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agosto 29, 2003

Direito à paisagem em Leiria

O direito à paisagem não é apenas um capricho estético de alguns. Na realidade ele diz respeito a cada um de nós sem excepção e afecta muito mais a nossa existência do que seriamos levados a supor.

Ao sintetizar a ocupação que fizemos e fazemos do espaço, a paisagem é apenas a face visível de algo muito mais profundo e que vai desde aspectos economicistas como a lógica de desenvolvimento adoptado (sustentável ou não) até outros, menos materiais mas não menos importantes como sejam o modo de nos organizarmos e vermos enquanto sociedade.

Nada disto é inédito, já muitos outros o disseram antes ( Gonçalo Ribeiro Teles, outra vez à cabeça!), mas nunca é demais repeti-lo: A paisagem é um direito de memoria colectiva – algo de fundamental para nos compreendermos hoje e, sobretudo, nos perspectivarmos enquanto país com um projecto de futuro.

Vem isto a propósito do modelo de ordenamento que se observa em Leiria, um concelho em franco crescimento económico que é também capital de distrito e pólo aglutinador da região Marinha Grande/Batalha/Porto de Mós.

É bem possível que Leiria tenha um Plano Director Municipal, como manda a lei, devidamente organizado e planificado. Discuti-lo não está nas minhas intenções até porque, confesso, não o conheço enquanto documento. Porém os seus resultados práticos estão à vista de qualquer cidadão que por lá passe e o que se vê não pode deixar ninguém indiferente:

- Uma cidade com um urbanismo de baixa qualidade que se expande em todas os pontos cardeais, dando a ideia de que não há, entre outras coisas, uma visão de limites para a cidade;
- Um espaço rural em estado de pseudo sub-urbanização acelerada em que as aldeias se espalham pelos campos e bermas das estradas, perdendo os centros, colando-se umas às outras e onde aparentemente todos constroem o que lhes apetece.

Neste ultimo caso, um “bom” exemplo do mau ordenamento seguido em Leiria é o da antiga Estrada Nacional 365 ( Batalha-Nazaré). Uma estrada que quando foi concebida, e até há poucos anos atrás, passava exclusivamente pelo exterior das aldeias, está hoje ladeadada de modo anárquico e continuado por habitações apalaçadas, pavilhões industrias, lotes de apartamentos/bandas de casas gemenidas. Tudo alternado com alguns espaços originais de pinhal/terras de cultivo que de forma ingloria ainda resistem.

Pensarão alguns, mais desculpabilizadores, que este cenário de batalha campal é o preço do desenvolvimento. Outros de que é o fruto de alguns erros dos anos 80 que entretanto serão corrigidos. Com os primeiros não podemos, como veremos, concordar. Aos segundos convém alertar que se tratam de erros ainda frescos e em curso.

Sobre o que neste momento se está a fazer em Leiria três perguntas se colocam às autoridades municipais:

1 – Leiria tem ou não àreas industriais? Se tem, qual a razão para permitir a particulares a destruição de área de pinhais e terras de cultivo para constução descontextualizada de armazéns industriais?

2 – Leiria tem ou não àreas residenciais de estatuto médio-alto? Se tem, porque é que permitiu e permite que qualquer particular na posse de uma parcela com vista para qualquer coisa construa habitações desmedidas?

3 – Leiria tem ou não zona urbana? Se tem porque é que licencia lotes desgarrados de urbanizações à entrada de aldeias, que mais não são do que “bons golpes de vista” de pequenos proprietários transformados em promotores imobiliários?

Para os que eventualmente nos acusarem de sermos apenas criticos destrutivos e de que este é o custo do desenvolvimento, refiro três consequências que enquanto leigo não me é dificil antever e que no futuro significarão custos económicos acrescidos para toda a comunidade:

- Elevado custo na construção e manutenção de infraestruturas colectivas (saneamento, electricidade, gás);
- Necessidade de no curto-médio prazo se construirem novas estradas que assegurem o escoamento do tráfego ( a antiga estrada nacional que atrás referimos foi, como tantas outras, desclassificada para municipal e em grande parte não permite hoje velocidades superiores a 40 Km....)
- Dificuldade crescente em vender a região como produto turistico de qualidade ( Estão a imaginar um turista alemão que visite de carro o triângulo Batalha/Nazaré/Leiria a regressar ?).

