agosto 12, 2005
Blogue! Blogue! Este sitio está suspenso!
O Blogue Vistas na paisagem foi editado entre Agosto de 2003 e Maio de 2005 e contém textos/opiniões acerca do direito à paisagem que assiste a cada um de nós. Num país litoralizado onde o planeamento nunca foi muito apreciado, o modelo de crescimento económico está baseado nas fileiras da construção, onde a suburbanização manhosa se faz regra; onde que tem chão urbaniza ou eucaliptiza, a destruição das nossas paisagens (naturais e humanizadas) é sem duvida um dos nossos mais estúpidos desperdícios. É certo que há bons exemplos em contrário, mas as tentações e a falta de pudor aconselham neste assunto, como noutros, vigilância redobrada.
Por razões diversas o autor termina aqui a sua edição, mas o assunto continua a motivar a criação de novos blogues, os quais desenvolvem hoje o tema com empenho e energia. Desses gostaria de linkar a titulo de sugestão os seguintes:
- Dias com árvores
- Ondas
- A Sul
- Campo Aberto
Este blogue continua online por razões de afecto e porque faz parte de um período importante da blogoesfera. Muito do que se escreveu continua a fazer sentido e pode sempre ser repescado nos motores de pesquisa.
**********************************************************************
Blogue! Blogue! Este sitio está suspenso!
Há cerca de dois anos escrevíamos pela primeira vez "Blogue, Blogue. Hoje, depois de quase 3 meses sem actualização e de promessas de "voltar" ao assunto, escrevi acima a ultima entrada, tendo em mente, sobretudo, alguns leitores que se fartaram de passar por aqui em vão, na expectativa de uma actualização. Tudo tem de facto um fim, este blogue não foge á regra, e por uma série de razões este é o momento em que sou forçado concluir que não possuo as condições para manter este blogue com a energia que o tema exige.
Para finalizar quero manifestar apenas os seguintes pontos:
- A grande satisfação que me deu criar e alimentar este blogue. O seu fundamento - O direito à paisagem que assiste a cada um de nós - foi e será sempre um assunto que me preocupará como cidadão. Em 2003 a blogoesfera permitiu-me expressar muitas das opiniões que partilhava com amigos nos anos 90.
- Além da expressão de opiniões, este blogue levou-me a "crescer" neste e noutros assuntos próximos, a reflectir mais e a desfazer algumas ideias feitas. Acabo o blogue com muitas mais preocupações ecologistas e com a firme certeza de que só uma sociedade civil organizada e ONG´s mais fortes podem lutar pela preservação do que ainda existe.
- O meu muito obrigado por fim a todos os blogues sítios e respectivos autores que directa e indirectamente referiram este sitio;
- O meu muito obrigado também a Domingo Neto que contribuiu com algumas entradas.
Um abraço
João Gomes
Publicado por jgomes às 04:15 PM | Comentários (6) | TrackBack
agosto 05, 2004
Um ano a ver Vistas na Paisagem!
Há um ano atrás escrevíamos "blogue, blogue... " pela primeira vez! Não imaginávamos como estaria um ano depois, mas é seguro afirmar que o balanço é francamente positivo: O objectivo principal cumpriu-se e mantém-se totalmente actual: registar num site acessível a todos textos sobre o direito à paisagem (seja ela urbana ou, rural ou natural) que assiste a cada um de nós e que é um elemento fundamental na definição da nossa qualidade de vida enquanto sociedade com um passado e um projecto de futuro.
Como dizíamos na altura, um blogue que se propunha a misturar estética com política, ordenamento e administração do território entre outras coisas!
Para além deste objectivo principal refiro outros aspectos positivos que o Vistas na paisagem proporcionou ao longo das suas 50 entradas. Aspectos normalmente citados por quem edita blogues e que se situam no nível da satisfação pessoal :
- o grande prazer de expressarmos publicamente os nossos pontos de vista e de os partilharmos com outros,
- o habituarmo-nos a ler e a lidar com criticas, nomeadamente quando estas foram negativas e fomos forçados a reconhecer-lhes razão,
- o ter-nos permitido amadurecer e desenvolver ideias, perspectivas e reflexões, levando-nos a percorrer um caminho que para nós mesmos foi de descoberta.
Se a este aspectos juntarmos a expectativa de que outros leitores se identificaram com o que foi sendo editado, então temos a medida da nossa satisfação.
Como é evidente há aspectos menos conseguidos: não conseguimos alterar o layout do blogue uma única vez; falhou-se na intenção de suscitar a participação de outros cidadãos na produção e publicação de textos que partilhassem a mesma base de insatisfação com o que se observa no nosso país em matéria de ordenamento do território.
