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agosto 08, 2003
Lisporto - Uma ideia peregrina
Não é nosso objectivo entrarmos em polémicas pessoais, mas assim como não conseguimos deixar de ver também não conseguimos deixar de pensar no que se lê no nosso jornalismo de opinião. Isto a propósito do evidente e inquestionável desequilíbrio entre o Litoral e o interior do País, com o primeiro desordenado e sobrelotado e o segundo desertificado mas não menos desordenado.
Aqui há uns 3 meses, em final de Abril, Luís Salgado de Matos chocava-se (jornal Publico, 28 de Abril, infelizmente já não está on-line) com a falta de ambição de 3 cidades do centro do País - Caldas, Leiria, Ourém - pretenderem constituir uma novíssima área metropolitana. A ideia de ter uma área metropolitana com um Parque Natural pelo meio já é uma aberração, mas para Luís Salgado de Matos o que importava mesmo era ter uma grande cidade que iria de Lisboa ao Porto e incluía arrabaldes como Setúbal e Braga. Poderia até chamar-se Lisporto. E com uma cidade destas é que Portugal podia competir no mundo.
Ah, e os gérmenes desse grande metrópole já se vislumbravam : A Estrada Nacional 1 é a Avenida Principal em gestação e a A1 a Circular Exterior. Logo a Nacional 1, o exemplo máximo do crescimento à Africana em que nada se desenvolve se não for à beira da estrada!
Esta é infelizmente a ideia que governa muitos dos autarcas da zona Litoral centro, e nem seria preciso Luís Salgado de Matos fazer a sugestão. Para muitos o que importa a todo o custo é ter um estatuto com a palavra metropolitano. Nem que para isso se sub-urbanize todo o espaço rural. Alternando matas com urbanizações e estas com matagais e baldios devidamente pontuados por vivendas apalaçadas que hoje ninguém prescinde de alcançar.
Não é preciso ser especialista nestas questões para imaginar o que custa construir infra-estruturas (saneamento básico, vias de comunicação, água, gás e electricidade, entre outras) que simplesmente têm de abranger todo o espaço. Porque simplesmente tudo é por definição urbanizável.
Não é pois preciso ser especialista para perceber que a ideia de uma LisPorto é uma ideia peregrina. Pelo contrario, Portugal só pode de facto competir se possuir às portas das suas cidades espaços com definições claras, em que as aldeias tenham contornos e em que a paisagem não seja constantemente interrompida pela anarquia.
PS - Portugal continua a arder. E a este propósito Luís Salgado de Matos também tem opinião. Claro que há falta de planeamento, reconhece. Mas nada que justifique isto. O que se passa é que o português se esqueceu que a Natureza também pode ser má. Ohhh, Logo agora, no meio do Verão! Para mais elucidações é favor ler o artigo da passada -segunda-feira.
PS2 - Portugal continua a arder. Mais não fosse porque é referência "histórica" do vistas na paisagem, vale a pena ler o artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares sobre o assunto.
Publicado por jgomes às agosto 8, 2003 01:23 PM
Comentários
caro amigo, já tem comentários :)
quanto a LSM, não deve andar pela zona Centro há algum tempo... ninguém em seu perfeito juízo poderá visitar Leiria e falar em falta de ambição...
um abraço
Publicado por: Paulo às agosto 9, 2003 07:23 PM