Mas os impactos negativos não são meramente económicos. São mais fundos e dizem respeito àquilo que falávamos no início deste texto: a perda de uma memoria colectiva da paisagem que era fundamental preservar para perspectivarmos o futuro de forma sólida.

PS - As criticas acima são endereçadas a Leiria (somos sempre mais exigentes com aqueles de que gostamos!), mas poderiam ser transpostas quase na integra para quase todas as vilas e cidades vizinhas...Em bom rigor, podem infelizmente ser observadas em quase todas as vilas e cidades que crescem neste país.

Cumprindo a tradição junto o email da Presidente da Câmara Municipal de Leiria: presidente@cm-leiria.pt

Publicado por jgomes às 03:50 PM | Comentários (0)

agosto 18, 2003

Almada - Publicidade Enganosa III

Terminamos este tríptico pela publicidade institucional enganosa pondo as
vistas no outro lado do rio. Mais concretamente em Almada, esse concelho,
case-study, governado há mais de 20 anos pela mesma equipa politica.

Como poderão observar, a publicidade de que vos falarei hoje pode, de certa forma, ser considerada mais honesta uma vez que recorre às origens e tecnicas pueris da publicidade enganosa. É a chamada "cerize advertisement: Com duas ou três cerejas qualquer bolo se vende". Depois de iniciado o consumo, é tarde de mais para o consumidor se arrepender. Deveria ter perguntado antes como era o recheio!

Esta publicidade que tenho visto em cartaz mostra quatro belas fotografias
(casa da cerca; palácios dos zagalos, convento dos capuchos e museu) e a
bela frase paga a peso de ouro a uma agência da publicidade "Além das
praias... Almada , tem que se lhe diga..."

oh.... se tem!!!! dizemos nós.

Aqueles palácios e museu existem e exigem todos uma visita, mas para se chegar lá o consumidor (vulgo cidadão) é violentado pela paisagem mais inenarrável de que há registo. Almada, Fogueteiro, Costa da Caparica, Corroios é a coisa mais desorganizada a sul do Tejo que poderia ser concebida. Aquilo é feio e agride as vistas de qualquer ser humano. Vê-se que foi bonito. Mas não é mais. Infelizmente!

Talvez tenha sido num acto ultimo de honestidade que o mentor da frase se
tenha lembrado das reticências. Naquele caso era impossível ser definitivo.

Ainda há-de vir o tempo em que toda aquela zona estará sobre a intervenção
de um Polis (que no vistas da paisagem é sinónimo de impostosparacorrigirasneirasprevisíveis). Como na Costa da Caparica, em que o Estado ajuda a presidente de 2003 a corrigir a má gestão da presidente dos anos oitenta. E que por acaso são uma e a mesma pessoa.

Para finalizar abaixo seguem os mails de quem quizer enviar directamente a sua opinião:

almadainforma@cma.m-almada.pt
Instituto do Consumidor: ic@ic.pt

Publicado por jgomes às 07:07 PM | Comentários (6)

agosto 14, 2003

EPUL - Publicidade Enganosa II

Esta publicidade de que vos falo hoje é ligeiramente diferente da anterior, a qual faltava apenas à verdade. Esta é uma publicidade claramente orientada a chocar o consumidor de modo a fazê-lo fugir de pavor, se não mesmo a enlouquecer. È, se quizermos ser um pouco tecnicistas, na linha de Lauro Antonio, o chamado "choking advertisement". A partir do primeiro visionamento o alvo da publicidade sofre um calafrio sempre que vir o anúncio. Enfim, técnicas....

Entre esses alvos estão os utentes da calçada do Carriche/Av. PAdre Cruz
que no cruzamento com a rainha D.Amélia (imediatamente antes das bombas da GALP) põem as vistas na publicidade " EPUL , CRIAR CIDADE NO SÉC. XXI".

Olhando para a "cidade" que a EPUL construiu no final do sec. XX, dá para imaginar o que se prepara para fazer no séc. XXI. AhrrrAhhrrrrr, por favor
não, não, por favor !!!!
(Este é o tal efeito de choque de que falava atrás! )

Quem for de Lisboa e conhecer Telheiras sabe do que falo. Quem não, for não
se preocupe que não perde nada.