De qualquer das formas e apesar dos aspectos menos conseguidos o saldo é francamente positivo, e não é arriscar muito afirmar que contamos poder fazer novo balanço positivo daqui a dois anos. O compromisso é continuar a editar com uma frequência semanal pequenos textos, com principio meio e fim, em que a paisagem é a personagem principal.
Como não poderia deixar de ser, finalizo com os inevitáveis agradecimentos:
O meu obrigado ao Paulo Querido, promotor do projecto excepcional que é o Weblog. Os meus votos sinceros do seu (nosso!) maior êxito!
O meu muito obrigado também a todos aqueles que visitaram e visitam o vistas na paisagem!
PS - Porque é sempre altura de fazer um link aqui vai mais um para o Editorial de José Manuel Fernandes no Publico de hoje. Nem de propósito refere e desenvolve as ideias ( que não são inovadoras, eu sei!) da ultima entrada sobre a derrocada de prédios nos nossos centros urbanos! No corpo desta noticia segue o texto na integra.
Derrocadas, Rendas e Cultura
Por JOSÉ MANUEL FERNANDES
Quinta-feira, 05 de Agosto de 2004
Os portugueses não gostam de casas velhas. Boas, boas, são as novinhas em folha, a estrear, para onde se entra sem perder tempo com pinturas, sem verificar os canos e as instalações eléctricas e que têm aquele aspecto plastificado que não difere muito de serem "de luxo" ou de "preços moderados". Os portugueses só gostam de casas velhas quando são, virtualmente, de borla. Quando podem lá viver, às vezes sem um mínimo de condições, mas pagando uma renda que nem dava mandar pintar uma janela ou substituir uma torneira - obrigações inalienáveis do senhorio, está bem de ver.
Esta cultura impregna o país de alto a baixo. Serve os construtores civis, que detestam as imprevisíveis obras de recuperação e sabem que o seu negócio tem margens mirabolantes, as maiores de toda a Europa. Serve os senhorios mal intencionados, que vão deixando degradar as casas até que elas venham abaixo por falta de manutenção ou por assassinato deliberado. Serve muitos inquilinos, que graças às rendas baixas, puderam cumprir o sonho bem português da "segunda habitação". E serve até as câmaras que cobram bons impostos pelos edifícios novos enquanto têm de comparticipar na recuperação dos antigos.
Os resultados estão à vista. Primeiro, no desordenamento urbano e na invasão dos espaços rurais mais cobiçados. Depois, na degradação inevitável dos cascos urbanos antigos que, em muitos casos, chegou a um ponto que só investimentos públicos incomportáveis permitiriam recuperá-los.
Os números são, de resto, elucidativos. O investimento em recuperação de edifícios degradados representa apenas 5,6 por cento do total do investimento na construção de habitação, o que faz com que Portugal seja o país da Europa Ocidental que menos investe na recuperação. Só para ter um termo de comparação, diga-se que na Suécia metade do dinheiro vai para a requalificação dos edifícios e em Espanha é esse o destino de 22,6 por cento do investimento.
Não surpreende por isso que 15 por cento dos nossos alojamentos necessitem de obras de conservação ou recuperação (800 mil) e que seis por cento (325 mil) ameacem ruir. Mais: um terço desses edifícios ficam nas zonas de Lisboa e do Porto e 180 mil estão devolutos. Por isso, quando cai um prédio como esta semana sucedeu em Campo de Ourique, a surpresa não é derrocada: é não haver mais derrocadas.
Nessas alturas olha-se para o Estado e estende-se a mão. Mal: devia-se antes exigir as medidas de fundo que faltam. Que são várias. A obsoleta lei das rendas, que ainda não foi liberalizada, é uma delas. Prometida para o primeiro semestre, está adiada para o fim de Setembro. Veremos. Mas não chega. É necessário rever também a tributação do património, algo que está em marcha mas que, suspeito, não penaliza como devia os proprietários de prédios devolutos que jogam na especulação. Por fim, é necessário alterar a forma de financiamento das autarquias e o modo como tributam as novas habitações e a recuperação das antigas, fazendo a necessária distinção.
Hoje quase todos ganham por deixar os prédios cair. Só quando todos perderem se modificará o "novo-riquismo" das casas a estrear e se optará, até culturalmente, pelo mais racional: recuperar, reutilizar, requalificar.
Publicado por jgomes às 07:32 PM | Comentários (6)
agosto 29, 2003
Direito à paisagem em Leiria
O direito à paisagem não é apenas um capricho estético de alguns. Na realidade ele diz respeito a cada um de nós sem excepção e afecta muito mais a nossa existência do que seriamos levados a supor.
