Portugal, Alenquer, Agosto 2004
Alenquer pode ser considerado o extremo Norte de Lisboa. Daí até à capital era legitimo e expectável que se urbanizasse. O que não era esperado é que fosse a sensibilidade de um bando de grunhos a orquestrar o esforço. Para os que se ocuparam de Alenquer fica a consolação de não terem sido os únicos que fizeram de conta que governavam alguma coisa: Vila Franca de Xira e Loures também se juntaram ao festim e da foz do Alviela até à foz do Trancão só não foi destruído o que não se quis ou não se teve tempo. Uma faixa de território única que hoje poderia equiparar-se ao vale do Tamisa nos arredores de Londres (alguém oferece aos autarcas e ex-autarcas destes 3 municípios uma viagem de borla a Inglaterra para que percebam como as suas reformas são imorais, e que em vez delas deveriam estar a responder em Tribunal???), está hoje esventrada pelos interesses obscuros dos construtores civis e dos seus serventes. O que poderia ser uma faixa continua urbanizada com sentido é hoje uma faixa sub-urbana desordenada que alterna torres e blocos de apartamentos de 12 andares com terras ao abandono, campos semi-agricultados e hangares de utilização industrial.
Se as coisas tivessem sido feitas em prol do interesse comum, os blocos de apartamentos não existiriam e, nada mais natural, também ali não existiriam já pequenas aldeolas a praticar quase exclusivamente a agricultura de subsistência. A falta de planeamento é também uma expressão da injustiça da nossa sociedade: enquanto alguns cidadãos sao empurrados para a Ala B no 14º F do "Paço das Vinhas", outros portugueses vivem às portas da capital resistindo ferozmente a uma urbanização com pés e cabeça e persistindo em modos de vida semi-medievais (o que nos tempos que correm é no mínimo, convenhamos, um luxo!). Os primeiros tinham o direito de viver em urbanizações planificadas e condignas; Os segundos deveriam ter sido confrontados com a necessidade de se adaptarem aos novos tempos. Nem uma coisa nem outra aconteceu e ao mesmo tempo que há milhares de pessoas em movimento pendular entre o trabalho na capital e o "Paço das vinhas", há guias turísticas patéticas a anunciar "...muito giro e típico, tamos a 15 Km de Lisboa, mas é como se tivéssemos em trás -dos- montes, tudo super atrasado. há aqui pessoas que nunca foram à capital nem viram o mar...". E o pior é que suspeito que nenhum dos dois grupos acima tem consciência do terceiro-mundo para onde foi empurrado!
Tudo isto a propósito de Alenquer. A foto acima é a que hoje se avista quando se circula em direcção a Lisboa pela estrada nacional 1. Do lado direito o presépio, em frente o apocalipse! Comparem-na com a fotografia da entrada anterior e concluam o que quizerem. Mas esta não é a única vista que se deve evitar em Alenquer. O Carregado, foto abaixo, o da central termoeletrcia e o do Outlet super porreiro onde se vai ao fim de semana comprar camisas da moda a metade do preço, foi o laboratório montado nos anos 80. A Autarquia gostou tanto dos resultados que dos anos 90 para cá resolveu ceder aos interesses (imagino o esforço que deve ter feito!!!) e aplicou a receita onde pôde e onde havia gente a pressionar (não pressione, nao pressione, por favor senao vou ter de autorizar!).
Abaixo da foto do Carregado fica outra, a norte de Alenquer: uma urbanização no meio do nada às portas da OTA. ...Sim às portas do hipotético futuro aeroporto, o tal que o Sr. presidente de Câmara de Alenquer volta não volta, e sem conseguir disfarçar a saliva que lhe cresce na boca, anuncia que gostava de ver construído rapidamente (de acordo com ele há pessoas há espera do festim, desculpem, do desenvolvimento da região, há 20 anos!). É natural. Esta autarquia governa e escavaca sem critério há 30 anos e a inépcia da Administração central arranja sempre desculpas para não avançar já com a pista dos aviões.... Não se faz, são atrasos indecentes que ninguém deveria poder infligir a um senhor de idade avançada! Eu acho que ele já só pede para que a primeira pedra seja lançada antes de ele se finar, como prenda pelos seus 30 anos de autarca! "Era uma festa bonita!".
Com todo o respeito ao Sr, Álvaro Pedro, que como pessoa só deve ser uma jóia, e sem a mínima admiraçao ou respeito pelo trabalho autarca Álvaro Pedro e demais vereadores cumplices activos e passivos, alguém se importa de não autorizar o aeroporto enquanto não estiver garantido um plano de ordenamento credível, e no qual esta autarquia não intervenha, de toda aquela Zona?
Para finalizar, junto os links para o site do Alenquer Mais, e da Alambi (provavelmente a associação ambiental local mais dinâmica de Portugal, que luta pela defesa e preservação de Alenquer.
Junto ainda um artigo publicado no Publico Online dia 15 de Setembro, sobre crescimento urbano.(copia no corpo da entrada).
Por fim, e como extra, o link para um site que o google me deu a conhecer: É sobre Alenquer...no Brasil!! Que se auto-refere como: um capricho dos Deuses da Selva amzónica. Tudo links "snifados" em 30 segundos enquanto o site da câmara de Alenquer está calmamente.... em baixo!!!
Portugal, Alenquer - Carregado, Agosto 2004
Portugal, Alenquer-OTA, Agosto 2004
Sociedade 15-09-2004 - 11h01
Relatório mostra tendência de urbanização crescente
ONU: Portugal é o segundo país mais rural da União Europeia
Lusa
Portugal é o segundo país mais rural da União Europeia (UE), mas é também um dos países com as mais elevadas taxas de crescimento urbano, revela um relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) relativo a 2003.
O relatório "O Consenso do Cairo Dez Anos Depois: População, Saúde Reprodutiva e Esforços Mundiais para Acabar com a Pobreza", que vai ser apresentado hoje, mostra que, no ano passado, a percentagem da população urbana em Portugal era de 55 por cento. Na Eslovénia 51 por cento da população vivia nas cidades, o que torna este novo membro da UE no país com maior índice de ruralidade.
No extremo oposto da lista estão a Bélgica (97 por cento dos seus cidadãos viviam nas cidades), o Reino Unido (89 por cento) e a Alemanha (88 por cento).
O documento do UNFPA contabiliza também a taxa de crescimento urbano para o período 2000-2005 e mostra que Portugal apresenta uma das maiores taxas de conversão da população às cidades (1,1 por cento), só ultrapassada pela Holanda (1,3 por cento) e pela Irlanda (1,5 por cento).
Na maioria dos países da UE a taxa de crescimento encontra-se perto do zero. Mas há casos, como os da Estónia e Letónia, em que o crescimento é negativo, o que indicia que as populações estão a voltar ao campo.
O documento vai ser apresentado na Assembleia da República por Catarina Furtado, embaixadora de boa vontade do UNFPA, e Júlio Leite, representante do UNFPA em Angola, na presença do presidente do Parlamento, Mota Amaral, e do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e População, Henrique de Freitas.
Viva
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