Telheiras é a antecessora da Expo. Um bom exemplo de uma oportunidade
perdida da total responsabilidade da Empresa Publica de Urbanização de Lisboa. Um bairro inteiro sem um jardim digno desse nome; pobre de equipamentos (ningém vai a telheiras se não for para dormir), urbanizações exclusivas com vista para as vias rápidas (2ª circular; Padre Cruz, Eixo Norte Sul). Em resumo betão e alcatrão com o selo da qualidade EPUL. Quando uma empresa de capitais publicos faz este belíssimo trabalho, podemos dormir descansados a imaginar a mestria dos operadores privados!

Para finalizar conto-vos uma pequena historia elucidativa. há cerca de 6 anos estava eu a mostrar a cidade de Lisboa a um amigo meu oriundo da Suécia quando passámos ao acaso por Telheiras. A pergunta que me colocou foi: "como se chama esta área de Bairros Sociais?"

Acabou logo ali o tour ! Já nem o levei às saudosas Galinheiras. Fomos para
casa ver um vídeo. Era menos polémico.

Quem quizer pode enviar a sua opinião directamente para:

EPUL: info@epul.pt
Instituto do Consumidor: ic@ic.pt

Publicado por jgomes às 06:26 PM | Comentários (11)

agosto 12, 2003

Alta de Lisboa - Publicidade enganosa I

Quem costuma dar uma vista de olhos pelos cadernos do imobiliário, já se deparou certamente com anúncios de página inteira, a cores, de mais um empreendimento promovido pela SGAL na Alta de Lisboa. Chama-se "Dolce Farniente" e mostra-nos um senhor a descansar num frondoso e espaçoso jardim.

Deixando de lado o nome escolhido, Dolce Farniente, certamente um sinal dos
tempos que merecerá os comentários dos diversos analistas e psicólogos da
nação especializados nas razões do nosso atraso, não podemos deixar de alertar que tudo aquilo está atravessado de grosseira publicidade enganosa!

O edifício de facto existe e está lá na Alta de Lisboa, no meio das urbanizações em curso e envolto na poeira e lama dos estaleiros. O jardim é que não, e podem passar-se 100 anos que nunca lá existirá nada para além da relva que rematar os arruamentos e de uma ou outra árvore rodeada de buganvílias.

O parque frondoso existe, o enorme campo relvado também, e apesar de
maltratados estão ao lado da Alta de Lisboa. Mas não são da Alta de Lisboa,
nem do empreendimento Dolce Farniente. Pertencem ao Parque das Quinta das
conchas e dos Lilases, um parque murado - friso, murado, que pertence a
toda a população de Lisboa e não somente aqueles que podem dispensar 200.000 Euros por um T1.

A diferença entre ser da Alta de Lisboa e estar ao lado é subtil mas é importante. Equivale mais ou menos às nossas fotografias em frente a Buckingam Palace. O palácio está lá, mas nós não somos a rainha de Inglaterra!

Trata-se pois de publicidade enganosa. Para quem compra (...ai se me aparece lá algum vizinho a estacionar a espreguiçadeira!) e sobretudo de um abuso aos cidadãos de Lisboa. Um caso portanto para tribunais e Instituto do Consumidor.

Aqui vão os endereços de mail para quem quizer reclamar directamente:

Geral Vâmara Municipal: geral@cm-lisboa.pt
Departamento Espaços Verde:daev@cm-lisboa.pt
Departamentos de Gestão urbanistica:dgu1@cm-lisboa.pt
Junta de freguesia do Lumiar:http://www.jf-lumiar.pt/
Alta deLisboa: www.altadelisboa.com - servidor "em baixo"
Instituto do Consumidor: ic@ic.pt

Publicado por jgomes às 04:36 PM | Comentários (38)

agosto 10, 2003

Vistas na Comporta-Carvalhal

Ora aí está uma paisagem a pedir que lhe ponham as vistas em cima!

A apenas 90 Km de Lisboa a zona de Alcácer/Comporta/Carvalhal proporciona, a quem quiser dispensar as filas para a Costa da Caparica, bons exemplos de como a presença humana não tem necessariamente de se incompatibilizar com a Natureza.

Com o estuário do Sado em pano de fundo, a estrada Alcácer/Comporta oferece 20 Kms de paisagens de pinheiro manso entrecortadas por várzeas, campos de arroz e sapal. Chegados à Comporta duas possibilidades se oferecem. A melhor é virar à esquerda em Direcção ao Carvalhal. Ao lado está um dos arrozais mais bonitos que conheço. Ao longe uma linha de de dunas e pinheiros separam-nos do atlântico. Se for daqueles para quem não é necessario levar o carro até à praia, estacione e ande algumas centenas de metros até uma das melhores praias a sul de lisboa. São quilómetros de praia, quase desertas, em pleno Agosto. Atenção: praias nao vigiadas e com dunas integradas na Rede Natura que convém deixar sossegadas.

