos atrevemos a duvidar das intenções, mas questionamos se uma regionalização disfarçada e fora do enquadramento constitucional terá alguma vez capacidade de facto para alterar significativa e qualitativamente a anarquia da nossa território.
Publicado por jgomes às setembro 17, 2003 01:30 PM
Comentários
Achei muito interessante a sua intervenção através deste blog.
Tinha bastante interesse em ter acesso ao texto de Miguel Ribeiro Teles.
Nesse sentido pedia-lhe o favor de mo enviar para o meu mail: pribeiro@cm-cartaxo.pt
Um abraço e desejo que continue a dar-nos estes contributos para que, no futuro, tenhamos maior consciência com o que fazemos do nosso território.
Publicado por: Pedro Ribeiro às janeiro 11, 2004 12:47 AM