Ao sintetizar a ocupação que fizemos e fazemos do espaço, a paisagem é apenas a face visível de algo muito mais profundo e que vai desde aspectos economicistas como a lógica de desenvolvimento adoptado (sustentável ou não) até outros, menos materiais mas não menos importantes como sejam o modo de nos organizarmos e vermos enquanto sociedade.
Nada disto é inédito, já muitos outros o disseram antes ( Gonçalo Ribeiro Teles, outra vez à cabeça!), mas nunca é demais repeti-lo: A paisagem é um direito de memoria colectiva – algo de fundamental para nos compreendermos hoje e, sobretudo, nos perspectivarmos enquanto país com um projecto de futuro.
Vem isto a propósito do modelo de ordenamento que se observa em Leiria, um concelho em franco crescimento económico que é também capital de distrito e pólo aglutinador da região Marinha Grande/Batalha/Porto de Mós.
É bem possível que Leiria tenha um Plano Director Municipal, como manda a lei, devidamente organizado e planificado. Discuti-lo não está nas minhas intenções até porque, confesso, não o conheço enquanto documento. Porém os seus resultados práticos estão à vista de qualquer cidadão que por lá passe e o que se vê não pode deixar ninguém indiferente:
- Uma cidade com um urbanismo de baixa qualidade que se expande em todas os pontos cardeais, dando a ideia de que não há, entre outras coisas, uma visão de limites para a cidade;
- Um espaço rural em estado de pseudo sub-urbanização acelerada em que as aldeias se espalham pelos campos e bermas das estradas, perdendo os centros, colando-se umas às outras e onde aparentemente todos constroem o que lhes apetece.
Neste ultimo caso, um “bom” exemplo do mau ordenamento seguido em Leiria é o da antiga Estrada Nacional 365 ( Batalha-Nazaré). Uma estrada que quando foi concebida, e até há poucos anos atrás, passava exclusivamente pelo exterior das aldeias, está hoje ladeadada de modo anárquico e continuado por habitações apalaçadas, pavilhões industrias, lotes de apartamentos/bandas de casas gemenidas. Tudo alternado com alguns espaços originais de pinhal/terras de cultivo que de forma ingloria ainda resistem.
Pensarão alguns, mais desculpabilizadores, que este cenário de batalha campal é o preço do desenvolvimento. Outros de que é o fruto de alguns erros dos anos 80 que entretanto serão corrigidos. Com os primeiros não podemos, como veremos, concordar. Aos segundos convém alertar que se tratam de erros ainda frescos e em curso.
Sobre o que neste momento se está a fazer em Leiria três perguntas se colocam às autoridades municipais:
1 – Leiria tem ou não àreas industriais? Se tem, qual a razão para permitir a particulares a destruição de área de pinhais e terras de cultivo para constução descontextualizada de armazéns industriais?
2 – Leiria tem ou não àreas residenciais de estatuto médio-alto? Se tem, porque é que permitiu e permite que qualquer particular na posse de uma parcela com vista para qualquer coisa construa habitações desmedidas?
3 – Leiria tem ou não zona urbana? Se tem porque é que licencia lotes desgarrados de urbanizações à entrada de aldeias, que mais não são do que “bons golpes de vista” de pequenos proprietários transformados em promotores imobiliários?
Para os que eventualmente nos acusarem de sermos apenas criticos destrutivos e de que este é o custo do desenvolvimento, refiro três consequências que enquanto leigo não me é dificil antever e que no futuro significarão custos económicos acrescidos para toda a comunidade:
- Elevado custo na construção e manutenção de infraestruturas colectivas (saneamento, electricidade, gás);
- Necessidade de no curto-médio prazo se construirem novas estradas que assegurem o escoamento do tráfego ( a antiga estrada nacional que atrás referimos foi, como tantas outras, desclassificada para municipal e em grande parte não permite hoje velocidades superiores a 40 Km....)
- Dificuldade crescente em vender a região como produto turistico de qualidade ( Estão a imaginar um turista alemão que visite de carro o triângulo Batalha/Nazaré/Leiria a regressar ?).
Mas os impactos negativos não são meramente económicos. São mais fundos e dizem respeito àquilo que falávamos no início deste texto: a perda de uma memoria colectiva da paisagem que era fundamental preservar para perspectivarmos o futuro de forma sólida.
PS - As criticas acima são endereçadas a Leiria (somos sempre mais exigentes com aqueles de que gostamos!), mas poderiam ser transpostas quase na integra para quase todas as vilas e cidades vizinhas...Em bom rigor, podem infelizmente ser observadas em quase todas as vilas e cidades que crescem neste país.