A quem quizer aconselha-se ainda uma visita de final de dia ao cais palafítico da Carrasqueira.

Com uma paisagem assim é fácil perceber a ansiedade de promotores imobiliários e europeus endinheirados. Tudo o que ali se loteie vende-se!

E é também fácil compreender os dilemas das autoridades locais. Por isso, e porque os passos em falso de alguns aldeamentos de qualidade duvidosa ainda não deitaram tudo a perder, não resistimos a pedir-lhes alguma contenção quando estiverem a analisar projectos ditos "estruturantes".

Para quem o quizer fazer pessoalmente aqui ficam os endereços de quem intervém nesta paisagem:

Câmara de Grândola:cmgdl@cm-grandola.pt;
Câmara de Alcácer: site em baixo;
Reserva Natural do Estuario do Sado: site não encontrado.

PS - Portugal continua arder. É triste. O país da americas´coup, das marinas e projectos imobiliários de luxo que virão atrás, perde 150.000 hectares de pinhal e fica prostrado de mão estendida ao Fundo de Solidariedade Europeu da senhora comissária europeia Anna Diamantopoulou.

Publicado por jgomes às 11:31 PM | Comentários (0)

agosto 08, 2003

Lisporto - Uma ideia peregrina

Não é nosso objectivo entrarmos em polémicas pessoais, mas assim como não conseguimos deixar de ver também não conseguimos deixar de pensar no que se lê no nosso jornalismo de opinião. Isto a propósito do evidente e inquestionável desequilíbrio entre o Litoral e o interior do País, com o primeiro desordenado e sobrelotado e o segundo desertificado mas não menos desordenado.

Aqui há uns 3 meses, em final de Abril, Luís Salgado de Matos chocava-se (jornal Publico, 28 de Abril, infelizmente já não está on-line) com a falta de ambição de 3 cidades do centro do País - Caldas, Leiria, Ourém - pretenderem constituir uma novíssima área metropolitana. A ideia de ter uma área metropolitana com um Parque Natural pelo meio já é uma aberração, mas para Luís Salgado de Matos o que importava mesmo era ter uma grande cidade que iria de Lisboa ao Porto e incluía arrabaldes como Setúbal e Braga. Poderia até chamar-se Lisporto. E com uma cidade destas é que Portugal podia competir no mundo.

Ah, e os gérmenes desse grande metrópole já se vislumbravam : A Estrada Nacional 1 é a Avenida Principal em gestação e a A1 a Circular Exterior. Logo a Nacional 1, o exemplo máximo do crescimento à Africana em que nada se desenvolve se não for à beira da estrada!

Esta é infelizmente a ideia que governa muitos dos autarcas da zona Litoral centro, e nem seria preciso Luís Salgado de Matos fazer a sugestão. Para muitos o que importa a todo o custo é ter um estatuto com a palavra metropolitano. Nem que para isso se sub-urbanize todo o espaço rural. Alternando matas com urbanizações e estas com matagais e baldios devidamente pontuados por vivendas apalaçadas que hoje ninguém prescinde de alcançar.

Não é preciso ser especialista nestas questões para imaginar o que custa construir infra-estruturas (saneamento básico, vias de comunicação, água, gás e electricidade, entre outras) que simplesmente têm de abranger todo o espaço. Porque simplesmente tudo é por definição urbanizável.

Não é pois preciso ser especialista para perceber que a ideia de uma LisPorto é uma ideia peregrina. Pelo contrario, Portugal só pode de facto competir se possuir às portas das suas cidades espaços com definições claras, em que as aldeias tenham contornos e em que a paisagem não seja constantemente interrompida pela anarquia.

PS - Portugal continua a arder. E a este propósito Luís Salgado de Matos também tem opinião. Claro que há falta de planeamento, reconhece. Mas nada que justifique isto. O que se passa é que o português se esqueceu que a Natureza também pode ser má. Ohhh, Logo agora, no meio do Verão! Para mais elucidações é favor ler o artigo da passada -segunda-feira.

PS2 - Portugal continua a arder. Mais não fosse porque é referência "histórica" do vistas na paisagem, vale a pena ler o artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares sobre o assunto.

Publicado por jgomes às 01:23 PM | Comentários (1)

agosto 07, 2003

Vistas na paisagem - I

Vistas na paisagem é um blogue de e para todos aqueles que não conseguem ficar indiferentes ao espaço que os rodeia. Por outras palavras, é um blogue de e para todos aqueles que se emocionam quando vêm a Costa Vicentina ainda preservada, que se enervam com a desorganização da linha de Sintra, que se incomodam com a oportunidade perdida da Expo, que têm pesadelos com os nosso bairros sociais!

Sendo um blogue assumidamente leigo, não pretende, nem tem pretensões, de tratar tecnicamente os temas do ordenamento, planeamento e organização do território. Disso se ocuparão já (ou deverão ocupar!) os políticos e técnicos que trabalham estes assuntos.

Sem pretensões técnicas o vistas na paisagem, basear-se-á apenas no método da observação directa e no sentido estético básico que equipa qualquer ser humano que não queira prescindir dele!

A ideia é editar e manter online (ah! grande virtude da blogoesfera!) pequenos textos sobre as paisagens que nos é proporcionado desfrutar. Não sendo derrotistas nem destrutivos não nos determos apenas nos maus exemplos. O que de bonito se vir por aí terá também honras de primeira página e deverá constituir estímulo!

Nesta fase inicial o vistas na paisagem será apenas editado por mim. A ambição no entanto, é que mais correligionários se juntem à causa e comecem a produzir textos, sistematizando tudo o que estes 92391 km2, (mais Zona Económica exclusiva, não vá a Comissão tecê-las) nos oferecem à vista!

Com a vontade de manter o espírito original (muito sociedade civil, pelo menos por agora!), há um grande interesse em que os produtores sejam apenas leigos na matéria e que tenham profissões distantes dela!

Aos interessados pedimos apenas que mantenham as "vistas" na paisagem e nos enviem um email para vistasnapaisagem@hotmail.com

PS - Portugal continua a arder. E entre outras coisas o país já perdeu uma das melhores paisagens preservadas que tinha. O Norte Alentejano, Nisa, Marvão, entre outros perderam 80% da sua floresta. Muita de montado. As vistas na paisagem estão mais pobres.

Publicado por jgomes às 10:58 PM | Comentários (0)

agosto 06, 2003

Os incêndios como introdução

Vistas na paisagem pretende ser um blogue dedicado ao direito à paisagem (urbana e rural) que assiste a todos os portugueses. Por necessidades de ordem estética - não tão despiciendas como isso! - mas sobretudo por ela ser o resultado de tudo o quanto se faz de bom e de mau em matéria de urbanismo, ordenamento do território, políticas de desenvolvimento e, não menos importante, da acção individual dos diversos actores que nela intervêm.

Quis o infortúnio que na semana em que este blogue é criado a nossa paisagem e o nosso território, já de si tão ameaçados, enfrentassem uma das maiores catástrofes de que há memória.

Os incêndios que assolam Portugal não perturbam mas quase que suspendem quaisquer comentários que ultrapassem o de simplesmente desejar que rapidamente a situação seja ultrapassada.

Evidentemente que eles são o resultado de inúmeros factores, de décadas de mau planeamento e falta de estratégia conjugada com a possível displicência de responsáveis públicos e privados (eu cidadão, incluído). A este propósito faço referência às entradas de Blog de notas e ao excelente artigo de Vital Moreira publicado no jornal Publico de ontem.

Porque o essencial está dito e subscrevo os comentários acima, abstenho-me de juntar mais palavras. Resta-nos a tristeza de saber que o pior foi alcançado e estar solidários com todos aqueles que estão na linha da frente deste inferno.

No Outono, quando todos nos esquecermos, voltaremos ao assunto. Com a expectativa de que no próximo Verão ninguém diga que "não é no meio dos fogos que devemos ter atitudes recriminatórias".

Publicado por jgomes às 08:36 PM | Comentários (0)

agosto 05, 2003

Blogue, Blogue....

E aqui está mais um blogue em português, acabadinho de nascer, em plena virose da blogosfera!
Não dá para esconder a excitação que é vermo-nos na posse de um brinquedo destes, e menos ainda para disfarçar o medo que nos assalta sobre a propria resistência para tratar de um assunto deste tamanho!

E ao que se propõe o vistas na paisagem?

Para não esgotarmos a inspiração e nos ambientarmos à ferramenta, iremos por partes!

Publicado por jgomes às 12:48 AM | Comentários (0)