Cumprindo a tradição junto o email da Presidente da Câmara Municipal de Leiria: presidente@cm-leiria.pt
Publicado por jgomes às 03:50 PM
agosto 07, 2003
Vistas na paisagem - I
Vistas na paisagem é um blogue de e para todos aqueles que não conseguem ficar indiferentes ao espaço que os rodeia. Por outras palavras, é um blogue de e para todos aqueles que se emocionam quando vêm a Costa Vicentina ainda preservada, que se enervam com a desorganização da linha de Sintra, que se incomodam com a oportunidade perdida da Expo, que têm pesadelos com os nosso bairros sociais!
Sendo um blogue assumidamente leigo, não pretende, nem tem pretensões, de tratar tecnicamente os temas do ordenamento, planeamento e organização do território. Disso se ocuparão já (ou deverão ocupar!) os políticos e técnicos que trabalham estes assuntos.
Sem pretensões técnicas o vistas na paisagem, basear-se-á apenas no método da observação directa e no sentido estético básico que equipa qualquer ser humano que não queira prescindir dele!
A ideia é editar e manter online (ah! grande virtude da blogoesfera!) pequenos textos sobre as paisagens que nos é proporcionado desfrutar. Não sendo derrotistas nem destrutivos não nos determos apenas nos maus exemplos. O que de bonito se vir por aí terá também honras de primeira página e deverá constituir estímulo!
Nesta fase inicial o vistas na paisagem será apenas editado por mim. A ambição no entanto, é que mais correligionários se juntem à causa e comecem a produzir textos, sistematizando tudo o que estes 92391 km2, (mais Zona Económica exclusiva, não vá a Comissão tecê-las) nos oferecem à vista!
Com a vontade de manter o espírito original (muito sociedade civil, pelo menos por agora!), há um grande interesse em que os produtores sejam apenas leigos na matéria e que tenham profissões distantes dela!
Aos interessados pedimos apenas que mantenham as "vistas" na paisagem e nos enviem um email para vistasnapaisagem@hotmail.com
PS - Portugal continua a arder. E entre outras coisas o país já perdeu uma das melhores paisagens preservadas que tinha. O Norte Alentejano, Nisa, Marvão, entre outros perderam 80% da sua floresta. Muita de montado. As vistas na paisagem estão mais pobres.
Publicado por jgomes às 10:58 PM
agosto 06, 2003
Os incêndios como introdução
Vistas na paisagem pretende ser um blogue dedicado ao direito à paisagem (urbana e rural) que assiste a todos os portugueses. Por necessidades de ordem estética - não tão despiciendas como isso! - mas sobretudo por ela ser o resultado de tudo o quanto se faz de bom e de mau em matéria de urbanismo, ordenamento do território, políticas de desenvolvimento e, não menos importante, da acção individual dos diversos actores que nela intervêm.
Quis o infortúnio que na semana em que este blogue é criado a nossa paisagem e o nosso território, já de si tão ameaçados, enfrentassem uma das maiores catástrofes de que há memória.
Os incêndios que assolam Portugal não perturbam mas quase que suspendem quaisquer comentários que ultrapassem o de simplesmente desejar que rapidamente a situação seja ultrapassada.
Evidentemente que eles são o resultado de inúmeros factores, de décadas de mau planeamento e falta de estratégia conjugada com a possível displicência de responsáveis públicos e privados (eu cidadão, incluído). A este propósito faço referência às entradas de Blog de notas e ao excelente artigo de Vital Moreira publicado no jornal Publico de ontem.
Porque o essencial está dito e subscrevo os comentários acima, abstenho-me de juntar mais palavras. Resta-nos a tristeza de saber que o pior foi alcançado e estar solidários com todos aqueles que estão na linha da frente deste inferno.
No Outono, quando todos nos esquecermos, voltaremos ao assunto. Com a expectativa de que no próximo Verão ninguém diga que "não é no meio dos fogos que devemos ter atitudes recriminatórias".
Publicado por jgomes às 08:36 PM
agosto 05, 2003
Blogue, Blogue....
E aqui está mais um blogue em português, acabadinho de nascer, em plena virose da blogosfera!
Não dá para esconder a excitação que é vermo-nos na posse de um brinquedo destes, e menos ainda para disfarçar o medo que nos assalta sobre a propria resistência para tratar de um assunto deste tamanho!
E ao que se propõe o vistas na paisagem?
Para não esgotarmos a inspiração e nos ambientarmos à ferramenta, iremos por partes!
Publicado por jgomes às 12:48 AM